Escritas

Lista de Poemas

SOL-POSTO

Fecho os olhos que cegam perante o olhar divino

Vejo uma fulgente luz que se apressa a esconder

Absorvo os cheiros e mergulho no sonho repentino

Oiço no silêncio os passos a musicar, sem entender


Os sentidos envolvem-se e abraçam cada momento.

Magicando interrogo-me … o porquê? Da injustiça 

Da ganância em que o ter, vale mais do que o ser

Destruindo saberes e valores, absortos pela cobiça


A terra fica assombrada e triste e o céu cora de vergonha

Depois as cores se esbatem e o sol começa a esmorecer

Na esperança do mundo mudar e a felicidade acontecer


Ficaria internamente penetrada no teu belo olhar, risonha

Mas a felicidade, essa era primordial, todos tinham que ter

E unidos e enlaçados muitos sóis-postos, haveríamos de ver


20-04-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 652

CHUVA

O vento soprava do sul

O céu de nuvens cavado

Ficou sem a cor azul

Enchendo-se de nublado


Começou a chuva a cair

Com brandura, miudinha

Fiquei a ver e a ouvir

Pela janela da cozinha


Nas terras ressequidas

As águas se entravam

As flores agradecidas

No seu pé rodopiavam


Relâmpagos reluziam

Serpenteavam na terra

Muitos trovões se ouviam

Lá atrás daquela serra


Corriam apressadas

Pessoas pelas ruas

Mal agasalhadas

E todas molhadas

Pareciam estar nuas


Crianças divertidas

Sapateavam nas poças

Mesmo impedidas

Faziam orelhas moucas


Um chapéu voava

Pela estrada fora

Aqui e ali, rebolava

Era já uma hora


Um dia poético

Um dia feliz

Um dia patético

E você o que diz?


Ontem ouvi bem

A força que tinhas

Pingas eram mais de cem

Grossas e redondinhas.


Ó chuva que acordas

Quem está a dormir

Toma lá cuidado

Que partes o telhado

Com a força a tinir.


