Escritas

Lista de Poemas

VIAGEM DOS ALIMENTOS

A mente incomodada

Pelos sabores da comida

Faz os órgãos agitar

Para a refeição ser servida

As MÃOS a levam à BOCA

Os DENTES a vão triturar

Com a saliva e a LÍNGUA

A comida vai enrolar

Passa depois pela FARINGE

Fechando a porta à laringe

Por medo de se engasgar

Assim empurra para ESÔFAGO

Que tem os NERVOS a controlar

Conduzindo o alimento

Com seu músculo aglutinar

E escorrega para o ESTÔMAGO

Que tudo vai separar

A BILÍS entra ao serviço

Com a água a misturar

E escolhe o que é preciso

Para o CORPO se alimentar

O SANGUE todo contente

Corre nas VEIAS sem cessar

Cresces mais em cada dia

Tudo mexe com energia

Todo o corpo a funcionar

Até pronto para procriar


Depois de muito trabalhar

O ESTÔMAGO vai canalizar

Pelos RINS e INTESTINOS

Tudo o que do dele restar

Indo dos RINS por canal fino

Na BEXIGA vai ficar

À espera de encher o saquinho

E ter peso para despejar

Outro, sai dos INTESTINOS

Um delgado outro mais grosso

Até a BARRIGA avisar

Que o ÂNUS quer defecar


Évora, 05-12-2012 Maria Antonieta Matos

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CONTROVERSAS

O governo que foi eleito

Com promessas de veredicto

Deixa o povo agora desfeito

Trocando o dito pelo não dito


Cada dia cria um imposto

Para a dívida poder pagar

Ficando o povo sem encosto

Como se vai desenrascar


Arca com muitos encargos

Sem nenhuma alternativa

Tem os filhos desempregados

Sufocando-lhe a sua vida


Preces de mundos e fundos

Tinham uma nova visão

Havia solução para tudo

Vendedores de ilusão


As medidas de combate

A esta dura austeridade

Arrasa os pobres e invade

A sua própria dignidade


Levam o tempo a perguntar

Qual é a alternativa

Mas quando dicas lhes vão dar

Não as tomam para mudar

03-10-2012 Maria Antonieta Matos

👁️ 582

RUA ESQUECIDA

Rua inativa esquecida

Do vai vem da população

Antigamente cheia de vida

Dia e noite de animação


Das rodas das ”bailaradas”

Dos jogos da rapaziada

No meio de tanta algazarra

Dos risos e das fisgadas

Dos chorincos entre topadas

Dos belos contos de fadas

Eram muito… pequenos, nadas


Subiam às árvores a brincar

Caiam de lá e voltavam

O chorar era a chorincar

E q ando se cortavam

A agulha e a linha serviam

Em casa que os golpes se cosiam

E era ao ar que eles saravam


Sentados no portado ao serão

Vozes altas soavam no negro

Entoava um pregão

No escuro que arrepiava de medo

Levantavam-se sempre cedo

Musicando as cardas no chão


Chaminés sempre a fumar

Com a panela de barro ou ferro

A comida a perfumar

A curiosidade de quem passa

Apetite não faltava

Porque de tudo se gostava


O colchão mexido e remexido

Para um bom acordar

Sempre branco era o tecido

Do lençol de renda e bordado

Com a colcha de cadilhos

Esticada para nada ser notado


Nas ribeiras sempre cantar

Ao som da água a correr

Lavavam a roupa, punham a corar

E nos arbustos iam estender


À cabeça o alguidar

Num troço que o equilibrava

Caminhavam a conversar

E a dor se suportava

Eram as cruzes assim diziam

Dor pela posição curvada

Se estendiam e se torciam

No meio de muita risada


Iam à fonte carregando cântaros

À cabeça e ao quadril

Em qualquer dia do ano

Bebiam por um cocho ou barril


Num copeiro, havia um copo

Com um napperon bem tapado

Ao lado do poial dos cântaros

Cada um bebia e era lavado


O aguadeiro corria as ruas

Quem quer água fresquinha?

