Lista de Poemas
SOL-POSTO
Fecho os olhos que cegam perante o olhar divino
Vejo uma fulgente luz que se apressa a esconder
Absorvo os cheiros e mergulho no sonho repentino
Oiço no silêncio os passos a musicar, sem entender
Os sentidos envolvem-se e abraçam cada momento.
Magicando interrogo-me … o porquê? Da injustiça
Da ganância em que o ter, vale mais do que o ser
Destruindo saberes e valores, absortos pela cobiça
A terra fica assombrada e triste e o céu cora de vergonha
Depois as cores se esbatem e o sol começa a esmorecer
Na esperança do mundo mudar e a felicidade acontecer
Ficaria internamente penetrada no teu belo olhar, risonha
Mas a felicidade, essa era primordial, todos tinham que ter
E unidos e enlaçados muitos sóis-postos, haveríamos de ver
20-04-2013 Maria Antonieta Matos
CHUVA
O vento soprava do sul
O céu de nuvens cavado
Ficou sem a cor azul
Enchendo-se de nublado
Começou a chuva a cair
Com brandura, miudinha
Fiquei a ver e a ouvir
Pela janela da cozinha
Nas terras ressequidas
As águas se entravam
As flores agradecidas
No seu pé rodopiavam
Relâmpagos reluziam
Serpenteavam na terra
Muitos trovões se ouviam
Lá atrás daquela serra
Corriam apressadas
Pessoas pelas ruas
Mal agasalhadas
E todas molhadas
Pareciam estar nuas
Crianças divertidas
Sapateavam nas poças
Mesmo impedidas
Faziam orelhas moucas
Um chapéu voava
Pela estrada fora
Aqui e ali, rebolava
Era já uma hora
Um dia poético
Um dia feliz
Um dia patético
E você o que diz?
Ontem ouvi bem
A força que tinhas
Pingas eram mais de cem
Grossas e redondinhas.
Ó chuva que acordas
Quem está a dormir
Toma lá cuidado
Que partes o telhado
Com a força a tinir.
24-10-2012 Maria Antonieta Matos
CHUVA II
Chove com muita brandura
Na terra vai entranhar
As sementes com a frescura
Começam a germinar
Não vejo o sol a espreitar
Mas um cinzento no céu
Apetece-me saltitar
Nas poças, e andar ao laréu
18-10-2012 Maria Antonieta Matos
A FEIRA
Oiço os burburinhos de gente, na rua a passar
O estrondo duma porta que parece fechar
O barulho da feira misturando a música e as vozes
Sinto os cheiros e o trepidar da sardinha a assar
O corpo e o pensamento, induz-me a desanuviar
Calcorreio na calçada até à feira, que fica a um passo
Paro e pasmo para ver a criançada a delirar
E a gente animada, outra enjoada às voltas no ar
O pó espalha-se como uma nuvem, torvando as vistas
A pedrinha entra no sapato novo e começa a picar
Fico pressionando o pé no chão até ela se soltar
Com folgo ainda, percorro cada exposição de artistas
Cada mostra de saberes, e engenhos me vêm mostrar
Arte tendenciosa que leva sem querer no momento a comprar
22-06-2013 Maria Antonieta Matos
LIVRO
Com o livro eu converso
E sinto as emoções
A escrever o sonho começo
Criação de sensações
Suporte de conhecimento
De aventura ou ilusão
Não se perde por um momento
É fonte de sedução
De forma correcta ou não
Ajuíza-se todo o texto
Criamos opinião
O que enriquece o contexto
Ao homem trás plenitude
A leitura é intelecto
Grandeza esta atitude
Aprende-se a escrever correcto
Exercício para o espírito
É fonte inesgotável
Emoções de dor e sorriso
A leitura inseparável
Quer de noite, quer dia
Palavras correm na mente
Anotar é muito urgente
E assim nasce a semente
Não se consegue parar
Surge sempre argumento
Andam na mente a girar
Criativo pensamento
Fica para a eternidade
O espólio das cachimónias
Para aprender a verdade
E estudar todas as histórias
Relatando cada momento
Sentimentos e acção
Leva ao leitor conhecimento
E a muita imaginação
Maria Antonieta Matos 19-09-2011
CONSCIÊNCIA
Onde estás tu consciência
Que só vez o teu caminho
Nem sempre dás importância
Para quem caminha sozinho
Tens um íntimo de vaidade
Falas pr’a dentro baixinho
Mas vejo toda a maldade
Transparecer no teu jeitinho
Tu que tudo Compreendes
E raciocinas com Intuição
Porque não atribuis a eles
Uma maior precisão
Maria Antonieta Matos - 15-09-2012
LEITURA
Em cada dia que leio
Alimento o meu saber
É assim que eu premeio
A instrução que vou ter
Um dia estou motivada
Tudo consigo aprender
Outro, não aprendo nada
Pareço desaprender
Assim com pequeno passo
Um para trás dois para frente
Aprendo neste compasso
A leitura me fará diferente
Maria
Antonieta Matos 29-08-2012
A minha primeira edição!
