Escritas

Lista de Poemas

Outro Décor

Das Kapital voller Versuchungen
Der Pöbel eine Gefahr
E o que tenho para dar
Alguém se está a preparar
Para oferecer melhor 
Junto com outro décor.
 
Sou uma regula para o povo treinar ,
E em persistente tentativa, aprender a superar,
O Canon enviesado que importa alinhar,
A fasquia identificada sumária ordinaria,
Fasquia saltada, derrubada, fasquia sempre ultrapassada,
O palco onde o movimento repristina o vento
E o transforma em tempestade de verdade
A ecoar nos confins,
A usar para outros fins,
Confessos e de iniciático propósito 
Ritos de esoterismo,
After choques de um sismo antigo,
Uma fricção de placas, subducção da razão 
Pináculo da emoção cristalizada,
Em peregrinação obstinada. 

Tudo para dizer à minha volta tudo está a crescer 
Enquanto eu permaneço, sem verdecer. 
 
 
 
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Contra Plágio

No tempo em que festejavam o meu aniversário 
Eu não era feliz apesar de todos estarem vivos
No antigo apartamento havia gritos e zangas que muito lamento
E rezei de joelhos aos pés da cama após a primeira comunhão (a cisma do crisma)
 
Um período seguido, sentida fé, 
Perdida a fé, o brinquedo esquecido. 
Curtas as tramas, longo o tecido. 
 
[Uma bola de pelo vomitada por uma gata preta 
Que paria atrás do sofá duma sala da (extinta) direcção 
O felino que me ensinou o tipo de amor que a mãe me nutre, 
A gata perante a cabeça dos filhos nados com amor 
Corpo devorado sem remissão por errada assumpção
Outra mãe preservando um filho torto numa crisálida 
Ansiedade de se atonar através de uma tez pálida 
Louva a Deus, congrega a comunidade, tout de suite)]
 
(O tempo impávido, sarcástico, caricatura, aquela criatura, 
Pois de agrura em agrura, de vela em vela, 
Não mais se entende os motivos dela
Não mais se reconhece o objecto do negócio, 
Enquanto os aniversários são nivelados por um Inquieto e ansioso ócio, 
Uma energia dissipada com retorno negativo, 
E tudo se mostra antigo
Um diálogo de surdos que de tão peculiar faz a comunidade pasmar
Um movimento a configurar, um resultado a esperar
Tudo parênteses a desconsiderar por não dito, 
Inexistente, desconforme com o resistente)
 
Hoje vivi, duro, perduro, ainda faço anos 
Morto caminhante, cavaleiro andante, tetraplegico da alma 
Reconhecido por perder a calma
Tenho o passado na algibeira e os fantasmas à minha beira
E hei-de sempre fazer as coisas à minha maneira 
Que é a força de quem tem um destino que não quer cumprir
Sem dentes de tempo para celebrar, sem ninguém para amar
Nem a ti poeta que te li um dia 
E imagino que com Maria, filha da Lavadeira, 
Tinhas vivido mais uns anos, mas nada diz se serias feliz 
Vejo a pequena a ingerir chocolates pelo mundo inteiro 
O predito revólver do Mário lá para o fim
Oracular do mesmismo de também não saber o q há para mim
 
Saiba que o tempo em que festejam o nosso aniversário 
Esse lento pode ser um calvário 
Uma still frame a imaginar engolir o canário 
A tentar partir o espelho da subtil servitude
Fechado na gaiola da dolorosa falta de atitude
 
Nessa irresponsividade, suposta causa mortis 
(Resulta que) 
Já sou velho e não apenas os dias se não somam, 
Mas os fantasmas que assumem seus lugares 
Que me olham em seus esgares
São tão banais como castanhas em pedaços de jornais 
Que voltam neste século que não alcançais. 
Que eu carrego o testemunho daquilo que não viste
E numa prosa cortada travestida em poesia 
Sonho inglório ao figurar ao que tu assististe
Num tempo em que se não havia inventado uma palavra
Num dictionary of Obscure sorrows, 
Uma palavra na nova Stoa, anemoia
Para uma emoção antiga, celebrada
Ansiedade de não ter vivido e sofrido 
Outros tempos que tenham sido 
Outros que tenham tido e perdido
E indiferença para o meu existir. 
 
