Escritas

Lista de Poemas

CANTO DAS PEDRAS

Olho a escadaria iluminada e mergulho na fantasia,

No pensamento brotam murmúrios a lampejar

De corpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia

Admiro cada pedra subindo ao céu, como a um altar


A arte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.

A imagem fica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.

Do céu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!

Absoluto silêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!


Cismo através dos séculos, em outras eras, o abandono,

as majestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras

Povos mortos de cansaço, obedecem a altas esferas!


Cercados por medos, experimentada miséria e leves de sono,

suplicam de mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,

para que os homens impiedosos, acabem com as guerras!


25-04-2013 Maria Antonieta Matos “ In Poetizar Monsaraz II”

👁️ 586

CHEIA DE NADA ...

Cheia de nada…

Faço do sonho o recheio da vida

O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o gelo, me dão a guarida

No insano e sublime querer…

Busco alegria perdida…

E apago todas as lágrimas, riscando-as das páginas da vida

Serei o espectro que percorre a imensidão do espaço,

No romper da aurora, abrindo cores, cheiros e sabores

Erguendo-me ao vento que ao soprar, me afaga de abraços

No tom atinado, ao ouvido cochicha, me beija e desperta,

Respirando essa grandeza e fascino, que me liberta

Serei as veias correndo em cada braço de rio para o mar

Serpenteando as águas cristalinas, saltando a brincar

Sem fome, sem sede, sem dor, sem hora certa

Perfilhando cada dia, viventes do mundo, inteira para amar  

 

18-02-2014 Maria Antonieta Matos

In NPE " Sentir d'um Poeta"

👁️ 578

PAI

Cheio de carinho e de humor

Encantavas todos nós

Esforçavas-te para conseguir

O que sem falar a viva voz

Sentias e davas a sorrir


Tenho presente o teu sorriso

As tuas preocupações

Ralhavas quando era preciso

E apaziguavas nossos corações


Foste um pai sempre presente

Bom marido e terno avô

Muito amigo do seu amigo

Ensinaste-me o que sou


Pai, recordo-te com carinho

Não me esquecerei de ti

Daqui mando um abracinho

Um dia estarei aí


Maria Antonieta Matos 19-03-2013

👁️ 583

AMOR

Amor que um fósforo acende vigoroso

Se revela num só peito emaranhado

Verte emoções a palpitar, sonho extremoso

Com mil desejos, do sentir aconchegado


Amor enfeitiçado, que não desagarra

Se enciúma e desencanta, a outro olhar

Amor doentio, amor louco que atrapalha

Amor sincero, que nada tem para cobrar


Em todos os amores, há uma loucura

Segredo, desavença e ternura

Tempero que a multiplicidade faz durar


Numa amizade enternecida enquanto firme

Uma atracção perdidamente a respirar

Amor se ganha pela vida a respeitar


10-10-2013 - Maria Antonieta Matos  
 In "Nós Poetas Editamos V"

👁️ 684

CORRE MARIA

Maria corre

Corre o santo dia

Corre que morre

De tanta arrelia

De manhã acorda

Corre a cambalear

Prepara a roupa

P’ra todos vestir

Corre a se lavar


Maria, Maria

O tempo não dá

Para ao espelho te mirar

Corre para o quarto

Corre a se vestir

Levanta o menino

Para a escola ir

Corre para o lavar

Corre para o vestir

Corre para cozinha

Faz o pequeno-almoço

Chama-a a vizinha

São horas de sair

Dá pressa ao menino

Para acabar de comer

Corre a fazer as camas

Limpa a mesa a correr

Dá pressa ao marido

Que não se quer mexer


Maria, Maria

Vá lá perceber

Sempre numa arrelia

Pra nada esquecer

Corre para sair

Leva o menino à escola

São horas de seguir

Corre para o trabalho

Sempre a trabalhar

Encolhe-se, troca a perna

Mas é uma pena

Não pode parar

Corre a almoçar

Que o trabalho aperta

Vai aliviar

Deixa a porta aberta

Corre a se lavar

São horas de trabalhar

Corre Maria

Que tens que acabar

Esse trabalhinho

Que te vai premiar


Corre Maria

São horas de sair

Vai buscar o menino

Toma conta dele

Para não cair

Corre rua abaixo

Corre rua acima

Corre a entrar em casa

Pelas escadas acima

Senta o menino

Para fazer os trabalhos de casa

Corre a fazer o jantar

E o almoço para outro dia

Corre a passar a ferro

E põe a roupa lavar

Corre, corre Maria


Corre para arrumar tudo

Põe a mesa para o jantar

O marido é sortudo

Sentou-se a ler o jornal

Come de pé a correr

Lava a loiça, limpa a loiça

E vai-se pôr a cozer

Corre Maria

Maria corre

O menino não quer dormir

Corre conta-lhe uma história

Não resulta a correr

Quer mais uma a seguir

E não consegue adormecer

Corre Maria agoniada

Já sem forças para correr

Cai na almofada cansada

Sem o menino ouvir chorar
Tem pesadelos a dormir

Fala alto a ressonar

Corre Maria

Acorda pela noite dentro

Levanta-se escangalhada

Corre para cama sem alento

E leva a noite acordada

Corre Maria

Maria corre

Já entrou a alvorada

Corre Maria

Maria corre!


