Lista de Poemas
CANTO DAS PEDRAS
Olho a escadaria iluminada e mergulho na fantasia,
No pensamento brotam murmúrios a lampejar
De corpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia
Admiro cada pedra subindo ao céu, como a um altar
A arte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.
A imagem fica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.
Do céu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!
Absoluto silêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!
Cismo através dos séculos, em outras eras, o abandono,
as majestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras
Povos mortos de cansaço, obedecem a altas esferas!
Cercados por medos, experimentada miséria e leves de sono,
suplicam de mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,
para que os homens impiedosos, acabem com as guerras!
25-04-2013 Maria Antonieta Matos “ In Poetizar Monsaraz II”
CHEIA DE NADA ...
Cheia de nada…
Faço do sonho o recheio da vida
O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o gelo, me dão a guarida
No insano e sublime querer…
Busco alegria perdida…
E apago todas as lágrimas, riscando-as das páginas da vida
Serei o espectro que percorre a imensidão do espaço,
No romper da aurora, abrindo cores, cheiros e sabores
Erguendo-me ao vento que ao soprar, me afaga de abraços
No tom atinado, ao ouvido cochicha, me beija e desperta,
Respirando essa grandeza e fascino, que me liberta
Serei as veias correndo em cada braço de rio para o mar
Serpenteando as águas cristalinas, saltando a brincar
Sem fome, sem sede, sem dor, sem hora certa
Perfilhando cada dia, viventes do mundo, inteira para amar
18-02-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir d'um Poeta"
PAI
Cheio de carinho e de humor
Encantavas todos nós
Esforçavas-te para conseguir
O que sem falar a viva voz
Sentias e davas a sorrir
Tenho presente o teu sorriso
As tuas preocupações
Ralhavas quando era preciso
E apaziguavas nossos corações
Foste um pai sempre presente
Bom marido e terno avô
Muito amigo do seu amigo
Ensinaste-me o que sou
Pai, recordo-te com carinho
Não me esquecerei de ti
Daqui mando um abracinho
Um dia estarei aí
Maria Antonieta Matos 19-03-2013
AMOR
Amor que um fósforo acende vigoroso
Se revela num só peito emaranhado
Verte emoções a palpitar, sonho extremoso
Com mil desejos, do sentir aconchegado
Amor enfeitiçado, que não desagarra
Se enciúma e desencanta, a outro olhar
Amor doentio, amor louco que atrapalha
Amor sincero, que nada tem para cobrar
Em todos os amores, há uma loucura
Segredo, desavença e ternura
Tempero que a multiplicidade faz durar
Numa amizade enternecida enquanto firme
Uma atracção perdidamente a respirar
Amor se ganha pela vida a respeitar
10-10-2013
- Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos V"
CORRE MARIA
Maria corre
Corre o santo dia
Corre que morre
De tanta arrelia
De manhã acorda
Corre a cambalear
Prepara a roupa
P’ra todos vestir
Corre a se lavar
Maria, Maria
O tempo não dá
Para ao espelho te mirar
Corre para o quarto
Corre a se vestir
Levanta o menino
Para a escola ir
Corre para o lavar
Corre para o vestir
Corre para cozinha
Faz o pequeno-almoço
Chama-a a vizinha
São horas de sair
Dá pressa ao menino
Para acabar de comer
Corre a fazer as camas
Limpa a mesa a correr
Dá pressa ao marido
Que não se quer mexer
Maria, Maria
Vá lá perceber
Sempre numa arrelia
Pra nada esquecer
Corre para sair
Leva o menino à escola
São horas de seguir
Corre para o trabalho
Sempre a trabalhar
Encolhe-se, troca a perna
Mas é uma pena
Não pode parar
Corre a almoçar
Que o trabalho aperta
Vai aliviar
Deixa a porta aberta
Corre a se lavar
São horas de trabalhar
Corre Maria
Que tens que acabar
Esse trabalhinho
Que te vai premiar
Corre Maria
São horas de sair
Vai buscar o menino
Toma conta dele
Para não cair
Corre rua abaixo
Corre rua acima
Corre a entrar em casa
Pelas escadas acima
Senta o menino
Para fazer os trabalhos de casa
Corre a fazer o jantar
E o almoço para outro dia
Corre a passar a ferro
E põe a roupa lavar
Corre, corre Maria
Corre para arrumar tudo
Põe a mesa para o jantar
O marido é sortudo
Sentou-se a ler o jornal
Come de pé a correr
Lava a loiça, limpa a loiça
E vai-se pôr a cozer
Corre Maria
Maria corre
O menino não quer dormir
Corre conta-lhe uma história
Não resulta a correr
Quer mais uma a seguir
E não consegue adormecer
Corre Maria agoniada
Já sem forças para correr
Cai na almofada cansada
Sem
o menino ouvir chorar
Tem pesadelos a dormir
Fala alto a ressonar
Corre Maria
Acorda pela noite dentro
Levanta-se escangalhada
Corre para cama sem alento
E leva a noite acordada
Corre Maria
Maria corre
Já entrou a alvorada
Corre Maria
Maria corre!
