Escritas

Lista de Poemas

O MEU NETO MIGUEL

Ainda mal sabe andar

O Miguel de olhar sereno

Leva o corpo a balançar

Uma gracinha tão pequeno


De bico de pés dá os bracinhos

Para que o leve onde quer

Aproveito para lhe dar beijinhos

A sorrir diz bem me querer


Curioso em tudo mexe

Tudo quer descobrir

Quer fazer o que lhe apetece

Os degraus quer subir


Fica com ar tão engraçado

Que põe todos a sorrir

Como se estivesse aprovado

Que não há mal, pode seguir


Maria Antonieta Matos 10.04-2013

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AI O ESTADO LASTIMOSO

Ai o estado lastimoso

Em que está este país

Anda alguém muito guloso

Que pensa ser poderoso

A crescer-lhe o nariz

Já não existe classe média

Professores para ensinar

Está a torna-se em tragédia

Aprender e estudar

A saúde está a acabar

O povo já está sem cheta

Como se aguenta a depressão

Se este estado não se endireita

Paga mal a quem dá lucro

E muito bem ao astuto

Que faz o povo cair

Para o andar a servir

Sem o mínimo de dignidade

Mas onde está a humanidade?

Só existe falsidade…

Ai liberdade, liberdade

Acabaram com os direitos

Consignados na constituição

Os direitos são defeitos

Valorizam o ladrão

Não o que rouba para comer

Mas o que se quer encher

Que tremenda confusão

Casais desempregados

Com as contas para pagar

Vêm-se sem ordenados

E com os filhos a chorar


O governo bem sustentado

Acrescenta austeridade

Não corta o seu ordenado

Fomenta a desigualdade

Deixa fechar as empresas

Não lhes dá estabilidade

Desespero e incertezas

É um poço de dificuldades

Jovens sem segurança

Apoiam-se nos velhos pais

Que esticam sem a esperança

Que os filhos não precisem mais


Maria Antonieta Matos 24-04-2012

👁️ 509

MÃE

Minha mãe mesmo velhinha

Não se cansa nem um minuto

Cuida, protege, acarinha

Tudo faz sem contributo


Ativa, doce, criança

Sempre pronta a ajudar

Sonha, enche-me de esperança

Nada a afecta para amar


Se há algo que me atormenta

É motivo para não dormir

Se me zango, não se apoquenta

Em silêncio me sabe ouvir


Argumenta sabiamente

Cada dia a ensinar

Observa atentamente

Cada passo do meu andar


Adivinha-me o pensamento

Abdica do seu bem-estar

Sorri-me a cada momento

Os seus olhos, vejo brilhar


Percorreu longo caminho

No seu ventre fui protegida

Sofreu as dores com carinho

Com energia desmedida


Tens os cabelos branquinhos

Pele enrugada do tempo

Adoras os teus netinhos

Vives cada acontecimento


Surpreendes todos os dias

Mesmo com a mão a tremer

Tudo fazes com ousadia

Disfarças para ninguém perceber


Queres para todos o melhor

Sonhas com esperança o futuro

Minha mãe és a maior

A maior mãe do mundo


Maria Antonieta Matos 14-02-2013

👁️ 572

SOL RADIOSO

Amanheça o dia com o sol radioso

Cortem-se todos os males pela raiz

Floresça a alegria num alvoroço

Resplandecendo a paz com ar feliz

 

Morram as injustiças e as ambições

Sintam o pensamento a harmonizar

Acalentem de amor os corações

Sintam correr calmo o rio, a trautear

 

Prendam o olhar nas flores a crescer

O chilrear dos passarinhos a penetrar

Levantem os olhos, para ver e admirar

 

As cores no horizonte transparecer

O rastejar e andar, a lindeza de cada ser

Emudeçam-se em aromas a contemplar

 

30-10-2013 Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos V"

👁️ 594

OLHAR

Quando vejo o teu olhar

Fixo no meu sem parar

Leio o que neles me dizes

Sem uma palavra me dares


Se estás triste ou contente

Se tens ódio ou se me amas

Tudo o que o teu coração sente

Nos teus olhos se inflama


Quando vejo a natureza

Num silêncio interior

Desfruto aquela beleza

Num olhar mais sonhador


O que mata um jardim

É a indiferença do olhar

A inconsciência sem fim

Duma flor deixar murchar


Quando vejo olhar o umbigo

Sem nada ver ao redor

Um distanciamento é sentido

Por nele ver ambição maior


Há o olhar como um som

Expressivo revelador

Mostra o que alma projectou

Num momento inspirador


Olhar sábio que vê distante

Tudo pode descobrir

Realizar coisas importantes

Mesmo sem estar a agir


Um olhar diz uma coisa

Outra coisa diz outro olhar

Porque a diferença da coisa

Está no olhar a pensar


Um olhar atencioso

Vai fazer toda a diferença

Num doente ou no idoso

Pelo ato da deferência


21-01-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 572

DESPEDIDA

Despedaço-me…  

Tenho dias!

