Escritas

Lista de Poemas

Domingos a penas


Domingos apenas, inutilmente sofridos

Tão raramente vividos nestes anos corridos, 

Onde me desejam planos a reparar danos


Melhor quando saía lombrado sem dormir

Cansado do amor suado, skoll matinal, 

O papo pouco banal, os cães a conversar 

As pessoas a comprar pão e eu a disfarçar 

A comprar o que não havia de emborcar

Ou até fumar uma preta, que era raro,

Uma loira com a branca de qualidade,

Essa era a dona do domingo de verdade. 


Domingos cheios de intencionalidade

Tardes de calor, água ,sexo, insanidade,

De família,no jeito que se traz no peito


Até sobrevir a corrente de decidir sob ameaça de prisão 

Optar pela saúde sem pão, a matar-me desde então, 

A lutar contra a minha natureza, a minha certeza

A amarrar-me à decadência sem qualquer beleza,

Instilada dor, falar em amor, induzir estupor, temor.


Pois mais vale uma manhã das belas que este recorrente pardieiro, 

Trocava uma dessas por um ano frio, de fosso, inteiro, 

Que prescindo do canudo da faculdade, das Senhoras de Fátimas, 

De existir, realmente, de inspirar ar seco, da ansiedade.


Olhos velhos, refratados em miríades de lágrimas 

Vertidas sem soluço, lágrimas escorridas, páginas vazias, 

Arredado na proximidade, falso, ciente da verdade, 

Os certos e eu errado, tertio non datur, onda e reverberação, 


Conversão irrecusável, subtil humilhação 

Transição ao pior dos eu-mundos possíveis 

Em micro degraus invisíveis, desníveis 

Certos, que solidão não é não ter tostão ou não poder ganhar

É ser apagado a pincel, restaurado fora do painel, 


Ostracizado, depredado, enganado, pisado, 

Como eu, o impiedoso, haveria esmagado, 

Egoístico-narcisicamente iludido, 

Os que outrora julgara ter amado. 


A justiça será feita e a criatura desfeita, 

O pobre coitado, alienado, carente,

Um farrapo doente, mais um demente,


A reabilitação, inserção, prevenção especial de socialização. 

A revolta do urbano rebanho dos integrados,

Assim por bem banirá o egoísmo do alterado. 

O dados antigos ainda rolam, cubos lançados,

Planos esmiuçados em forks traçados, 


Que no dia de ficar mudo, hei-de sorrir 

Ao lembrar todo o dia o que vos ouvi mentir 

A tentar trazer uma razão 

Que não aceito neste porvir

Quisera jazer contorcido 

Num plano esburacado, perdido. 

Sempre, estejam certos, a final, 

Deitarei onde quiser, ou, se não puder

Numa simbólica Pasárgada qualquer. 


Sem ser amigo do rei, nem toque de roque, 

Um salgueiro vergado na onda de choque. 

Um peão coartado no alheio chão, quimera, 

João sem mera terra, afastado da galera


Tal o pigmeu do ateu, carvāo sem ambição,

Banido, sem piedade, pela hoste da realidade

Que seja esquecido e nunca referido

Que seja ignorado e nem sequer mirado


Que não seja incluído 

Seja ele tentado e sempre recusado

Que se sinta amargado e para sempre apartado 

Que entre num Loop inescapável

Seja um completo e total miserável 

Um Midas moderno tornado eterno. 


A constante de Hubble, a Friedman equation, 

Sobrevivem, attention, entretanto, 

Drake's equation nem tanto, 

Nicole Kidman, Moss e Gwendolyn 

Não estão nem aí, entretanto


E eu habito um mundo finito 

Num instante que balança numa trança

Que seguro enquanto danço 

E rio da seriedade e da verdade, 


Sem desmerecimento, convosco empatizo, 

E sempre que me coloco no vosso lugar

Uma lua de sangue, um estranho luar

Cassandriza no meu pêndulo a vossa ilusão, 

A razão da importância que dão à noção,

E como v/o chão afundaria na minha posição

Perdida ilusão de instabilidade evolutiva

A noção de luta pela vida, a vossa base

Ponto de equilíbrio, obra da humanidade 

A necessidade de manter a glutamil transferase

Gama GT, não tem de quê. 