Trazia o copo numa mão

E na outra a cantarinha


Em casa se alumiavam

Com candeeiros a petróleo

Ao lusco-fusco as mulher bordavam

Faziam o enxoval de renda

Vestidos cheios de folhos

E as meias que calçavam


Faziam rodas a cantar

Paus e tampas a musicar

Os pais e os vizinhos

Sentados para os apreciar


24-08-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 623

CICLO DO LEITE

Olha ali deitada

Para ter os filhitos

Aquela vaquinha

Está já aos gemidos


Muito apressado

Vai o Eduardo

Pois o bezerrinho

Ficou entalado


Ajuda com esforço

E muito carinho

A vaca a parir

Para o bezerro sair


Lambendo para lavar

Dá beijos no filho

E ajuda a levantar

Para seguir o destino


Cambaleando e a cair

Lá dá uns passitos

E a sua mamã

Dá-lhes uns beijitos


Lá está o bezerrinho

Encostado à teta

Pronto para mamar

De cor branca e preta


Faz grande pressão

Na teta para mamar

Dá grande puxão

Para o leite lhe chegar


Vai atrás da mãe

Contente e a crescer

Brinca no prado

E a mãe a proteger


Pastando sem pressa

Anda a vaquinha

Comendo o pasto

Logo pela fresquinha


Cheiinha de leite

Não esquece a ordenha

Há hora marcada

Ninguém a detenha


A lavar a teta

Para a ordenhar

Está a Henriqueta

Para se despachar


Com as suas mãos

E dois dedos na teta

Puxa com cuidado

Para não fazer greta


Jorrando para o balde

O leite já está saindo

Só com habilidade

É que vai fluindo


Ali está a coar

O leite que sai

Para ir para depósito

A refrigerar


Bem lavado o depósito

Para refrigerar

Permanece ali o leite

Para transportar


Vem ali a analista

Para analisar

Se o leite está óptimo

Para comercializar


Porque a higiene e a segurança

É norma importante

A bata de cor branca

Faz parte integrante


Não haja um percalço

Tem que haver cuidado

O uso de calçado

Tem que ser adequado


Lavar bem as mãos

E evitar acidente

Faz parte da prevenção

Para não ficar doente


Torna-se indispensável

Na nossa alimentação

Por isso a qualidade

É uma preocupação


Tem água e vitaminas

Tem lactose e gordura

Tem minerais e proteínas

E também tem doçura


Hermeticamente fechado

E bem refrigerado

Chega o transporte

Algo especializado


A colher o cardo

No campo feliz

Está lá o Ricardo

Que ainda é petiz


À sombra a secar

A flor do cardo

Para armazenar

Com todo o cuidado


O cardo é utilizado

Para coagular o leite

E daí ser fabricado

O queijo muito aceite


Depois do leite ferver

E o coalho engrossar

Fica a arrefecer

Para o queijo moldar


Com forma redonda

Apertando com os dedos

O soro vai saindo

E formam-se os queijos


Na temperatura adequada

Em estantes a secar

Vão virando o queijo

Para não se estragar


Desnatando o leite

Pode-se fazer

A manteiga de vaca

Para com pão comer


Tem um valor alimentar

O leite comercializado

Para mais tempo durar

É embalado e engarrafado


Maria Antonieta Matos 16/07/2011

👁️ 583

CICLO DO SAL

Águas salinas do mar

Bombeadas pelo vento

Que salpica a brisa no ar

Nas hélices do cata-vento


Correm por grandes canais

Com murmúrios musicais

Decantadores as abraçam

E as purificam demais


Cresce a salinidade

Em grau muito elevado

Deleitam-se em cristalizadores

Um processo adequado


Da elevada a temperatura

As águas vão evaporando

Deixam ficar os cristais

Colossais, iluminando


Formam-se lâminas de sal

De brancura irradiante

Extraídas por grandes máquinas

Numa labuta constante


Para eliminar impurezas

Existem grandes lavadores

Beneficia a beleza

E é referência nos sabores


No aterro em grandes “serrotes”

