Escritas

Lista de Poemas

ÁRVORE

Na profundidade da terra

A semente desabrochou

Saindo por uma cratera

Ali no chão despontou


Fortalece as suas raízes

Desenvolve a sua estrutura

Do tronco saem diretrizes

Enfeitadas de verdura


Nascem flores muito formosas

Geram os frutos apetecidos

Passam por cores preciosas

Á espera de serem colhidos


Sempre à chuva ou ao vento

Oferece a sombra quando há sol

Cresce buscando alimento

Aninha os pássaros ao pôr-do-sol


Solidária noite e dia

Vai dormindo sempre de pé

Suas folhas, rodopia

Dança sem dali arredar o pé


17-08-2013 Maria Antonieta Matos

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ENIGMA

Havia uma linda escola

Numa vila bem bonita

Vou conta-lhe esta história

Da professora Rita


Havia alunos muito aplicados

e com dotes para escrita

Criatividade não lhe faltava

e começaram a pensar

para aprender e estudar

Podiam fazer uma visita


Um dia a professora disse:

Meninos, vão falar com seus pais

Para autorização lhes dar

Vamos fazer uma viagem

Porque vocês estão a par

De toda a matéria dada


É uma viagem mistério

E vão ter que adivinhar

Vão escrever num caderno

Tudo o que pensam achar!


Vou dar pistas em voz alta

Têm que estar com atenção!

Para adivinharem cada palavra

É preciso inspiração


À volta deste mistério

Vamo-nos divertir muito

A memória, a imaginação,

E descoberta, ficam à prova

Para resolver a solução.


Num dia maravilhoso

E com grande animação

Saíram de autocarro

Olhavam o campo formoso

Cheio de flores coloridas

Animais a pastar

Naquelas paisagens lindas


Iam muito enigmáticos

E cheios de energia

Pensando a todo o momento

O motivo da magia


De repente a professora

Forneceu uma pista

Existem em todo o lado

São pequenas e grandes

Mas as que quero, são pequenas

Tem nome de uma sopa

E a terra tem uma arena

Adivinhem: Começa pela letra P


Com algazarra queriam

Todos eles pronunciar


Calculando cada um

Pensando ir adivinhar

O que lhes veio à memória

Depois de alguma tentativa

Uma errada outra certa

Dizia um : É uma Pedra


Certo! Disse a professora Rita

Vamos agora à segunda pista

Eu tenho aqui uma lista

É muito promissora

Quando elas são trituradas

Formam-se pequenas partículas

Que podem ser utilizadas.


Como vêem, vai ser fácil

Vamos lá decifrar

São as Pedr…Pedrinhas

Dizem todos a balbuciar

Ora bem, meus meninos

Quando se tem atenção

E muita motivação

Facilita adivinhação


Vou-lhes dar a outra dica

Todos de ouvido a escutar

No campo e por todo o lado

Existe terra com cores

Nascem daí as flores

E muitas outras culturas

Há terra que dá para moldar

E a cor é vermelha

E faz-se daí a telha.


Oh! Diz um, adivinhei!

É o Barro, sim ou não?

Pois sim, diz professora

Aqui está o que pensei!

A viagem é compensadora

Desafiando a memória

E esforço de ser melhor

Dos fracos não reza a história

Disse um grande pensador


Então está quase alcançado

O mistério da viagem

Está com o Barro relacionado

Há uma roda para fabricar

Peças lindas de encantar

O que será a actividade?

De quem faz as obras de arte

Tentem lá adivinhar!


Suspiram todos de alívio

E falavam ao mesmo tempo

Felizes de contentamento,

Do privilégio que iam ter

Moldar numa roda de oleiro

Criar peças ao seu gosto

E por no forno a cozer.


Ia ser muito animada

E nunca iam esquecer

Esta viagem e actividade

Que lhe dava muito prazer


Fizeram uma visita

A toda a olaria

E viram umas cantarinhas

Que lhe avivaram a memória

Pois tinham as tais pedrinhas

Que eram enigma da história.


No autocarro de regresso

Cada um trazia um regalo

Feitos com grande perícia

Para dar aos seus pais

Que teriam um agrado

Da proeza pelo filho feita

E seria uma delícia


E guardaram para sempre

Aquela recordação

Que muito gosto lhes deu

Moldar o Barro na mão

Rodando a roda com o pé

E fazer a sua transformação!