24-10-2012 Maria Antonieta Matos

👁️ 633

CHUVA II

Chove com muita brandura

Na terra vai entranhar

As sementes com a frescura

Começam a germinar


Não vejo o sol a espreitar

Mas um cinzento no céu

Apetece-me saltitar

Nas poças, e andar ao laréu


18-10-2012 Maria Antonieta Matos

👁️ 609

A FEIRA

Oiço os burburinhos de gente, na rua a passar

O estrondo duma porta que parece fechar

O barulho da feira misturando a música e as vozes

Sinto os cheiros e o trepidar da sardinha a assar


O corpo e o pensamento, induz-me a desanuviar

Calcorreio na calçada até à feira, que fica a um passo

Paro e pasmo para ver a criançada a delirar

E a gente animada, outra enjoada às voltas no ar


O pó espalha-se como uma nuvem, torvando as vistas

A pedrinha entra no sapato novo e começa a picar

Fico pressionando o pé no chão até ela se soltar


Com folgo ainda, percorro cada exposição de artistas

Cada mostra de saberes, e engenhos me vêm mostrar

Arte tendenciosa que leva sem querer no momento a comprar


22-06-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 795

LIVRO

Com o livro eu converso

E sinto as emoções

A escrever o sonho começo

Criação de sensações


Suporte de conhecimento

De aventura ou ilusão

Não se perde por um momento

É fonte de sedução


De forma correcta ou não

Ajuíza-se todo o texto

Criamos opinião

O que enriquece o contexto


Ao homem trás plenitude

A leitura é intelecto

Grandeza esta atitude

Aprende-se a escrever correcto


Exercício para o espírito

É fonte inesgotável

Emoções de dor e sorriso

A leitura inseparável


Quer de noite, quer dia

Palavras correm na mente

Anotar é muito urgente

E assim nasce a semente


Não se consegue parar

Surge sempre argumento

Andam na mente a girar

Criativo pensamento


Fica para a eternidade

O espólio das cachimónias

Para aprender a verdade

E estudar todas as histórias


Relatando cada momento

Sentimentos e acção

Leva ao leitor conhecimento

E a muita imaginação


Maria Antonieta Matos 19-09-2011


👁️ 667

CONSCIÊNCIA

Onde estás tu consciência

Que só vez o teu caminho

Nem sempre dás importância

Para quem caminha sozinho

Tens um íntimo de vaidade

Falas pr’a dentro baixinho

Mas vejo toda a maldade

Transparecer no teu jeitinho

Tu que tudo Compreendes

E raciocinas com Intuição

Porque não atribuis a eles

Uma maior precisão


Maria Antonieta Matos - 15-09-2012

👁️ 650

LEITURA

Em cada dia que leio

Alimento o meu saber

É assim que eu premeio

A instrução que vou ter


Um dia estou motivada

Tudo consigo aprender

Outro, não aprendo nada

Pareço desaprender


Assim com pequeno passo

Um para trás dois para frente

Aprendo neste compasso

A leitura me fará diferente


Maria Antonieta Matos 29-08-2012

A minha primeira edição! 

👁️ 675

GARGALHADA

Rir, rir, rir, até chorar

Ah! Ah! Ah! Contagiante

Continua Ah! Ah! Ah! A gargalhar

Mesmo de forma desconcertante


Todos os estímulos descontrair

Que coisa tão engraçada

Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir

Mas que bela gargalhada


Não paro de me divertir

Não ligo aos preconceitos

Ah! Ah! Ah! Rir a bom rir

O rir não tem defeitos


Estamos todos de boca aberta

Eh! Eh! Eh! Ah! Ah! Ah!

Tantos sons à descoberta

É para rir que aqui está


Só existe felicidade

Não há sorriso amarelo

Abra a boca de verdade

Provoque o riso singelo


Este dia é colorido

É só rir sem mais parar

Tudo está descontraído

O sorriso vai disparar


Ah! Ah! Ah! Oh! Meus amigos

Ah! Ah! Ah! Que gente feliz!

Ah! Ah! Ah! Tantos sorrisos! 

Ah! Ah! Ah! Que dia feliz!


25-10-2012 Maria Antonieta Matos

👁️ 656

AUDAZ FANTASIA

No silêncio, audaz fantasia

Produzida pela mente

Faz seguente alegoria

Vem do coração o que sente


Tudo parecia calmo e puro

No silêncio da alvorada

Parecia sair de um casulo

A luz há tanto esperada


Não se adivinhava o sono

Estava demasiado inquieta

A noite era de Outono

Fiquei de janela aberta


Voavam livres os passarinhos

Correndo aos bandos no céu

Outros, aconchegavam-se nos ninhos

De cabecinhas ao léu


Num sossego de pura calma

Olhava tal esplendor

Não augurava vivalma

Neste sonho multicolor


Ouviam-se pouco a pouco

Murmúrios de gente a passar

E não tardou o alvoroço

Para o pensamento molestar


Sentia os olhos pesados

Mas não podia dormir

Tinha o cérebro revirado

E o barulho a consumir


Maria Antonieta Matos

👁️ 637

ANDA UM BARCO A NAVEGAR

Anda um barco a navegar

À deriva no mar alto

Todos o estão a querer comprar

Porque está ao desbarato


Chamaram-lhe Portugal

Há tremenda confusão

Uns dizem que é imoral

Mas chega-se à conclusão

Serem os mesmos que lá estão

A causarem todo esse mal


Sacodem a água de cima

Para outro se molhar

E o seu nariz logo empina

Para nele descartar


Há piratas por todo o lado

Querendo o barco afundar

Tirar proveito deste estado

Pôr a gentes a mendigar


Parecem muito santinhos

Não tem nada a esconder

Fazem do povo parvinhos

Para tudo deles comer


Estão a esvaziar o barco

Atirando tudo pró mar

Mas lá vão enchendo o saco

Num fundo, querem guardar


Cá se fazem cá se pagam

E Deus está a mirar tudo

Sem esperar há uma viragem

E deixam de ser uns pançudos


07-01-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 603

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)