Escritas

Lista de Poemas

ONTEM E HOJE

Hoje, que a vida passou,

Que não tenho o folgo d’outrora

Tenho pressa de viver…

Aprender... tudo dizer…       

Nada, quero perder agora.

 

Dantes, quando podia…

Não tinha força, não queria,

Desperdicei o meu tempo,

Tempo, que o vento levou, numa tremenda euforia…

E o pouco tempo me restou…

 

Agora que quero ter, esse tempo,

Já com alguma sabedoria!

O vento sem dó, me assobia

Vivo com pressa o momento

E a memória me atrofia.

 

Maria Antonieta Matos 15-02-2014
In NPE " Sentir d'um Poeta"

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ALENTEJO INSPIRADOR

Alentejo inspirador

Eleva-me só de te olhar

Ao meu passar, abres cores

No campo p'ra me cortejar

Na primavera raiam flores

Entre o verde disparador

Malmequeres e papoilas

Salpicam o lindo esplendor

Pela noite a maresia

Gotas d'orvalho te afagam

Neste leito de amor

Bichinhos ali se amagam

Depois chega a alvorada

O sol dá o bom dia

Saem pássaros da ninhada

Sonidos de melodia

Num despique natural

Paz de espirito a apaziguar

Entoam cigarras e merlos

Cegarregas e grilos

Num silêncio a explanar

Para quem ouve escutar

E encantar-se a sonhar

Canta o galo no seu poleiro

Acorda a gente que dorme

E faz saltar do galinheiro

As galinhas de uniforme

A vida começa a surgir

Vem a chuva num vai, vem

Vem da alma a poesia

O sentir que a gente tem

Correm regatos e rios

Desfraldados enchendo o rego

Saciando as plantas do estio

Que o verão as seca cedo

Os animais de noite e dia

Correm o tempo a pastorear

Sob a velha copa acarram

Enquanto o sol abrasar

Vestem-se os montes de branco

Teu chão perde-se ao avistar

De azul te cobre o teu manto

Nuances, pairam a realçar

As vinhas mudam as cores

Conforme o tempo que passa

À mesa levam os sabores

Uvas,vinho ou em passa

Oliveiras e azinheiras

Azeitonas e bolotas

Os azeites de primeira

Os aromas e as compotas

Os queijos muito apreciados

Os enchidos saborosos

São pelo mundobadalados

Por embaixadores vigorosos

Alentejo musical

Entrelaçado no canto

És pintura divinal

Cresce molhares de espanto

Alentejo, não te esqueço

Mando lembranças daqui

Ouvintes de todo o mundo

Sempre Alentejo é aqui

A Rádio Solar de Londres

A quem muito agradeço

Na pessoa de Manuel Venâncio

SEMPRE ALENTEJO não te esqueço

MariaAntonieta Matos 25-09-2013

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PAI II

Tu que me deste o ser,

me afagaste quando insegura

e me fazias renascer com a mais doce brandura

Eras força, eras ternura, eras sorriso

Estavas sempre onde era preciso!

Mostravas o teu amor… à mãe sempre dizias,

Que a amavas todos os dias!

Brincavas e ensinavas, eras bom a matemática

Tu comigo desenhavas, contavas histórias de enfeitiçar

Ao teu colo eu ficava com a mana a cantarolar

As vezes … também te zangavas,

Quando estávamos na zombaria…

E aí te afirmavas…

Não querias rebeldia.

Sempre muito preocupado, com o nosso bom pensar

Sonhavas e muito trabalhavas para nada nos faltar

Aos teus netos davas carinho, fazias muitas piadas

Era tudo uma gracinha no meio de gargalhadas

Não desprezavas ninguém,

E em casa recebias bem

Os amigos ou conterrâneos

Todos te recordam e me falam do Gaspar

Que Deus tem

Estás no nosso coração

Em cada lugar és lembrado

Sinto tua mão na minha mão

Quando passeava a teu lado

 

19-03-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE "Eternamente Poeta"

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AVÓS E NETOS

Avós, crianças de novo

Entre risos e brincadeiras

Perante as grandes maroteiras

Dos seus netos irrequietos

Dão carinho, muitos afectos


Têm muita compreensão

Não importa a confusão

Dos brinquedos espalhados

Mesmo não sendo arrumados

Pela recusa dos netos

Dão carinho, muitos afectos


Contam contos de encantar

Transmitem-lhe muito saber

Ensinam como estudar

O conhecimento faz crescer


Com os netos a inventar

E dar a volta aos contextos

Dão carinho, muitos afectos


Alinham na brincadeira

Andam todos num virote

Ficam maçados de canseira

Mas continuam alegrotes


Jogar, bailar e cantar

E tocar para animar

Todos os males se espantar

São momentos para recordar


Os netos não vão esquecer

Pela sua vida fora

Das gracinhas ao crescer

Com os avós na memória


Os avós com os olhos postos

Nos seus netos, cada um passo

Envaidecem, sempre dispostos

A lhes dar fortes abraços


13-11-2012 Maria Antonieta Matos

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SOLIDÃO II

Escondo-me na solidão envergonhada

Nem o sol, o campo verde, me consola

Sinto-me desfalecer nesta abrigada

Perante o saque que me fazem, sem ter nada

Sem asas, esquecida, proibida d' aqui morar

Rasgam-me o ventre, tiram-me o sono e o sonho

Arrancam-me os filhos e os netos para emigrar

Tudo é longínquo, tudo é dor, tudo é medonho

Aqui no escuro levo meu sentido a desorientar

"Vivo" acabada, tiritando e a saudade não tem fim

Espero noite e dia por um carinho, para acalmar

Aguardo a esperança, que não vislumbra em mim

Aqui desesperada vejo as flores, a desgostar

Os lagos, os rios, em silêncio sem me bradarem

Nenhuma brisa, não sinto a alma, cega o olhar

Estou sem ninguém, a perecer, olhos a fecharem

Maria Antonieta Matos 10-01-2014
In NPE " Sentir D'um Poeta"

