Escritas

Lista de Poemas

Liberdade de ser


Se você sempre cala eu calo e falo
Se você não reclama de nada eu clamo por paz e espanto os infortúnios 
Se você não planta tambêm não colhe
Eu planto e colho 
Se você só olha,
eu olho e vejo
Se você crê em tudo
eu creio e desconfio
Se você anda só no chão
eu piso no chão e vôo 
Se você tem simpatia
eu tenho empatia
Se você descrer das artes
eu as degusto e as promovo
Se você diz que a Filosofia é vã
eu faço dela a minha mestra
Se você acha que a memória é só a ritualistica
eu faço História!
Danço o toré com os caciques Tabajara e Potiguara
Danço o coco e a ciranda com Ana e Cida
Escuto com empatia os desprovidos de atenção, porque os vejo como São !
Marcho com as mulheres da Borborema
Rememoro as Elisabeths e as Margaridas 
Me somo aos trabalhadores não importa aonde
Rompo até mesmo o asfalto
como o fez Drummond com a Rosa do povo
Se você não tem imaginação,
Inspiras-te:
nas multidões e em seus movimentos
Com o poeta solitário da Tabacaria
Com a poetisa  de mãos calejadas que doces fazia com mel e com poesia
Com a linguagem simples e criativa de quem vê o que não existe
Não deixes o teu cérebro encurtar nem  o teu coração encolher
O amor é! 

Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil em 17 de maio de 2023.
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À mãe nossa de cada dia

A mulher segue na multidão
Reza no escuro da noite e explode na claridade do dia
Se indaga é se aflige
Segue encorajada, empoderada 

Uma criança chora
Deseja a mãe para si
Ri e chora
Em contrição segue 

O brinquedo larga
Chorar é vazão
A criança quer a mãe
Só a mãe lhe basta! 

E se a mãe não voltar?
Lhe tiram o chão
Pensar é o agora
Então volta ao chão 

Cadê a mãe?
A mãe é o vazio?
Quer abraçá-la
Estará no trabalho?
Porque razão ? 

A noite dorme!
O homem chora
A mulher chora
A criança chora
Idosos choram 

Cadê a mãe?
 
Mãe é aconchego
Mãe é desassossego
Mãe é apego
Mãe é peito que acolhe 

Mãe é ar que sufoca
É ausência que liberta
É passaporte para si e para o outro de si
A sua mãe é memória na ausência. 


A mulher segue na multidão
A mulher se encontra em si mesma
A mãe é o que quiser
Ser mãe é transcender 

Fátima Rodrigues 

Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil , em 14 de maio de 2023.
👁️ 171

Não seguras o medo, segues!

Não seguras o medo, segues! 

É entre costuras e cerzidos que te completas, e nem desconfias 
É entre retalhos e costuras que  te compões
É em gritos contidos e em dores mal ditas que atravessas  os largos oceanos e os estreitos, como se atravessasses o Formosa ?
É nos desertos e em sonhos, em transtornos e  transes que te projetas
Mas o que seria de nós sem as travessias oceânicas e sem os desertos  em nós?
É lá nos desertos da vida que fazes acordos consigo próprio e ainda assim os descumpres
É lá onde perdes os horários, os dias e as noites insones?
A dureza dos quartzitos te atravessa ou é só na aparecência?
É em vagas que te refazes para o outro e outra ?
E se falta coragem para ser
 é aí  que abres as compotas que inundam terras estranhas ?
Ou ficas num cubículo onde a porta se estreita e o vão se fecha?
É assim porque não vês ou porque temes?
Solta teu grito ainda que ele não irrompa a garganta. Solta os teus atos, os teus fatos. os teus fardos.
Solta!

Fátima Rodrigues,
Em 06 de maio, de 2023.
Expedicionários. João Pessoa, Paraiba. Brasil,
👁️ 166

Dei à luz

Dei à luz!
Não falo de episódios metonímicos
Não foi a tocha olímpica que entreguei a uma atleta
Nem foi a vela que passei para outras mãos
numa procissão  de fieis ou no
breu da vida
Isso também o fiz e faço em situações de obscurantismo.
Não foi a lamparina que levei ao quarto escuro dos sertões 
Foi a luz da vida !
Impregnada fiquei por àquele amor
Mas ciente estava que eram vidas de si
Não de mim.
Eu falei...estava ciente
O verbo no passado não se atualiza no presente dos afetos
É sempre uma construção de todo dia
Convosco reaprendi a rezar com a mesma  fé que me moveu na infância 
Rezo à Maria, às mulheres
O verbo resiste à dor
Que saibam viver os dias felizes e que sejam 
cientes e cuidadosos de si, sempre!
Que assimilem as grandes e as pequenas lições da vida
como o fez o pequeno príncipe 
com o  seu planeta e a sua rosa
Dei à luz !
Terá responsabilidade e amor maior?
 E sendo a luz vida
que a luz dos meus olhos jamais ofusque os vossos olhos
Meus sóis!
- vós sois o amor maior. 

Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil , em 25 de abril de 2023.
👁️ 194

Um olhar sobre as mulheres

Um olhar sobre as mulheres 

As mulheres que me inspiram
São elas cheias de graça
Das Marias às Terezinhas
São formosas e calientes
São valentes e suaves
São tantas e tão diversas
Que se encontram  espalhadas 
Das praias até os confins
Pensar suas trajetórias
Suas virtudes e coragem
Revela muitas ações 
Mulheres que são mães e pais
Mulheres  avós e avôs
Mulheres  tias e tios
Papéis afeitos na vida
Sem dar ou negar permissão
Parentela que deságua
em afazeres sem fim
Mulheres que dirigem e voam
Que plantam e colhem também
Que escrevem e estudam
ensinam e aprendem lições 
São como dicionarios
A se recriar todo dia
numa  poderosa equação
que a muitas de nós guia
Nas veredas dos sertões
E nas largas estradas da vida
Como âncoras é que elas são
Mulheres que são versáteis 
Sem estereótipos ou com
Sem sentimento materno 
Sem sentimento paterno
Mas com sentimento do mundo
Inteiras ou divididas assim  é como elas são
Nos campos e na cidades
E para além, lá nos sertões 
Embaixo de chuva ou sol
Banhadas de água ou suor
Nas labutas cotidianas
São elas a minha luz
São elas da minha afeição!

Fátima Rodrigues, em 08 de março de 2023
Expedicionários,  João Pessoa, Paraiba, Brasil.
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As mulheres e suas faces

Um olhar sobre as mulheres 

As mulheres que me inspiram
São elas cheias de graça
Das Marias às Terezinhas
São formosas e calientes
São valentes e suaves
São tantas e tão diversas
Que se encontram  espalhadas 
Das praias até os confins
Pensar suas trajetórias
Suas virtudes e coragem
Revela muitas ações 
Mulheres que são mães e pais
Mulheres  avós e avôs
Mulheres  tias e tios
Papéis afeitos na vida
Sem dar ou negar permissão
Parentela que deságua
em afazeres sem fim
Mulheres que dirigem e voam
Que plantam e colhem também
Que escrevem e estudam
ensinam e aprendem lições 
São como dicionarios
A se recriar todo dia
numa  poderosa equação
que a muitas de nós guia
Nas veredas dos sertões
E nas largas estradas da vida
Como âncoras é que elas são
Mulheres que são versáteis 
Sem estereótipos ou com
Sem sentimento materno 
Sem sentimento paterno
Mas com sentimento do mundo
Inteiras divididas assim  é como elas são
Nos campos e na cidades
E para além, lá nos sertões 
Embaixo de chuva ou sol
Banhadas de água ou suor
Nas labutas cotidianas
São elas a minha luz
São elas da minha afeição!

Fátima Rodrigues, em 08 de março de 2023
Expedicionários,  João Pessoa, Paraiba, Brasil.
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Eu creio!

Eu creio!
Ainda que os meus lugares de orações não sejam as  catedrais e os meus totens não virem estátuas.
Gosto mesmo é de acariciar a terra, as plantas, os animais e de cuidar das pessoas por sua mera existência.
Vejo  o retorno à natureza como a
reintegração ao universo.
Em noites de lua cheia me encanto com a claridade e a incandescência
Em noites escuras vislumbro o que nunca vi
Em dias de sol me abrigo na sombra ou  deixo que a luz e o calor penetrem o meu corpo cansado até torná-lo um  abrigo pleno, um saara a acolhê-los. 
 A natureza tem muitas faces.Não reclamo de suas estações.
 Luz! Ressuscita em mim o que és,  para que eu  abrigue todo o teu calor e luminosidade num emaranhado só.
Na natureza tudo me é encantador 
Tudo me traz aromas e sensações desconhecidas, além de lembranças, revivescências
Não há palavras para descrever o que me evoca um encontro do rio com o mar
Rio São Francisco! que li nos livros de Geografia e o imaginei antes de conhecê-lo.
Rio Parahyba! De águas e força tão feminina descendo montes e atravessando vales.
Rio que supõe  altruismo ao atender aos Senhores, e por isso alimenta a cana de açúcar, mas geme de dor com a fome que o cerca.
Rio Cariús!  Nome de destemida tribo que orgulha a prole que o nomeou. 
Estás a sumir como sumiram teus filhos naturais, mas, teu tronco maior, o Jaguaribe, se encolhe e se expande em resistência 
Rios que alimentam braços e pernas  de outros.
Uma dor que não estanca me habita
Mas prefiro chamar à mim  a minha senhora, a mãe, a mulher, a que sempre acolhe a cria,
a que não se desvencilha por que é guia.
Tua estrela me traz o dia e me dá forças para sair das noites escuras.
Mãe senhora! As minhas catedrais eu mesma as construo. São templos de orações consagrados a ti, nos verdes vales ou nos desertos, onde repito : "Ave,Maria!"
Tu me ouvistes, me socorrestes e eu aqui estou em nome do filho e do pai.
Fátima Rodrigues 

Expedicionários, João Pessoa,  Paraiba- Brasil, em10 de novembro de 2022.