Em que o coração me salta do peito

Um não sei quê me escurece a alma …

e nesse ignóbil constrangimento, me ponho a jeito

Fecha-se a cortina da alegria e na saudade, me deito

Sou espectro dum mundo vazio

Vejo a mentira crescer, o desespero e desprezo corrente

Alguém todos os dias deixa de viver

Neste quadro deprimente

 

E correm indefesos, rasgando caminhos tentando nascer de novo

Deixam para trás uma vida inteira de sacrifício

Um filho, um pai, uma mãe, os netos… filhos do povo

Muitos morrem deste martírio!

Família que se dispersa…

noites de alerta…

Cansaço, que não ultrapassam pelo delírio  

No pensamento fica o invento do sustento 

E a esperança, o transpor do novo dia…

Enquanto dura este alento!

 

22-02-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir D'um Poeta"

👁️ 557

OLHAR A NATUREZA

Da aboboreira a observar,

Denso campo de carvalhos

Embrenhei-me como a sonhar

Por entre gotas de orvalho


Perfumes que respirei

Neste ambiente tão natural

Ninhos de águias, admirei

Com mochos, esquilos falei

Em puro meio ambiental


Vi lobos e vi libelinhas

Vi morcegos, formiguinhas

Corujas, cobras a rastejar

Muitos pássaros a voar

Musicando pr’a me saudar


Frondosas árvores centenárias

Imponentes e lendárias

Amieiros, salgueiros, freixos

Exemplares de azevinho

Aqui se aninham os passarinhos


O cuco, o pisco, a cotovia

Andorinas, rouxinóis

Sobem às plantas caracóis

Nesta paz e sintonia

Há romance, muita magia


O noitibó sai pelo escuro

Na noite vai disfarçado

O seu ninho fica seguro

No chão por folhas tapado


Se alimenta de mosquitos

Feliz sempre a saltitar

Pela mata de carvalhos

Leva a noite a festejar


O mocho em grande estilo

Sai da toca para cear

Com o fato de abas de grilo

Para o grilo ouvir cantar


Sobre folhas a deslizar

A lebre passa de repente

Fugindo duma serpente

Que se estava a aproximar

E ficou serenamente

De longe a observar


Este refúgio cheio de cor

A sombra é grandiosa

Focos de luz irradiam

Aquela vegetação viçosa


O milhafre e o açor

Esvoaçam pelo ar

O rio Ovil por ali passa

Abraçando este esplendor


Nas suas margens, as lontras

Melro, chapim, perdiz

Tranquilos livres, os encontras

Num ambiente muito feliz


Não faças mal à floresta

Que nos prima de beleza

Cheia de ar puro, mãe natureza

Saúda a vida sempre em festa


22-08-2013 Maria Antonieta Matos

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MONSARAZ (versão Dia Chuvoso)

Ah…Quanto elevado se sente o pensamento

Quando o dia, lá fora corre atormentado

No aconchego, as brasas falam ao silêncio

Faúlhas me fazem ver o céu estrelado


Adeus dia chuvoso que na calçada

Cascatas fazes e abraça os teus rios

Ao vento que ouço aos assobios

Ringindo portas que me causam arrepios


Enches de lismos, despes o branco do casario

Tiras-lhe a cor e o matizas de rabiscos

Lacrimeja o beiral contente aos salpicos


O escuro se ilumina, cessa o vento e o frio

O reflexo dos regatos alinda a calçada de xisto

Flores nascem na rua, entre pedras e nichos

II

Monsaraz de ruas estreitas perfumadas

De boa gente que te quer conhecer

Que se prende por muito bem te querer

Nos teus olhares se sentem enfeitiçadas


Paisagens que cegam de grandeza

Enchem de inspiração a alma de artistas

Que acolhem o visitante de gentiliza

No palco divino em que és protagonista


Ruas singelas, pedras de xisto a fascinar

O tempo longínquo que se sente a rodear

Em cada pedra em cada canto um desejo


20-08-2013 Maria Antonieta Matos


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UMA FESTA

Através da vidraça, manifesta-se a natureza

O vento agita as plantas, as árvores

Musicando para que dancem, e as flores

Os pássaros esvoaçam com leveza

O céu mostra nuances de branco e cinza

O casario branco e vermelho, contrasta as cores

A chuva tamborilando cada nota, e os amores

De vez em quando um clarão

E o ribombar do trovão

O solo embriaga-se de bebida

Derrama de cheio, correrem regatos

A festa continua alta hora, destemida

Na euforia surgem desacatos

Até que da folia o cansaço amoleça

E o sono caia, e sonho aconteça


07-03-2013 Maria Antonieta Matos

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POR DO SOL

Esconde-se o sol, desce ao leito

Mais um dia a terminar

Sorrindo, por tudo ter feito

Pinta de cores o céu e o nublar

Encantando por um momento

Quem da terra o contemplar


Maria Antonieta Matos 30-12-2012


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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)