Não sei que vos dê, não sei que faça

Ajuízo que é mais isso que vos ameaça 

Como o receio de um contágio

Como um mau presságio no intestino 

Um pavor enraizado de desatino

O ruir dos padrões, a falta de normas, 

O furacão que roda na orla da verdade

O destroyer da fundamentação 

Desordem da ação e consequência, 

Como garras a raspar dentro da cabeça 

Uma coisa que ninguém quer que aconteça 


Assim procuram um amor que tudo supere

Um amor que eu tenho roubado do mundo

E me sustenta neste lugar fundo. 



 





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Elegia da resíduo-engenharia (tic tac, rua )


Hoje renovou-se a coisa
Tenho de dizer algo.

E após ouvir tantas palavras macabras,
Ameaça intrincada, casa arrombada,
Pastorear as cabras,
Nunca antes pensei
Cruzar comigo na rua,
Esquecido de uma mulher nua,
Hoje, eu reincidente, que não sei.

Sei de certeza que nunca estarei certo,
Munido de saco cheio de pão
E na carícia de pasteis
Não subsistireis.
Essa verdade aceitarei.

Nyx (e se fechou a esperança)
Styx (e lá se apagou a dança)

E os vivos também mortos
Os que cresceram tortos,
Mestres da indiferença,
Senhores da saudável doença
De não saber visitar a Provença.
Os imóveis como móveis,
Que existem na chuva de pó
No fluxo da consciência, só.
Livre de culpa
Sem querer desculpa.

Um riso incontrolável da água fria do banho,
Um desprezo de antanho,
Uma dor sem tamanho,
Um dedo a apontar para vós,
Sem respeito pelos avós
Nem vontade de desatar nós.

Hoje a persistência da demora
Fez correr a repetição da hora
E nada se soma no quociente zero

E nada se altera naquilo que espero.

Bem se vê que ao lixo que se recolhe
Maior do que eu juntei ao molhe,
Vai do peso de poemas sem penas

E de presentes alheios,
Presentes de merda para mim.
Apenas.

Hail, ó janitors in the presence, sway
Of my silky, silly, pain, again, don’t stay,
Leave without the forgotten full white trash behind.

And as the garbage truck is gone, no one to bring into my futility only.
Stars, they come and go, they come fast and slow, is looping, melodiousLY.
As I cannot be. 
Só complicado, aqui e ali.
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A um ódio antigo

A um ódio antigo que trago comigo
A uma raiva amarga que embarga
Pensamentos coerentes em displicentes
Não sabeis vós
Não sabeis vós
O que nunca vos confessarei
Do que restará enterrado
Apartado, nada, ausência de legado
Pois quem já partiu nunca terá chegado
Pois quem vos diz
Pois quem vos diz
É filho de um ódio antigo e nunca partido
É quem levantará ferro de deixará um berro
Um ulular incessante uma raiva lancinante
Que nunca haverá doravante
👁️ 206

Amargo de pais, país que fiz


Amargo de boca, e todo o céu da boca
Se solta de uma assentada, o pai teve, 
Sempre me manteve na sua esperança 
Pelas ruas das minhas agruras se conteve 
Sem criticar, a aconselhar, a gerir a tempestade 
Coisa ruim, pomba gira baixou, a mulher que amava
Quando a viu, esta partiu, já lá não estava

Não mais lar ou jantar, um campo de batalha 
Um lugar de confrontação, uma danação. 
Todos os dias de negrura em forma de malha,
Cânticos de guerra épica, triste canção, 
E poucos dos que sabem ainda cá estão. 

