Lista de Poemas
CRIANÇA MALTRATADA
Delírio percorre meu íntimo
Num desassossego inesperado
Ânsia para mudar o destino
A quem vive maltratado
Criança pálida num olhar triste
Meiga e frágil sedenta de amor
Emudecida como jamais viste
Mas que sentida emoção de dor
Um simples gesto a faz sorrir
Com pouco, muito lhe parece
A dor aquece sem nada sentir
No aconchego se transparece
Caindo o medo que a entristece
Afagando-me terna sem resistir
25-10-2013
Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"
DIA PACATO
Dia pacato que amotinas meu pensamento
Num desassossego que o silêncio propicia
Semeias desejos e olhares, que contemplo
Que ninguém vê, nem sente, o que anuncia
Dia cheio de cansaço, vazio de esperança
Invade os neurónios à gente desprotegida
Querendo viver mas assusta-lhe a vida
Perplexa de nãos, que afundam a mudança
Dias angustiados e mal-afortunados
De gritos silenciosos, sem sustento
Esbanjamento de alguns despreocupados
Dia pacato sem algo feito e nada por fazer
Dia com tempo apinhado de lamento
Sem se agitar, deixando-se morrer
Maria Antonieta Matos 20-09-2013
MENDIGO - II
Aqui sem espaço na vida
Na imensidão do espaço
Onde tudo se olvida
Durmo deitado ao relento
Flutuando ao sabor do vento
Telintando regelado
Encharcado no triste fado
Para aquecer o coração
Calo as dores a beber
Vivo uma vida de cão
Pedindo para comer
Sem forças caio especado
Dentro de muitos farrapos
Em qualquer chão… revirado
Olham-me com desprezo ou pena
Se curvam para dar um trocado
Vivo louco despedaçado
Na minha vida terrena
Aqui faço o sonho viajar
Vejo uma beleza Infinda
Faço versos a cortejar
A mais bela rapariga
Aqui o sorriso me contenta
Sinto a dádiva no carinho
Penso grande … pobrezinho
Deixo o que mais me atormenta
Dou comigo a falar sozinho
Maria Antonieta Matos 07-01-2014
In " Nós Poetas Editamos VI"
REVOLTA DOS SENTIDOS
O acumular de situações
Sem nenhuma objetividade
Provocaram rebeliões
Na gente duma cidade
Cérebros de muito pensar
Não descansavam há dias
E começaram a agitar
Numa grande rebeldia
As bocas em alvoroço
Gritavam quanto podiam
Veias engrossavam no pescoço
Que as vozes já não lhes saíam
Contentes estavam os ouvidos
Da tremenda barulheira
E de acordo todos os sentidos
Por não ser uma brincadeira
Os olhos controlavam tudo
Tinham essa grande missão
Não acertasse dedo pontiagudo
Vindo do meio da rebelião
No meio desta embrulhada
Os narizes, conferiam odores
E serviam como espada
Na cara dos exploradores
Com grande fúria as mãos
Desataram à paulada
Que terríveis confusões
A cidade estava tomada
Era tanta a rebeldia
Que os ossos estavam a desencachar
O matemático corria
Para todos numerar
Veio o médico de urgência
E os maqueiros com as macas
Cirurgiões com as facas
No meio de muitas ameaças
Maria Antonieta Matos 27-10-2012
SINFONIA DO CORPO
Grita um braço Grita o outro
A compasso ritmado
Aos estalidos anda o corpo
Num bramir angustiado
Uma perna que coxeia
O coração que muito anseia
A cabeça atrapalhada
A memória gaga, falhada
Os olhos piscam sem ver
O ouvido anda a zumbir
Ai, ui, ah, sempre a doer
Grita a voz para se ouvir
Será nevrite no braço?
Nos ossos a falta de cálcio?