GARGALHADA
Rir, rir, rir, até chorar
Ah! Ah! Ah! Contagiante
Continua Ah! Ah! Ah! A gargalhar
Mesmo de forma desconcertante
Todos os estímulos descontrair
Que coisa tão engraçada
Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir
Mas que bela gargalhada
Não paro de me divertir
Não ligo aos preconceitos
Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir
O rir não tem defeitos
Estamos todos de boca aberta
Eh! Eh! Eh! Ah! Ah! Ah!
Tantos sons à descoberta
É para rir que aqui está
Só existe felicidade
Não há sorriso amarelo
Abra a boca de verdade
Provoque o riso singelo
Este dia é colorido
É só rir sem mais parar
Tudo está descontraído
O sorriso vai disparar
Ah! Ah! Ah! Oh! Meus amigos
Ah! Ah! Ah! Que gente feliz!
Ah! Ah! Ah! Tantos sorrisos!
Ah! Ah! Ah! Que dia feliz!
25-10-2012 Maria Antonieta Matos
AUDAZ FANTASIA
No silêncio, audaz fantasia
Produzida pela mente
Faz seguente alegoria
Vem do coração o que sente
Tudo parecia calmo e puro
No silêncio da alvorada
Parecia sair de um casulo
A luz há tanto esperada
Não se adivinhava o sono
Estava demasiado inquieta
A noite era de Outono
Fiquei de janela aberta
Voavam livres os passarinhos
Correndo aos bandos no céu
Outros, aconchegavam-se nos ninhos
De cabecinhas ao léu
Num sossego de pura calma
Olhava tal esplendor
Não augurava vivalma
Neste sonho multicolor
Ouviam-se pouco a pouco
Murmúrios de gente a passar
E não tardou o alvoroço
Para o pensamento molestar
Sentia os olhos pesados
Mas não podia dormir
Tinha o cérebro revirado
E o barulho a consumir
Maria Antonieta Matos
ANDA UM BARCO A NAVEGAR
Anda um barco a navegar
À deriva no mar alto
Todos o estão a querer comprar
Porque está ao desbarato
Chamaram-lhe Portugal
Há tremenda confusão
Uns dizem que é imoral
Mas chega-se à conclusão
Serem os mesmos que lá estão
A causarem todo esse mal
Sacodem a água de cima
Para outro se molhar
E o seu nariz logo empina
Para nele descartar
Há piratas por todo o lado
Querendo o barco afundar
Tirar proveito deste estado
Pôr a gentes a mendigar
Parecem muito santinhos
Não tem nada a esconder
Fazem do povo parvinhos
Para tudo deles comer
Estão a esvaziar o barco
Atirando tudo pró mar
Mas lá vão enchendo o saco
Num fundo, querem guardar
Cá se fazem cá se pagam
E Deus está a mirar tudo
Sem esperar há uma viragem
E deixam de ser uns pançudos
07-01-2013 Maria Antonieta Matos
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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