Assim fica o lamento do derrotado, vergado, 
A recordação daquele tempo embruxado,
Que as há, há, e uma,  ainda me encara
Me grita e amaldiçoa enquanto me ampara
Para sísifamente repetir o ciclo de valpúrgis
Porque tanto se usa os cornos do tinhoso
Que se veste a pele do lobo, segunda natureza 
Hábito interiorizado, espelho de Dorian Gray
Calendas perdidas, uma mandou, eu ajoelhei. 

Olhei e não tinha pernas, escutei as órbitas vazias,
Gritei com a laringe, que os dentes casaram com a língua
E migraram para um jazz club em Tribeca
Onde entoam, melodiosos, cantos do arco da velha,
Separados, livres da ovelha negra atada ao vodu 
Macumba de amarração, feitiço da inação. 

Sem forças Coriolis para me trazer a Monção 
Preso a este passado, sem mim ou redenção 
Ergo um facho de sombra e presto homenagem
A esta personagem travestida que me fita nas quebras 
De todos os espelhos de sete vezes três anos, estilhaços 
Acima do mar sem mim, erecto no promontório de nenhuns abraços. 

Órbitas vazias de olhos perdidos num dia negado e querido,
Ulular sincopado, lamento ignorado, época sem abrigo.


👁️ 214

Ausente presente d/no dia

Porque hoje é sábado, tantas vezes li
Porque hoje é sábado, querido Vinicius.

Hoje, morituri, Si vis pacem, para bellum,
Se quero paz a guerra é inevitável, 
E então estou hoje derrotado,
porque hoje é Sabado,
Todos os dias massacrado e mais,
Porque hoje é Sábado.

Amanhã, acordarei ou não e o Sol,
O Sol da alegria, esse o não o verei
porque estou emparedado, 
Cansado de terem feito força comigo,
De eu ser amigo de quem não enganei.

Amanhã é a repetição de hoje,
Escreverei coisas dispensáveis
Lamentarei não ter a estirpe do matador
E assim ser eu o vaso da dor
E não aqueles que deveria dispor.

Poderei ter sido enganado e vendido.
Poderei ter sido um boneco sem decisão
  
Poderá não haver amanhã cor de rosa
Poderei mandar-vos foder em prosa.

E hoje, ficar com o poeta,
no sábado de Ipanema,
                              Alheio,
Se é esse o do poema,

Pois, na verdade, aqui,

o Sábado, sem poena,
                  é por demais triste e feio.
👁️ 197

Eixo

A espera acabou
O leite azedou
E o vento rodou no seu eixo
Como eu que há tanto vos deixo
 
 
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Quinta dissonante

Estou na casa que não tenho.
Vou para a rua e seu desdenho?

Ó Amores, eu nunca vos tive.
Ó mãe, perversidade às escuras, 
Ó filhos que nunca mantive
Ó estrelas escuras, razões obscuras, 
Meu céu noturno, firmamento 
Que não ouço teu negro vento.

Rodeado de pressões, 
Atentamente ignorado.
Plaino povoado de gente,
Ora ora, epifania intermitente,
Ondas mil de sensações.
Nada há, São João passado, 
Amnésia de ter provado rojões. 

Plaino empedrado, não vamos cantar
A balada dissonante onde vamos parar
Oitavas e quintas, la quinte du loup. 
Cactus ensimesmado, ausência de troupe. 








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A faca de dois legumes

Dorme e acorda e ama todos vocês que me criticam

Vós que me desejam retorno dos defeitos tantos que tenho e carrego.


Minhas filhas, incríveis forças, sabem a minha fé

E vós hão dizer coisas que não projeto para este futuro


Cego enledo de amores perdidos.

