Lista de Poemas
Filha sem flores
Sentado no banco de perna cruzada,
Segura uma esterlícia com os dedos.
Vê, cruzando seu campo de visão,
crianças saltando e de volta no chão.
Tão colorida a rápida criançada,
ambiente galhardo, coreto enfeitado.
Que tempo, já mal o lembra,
em que rodava no ar a menina,
amada, meia gente, sua sina
nascida de um amor grande,
enorme como a dor de a perder,
que por cá anda tudo aos pares.
Como um passo num precipício,
foi a querida menina, filha sem flores,
pesar tão profundo, escuros mares,
águas infinitas onde descança a vista,
vagueando a memória sem história
de apontar, roubada, sempre presente.
👁️ 143
Salto de anseio
Adiante de uma porta raramente aberta
Há uma lânguida sexualidade desperta.
Vermelho desbotado, tarado, crente
numa vida que podia ser e não é,
Gozadas, orgasmos que corro a pontapé
Num precipício em que anseio por este pé,
O outro no ar num salto de fé, não sei se é,
Ou toda esta doença de saúde adiada
Apenas uma macabra festa sonhada,
Psicopatia de uma besta aprisionada.
👁️ 149
Domingos a penas, vazios e frios
Domingos apenas, inutilmente, sofridos,
Tão raramente vividos nestes anos corridos,
Onde me enredam em passos a reparar danos...
Melhor quando saía sem dormir
Cansado do amor suado, skoll matinal,
O papo pouco banal, os cães a conversar
As pessoas a comprar pão e eu a disfarçar
A comprar o que não havia de emborcar
Ou até fumar uma preta, que era raro,
Uma loira com a branca de qualidade,
Essa era a dona do domingo de verdade.
Domingos cheios de intencionalidade
Tardes de calor, água ,sexo, insanidade,
Até sobrevir a prisão de decidir contra o falso pão
Optar pela saúde, sem fito, a matar-me desde então.
A lutar contra a minha natureza, a minha certeza
A amarrar-me à decadência sem qualquer beleza,
Pois mais vale uma manhã daquelas que este pardieiro,
Trocava uma dessas por este frio fosso, ano inteiro,
De provar que prescindo, canudo da faculdade,
De existir, realmente, saciedade de conselhos,
Uma década roubada, a que mais vos faltava,
Sem civilidade, mudas acusações, paradigmas
Enterrado, sufocado no jogo, sem rapar pintelhos,
Olhos velhos, refratados em míriades de lágrimas.
Que no dia de ficar mudo, hei-de sorrir
Ao lembrar todo o dia o que vos ouvi mentir
A tentar trazer uma razão
Que não aceito neste porvir,
Quisera jazer contorcido
Num plano esburacado, perdido.
Sempre, estejam certos, a final,
Deitarei onde quiser, ou se não puder,
Numa simbólica Pasárgada qualquer.
👁️ 213
Outrora
Outrora uma hora livre ou ocupada.
Agora a hora passa pensando nela.
Outrora passava uma hora de carros,
Agora passa a hora a saber se morre.
Outrora lia revistas de astronomia
Agora Eta Pegasi, não sendo, é de matar.
Outrora a hora não pensava em matar
Agora a hora diz q talvez seja morrer só,
Outrora não gostaria que o sangrassem
Numa tarde comum, por um motivo fútil
Como a hora muda ao longo do tempo!
Agora a hora passa pensando nela.
Outrora passava uma hora de carros,
Agora passa a hora a saber se morre.
Outrora lia revistas de astronomia
Agora Eta Pegasi, não sendo, é de matar.
Outrora a hora não pensava em matar
Agora a hora diz q talvez seja morrer só,
Outrora não gostaria que o sangrassem
Numa tarde comum, por um motivo fútil
Como a hora muda ao longo do tempo!
👁️ 186
Balada do irrelevante
Hei-de estar morto quando a vossa perna
Me alcançar e pisar deitado no meu leito
Ferido de mil golpes infligidos, mil golpes
Derrotado na pedra tão fria como o cadáver
Que um dia nunca se deu por vencido,
Que menos o imaginam, de si esquecido
Que todo o mundo é apenas todo um globo
Povoado pela vida de tantas extinções,
Ó povo
Hei-de encarar-vos morto, tão partido, torto,
Minha face esfacelada calma e persistente
Tão certa de si, tão descrente, ora ausente.
Eu que persigo a Chimera que me espera
Esfíngica e à qual nunca responderei,
As mesmas respostas que nunca vos dei.
As que amei, ao revolto destino abandonei,
As crianças que riem no sonhos suprimidos,
O sangue escorrido dos membros feridos
Em mãos atadas no cume dos esquecidos.
Os sonhos que não sabem que sonhei,
O coartado acto que não, nunca vos prestei.
Ignomínia antiga, dum vivamus, vivamus
É um ponto na planta onde já não encontramos
As coordenadas possíveis de alguma presença,
Um passo congelado no fim destes anos,
Agora que as árvores velhas que passamos
São testemunhas que já cá não estamos.