Maria
Antonieta Matos 05-10-2013
DIAS PREOCUPADOS
Os dias vão passando preocupados
Nada acontece, nem as árvores já agitam
Nas estradas, os trabalhos estão entrevados
No trabalho, as gentes não acreditam
O desencanto d’ um país que vai morrendo
No seu encanto que se escusa a envelhecer
O sol incandescente a vida faz renascer
Com sua força vivamente sempre lutando
Oh! País, que dia e noite irradias multicores
Estações te adornam no teu lindo esplendor
Porque te molestam atrasando os teus valores?
Quem te habita vive vivendo, enterrado sem vigor
Assujeitado aos maus juízes ameaçadores
Que lhe carrega a vida amontoada de dissabores
03-10-2013 Maria Antonieta Matos
AMOR DEVIA SER
Amor devia ser a chama ardente
Lume sem timidez e ressentimentos
O culminar de agradáveis momentos
Na harmonia um amor vivo e quente
Exaltação a brilhar em delírios e desejos
Enternecido no enlace da paixão
O saciar aceso no entranhar dos beijos
Gritando amor, amor - a voz do coração
Amor devia estar de corpo inteiro
No pensamento amor primeiro
Estar num só corpo o mesmo sonho
Amor devia ser um sentimento puro
Viver no respeito no olhar seguro
Amor desanuviado, amor risonho
05-11-2013
Maria Antonieta Matos
In " Poesia Sem Gavetas III"
DIA CHUVOSO
Ah! Quanto vagueia o pensamento
Enquanto o dia corre atormentado
As brasas falam ao meu silêncio
Na chaminé salta o testo fervelhado
Adeus dia chuvoso que na calçada
Cascatas, fazes, e abraças os seus rios
Ao vento que ouço aos assobios
Ringindo portas que me causam arrepios
Despes o branco do casario, enches de lismos
Tiras-lhe a cor e o matizas de rabiscos
Nascem as flores em qualquer pedra ou nicho
Lacrimeja o beiral contente aos salpicos
O escuro se ilumina, as nuvens adormecem
As pedras da calçada resplandecem estrelas
O reflexo dos regatos alindando, agradecem
O retorno da gente, pintando aguarelas
20-08-2013 Maria Antonieta Matos
AI A CRISE AI A CRISE
Ai a crise, ai a crise
Não há quem lhe ponha mão
Muitos estudos e previsões
Que tremenda confusão
Cachimónias inteligentes
Que não trazem resultados
Pobrezinhos deprimentes
Cada vez estão mais tramados
Ai a crise, ai a crise
Já manda o FMI
Esses é que são felizes
Comem tudo o que se ganha aqui
Vem com grande bagagem
Mas anda tudo a andar para trás
Cobram juros impagáveis
E o governo o que é que faz?
Anda cheio de atenções
Para com estes comilões
Que nos vendem ao desbarato
E nos levam os milhões
E o governo anda abstrato
Ai a crise, ai a crise
Para onde vai este país
Revirado do avesso
Está a ver-se o mal começo
Ainda vamos para Paris
Já não temos quem trabalhe
O que faz com que isto mexa
Só empregam quem comanda
Tiram-nos tudo sem deixa
Usam de grande retórica
Com o mundo desigual
Mas é tudo só teórica
Tratam-nos como um animal
Está tudo a minguar
Até aquilo que foi feito
Não há nem para remendar
E até nos tiram o leito
Nem que seja mau negócio
Não admitem o seu jeito
Estão sempre a se desculpar
Com ar muito satisfeito
Sem nada para justificar
Todo o trabalho mal feito
Ai a crise, ai a crise
Tudo serve de desculpa
Qualquer dia vão ver
Portugal por uma lupa
Maria Antonieta Matos 21-04-2012
FALAR POR FALAR
Extremoso modo e cristalino justo
Falando hoje o que amanhã não disse
Numa trapalhada politicando insulto
Para transparecer o que afinal disse
Não se molestem com o poder singelo
Que o pequeno não está guarnecido
Intentando certos, que o cegam no gelo
Se levanta o ódio no meio destemido
Encham-se de promessas blindadas
Verdades por inverdades a justificar
Até se ver que não passam de cantadas
Movam obstáculos pr’a passagem dificultar
Que a viva força de repente pode acordar
E o mais possante assento pode vergar
16-10-2013 Maria Antonieta Matos
In " Nós Poetas Editamos V"
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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