O sal fica depositado

Dali vai para a indústria

Para ser refinado


O esforço físico do homem

Necessários em cada processo

Que ao frio e ao calor

Caminham para o sucesso


Fornos de alta de temperatura

Sugam toda a humidade

O sal que tempera e cura

E quando é demais, dá secura


No caso do sal refinado

Que é moído e peneirado

O prato sai melhorado

Com o tempero desejado


O produto é seleccionado

E sujeito a uma análise

Depois é empacotado

E passa à próxima fase


O controlo é essencial

A embalagem e o peso

Este produto mineral

Deixa saudades ao obeso


Procede o enfardamento

Segue depois para o mercado

E espera pelo momento

De temperar o cozinhado


Não exagere no condimento

Pode levantar a tensão

E causar um enfartamento

Atenção ao coração!


Sal de grande variedade

Tempero da natureza

Sobressai a qualidade

Grosso ou em flor, que pureza!


O cheirinho a perfumar

O gosto a saborear

O sentido a navegar

O olho a está a mirar

O prato que vou pegar


Maria Antonieta Matos 12.08.2012


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O BICHO ENTROU NO PAÍS

O bicho entrou no país

Mina cada um ser vivo

Corta tudo pela raiz

Tem um poder destrutivo


Não há remédio que cure

A devastação interior

Nem médico que se segure

Pulando de dor em dor


Não há ensino que resista

Ai professor, professor

Tens que ser malabarista

Com tanta criança ao dispor


Estás cheio de desempregados

Com tanto que há para fazer

Mas anda tudo baralhado

E ponham-se daqui a mexer!


Os imóveis já não são teus

Fogem sem nada valer

Tudo está a encarecer

E não há cheta para comer


Os bancos estão diminuir

A dívida está a aumentar

Os dinheiros estão a fugir

E a esperança a terminar


Obras públicas arruinadas

Depois de muito gastar

As terras ficam revoltadas

Incapazes de por lá passar


Privatizam-se serviços públicos

Para o povo ter que pagar

Que vê tudo por canudo

Incapaz de lá chegar


Sem acesso à saúde gratuita

A consulta sempre adiada

Os males são uma constante luta

Se morrer… não vale nada!


