Escritas

Lista de Poemas

OUTONO

Caem sobre o chão as folhas mortas,

Desencadeiam um matizado de pasmar,

Outono de ventos, de águas tortas,

Tuas árvores tristonhas, a desnudar.


Dias cinzentos, mar encrespado,

Silêncios que cismam ao olhar,

Morre o sol num disfarce acanhado,

Morrem os dias num comovente chorar.


Do ar soam toques de piano,

Um dedilhar fantasiado a murmurar,

Pautando notas a sonar ao oceano.


As noites crescem e cansam o pensar,

Neste silêncio intimo insano,

Desabrocham cânticos a proclamar.



Maria Antonieta Matos 30-09-2014


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CONTO DAS PEDRAS

Olho a escadaria iluminada e mergulho na fantasia,

No pensamento brotam murmúrios a lampejar

De corpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia

Admiro cada pedra subindo ao céu, como a um altar


A arte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.

A imagem fica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.

Do céu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!

Absoluto silêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!


Cismo através dos séculos, em outras eras, o abandono,

as majestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras

Povos mortos de cansaço, obedecem a altas esferas!


Cercados por medos, experimentada miséria e leves de sono,

suplicam de mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,

para que os homens impiedosos, acabem com as guerras!


Maria Antonieta Matos “In Poetizar Monsaraz II”

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MOMENTOS

Se o pensamento se envolve

a rebuscar outros tempos,

o sentimento se comove

ao reviver tais momentos.


Belos risos, gargalhadas,

sonhos de amor, mil desejos,

muitas tristezas marcadas

lágrimas, saudades e beijos.


E cismo na lembrança de ter,

Essa lucidez de outrora,

O novo olhar de hoje ver!


E embora os olhos de agora,

Chorem mesmo sem querer,

Mostram-me uma nova aurora!


26-09-2014 Maria Antonieta Matos
Pintura do meu amigo Costa Araújo

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INVEJA

INVEJA, que maltratas edominas,

Sem complacência o mérito alheio,

Cobiças tudo e o ódio germinas,

Vives num infernodeinveja cheio.


Consomes os dias matutando,

Para dificultar quem tem sucesso,

Fazes grande o que é pequeno,

INVEJA pecas por excesso.



TuINVEJA és tão perversa,

Não deixas medrar ninguém,

Mordes discreta, não te confessas,

E assim, tu não medras também.

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NADA SOU... MAIS DO QUE EU!

O silêncio cisma replicado
Neste cenário de domingo e fim de Agosto
Só os passarinhos me cantam do telhado
E o sol iluminado me provoca mais afoito
O olhar balança estonteado

Cai em mim a paz do mundo, a serenar

o sentir do coração, tão elevado

No pensamento, linda pintura a desenhar



Estou entre mim e Deus, no céu

Num refletir alucinado no apogeu

Nada mais quero... tudo dou

Porque nesta vida, nada sou...

mais do que eu!



Uma miragem que logo passa

Uma lembrança em qualquer dia

Uma virtude que se desfaça

Até o meu nome de Maria



Maria Antonieta Matos 31-08-2014
PINTURA DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO

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À PROCURA...

Saem-me palavras sem nexo

Vivo num mundo da lua

Ando revirada do avesso

Fico especada na rua


Penso estar num tempo antigo

Não tenho a noção do tempo

Perco-me no espaço que sigo

Não tenho um minuto assento


Visto-me e dispo-me esquecida

Repito-me a cada momento

Canso o melhor pensamento!


Soletram-me cada palavra

Como no primeiro ano de vida

E a mente gasta se “olvida”!


Maria Antonieta Matos 04- 09-2014


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PALAVRAS Á DERIVA

Andamà deriva... as palavras,

Perderam-senum campo aberto,

Nãose lembra a memória de nada,

Eos olhos caminham desertos.


Dedostontos da longa espera,

Opensamento sempre inquieto,

Aboca por palavras desespera,

Onariz torce ... indigesto.


Oouvido escuta, muito atento,

Quea memória caminhe no escuro,

Esurja a luz do pensamento.


Essaluz, esse domínio,

Quepinta cada momento,

Cadadesprazer ou fascínio.


23-08-2014Maria Antonieta Matos

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QUANDO TU NÃO ESTÁS

Quandotu não estás

Corro à janela,

Olho pela fresta

Ali fico àespera ....

Seca a primavera,

Secam os ribeiros

Só vejosequeiro,

A alma desespera

Mal passa um ruído,

O coraçãosentido

Bate muito forte,

Pressinto a morte

Quando tu nãoeras.


Falosozinha

Soltogemidos

Nadase avizinha

Tristezaminha.


Aolonge alaridos

Nadame aconchega

Quandotu não chegas


MaiaAntonieta Matos 27-12-2013

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A SOMBRA

Sombra que emitas os gestos,

Da pessoa que te guia,

Com passos de luz te afastas,

Em perfeita sintonia.

Me acompanhas pela vida,

Às vezes me pregas sustos,

Outras estás tão divertida,

Não despegas um minuto.


És a noite mais assombrada,

És o peso da consciência,

És a vida mal passada!


És rocha inerte ou ciência,

És tempo passado e futuro,

És mistério ou secreta maledicência!


Maria Antonieta Matos 21-07-2014


Pintura do meu amigo Costa Araújo


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SE TE LEMBRASSES DE MIM, MEU AMOR?

Se te lembrasses de mim, meu amor?

Quando a solidão me devasta o peito,

No vazio da cama onde me deito,

E o espírito vagueia há horas, desfeito.


Se te lembrasses de mim, meu amor?

Quando meus olhos choram tristes,

Na procura dos teus e não me viste,

E meu coração bate forte a pedir-te.


Serias o aconchego brando, desse dia,

A estrela que ilumina a noite escura,

O sol que aquece a alma de ternura.


Serias o meu esquecer a noite fria!

O forte abraço que eu mais queria!

O incendiado beijo que tudo cura!


Maria Antonieta Matos 27-07-2014


Pintura do meu amigo Costa Araújo


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Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)