A vós a vida que levaram por mim
A vós uma ode insana e sem fim
Pois comecei a partir bem antes de cá vir.
Sede, que eu fui e esfumei-me
No loop do coup-de-grâce
Como se não me amasse
Neste idílico momento, abracei-me
E esse sangue escorreu-me exangue
Eu que não me dou por vencido
Na louca teimosia, já esquecido.
Me alcançar e pisar deitado no meu leito
Ferido de mil golpes infligidos, mil golpes
Derrotado na pedra tão fria como o cadáver
Que um dia nunca se deu por vencido,
Que menos o imaginam, de si esquecido
Que todo o mundo é apenas todo um globo
Povoado pela vida de tantas extinções,
Ó povo
Hei-de encarar-vos morto, tão partido, torto,
Minha face esfacelada calma e persistente
Tão certa de si, tão descrente, ora ausente.
Eu que persigo a Chimera que me espera
Esfíngica e à qual nunca responderei,
As mesmas respostas que nunca vos dei.
As que amei, ao revolto destino abandonei,
As crianças que riem no sonhos suprimidos,
O sangue escorrido dos membros feridos
Em mãos atadas no cume dos esquecidos.
Os sonhos que não sabem que sonhei,
O coartado acto que não, nunca vos prestei.
Ignomínia antiga, dum vivamus, vivamus
É um ponto na planta onde já não encontramos
As coordenadas possíveis de alguma presença,
Um passo congelado no fim destes anos,
Agora que as árvores velhas que passamos
São testemunhas que já cá não estamos.
A vós a vida que levaram por mim
A vós uma ode insana e sem fim
Pois comecei a partir bem antes de cá vir.
Sede, que eu fui e esfumei-me
No loop do coup-de-grâce
Como se não me amasse
Neste idílico momento, abracei-me
E esse sangue escorreu-me exangue
Eu que não me dou por vencido
Na louca teimosia, já esquecido.
👁️ 209
O mundo além
A casa onde me abrigo
A roupa que visto
A mulher com que me avisto,
Noite após noite,
Enquanto dou voltas
Na cama onde me deito,
É tão minha como
As filhas que trouxe
Ou os que me deu
Não sendo ninguém
Pertença do próximo,
Uns são mais
Próximos
Que outros
A mim
Ninguém me é próximo
Sou ausente
De tudo
E assim quero ser...
A roupa que visto
A mulher com que me avisto,
Noite após noite,
Enquanto dou voltas
Na cama onde me deito,
É tão minha como
As filhas que trouxe
Ou os que me deu
Não sendo ninguém
Pertença do próximo,
Uns são mais
Próximos
Que outros
A mim
Ninguém me é próximo
Sou ausente
De tudo
E assim quero ser...
👁️ 139
Hora do bote
Na hora do bote dos Bots e ataque de drone
A epidemiologia a disseminar fake news a toldar nossa vista
Não há muito quem assista e mesmo assim resista
Tinge-se a manhã no sangue místico
Explosão dos horrores derrotados
Forças de balanço contra o ranço,
Odor do demi monde sem saber aonde.
Mata-se sem piedade aqui e acolá
Mata-se, sem razão, aonde quer vão
Gente nas diversas Igrejas Ora toda a hora
E nunca reclamam de toda a demora.
Aspira-se a justificar a maldade no mundo.
Como se a cabal explicação do tempo
Parasse as nevascas do Alasca
Ou twisters no show me state.
Tudo são perspectivas e vistas antigas
Dos pais fundadores desta e daquela sociedade
Onde as verdades se penam fora da confissão, escondidas
Onde só as lucrativas explicações, proferidas com probidade
Exalam dos mass media, redes sociais, bots e outros que tais
O bote de uma Slytherin pós WYSIWYG sem medida
Uma fenda na gente, desumanização desmedida,
Esperança sempre aludida, nunca cumprida
A epidemiologia a disseminar fake news a toldar nossa vista
Não há muito quem assista e mesmo assim resista
Tinge-se a manhã no sangue místico
Explosão dos horrores derrotados
Forças de balanço contra o ranço,
Odor do demi monde sem saber aonde.
Mata-se sem piedade aqui e acolá
Mata-se, sem razão, aonde quer vão
Gente nas diversas Igrejas Ora toda a hora
E nunca reclamam de toda a demora.
Aspira-se a justificar a maldade no mundo.
Como se a cabal explicação do tempo
Parasse as nevascas do Alasca
Ou twisters no show me state.