Os velhos são despejados

Em lares sem condições

A família gasta os trocados

E fica cheia de aflições


Nos hospitais quem lá cai

Espera horas aos ais

Operações fazem-se série

Sem se ver o médico, mais


Já não há humanização

Andam todos em correria

Os recursos são invenção

De interesses e engenharia


Deixou de haver qualidade

Tem que se fabricar dinheiro

Para essa austeridade

Que enche os bolsos aos parceiros


Maria Antonieta Matos 26-09-2012

👁️ 575

CICLO DA CORTIÇA

Sobreiro árvore formosa

Com a copa bem alargada

Folha verde, sinuosa

Resistência ilimitada

Semeado e plantado

Tem copa, muito frondosa

Existe grande montado

Sua sombra apetitosa


Com grande espontaneidade

Regenera os rebentos

Desperta a curiosidade

Ali se passam bons momentos


Sua folha é persistente

E a lande é o seu fruto

Vê-se tanto gado comendo

Este importante atributo


Seu crescimento é lento

E longa a sua existência

Passa por muito tormento

Mas tem grande resistência


A paisagem harmoniosa

Monumentos da natureza

De importância ecológica

São de estimada beleza


O tronco vai engrossando

O seu casco tem valor

E o homem vai inventando

Cada peça com amor


A cortiça é um produto

De qualidade comprovada

Saí do sombreiro em bruto

De utilidade variada


Os artistas vão inovando

Esta matéria preciosa

A indústria transformando

E a ciência meticulosa,


Este produto é extraído

Quando a árvore já é adulta

Duma forma manual

Com um machado, resulta


O golpe é linear

A precisão é de mestre

Para o casco despegar

Sem ferir a árvore, agreste


Este processo acontece

De nove em nove anos

A economia engrandece

Grande parte, alentejanos


Eleita para vedante

Conhecida em todo o mundo

Preciosa para as garrafas

Conservarem o conteúdo


Passeios, para o turista

Observar todo o montado

As aves, as flores e o gado

E mais tudo o que se avista


Maria Antonieta Matos 28-07-2012


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CICLO DA ÁGUA

Anda a água num vai…vêm

Circulando sobre o planeta

Gera vida é um bem

Nas suas diversas facetas


Um sol lindo, radioso

Evapora a água da terra

Do estado líquido a gasoso

Condensa-se na atmosfera


Chama-se evaporação

À primeira caminhada

E o nome de condensação

Quando a água fica parada


Quando a água fica parada

Devido ao arrefecimento

Muitas gotas ali formadas

Vão fazer o céu cinzento


Vão fazer o céu cinzento

E o peso vai aumentar

Até que por um momento

Está prestes a rebentar


Está prestes a rebentar

E cai na superfície da terra

Pode chover, granizar ou nevar

Que o ciclo nunca se encerra


A chover a bom chover

A água encharca o solo

E é vê-la pró mar correr

Por braços que a leva ao colo


Um lençol branco de gelo

Rodeia o cume da serra

E corre como um novelo

A infiltra-se na terra


Pela noite ao resfriar

A humidade precipitou

Do ar, caiu nas plantas

E no solo se infiltrou


Com pingos reluzentes

E o orvalho a condensar

Bailam as plantas contentes

Escorrendo para se alimentar


Vai de forma canalizada

Para as casas na cidade

E em fontes localizadas

Nalguns povos é realidade

Três estados a saber

Fases por que passa a água

Líquido é para beber

Sólido para arrefecer


Maria Antonieta Matos 18-07-2011

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ESTE PAÍS ESTÁ PARADO

Este país desgovernado

Sem cabeças para pensar

Tira o ganho ao desgraçado

Que já anda penhorado

Até para ir trabalhar


Não pode pagar transporte

Não pode nem almoçar

Se está doente mais um corte

Onde vai isto chegar?


Papagueando versões

Do que lhe interessa mudar

O governo faz confusões

Para os seus não molestar


Dizia que tudo faria

Quando era oposição

Agora sim que … podia!

Ao povo lhe tira o pão!


Mede pela mesma bitola

As classes deste país

Aponta uma pistola

Ao povo… corta a raiz


Não há justiça que opere

Não há saúde que cure

O corte em tudo interfere

Não há governo que se ature


Andam para cá e para lá

Com as contas baralhadas

Desculpas a quem não está cá

Para ocultar trapalhadas


Quem estudou está de partida

Procurando um novo rumo

Porque não tem alternativa

Neste país sem arrumo


Estudar já não é para todos

Neste nosso Portugal

Repleto de desempregados

Sofrendo todos os males


12-10-2012 Maria Antonieta Matos


👁️ 601

QUANDO MORRER

Quando eu morrer

Serei palco de grande festa

Contratarei uma orquestra

Quero ver todos a sorrir

Com prazer a assistir

E ouvir grandes poetas

Quero ver lá muitos pintores

A escrever muitos escritores

Não tolero gente indigesta

Não quero que haja tristeza

Quero já ter essa certeza

De ser uma grande festa

Quero todos a cantar e a vibrar

Lágrimas só de contente

Quero o campo cheio de gente

Emoções de alegria

Não quero ver antipatia

Nem ninguém por bem parecer

Quero que estejam por prazer

Para não esquecerem esse dia

Nesse palco quero ficar

Sem nada para me tapar

Em paz ficarei a assistir

No silêncio a ouvir

Porque só se morre um dia.


Maria Antonieta Matos 29-06-2013

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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)