Na perna talvez a ciática
Com esta falta de estética
Peada aos ais a manquejar
Na rua não se pode andar
Ai, ai, ai, esta falta de ar
É a tiróide a falhar
Anda a morte a rodear
Dor no estômago, enchimento
Pedras no rim a saltar
Nesta grande sinfonia
Anda o corpo a musicar
Prisão de ventre, anemias
Glaucoma e otites
Um sem fim de alergias
Na bexiga uma cistite
Na boca são as nevralgias
Na barriga uma enterite
Tanta, tanta, patologia
E corpo cheio de sintomas
Micoses, viroses, comichões
Toda a espécie de Infecções
Vem os nervos infernizar
Muitos toques e contusões
Anda o corpo sempre aos ais
Condenado a aguentar
Instrumentando ao despique
Para a orquestra começar
25-10-2013 Maria Antonieta Matos
ALMA DO POVO
Vejo profunda tristeza
No semblante deste povo
Que não augura certeza
Ter estabilidade de novo
Era de fácil resolução
Não houvesse interesseiros
Que provocam confusão
Metem medos e receios
Há um mundo que se liberta
Das garras dos ditadores
E há outro que acoberta
A volta dos opressores
Todo o ser tem o direito
De viver em liberdade
De não faltar ao respeito
Mostrar e ter dignidade
11-11-2011 Maria Antonieta Matos
AH! SE SOUBESSEM QUE O SONHO
Ah! Se soubessem que o sonho
Vive em cada movimento,
No sol, na sombra, no vento
Na lua, no cultivo, no rebento
No calhau mais duro e tosco
No olhar dum vidro fosco
No rio das águas correntes
Nos bicharocos, nas serpentes
Nas árvores verdes e às cores
Nas estações do ano, mil sabores
No colorido das casas
Nas chaminés com as brasas
Nas cascatas e nas fontes
No mais belo horizonte
Há sempre um sonho a espreitar
No florir do imaginar!
Ah! Se soubessem que o sonho
Vive em cada pobrezinho
No chilrear do passarinho
No inocente menino
Na solidão do idoso
No doente, no revoltoso
Na carroça, no caminho
Na neve, com tudo branquinho
Na chuva, nas gotas de orvalho
Nas brumas, no mar salgado
No Céu todo desenhado
Nas nuvens do céu cavado
Há sempre um sonho a espreitar!
Ah! Se soubessem que o sonho
Vive no sentir, no olhar
Na paisagem, no viajar
Na montanha alta e baixa
Ou no vale a verdejar
Há sempre um sonho que quer
Um poema te inspirar!
Ah! Se soubessem que o sonho
Vive em nós a perfumar
Em qualquer canto do mundo
No campo, no mar, no ar
No mais belo respirar
No mistério, na magia
Numa real fantasia
Todos podemos sonhar!
Maria Antonieta Matos 13 01-2013
In "Nós Poetas Editamos VI"
SOLIDÃO III
Rasgas-me o peito… solidão
Ao ver-te num dissimulado alento,
Sempre no escuro, vexando o ego,
Carregando o estigma, desvairado e cego,
Num repousar sem brio, nem movimento!
Acomodas-te no silêncio do tormento,
Sem o brilho do sol, o respirar de cada canto,
O desmaiar e o murmúrio das águas puras, correntes,
O colorido das folhas das árvores, cadentes,
O saborear da maresia, o beijar do vento,
As pinturas das nuvens ondeando céu,
O mar que enrola na areia, num amor só seu,
O luar e as estrelas que a noite oferece,
Para contemplar o amor, que a ti solidão te esquece.
Falo-te na beleza da vida,
Nos desabafos que podias ter,
Na companhia com outro ser,
Na alegria e no prazer,
No sonhar…
no mais sublime olhar…
Compartilhando a vida, no seu livro escrever,
Não te prendas na sombra, ergue-te como a alvorada!
Que vazia e só, não te leva a nada!
08-02-2014 - Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos VI""
O BRILHO DE UM CLIQUE
Briosas flores luminosas, embalando o sonho pairando no ar
No aconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem
A sonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar
Na grandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem
Monsaraz feiticeira, retina contempladora de olhares
Farol, proliferando os tons, os dons e os sentimentos
Decifrando mistério do encanto, enamorando os pares
Ficando a saudade de quem por ti passa, bondosos momentos
No alto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo
Te rodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade
Desejo da gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade
Ladeando os muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento
Os cliques dos retratos sucedem em cada dia, para o mundo conhecer
Na memória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender
27-06-2013 Maria Antonieta Matos “ In Poetizar II”
O OLHAR DO ENCANTO
Cego ao olhar do encanto
Emudeço-me de pasmar
Oiço dos pássaros, o canto
Aromas me querem cheirar
No campo brilham as cores
No mar também é assim
No céu as estrelas são flores
Que à noite riem pr’a mim
Quando clareia o sol me ilumina
Para o dia passar bem
Se chove o tempo me fascina
Pelos sentires que tem
Maria Antonieta Matos 23-09-2013
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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