Tudo são perspectivas e vistas antigas
Dos pais fundadores desta e daquela sociedade
Onde as verdades se penam fora da confissão, escondidas
Onde só as lucrativas explicações, proferidas com probidade
Exalam dos mass media, redes sociais, bots e outros que tais
O bote de uma Slytherin pós WYSIWYG sem medida
Uma fenda na gente, desumanização desmedida,
Esperança sempre aludida, nunca cumprida
👁️ 143
Sangue matinal
Tenho muito sono de manhã
Esqueço o amor daquela noite
Que amanheceu na cobardia
De não encarar de frente o novo dia
Tenho mil coisas solitárias
Panfletária natureza isolada
Um milhar de sonhos de concretização negada
Vem para mim amor dessa matina
Deixa eu acordar
Devolve essa sina
Qualquer palavra tua para vestir
Aquecer esta alma nua
Haja sangue na na rua
Haja sirene, o homem do Leme
Olhar fito naquilo que teme,
Olhar perdido no que há por vir
Esqueço o amor daquela noite
Que amanheceu na cobardia
De não encarar de frente o novo dia
Tenho mil coisas solitárias
Panfletária natureza isolada
Um milhar de sonhos de concretização negada
Vem para mim amor dessa matina
Deixa eu acordar
Devolve essa sina
Qualquer palavra tua para vestir
Aquecer esta alma nua
Haja sangue na na rua
Haja sirene, o homem do Leme
Olhar fito naquilo que teme,
Olhar perdido no que há por vir
👁️ 141
Nascida alta
Notável acreditava ser um dia,
Charmosa nesta hora imediata,
Mulher que os ata pela pose,
Erotismo com que se retrata.
Nascida alta o pai lhe dera o nome
A mãe a formação para o carregar.
Hoje a inclinação do vento, dobra
Suas costas, fitadas, fundo no rio,
Sentem o correr do sombrio arrepio,
A esticar o passo na umbra, desvario.
Beleza dominada por Newton
Porque cais agora, que és tudo
O que nunca fiz de mim, sobretudo?
A sereia já nada nas vagas do rio,
Ou assenta no fundo um segundo,
Fleuma para despedida do mundo.
Nascida alta descansa no lodo.
Todos mortos na família,
Não haverá vigília
Não há mais quem a procure,
Nem um sinal que perdure.
Charmosa nesta hora imediata,
Mulher que os ata pela pose,
Erotismo com que se retrata.
Nascida alta o pai lhe dera o nome
A mãe a formação para o carregar.
Hoje a inclinação do vento, dobra
Suas costas, fitadas, fundo no rio,
Sentem o correr do sombrio arrepio,
A esticar o passo na umbra, desvario.
Beleza dominada por Newton
Porque cais agora, que és tudo
O que nunca fiz de mim, sobretudo?
A sereia já nada nas vagas do rio,
Ou assenta no fundo um segundo,
Fleuma para despedida do mundo.
Nascida alta descansa no lodo.
Todos mortos na família,
Não haverá vigília
Não há mais quem a procure,
Nem um sinal que perdure.
👁️ 121
Escala de Mohs
Cada olhar de faca enferrujada,
É uma estocada, cada vez que a ira
O ignoto desprezo, o juízo sem peso
Me tocam, eu regozijo, esquivo, altivo,
Alimento a distância que nos separa.
Esquecida vara que me açoita, atitude afoita,
O meu passo parece esquecer as grilhetas
E o seu peso ausente, ilusão de não mais preso,
Sentenciado, todavía, todo o santo ou profano dia.
Cada censura perdura em mim numa carapaça,
Uma coisa dura que me ultrapassa,
Não sei o que seja,
Não é que se veja,
Uma subida de Mohs, um salto na escala,
Até que um dia, breve, riscados sereis apenas, afinal, vós!
Que nos leve a ceifadora desta estada breve,
Que nada afinal transpareça do que ora
Se escreve.
Não interessa essa ideia de tantos conteúdos,
Como um velho lord inglês tinha de sobretudos.
👁️ 140
Comentários (1)
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nilza_azzi
2019-08-17
Contra plágio também é uma maneira de dizer e não dizer. Muito obrigada pelo comentário em meu poema.
Por ora não interessa quem sou, que entenda a/o ?! Outr/a/o.
Peço desculpa por postar escritas toscas, textos mal editados ou nem revistos.
Parte da minha escrita fora da nuvem., formatei-a num ssd...😂😢🤗 A plataforma é rápida. Sem sequência ou ordem de assunto. A cronologia: nem sempre é clara a data real, por isso a não incluo.
Gente entre gente, que não se pense que se sente o que outro sente, nem que se pressente para além do presente.
Só me retrato por tanta falta de critério e qualidade.
A verdade é que alguns dos que mais prezo não serão incluídos para já.
Uso também um novo repositório para a língua inglesa, idioma que tenho vindo a usar por vários motivos, e.g. (https://www.poeticous.com/m-genth )
Embora quase não escreva em espanhol e francês, uso um site espanhol que considero, entre outros.
Não posso aquilatar exactamente o que perdi, dado que....blá blá blá.
Quando encontrar uma ordem e decidir se quero incluir algo pessoal além das iniciais cruzadas, ou pseudónimo/fotografia.
Atentos cumprimentos a todos os que mantêm, participam e contribuem para este repositório de escritas, as melhores, e todos os que chegaram. Obrigado
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