Maria Antonieta Matos 05-10-2013

👁️ 575

DIAS PREOCUPADOS

Os dias vão passando preocupados

Nada acontece, nem as árvores já agitam

Nas estradas, os trabalhos estão entrevados

No trabalho, as gentes não acreditam


O desencanto d’ um país que vai morrendo

No seu encanto que se escusa a envelhecer

O sol incandescente a vida faz renascer

Com sua força vivamente sempre lutando


Oh! País, que dia e noite irradias multicores

Estações te adornam no teu lindo esplendor

Porque te molestam atrasando os teus valores?


Quem te habita vive vivendo, enterrado sem vigor

Assujeitado aos maus juízes ameaçadores

Que lhe carrega a vida amontoada de dissabores


03-10-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 632

AMOR DEVIA SER

Amor devia ser a chama ardente

Lume sem timidez e ressentimentos

O culminar de agradáveis momentos

Na harmonia um amor vivo e quente

 

Exaltação a brilhar em delírios e desejos

Enternecido no enlace da paixão

O saciar aceso no entranhar dos beijos

Gritando amor, amor - a voz do coração

 

Amor devia estar de corpo inteiro

No pensamento amor primeiro

Estar num só corpo o mesmo sonho

 

Amor devia ser um sentimento puro

Viver no respeito no olhar seguro

Amor desanuviado, amor risonho

 

05-11-2013 Maria Antonieta Matos 
In " Poesia Sem Gavetas III"

👁️ 675

DIA CHUVOSO

Ah! Quanto vagueia o pensamento

Enquanto o dia corre atormentado

As brasas falam ao meu silêncio

Na chaminé salta o testo fervelhado


Adeus dia chuvoso que na calçada

Cascatas, fazes, e abraças os seus rios

Ao vento que ouço aos assobios

Ringindo portas que me causam arrepios


Despes o branco do casario, enches de lismos

Tiras-lhe a cor e o matizas de rabiscos

Nascem as flores em qualquer pedra ou nicho

Lacrimeja o beiral contente aos salpicos


O escuro se ilumina, as nuvens adormecem

As pedras da calçada resplandecem estrelas

O reflexo dos regatos alindando, agradecem

O retorno da gente, pintando aguarelas


20-08-2013 Maria Antonieta Matos

👁️ 561

AI A CRISE AI A CRISE

Ai a crise, ai a crise

Não há quem lhe ponha mão

Muitos estudos e previsões

Que tremenda confusão

Cachimónias inteligentes

Que não trazem resultados

Pobrezinhos deprimentes

Cada vez estão mais tramados

Ai a crise, ai a crise

Já manda o FMI

Esses é que são felizes

Comem tudo o que se ganha aqui

Vem com grande bagagem

Mas anda tudo a andar para trás

Cobram juros impagáveis

E o governo o que é que faz?

Anda cheio de atenções

Para com estes comilões

Que nos vendem ao desbarato

E nos levam os milhões

E o governo anda abstrato

Ai a crise, ai a crise

Para onde vai este país

Revirado do avesso

Está a ver-se o mal começo

Ainda vamos para Paris

Já não temos quem trabalhe

O que faz com que isto mexa

Só empregam quem comanda

Tiram-nos tudo sem deixa

Usam de grande retórica

Com o mundo desigual

Mas é tudo só teórica

Tratam-nos como um animal

Está tudo a minguar

Até aquilo que foi feito

Não há nem para remendar

E até nos tiram o leito

Nem que seja mau negócio

Não admitem o seu jeito

Estão sempre a se desculpar

Com ar muito satisfeito

Sem nada para justificar

Todo o trabalho mal feito

Ai a crise, ai a crise

Tudo serve de desculpa

Qualquer dia vão ver

Portugal por uma lupa


Maria Antonieta Matos 21-04-2012

👁️ 562

FALAR POR FALAR

Extremoso modo e cristalino justo

Falando hoje o que amanhã não disse

Numa trapalhada politicando insulto

Para transparecer o que afinal disse


Não se molestem com o poder singelo

Que o pequeno não está guarnecido

Intentando certos, que o cegam no gelo

Se levanta o ódio no meio destemido


Encham-se de promessas blindadas

Verdades por inverdades a justificar

Até se ver que não passam de cantadas


Movam obstáculos pr’a passagem dificultar

Que a viva força de repente pode acordar

E o mais possante assento pode vergar


16-10-2013 Maria Antonieta Matos

In " Nós Poetas Editamos V"

👁️ 541

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)