Lista de Poemas
OS MEUS OLHOS FALAM DE AMOR
Os meus olhos, de amor mensageiros,
De vossa luz se nutrem docemente;
E em raios puros, claros e certeiros,
Mostram no peito o fogo que se sente.
Se a voz se cala em silêncios primeiros,
A vista fala, ardendo tão presente,
Que mais revelam olhos verdadeiros
Do que palavras vãs de frágil mente.
Ó doce causa de minha ventura,
Se em vós repousa a glória do viver,
Deixai que o olhar declare a formosura.
Pois quem deseja em versos vos dizer,
Apenas logra imitar tal candura,
E nos olhos acha o modo de querer.
Maria Antonieta Matos
Sorrir é flor que se abre
Sorrir é flor que se abre na madrugada,
perfume leve a erguer-se pelo vento,
A luz doce, no gesto tão atento,
que faz da dor um nada em mais que nada.
É chama branda, estrela delicada,
a desfazer da noite o desalento;
e em cada riso, em cada sentimento,
a vida torna-se mais abençoada.
Quem ri sem medo espalha primavera,
faz renascer o sol em cada olhar,
e a alma canta livre e mais sincera.
Sorrir é ponte, é dádiva, é luar,
milagre simples, chama que liberta,
que se abre ao mundo inteiro numa oferta.
Maria Antonieta Matos
PROMESSAS
Promessas são fios de vento,
que o coração ousa tecer,
palavras que brilham no tempo,
mesmo sem nunca acontecer.
São laços de fé e ternura,
que os olhos deixam escapar,
um eco suave na alma,
uma súplica a nunca calar.
Prometer é plantar esperança,
mesmo em solo a fraquejar,
pois quem promete acredita,
no amanhã que há de chegar.
E ainda que o tempo as desfaça,
como ondas que voltam ao mar,
há promessas que ficam guardadas,
sem nunca deixar de brilhar.
Maria Antonieta Matos
SOU MUNDO NUMA JANELA ABERTA
Sou mundo numa janela aberta,
respirando mares que nunca vi,
onde o vento me toca e desperta,
os sonhos guardados dentro de mim.
Sou estrada de passos invisíveis,
sou ponte lançada sobre o ar,
um mapa de rotas impossíveis
que só o coração sabe traçar.
Sou voz de manhã e de horizonte,
sou luz que dança na cortina,
sou montanha, sou rio, sou fonte,
sou a viagem que nunca termina.
E mesmo que o corpo permaneça,
o olhar atravessa o mar e a serra —
sou mundo numa janela que começa
a caber inteira dentro da terra.
Maria Antonieta Matos
O MUNDO NUMA JANELA ABERTA
Na moldura discreta do meu olhar,
cabe o vasto oceano e a planície,
um céu que se inclina sobre o mar
e a brisa que à distância me acaricie.
O vidro é fronteira sem se fechar,
onde o longe se torna o que me viste;
nas ondas do vento posso viajar
e ser quem sonha e nunca desiste.
Cada raio de sol é um novo cais,
cada sombra um segredo que desperta;
no instante, cabem mundos e seus sinais,
pois vivo onde a alma se liberta.
Assim, sem sair, por dentro navego,
janela aberta, ao infinito me entrego.
DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO
Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.
Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.
Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.
Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.
Maria Antonieta Matos - 2025
HÁ UM VAZIO QUE ME CHAMA
Há um vazio que me chama
nas dobras do fim da tarde,
Como brasa que não inflama,
Como flor que já não arde.
Os dias passam sem rosto,
Tão iguais, tão sem medida,
Carrego o tempo no bolso
como quem esquece a vida.
As palavras me escaparam,
Como pássaros de medo,
e os sonhos que ficaram
adormecem sem enredo.
Fico à margem de mim mesmo,
Como espelho em nevoeiro,
Procurando algum alento
num céu sempre derradeiro.
Mas ainda resta um fio,
Uma trémula esperança,
Que resiste, mesmo fria,
Como o fim de uma criança.
Évora, 25-07-2025 - Maria Antonieta Matos
DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO
Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.
Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.
Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.
Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.
Maria Antonieta Matos - 2025
DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO
Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.
Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.
Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.
Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.
Maria Antonieta Matos - 2025
TEU CORPO ME ENCOSTA E TUDO SE REVELA
Teu corpo me encosta e tudo se revela,
No gesto simples, mora o infinito.
O mundo inteiro some na janela,
E o tempo cala, cúmplice e bendito.
Nos teus suspiros, nasce a minha calma,
Teus dedos sabem mais do que explicam.
Passeiam como preces pela alma,
E os medos, um por um, se justificam.
Não há segredo em nós, só confiança,
Um toque e já sabemos do que é feito:
Metade entrega, a outra é esperança.
E quando o teu silêncio beija o leito,
É como se dormíssemos criança,
Com o amor nos envolvendo, peito a peito.
Maria Antonieta Matos - 2025
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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