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FURACÃO

Numa perturbada pressão o vento se enfurece

A chuva desenfreada se enrola sem dar espera a inocentes

Rebentam portas e partem-se vidros das janelas

Arrancam-se as casas levando tudo com elas

Desesperadas, mães agarram contra si os filhos, impotentes

E gritam sem forças no rastro da morte torturante

Tanta devastação que palmilha o espaço, repentinamente

Estradas inundadas e casas despedaçadas, boiando

Aqui e ali uma mãe que dá luz, nos destroços

Mesmo ao lado a morte de familiares e gente chorando,

E o escuro que atormenta a descoberta de corpos

Daqueles que se perdem encalhando com os mortos

No mover de assaltos de aproveitadores que sacam sem dó

Multidão faminta, sem comunicação, no escuro só

Desprotegidos e feridos nesse martírio, caem aos poucos

No pranto do silêncio e no desvario de loucos

Enquanto as sirenes das ambulâncias, afligem o coração

De quem desesperadamente se refugia na oração

 

Levanta-se a força pela sobrevivência e faz renascer a energia

Numa labuta, não têm sono, nem de noite nem de dia

Limpando tudo e construindo o viver do novo dia!

 

 12-11-2013 Maria Antonieta Matos
In  NPE " Sentir D'um Poeta"

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SOMBRAS DA VIDA

Declinada sobre a mesa, numa manhã em que o dia acaba de nascer,

minha alma chora!
A tristeza invade-me e o sonho prega-me partidas …
Os olhos se humedecem, não há paladar, cheiro, carinho, canto, que decifre o momento.

Lá fora o sol está radioso, mas gelado este dia … Apagou-se em mim a luz, deixei de ver e ouvir as árvores, os passarinhos e tudo o que os olhos dizem, noutro dia …

Ontem ouvi uma reportagem sobre tráfego de pessoas e doeram-me as entranhas!

Pergunto-me onde chegam estas mentes perversas, doentes, ambiciosas, temerárias, que morrendo de medo quando estão por baixo, subjugam o seu semelhante a tremendas atrocidades….

Ao homem, à mulher à criança que indefesos, desesperados, discriminados, atraiçoados, manipulados, massacrados, presos, são privados de seguir os seus sonhos, do carinho da família, dos amigos….

Estranho jeito de amar, de presentear de se mostrar doce mas tão amargo …

O coração sai-me do peito a um ritmar gritante, ofegante …
Morra a maldade, a escuridão, o sofrimento, os maus pensamentos….

A vida concede oportunidades todos os dias para mudar!

VIVER A VIDA FELIZ!

Maria Antonieta Matos 29-12-2013

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DIA DE S. MARTINHO

Um soldado ao cavalgar

Num dia muito invernoso

Viu um pobre a tremelicar

Num estado lastimoso

 

Ficou tão sensibilizado

Que o pobre foi levantar

E lembrou-se de cortar

A capa ao meio, para lhe dar

 

Logo repentinamente

Do dia escuro se fez luz

Ficando o Martinho ciente

Que aquele pobre era Jesus

 

De tanto que havia chovido

O rio começou a transbordar

Com a cheia, a ponte foi caindo

Impedindo-o de por lá passar

 

Por tal motivo Martinho

Foi forçado a pernoitar

Numa casa miserável

Única que pôde encontrar

 

O casal que lá vivia

Tinha pouco para oferecer

Senão água-pé e castanhas 

Era o que tinham para comer

 

De ora avante neste dia

Há castanhas a assar

É dia de S. Martinho

Vinho novo para provar

 

E como sempre por milagre

O tempo começa a brilhar

É o verão de S. Martinho

O Santo mais popular

 

11-11-2012 Maria Antonieta Matos

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MEU CANTO

Com meu canto direi coisas    

Que no peito trago apertadas

Quando tão injustas palavras, ousas

Com as pessoas descriminadas

 

Sentes-te poderoso sem mácula

Cortando… cínico e desvairado

Sonhos e asas vindo arranca-las    

A gente que nasceu no triste fado

 

Gente humilde labutando em vão

Enquanto tu… tens tudo à mão

Em doce leito te deitas descansado

 

Crianças que maltratas e apregoas

findar seu sofrimento…  palavras boas

Apenas pr’a te mostrares abençoado

 

Maria Antonieta Matos  30-11-2013

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NÃO, NÃO VÁS POR AÍ!

Vem, vem por aqui!

– Dizes-me tu, com olhar meigo,

extravasando de emoção, camuflando teus segredos,

Injustiçando meu porto seguro, com muitos medos

 

Vem, vem por aqui!

E eu cansada e angustiada te dou a mão, levando o sonho e

acreditando, que a sorte pode mudar!

Mostras-me a vida colorida… iluminada… glorificada.

 

E eu sem nada... te dou a mão!

Levo a esperança e a tua força que agarrei

e me deixei ir por aí!

Pus-me ao caminho, no empolgado destino

e no teu fraseado caí.

Depois cortas-me em pedaços a minha raiz,  

Num arrastar de lama que nunca quis!

Atormentados dias e noites que não previ!

 

Não, não vás com falinhas mansas!

Desconfia dessa abastança

E não, não vás por aí!

 

09-02-2014 Maria Antonieta Matos 

In Nós Poetas Editamos VI"

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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)