É, digo-te eu, 
Ando sem andar suficientemente, 
Respiro sem viver realmente 
 
É, minto e finjo na visão de mim que me ofereço 
Numa grande promessa de promete que não aconteço. 
 
É, os timbres do piano que invejo, não os ouço, 
Antes vejo a beleza que nesta solitária quietude 
Sempre ha-de resultar de uma humana similitude. 
 
Virtude não há que me comova
Existir há. 
Solto lágrimas para toda a estética que vós perdestes
E contudo aspiro a uma sincronicidade que o permita
Sem prescindir de ser ateu, anarquista, extremista e eremita. 
Discordo em dizer que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto. 
A década da inspiração vem a reduzir a quantidade 
De uma certa qualidade que prezamos
Transformados, reinterpretados, alegados últimos moicanos. 
Somos entroncamentos de probabilidade a rir da realidade. 
 
Essa é a minha verdade. 
Isolada, solipsística, desencantada.
Sob o peso dos neutrões, da vossas concentradas reuniões.
 
Vossas mercês, distintências, passem bem com as vossas decorrências. 
E fique eu obtuso na coerência que recuso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Sem almejar, aquém

Um escuro de um muito que se abateu
Para lá do que se perdeu está o que se não almeja
Mais grave quando não mais se deseja
E o peito que bate não tem compasso
O corpo lasso
O dedo curto, lento
Desalento
Repetido
Sentido
Repetido
Vontade de se imolar em amnésia
Sem precisar de saltar da falésia 
 
 
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A corda a dar

Sintético sincretismo é uma perspectiva

De juntar a visão de um com a outra perspectiva da vida

E conseguir um novo caminho sem tantos espinhos

O sincretismo brasileiro sempre achei maneiro

Uma prática braçada explícita ou inconscientemente por um povo inteiro.

Foi por lá que o meu beco sem saída encontrou alguns caminhos

Deixei de homenagear os vinhos, aceitei o que sempre havia recusado como condenado

Literalmente

E figurativamente ganhei o que quando voltei vi que perdi

De novo fechado reservado atormentado açoitado pelo próprio chicote

Como ir para o casamento sem dote e ficar emburrado

Como nunca aceitar nada de mim ou dos outros e andar amuado

De semblante fechado, ensimesmado, cego surdo e verboso

Como um seboso orador que só se queixa e nunca diz o que pensa

Uma real auto ofensa um desvirtuamento de si

Uma máscara feia que se mostra na rua e depois fixa

Hoje nem vivo aqui, quem aparece é alguém que se não conhece

Um de que ninguém se compadece pois de fato não o merece

É o pior ser de si feito concreto, um eu abjeto

Cercado de sirenes que queria ser rodeado de lindas sereias e falar sem peias

Não dizer o que não pensa apenas deixar_se falar

Abrir a porta para o que pode dar.

Até à data se constata a total falácia de si, caída na falta de audácia

Vontade de destruição e sua própria voz denegrida.

Aceitação da imagem que lhe dão para se enforcar

E ainda dar a corda para o laço se dar e justo amarrar.


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Pilares

Troca trocam os pés na calçada
Anda andam os pares na areia
Corre correm os meninos no parque
Um caminho leva à senda
Perdida e sempre refeita
uma restrita estreita rua.
A alma nua agradece ao pilar.
Pilar que se ergue do peito
de cada criança, se entrança.
Pilar coberto de esperança.
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Comentários (1)

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nilza_azzi
2019-08-17

Contra plágio também é uma maneira de dizer e não dizer. Muito obrigada pelo comentário em meu poema.