Maria Antonieta Matos 2011

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QUANDO MORRER II

Quando morrer,

Não quero ver

Essa maldade

Dos homens, para tudo ter,

Que impedem sem dignidade

Outros homens de viver!


Como pode florescer

Este mundo a morrer

E seus filhos a apodrecer

Sem nada que os deixe crescer


Doentios pelo poder

Ficam cegos pela ganância

Mentem com todo o prazer

E à mentira dão relevância


Escondem-se por trás duma capa

E apregoam, tudo mudar

Quando lá estão, mudam de casaca

E continuam a tramar


Estão a vender o país

Por uma triste bagatela

Tem olhos no nariz

E a cabeça onde está ela?


Anda por aí a dar voltas

Para sacar cada bocado

Para o povo dar cambalhotas

E ficar aniquilado


Maria Antonieta Matos 05-08-2012

👁️ 586

FELICIDADE

A felicidade não tem preço

Sai da alma e do coração

Vê-se nos olhos docemente

Sente-se fervor e emoção


Felicidade é um sentimento

Que se sente profundamente

Da alma sai sem tormento

No rosto sobressai alegremente


Condição de plenitude

Equilíbrio físico e mental

Satisfação, alegria, juventude

Sempre com ótimo astral


Grande paz interior

Tudo é maravilhoso

Na natureza no amor

Na amizade no piedoso


Feliz ao defender uma causa

Convicção para a alcançar

Mesmo vivendo sem uma pausa

Tem muito ânimo para lutar


Felicidade é um estado de alma

Uma agradável emoção

Comprimido que acalma

Satisfazendo o coração


Enche o peito de sensação

Jubilando como magia

Sem qualquer imaginação

Felicidade é primazia


Não se deve ter vergonha

De mostrar com vivacidade

Felicidade move a montanha

Ser feliz com simplicidade


20-12-2012 Maria Antonieta Matos

👁️ 555

SEJAM FELIZES A LER

Riam de mim… que gosto!

Expressem todo o sentimento

Riam dos versos que posto

Da pontuação que não pontuei

Da palavra que destoa

Daquele termo que usei

Do erro, que não se perdoa

Do sentido que lhe dei

Que ao ouvido, a nada soa


Riam… do pouco que sei

Riam… que o riso faz bem

E a escrever continuarei!


Não se inibam por um momento

Barafustem do meu dizer

Sejam críticos do meu saber


Sejam felizes a ler!!!!