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Ditos e hiatos

Um seio vazio
murcho
Um útero em repouso
sem função 
Uma casa desolada
inutil?
- Em adequação.
Um corredor parado no tempo
-"Semsons", surdo!
Um estado de escuta permanente 
Contradição?
Uma dor que doi e doi
- Que aflição!
Um inconsciente que se corrói 
na escuridão
Um escudo no escuro
- Porque razão?
Resistência e porvir
esperança e devir
- Será em vão?
Um vazio se abre
lá no meu chão
Há desertos e escusas
-Sim ou não?
Não é fenda à toa
tem suas razões 
A vida segue
na cegueira
ou na promissão.
Vem cá e me aconchega
isso é perdão
O amor perece
na solidão
O amor se embaraça
No sim e no não
O amor é veredito 
se dito ou não dito.
Vê-se então 
que é chegado
o reencontro
- Não diga não
De que vale
o ser oculto
na multidão
Ser com o outro
exige o ti
Não diga não! 

João Pessoa, Paraiba, Brasil em 23 de dezembro de 2023.
👁️ 187

Eu creio!

Eu creio!
Ainda que os meus lugares de orações não sejam as  catedrais e os meus totens não virem estátuas.
Gosto mesmo é de acariciar a terra, as plantas, os animais e de cuidar das pessoas por sua mera existência.
Vejo  o retorno à natureza como a
reintegração ao universo.
Em noites de lua cheia me encanto com a claridade e a incandescência
Em noites escuras vislumbro o que nunca vi
Em dias de sol me abrigo na sombra ou  deixo que a luz e o calor penetrem o meu corpo cansado até torná-lo um  abrigo pleno, um saara a acolhê-los. 
 A natureza tem muitas faces.Não reclamo de suas estações.
 Luz! Ressuscita em mim o que és,  para que eu  abrigue todo o teu calor e luminosidade num emaranhado só.
Na natureza tudo me é encantador 
Tudo me traz aromas e sensações desconhecidas, além de lembranças, revivescências
Não há palavras para descrever o que me evoca um encontro do rio com o mar
Rio São Francisco! que li nos livros de Geografia e o imaginei antes de conhecê-lo.
Rio Parahyba! De águas e força tão feminina descendo montes e atravessando vales.
Rio que supõe  altruismo ao atender aos Senhores, e por isso alimenta a cana de açúcar, mas geme de dor com a fome que o cerca.
Rio Cariús!  Nome de destemida tribo que orgulha a prole que o nomeou. 
Estás a sumir como sumiram teus filhos naturais, mas, teu tronco maior, o Jaguaribe, se encolhe e se expande em resistência 
Rios que alimentam braços e pernas  de outros.
Uma dor que não estanca me habita
Mas prefiro chamar à mim  a minha senhora, a mãe, a mulher, a que sempre acolhe a cria,
a que não se desvencilha por que é guia.
Tua estrela me traz o dia e me dá forças para sair das noites escuras.
Mãe senhora! As minhas catedrais eu mesma ad construo. São templos de orações consagrados a ti, nos verdes vales ou nos desertos, onde repito : "Ave,Maria!"
Tu me ouvistes, me socorrestes e eu aqui estou em nome do filho e do pai.
Fátima Rodrigues 

Expedicionários, João Pessoa,  Paraiba- Brasil, em10 de novembro de 2022.




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Velejando

Um barco a perder-se de vista me fascina
fico a mirá-lo  até  que a sua proa se esconda, além do horizonte
Ao ver o céu e o mar em sua pureza
novas rotas e descobertas me guiam
Imagens fazem-se vivas em mim
como fantasias da minha infância
Penso em portos e em paradas
em idas e vindas
em novas descobertas e em novos lugares
Sinto a brisa que adentra às janelas abertas
de uma Geografia que me ressuscita
Imagino diferentes pessoas
Horizontes infinitos somam-se ao meu olhar 
Vasto é o mundo de cada um e o de todos nós
Finita é a vida, mas a língua não
Expressar-se é busca
Se faltam palavras nos meus versos
imagine as emoções nas entrelinhas
Nem tudo precisa ser dito
Se o dizer segue aquém 
o viver segue além
Me entrego ao ócio.
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