Lista de Poemas
Tributo a Miguel

Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/nordeste/protesto-em-recife-pede-justica-para-miguel-menino-que-caiu-do-9-andar-e-morreu-sob-a-guarda-de-patroa-da-mae
Um grito de mãe
Varou multidões
Ocupou os jornais
Sangrou no asfalto
Gerou confusão
Vida ceifada?!
Por omissão
Foi só um pretinho
Um miguelzinho
Um menininho
Um preto qualquer
Morreu por um triz
De triz não há nada
Foi uma madame
Por leviandade
Puro racismo
Cumpra-se a Lei
Vida ceifada !
Por omissão
Oh! pequenino!
Ainda tão niño
Deixado sozinho
Bem menininho
Não foi o destino !
E a reparação?
Cumpra-se a Lei
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Canção de ninar para Bella
Dorme dorme pequenina
que a lua já vai subindo
Deita a cabeça de leve
nas dobras do travesseiro
relaxa devagarinho
A floresta está distante
Os bichos são seres do bem
Dorme calma e sossegada
que o futuro vem
nas metas que a gente tem
Nâo vai haver pesadelos
vai ter só um musical
orquestrado à brasileira
com Nara, Chico e Toquinho
à imitar os bichinhos
Os Saltimbancos irão
com muita animação
E a bicharada em festa
mostrarão arte e paixão
juntos e em comunhão
cantarão velhas canções
O agora é o tempo
de tudo acontecer
ns dores e nas descobertas
daquilo que ninguem quer
o nunca do vir a ser
Escolhe a tua canção
Sem nenhuma afobação
Fica bem apaziguada
Faz s uma boa simulação
aí no teu coração
Fecha os olhos e adormece
Boa noite minha filha
teu futuro é o presente
jardim para o bem viver
Com sabor e poesia
Lugar do acontecer
sem pressa nem agonia
nisso você pode crer´.
que a lua já vai subindo
Deita a cabeça de leve
nas dobras do travesseiro
relaxa devagarinho
A floresta está distante
Os bichos são seres do bem
Dorme calma e sossegada
que o futuro vem
nas metas que a gente tem
Nâo vai haver pesadelos
vai ter só um musical
orquestrado à brasileira
com Nara, Chico e Toquinho
à imitar os bichinhos
Os Saltimbancos irão
com muita animação
E a bicharada em festa
mostrarão arte e paixão
juntos e em comunhão
cantarão velhas canções
O agora é o tempo
de tudo acontecer
ns dores e nas descobertas
daquilo que ninguem quer
o nunca do vir a ser
Escolhe a tua canção
Sem nenhuma afobação
Fica bem apaziguada
Faz s uma boa simulação
aí no teu coração
Fecha os olhos e adormece
Boa noite minha filha
teu futuro é o presente
jardim para o bem viver
Com sabor e poesia
Lugar do acontecer
sem pressa nem agonia
nisso você pode crer´.
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Fronteiras do Ser
Olhei-me inteira
como se fizesse um inventário da vida
Estava plena
Nada me impedia
As marcas são sinais de um percurso
Por que acioná-las agora?
Melhor é deixá-las com o sentido que têm
Do tempo que se foi
Acúmulo apenas
Aprendizados há em demasia
Dores sangradas e cicatrizes curadas
Atos de fé
Ternuras somadas às noites infindas
Caminhadas por trilhas e estradas largas
Sorvo essas lembranças fixadas em meu corpo
Olho, vejo, miro
Reparo
Volto no tempo devagarinho
Conto estrelas
Da janela vejo o Cruzeiro do Sul
Constelação de minha infância
Sempre presente em mim
Porque apagar essas marcas grisalhas
que tantas memórias me trazem?
As tintas já não conseguem ocultar
a imagem que assoma ao espelho
Estou plena
A luz resplandesce e ilumina o meu rosto
Há uma juventude passada
Outra se apresenta
a me cobrar coragem
O ser pede licença, agora Sou.
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Um dia na Pandemia no Brasil
Toma banho e veste-se
Pega o álcool em gel
Põe a máscara
Guarda na bolsa um envelope
Confere a lista de compras
Entra no carro
Faz o check-list
Como tirar a máscara ?
Como recolocá-la ?
Como higienizar as mãos ?
E se encontrar conhecidos?
Como manter-se distante ?
Como resolver tudo isso?
Liga o rádio
Escuta as notícias
Mais de mil mortes em 24h?