Maria Antonieta Matos 31-08-2013

👁️ 630

CICLO DO MEL

Em missão voando

Com todo o esplendor

Lá vai a abelha

Poisando na flor


Lá vai o enxame

Com segurança

Pousa no arame

E leva esperança


Observa os campos

Encantados e coloridos

Dirige-se sem enganos

Aos pólen preferidos


Em voo lento

E asa a flutuar

Soprando-lhe o vento

Estão a trabalhar


Carregam o pólen

E levam alimento

Para fazer o mel

E para seu sustento


De flor em flor

O pólen a polvilhar

Nascem outras flores

E o ciclo a regressar


Para o mel armazenar

E desenvolver a colónia

A cera é o lugar

Fixa na tua memória


Depende da campeira

O alimento e defesa

Não caias na asneira

Trata-la com rudeza


Para se defender

Espeta a ferroada

Que é de morrer

Fica a pele inchada


Com esta maldade

Sacrifica a vida

Resta a saudade

Da vida perdida


Com grande ardor

E super inchaço

Sente-se uma dor

Cuidado com o braço


No caso de picada

Sentir alergia

Consultar o médico

É uma mais-valia

Para evitar espalhar

O veneno no corpo

O ferrão deve tirar

Com a unha sem esforço


Usado é o ferrão

Para fins medicinais

Com resultados

Sensacionais muito especiais


Olha as abelhas

Muito organizadas

É um gosto vê-as

Tão atarefadas


Inseto voador

É disciplinado

Trabalha com fervor

Para o seu estado


Vivem em sociedade

Numa colónia

Têm uma rainha

E muita história


A ordem na colmeia

E reprodução da espécie

Depende rainha

Que é a abelha-mestra


De um ovo fecundado

Nasce a rainha

Tem dotes especiais

E vive sozinha


Nesta sociedade

Bem organizada

Há muita atividade

E é hierarquizada


Existe família

Dentro da colmeia

Segurança e vigília

De trabalho, cheia


Cuidando da higiene

A abelha operária

Trabalha nessa tarefa

Com muita glória


Com muita emoção

E a servir a rainha

Estão as faxineiras

Com toda a vitamina

Carregadoras de piano

E muito motivadas

Trabalham todo o ano

E são elogiadas


A alimentar a larva

Para as abelhas nascer

Lá estão as nutrizes

Com muito saber


Produzindo a geleia

E alimentar a rainha

Estão as operárias

Nesta grande rotina


Promovida a engenheira

Constrói com prazer

Os favos e as paredes

Para o mel conter


Em voo nupcial

A rainha a ondular

Procura um zângão

Para acasalar


O macho da colmeia

É a abelha zângão

É maior que a abelha

E não tem ferrão


Rodeia a colmeia

Pr’a rainha namorar

E morre na teia

É o preço de copular


Não tem outra função

E para sobreviver

Depende das operárias

Que lhe dão comer


Quando não há comer

Lá para o inverno

São expulsos da colmeia

E é um inferno


Fumigar a colmeia

Para a abelha sair

E retirar favos cheios

De mel a fluir


Para se iniciar

Na apicultura

Tem que se estudar

Toda a esta estrutura


Com muita paixão

E alguns afazeres

É a solução

Para o sucesso teres


A localização

Para a colmeia instalar

É muito importante

Para tudo começar


Chama-se apicultor

Ao criador de abelhinhas

Envolve-se com amor

Sai tudo sobre rodinhas


Ser mudável o abrigo

Para fácil deslocação

Estar bem protegido

E o clima ter em atenção


Fácil de manobrar

Toda a sua conjuntura

Ser resistente para durar

E estar perto de doçura


O fato é fundamental

A máscara e o chapéu

Tapar tudo é essencial

Não tenhas o corpo ao léu


O fumigador e a alavanca

E o levanta quadros

Ferramentas necessárias

Para estes trabalhos


Maria Antonieta Matos 18-07-11

👁️ 607

O LIVRO DE PAPEL

 Dedicado a Isabel Santos Moura

 pelo seu livro “O Anjo Gabriel, o Miguel e o livro de papel”