Onde estão os raios dos sois amigos da melanina

Amiga morena, água morna da cachoeira,

As cobras de água em festa de verão, hoje melhor,


Amanhã lindo de morrer na praia, 

Praia do inferno, ponta do ardor deste pau

Que é o fim do coxasso e a antecipação da menina linda filha querida,

Melhor o sexo, mais querida a descendência. O resto é racionalização


Somos centelhas de coração selvagem num livro meio impresso,

Um vídeo meio postado, nunca será acabado, depois do fim vem os créditos,


E a raiva de viver acumulada acorda a fera preparada para enganar,

Pronta sem o saber, a reagir parada, a fazer amor num olhar decidido

Pronto para roubar se assim for o blues a tocar, insanamente.

Nós somos ladrões sem ocasião, a natureza de querer o alheio está no sangue.


E olhamos as estrelas sem querer saber, só bebemos a beleza do cintilar,

Uma noite de lua nova e as estrelas aos milhares, erguidas no alto do mar.

As crianças a crescer, as mulheres a mandar, a roda a girar, eu que vou parar.
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Precipício

Adiante de uma porta raramente aberta

Há uma lânguida sexualidade desperta. 

Vermelho desbotado, tarado, crente 

numa vida que podia ser e não é, 

Gozadas, orgasmos que corro a pontapé 

Num precipício em que anseio por este pé, 

O outro no ar num salto de fé, não sei se é, 

Ou toda esta doença de saúde adiada

Apenas uma macabra festa sonhada, 

Psicopatia de uma besta aprisionada.
👁️ 205

Se gostas de Walt Witmann

Se gostas de Walt Witmann, fazes um bom haiku,

És aberto na expressão, capaz de escrever cú,

Isso é a faca dos dois legumes, um puxa para a bandeira,

A vulgaridade, o outro que diz for I being poor, lança

Realmente a poesia aos vossos pés, só o que de si,

De tanta merda e prejuízo desta vida cheia de mal,


Esse ajoelha aos pés de quem merece e pede,

Ouçam as minha frases gastas, as palavras repetidas,

Porque palavras ao vento é como o absurdo de tomar banho,

Todos dias diferentes e assim iguais, Mesma merda, Diferente dia,

Como dizia o Stephen King (ssdd), com quem aprendi muito.


O mar que bate na rocha é o que sou, os meus poemas,

Envergonhados, vergados, escondidos, fora de tempo,

Eles não são o que eu sou e todavia um caminho para mim.

Erguem-se à volta minha interesses em mudar o que sou,



E esse muda como uma bola de bilhar, alterando o rumo

Cresce e apodrece como um bolbo de lírio azul, morre e vive

Dorme e acorda e ama todos vocês que me criticam

Vós que me desejam retorno dos defeitos tantos que tenho e carrego.


Minhas filhas, incríveis forças, sabem a minha fé

E vós hão dizer coisas que não projeto para este futuro


Cego enledo de amores perdidos.

Onde estão os raios dos sois amigos da melanina

Amiga morena, água morna da cachoeira,

As cobras de água em festa de verão, hoje melhor,


Amanhã lindo de morrer na praia, 

Praia do inferno, ponta do ardor deste pau

Que é o fim do coxasso e a antecipação da menina linda filha querida,

Melhor o sexo, mais querida a descendência. O resto é racionalização


Somos centelhas de coração selvagem num livro meio impresso,

Um vídeo meio postado, nunca será acabado, depois do fim vem os créditos,


E a raiva de viver acumulada acorda a fera preparada para enganar,

Pronta sem o saber, a reagir parada, a fazer amor num olhar decidido

Pronto para roubar se assim for o blues a tocar, insanamente.

Nós somos ladrões sem ocasião, a natureza de querer o alheio está no sangue.


E olhamos as estrelas sem querer saber, só bebemos a beleza do cintilar,

Uma noite de lua nova e as estrelas aos milhares, erguidas no alto do mar.

As crianças a crescer, as mulheres a mandar, a roda a girar, eu que vou parar.

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Comentários (1)

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nilza_azzi
2019-08-17

Contra plágio também é uma maneira de dizer e não dizer. Muito obrigada pelo comentário em meu poema.