Caiu mais um ministro ?
Em busca polícia mata criança!
Acelera o carro em excesso
Dar-se conta e para
Vê ruas vazias
Empoeiradas
Portas fechadas
Cai uma chuva fininha
Sinais abertos
De quem é a vez?
Não se aproxime!
E ao chegar de volta?
O que fazer?
Segura o cão
Cão pega Covid ?
Consulta o google
Mais manchetes de mortes
Morreu Moraes Moreira
O Brasil chora
Suicidou-se Migliaccio
Lima Duarte revela
Morreu Aldir Blanc
Artistas se rebelam
Cadê a Regina?
Brasília a espera
E o silêncio impera
Retorna a si mesma
Se arrepia e chora
Se vê impotente
Chega ao ponto
Que sorte!
Poucos estão nas ruas
O medo é agora
Caminha apressada
Agiliza as compras
Retorna ao carro
Higieniza as sacolas
Pensa de novo na volta
Conhece o caminho
Desconhece o Covid
Se inquieta e se indaga
E se os amigos morrerem?
E se a filha não voltar?
E se mãe não aguentar?
E se o presidente não cair?
E se a gente desanimar?
E se a cidade não trabalhar?
E se o campo se rebelar?
E se o congresso não ceder?
E se o Enem acontecer?
E se a Marielle ressuscitar?
E se o PT se reinventar?
E se a "tubaína" matar ?
E se a cloroquina resolver?
E se o povo acreditar?
Ainda a indagar
(....)
Começa a retornar!
O sol está a brilhar!
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Afagos à natureza
O dia foi de jardinagem
Por um longo tempo eu e as plantas nos olhamos e trocamos carinho
Depois mirei outras espécies
Lembro dos bem-te-vis e dos sabiás
expostos aos raios de sol
Uns cantaram
outros banharam-se de luz
Beija-flores, borboletas e formigas
fizeram seus afagos e faina no ambiente
Ao sabor do tempo ficaram as lagartixas
Abelhas instalaram-se na trepadeira
De carinho impregnadas
as plantas regozijaram-se
Algumas perderam galhos e folhas
Respiraram aliviadas
De alegria, folhas e flores
transbordaram em cores
Lindas rosas desabrocharam
Outras ficaram prenhes
Os mandacarus pareciam descontentes
Fiquei curiosa
Desejariam os sertões?
O seu habitat ?
Amo a aspereza dos cactos
e insisto em tê-los comigo
É por amor que os conservo em meu jardim
Mas eles exigem condição !
Os mandacarus são mágicos
Guardam em si água e flor
Resistem às intempéries e ao sol escaldante
E somente florescem uma vez ao ano
Por um longo tempo hibernam
Tento imitá-los
e com a sua sabedoria aprendo
Nem tudo são asperezas na vida
Se um dia é pesado
o outro é pura leveza
Sorvo as lições dos mandacarus
mas também das xananas
Os dias pesados se vão sem amargura
Guardo a leveza dos dias bons
numa espécie de ensilagem
Assim a vida prossegue
Inspirada ora no mandacaru
ora na xanana
Exposta ora ao sol ora ao vento
absorvo lições da vida e da natureza
Como ocorre com o mandacaru
nunca me faltam flores
Elas se acomodam
nas minhas entranhas até a maturação
Após a hibernação nascem plenas
E fortalecidos andam mundo afora
enquanto o ser prepara-se
para novas concepções
Em 22 de novembro de 2014.
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Mares de mim
Singro os mares de mim
além de ti
Nesse andar sôfrego
Ao infinito
Sigo
Nada obtive em vão
Às madrugadas me recolho
aos meus intintos
Deixo que a tua alma me invada
Abruptamente renovada
sigo
Me fascinas !
Quando me envolves
atravesso incólume
a brisa gélida do Mar Egeu
Cindida hesito
Entre sussuros e silêncios
sigo
Se posso voar para que navegar ?
Fátima Rodrigues
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Sou um ser humano em constante construção. Me sinto parte da natureza e a ela vinculada no sentido material e imaterial. Gosto de lidar com as palavras construindo e desconstruindo castelos. Portanto, escrevo como um exercício de compreensão de mim e do mundo. Além de escrever e ler gosto de cinema, de música e de praticar jardinagem. Sou mãe e essa é uma experiência de vida que me fascina e desafia permanentemente.
https://www.facebook.com/faatimarodrigues
faatimarodrigues@yahoo.com.br
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