O homem por não ter tempo

Vive o tempo a complicar

Ocupando todo o seu tempo

Em tempo para inventar

Reduz-se a um cantinho

Com tudo ali à mão

Pela máquina sente carinho

Pelo homem ingratidão


Vive num mundo virtual

Nada se apalpa nem se vê

Como um mundo espiritual

Emociona-se, em tudo crê


No ano de dois mil e cem

Em que tudo é eletrónico

As pessoas não se conhecem

São máquinas amor platónico


O Miguel muito preguiçoso

Passava dias a jogar

Na escola ficava ansioso

Sem gosto para estudar


Só existe o computador

Onde se joga lê ou estuda

Mas o cientista inventor

Cria um pequeno, mais promissor

Para não carregar quem o usa

Toda a gente foi comprar

O e-book assim chamado

Onde livros se podiam guardar

Com o maior espaço pensado

E era fácil de transportar


No dia do aniversário

O Miguel recebeu de presente

Um e-book revolucionário

Que o fez pular de contente


Era o seu melhor amigo

Levava-o para todo o lado

Via histórias de encantar

Passava o dia ligado


Um dia com muita alegria

Ao ver uma grande aventura

O e-book não cedia

Miguel fica triste, numa amargura


O pai passou a explicar

Que o muito uso o enfraquecia

Que era preciso carregar

Para ter de novo energia


Mas uma vez não teve volta

Estava mesmo avariado

Teve mesmo que ir para loja

Para aí ser concertado


No seu quarto com tristeza

Em silêncio e sem querer comer

Na cama dava voltas de incerteza

Se o fim da história iria saber


Por tudo o que aconteceu

Um novo e-book pedia

Que fosse amigo e fosse seu

Que não carregasse a bateria


De repente um anjo aparece

O Anjo da guarda Gabriel

Que seu espirito amolece

Deixando a paz ao Miguel


Para satisfazer o seu desejo

O anjo sorri-lhe e não fala

E num remoinho de luz a voar

Vai cair numa grande sala


Era uma grande biblioteca

Que o Miguel desconhecia

Porque os livros da sua época

Não tinham tanta magia


Olhou todo o colorido

Tirou um livro, ansioso

Era aquele o preferido

Que abriu e folheou curioso


Era um livro de papel

Que não ia avariar

Estava à mão do Miguel

Apenas tinha que o estimar


Assim o Anjo Gabriel

Deu um livro de papel

Ao nosso amigo Miguel

Muito bem escrito pela Isabel


05-01-2013 Maria Antonieta Matos  

👁️ 589

LIVROS

Um livro também tem vida

Nasce e aprende a falar

Amigos ou não, convida

Sempre pronto ensinar


Tem longo ou curto percurso

Tudo depende da estimação

Da importância no seu uso

Ou de quem o tem na mão


No seu espaço vive discreto

À espera de ser consultado

Outras vezes sempre aberto

Educando por todo o lado


Livro de arte ou técnico

De ciência, ou matemática

Trágico ou então cómico

De leitura ou de gramática


De diversão ou de sonho

E também de fofoquice

Livro de conteúdo medonho

E até de malandrice


Compilando em cada dia

O que se observa no mundo

Fazer da escrita magia

Semear livros para estudo


Assim se aprendem saberes

Em cada um minuto

Uns contribuem a escrever

E a tirar proveito o astuto


18-11-2012 Maria Antonieta Matos


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CICLO DO PÃO

Semeando o trigo

No campo arado

E sem nenhum aviso

Aparece germinado


Com chuva e frio

Lá está crescer

De pé muito esguio

E a espiga aparecer


Encantada a seara

Comove quem a vê

Que entretanto secara

E dourada se fez


A seara dourada

Ao sol a brilhar

Está lá já espigada

Pronta para ceifar


Lá estão as ceifeiras

Levam saia calça

Nos braços mangueiras

Vão todas giraças


Levam o chapéu

Para tapar o sol

E levam o lenço

Por causa do suor


A atar e fazer o molho

Lá está o ceifeiro

Mexendo sobrolho

Atrás do sobreiro


Fica o restolho

Para o gado comer

E a espiga do trigo

Lá vai para moer


Vão dentro de sacos

Rumo ao moinho

Que a vento resolve

Tudo devagarinho


Esfregado e pisando

Balança a mó

E a saca segurando

O moleiro muito só


E está a observar

A farinha a sair

Para ensacar

E dali seguir


Vem lá o padeiro

A comprar a farinha

É muito certeiro

E trabalha à noitinha


A amassar o pão

De mãos fechadas

Está lá o João

Às gargalhadas


Num alguidar

Lá fica a crescer

O pano a tapar

Até Deus querer


Sal e fermento

Farinha e água

Amassa o pão

E tende numa tábua


O forno está iluminado

Cheio de fechas de lenha

Mas só estará preparado

Quando lume já não tenha


Já se vê ali o borralho

Que dá calor a cozer o pão

Espalha-se com o ramalho

E está resolvida a questão


Agora com uma pá

Os pães entram no forno

Fecha-se a porta e zás

E espera-se o seu retorno


A cheirar bem e quentinhos

Não resiste ninguém

A provar aos bocadinhos

O belo gosto que tem


Um bom copo de leite

Com pão quente a tiborna

Leva açúcar e azeite

E ficas na tua melhor forma

E fica na tua memória


Acabou-se este saber

Cheio de grandes emoções

Vamos lá a perceber

Se há outras soluções


Esta é a roda do pão

Contada passo a passo

Não deixes a tradição

Cair em fracasso


Este é um método

Muito caseiro

Que explica a forma

Sem muito dinheiro


Maria Antonieta Matos 14/7/2011

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POR-DO-SOL II

Ao escurecer, no horizonte

Que deslumbrante aguarela

No céu do meu Alentejo

O sol pede um desejo

Para ter a noite mais bela


Pisca o olho sorridente

Para nos dar de presente

Em cada dia uma tela


Pouco a pouco adormece

O manto matiz do céu, aquece

Sonha com lua, fantasia com ela


Maria Antonieta Matos 01-01-2013


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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)