Lista de Poemas
QUINTA DA LEITURA- BIBLIOTECA DE BAIÃO
Incentivando a cultura
A Biblioteca de Baião
Trouxe à Quinta da Leitura
O “Cágado” em vias de extinção
Sensibilizadas as crianças
Na leitura “O Cágado Gaspar”
Fizeram com muita ternura
Os "cágados" multiplicar!
Maria Antonieta Matos 06.09-2012
QUANTAS VEZES ME TIRAM O SONHO E O SONO?
Quantas vezes me tiram o sonho?
A liberdade de viver,
Ver o mundo mais risonho,
No mais belo florescer.
Quantas vezes me tiram o sono?
A vida sem dignidade,
O dinheiro cheio de vaidade,
O mais ignorante império,
Camuflados cheios de mistério,
A injustiça que soa,
Neste mundo numa boa!
Quantas vezes me tiram o sonho?
Os dissabores do destino,
Tanta gente sem um ninho ,
Que abarca as dores sozinhas,
O frio no corpo entranhado,
O calor que os faz mirrados,
A fome que os mingua,
O seu ar estonteado,
A submissão de meninos,
Torturados, manipulados,
Quem lhes cria este destino?
Quantas vezes me tiram o sono?
Ao ver gente escarnecida,
Que dorme na rua ferida,
Sem um mísero tostão,
Vivendo do beija mão,
Esperando a dura partida!
Quantas vezes me tiram o sono?
Ver multidões desesperadas,
Caminhando sem um teto,
Num profundo campo aberto,
Prostradas em lugar incerto,
Estoiradas por fria terra,
Em valas a descoberto,
Deixam amargo, indigesto,
Túmulos da injusta guerra!
Maria Antonieta Matos 11-07-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo.
CANTA O GALO LÁ NO POLEIRO
Canta o galo lá no poleiro
Com grande satisfação
Dando ordens no galinheiro!
Disse: vou cortar-lhe já a ração!
A galinha se irritou
Fez um Plenário urgente
E o galináceo não sossegou
Manifestando-se de repente
Com cartazes bem visíveis
Sempre na linha da frente
Deram saltos imprevisíveis
Derrubando o galo indecente
Aqui e ali se levantava
Mas saiu uma brigada
Vinda doutros galinheiros
Para ajudar a bicharada
Foi uma grande embrulhada
A tirar galos dos poleiros
A união desta espécie
Co corando no megafone
Não parem que arrefece!
Ponham o bico no trombone
Virem todos à patada
Não queiram morrer à fome
Maria Antonieta Matos 13-09-2012
ONDE VAI ESTE PAÍS
Ai o estado lastimoso
Em que está este país
Anda alguém muito guloso
Que pensa ser poderoso
A crescer-lhe o nariz
Já não existe classe média
Professores para ensinar
Está a torna-se em tragédia
Aprender e estudar
A saúde está a acabar
O povo já está sem cheta
Como se aguenta a depressão
Se este estado não se endireita
Paga mal a quem dá lucro
E muito bem ao astuto
Que faz o povo cair
Para o andar a servir
Sem o mínimo de dignidade
Mas onde está a humanidade?
Só existe falsidade…
Ai liberdade, liberdade
Acabaram com os direitos
Consignados na constituição
Os direitos são defeitos
Valorizam o ladrão
Não o que rouba para comer
Mas o que se quer encher
Que tremenda confusão
Casais desempregados
Com as contas para pagar
Vêm-se sem ordenados
E com os filhos a chorar
O governo bem sustentado
Acrescenta austeridade
Não corta o seu ordenado
Fomenta a desigualdade
Deixa fechar as empresas
Não lhes dá estabilidade
Desespero e incertezas
É um poço de dificuldades
Jovens sem segurança
Apoiam-se nos velhos pais
Que esticam sem a esperança
Que os filhos não precisem mais
Maria Antonieta Matos 24-04-2012
MÃOS
Tu que afagas o meu rosto
Que me apertas com carinho
Desenhas e pintas com gosto
Levas à boca o pão e o vinho
Tu que nos dedos trazes o anel
Simbolismo do amor
Responsabilidade fiel
Na obra de um escritor
Tu que ofereces, mão caridosa
Que te estendes para aceitar
Que és a arte primorosa
Que te entregas para amar
Tu que falas pelo gesto
Pões o surdo-mudo a falar
Que amparas o velhinho
Que fazes som para musicar
Tu que prendes
E magoas
Tu que bates e não perdoas
Tu que lês e ensinas
Pessoas invisuais
Que apontas e determinas
Que escreves e tanto mais…
Tu que cavas e cultivas
Que colhes todos os frutos
Que com afetos cativas
Que te defendes de brutos
Tu que castigas
Que pegas em arma e atiras
Que inocentes, fustigas
És força ou muita doçura
Tens rugas pelo tempo passado
Tens beleza formosura
Tens calos de teres labutado
16-01-2013 Maria Antonieta Matos
MAR NAS ONDAS A BATERl
PRESENTES DE NATAL
Eles que decidem por nós
Controlam nossos destinos
Cortam voos a meninos
Sonhos de amor desvanecem
Dia a dia, o medo tecem
Em segredo, planeiam tudo
Fazem o povo, confuso
Eles que tiram e fingem dar
Que desumanizam e dizem amar
Eles que sem dó deitam na lama
Gente ingénua imaginando a fama
Eles que roubam a alegria
Ao elo familiar
Chutando em cada dia
Filhos e pais para emigrar
Sem tostão e sem trabalho
Escravos sem agasalho
Lutam despidos de amor
Sem teto embrulhados em cartão
Deitados gelados no chão
Com a trouxa sempre às costas
Caiem em vícios andam as voltas
Chantageados, drogados
Por aquelas ruas tortas
Correm à sopa dos pobres
Mendigando alguns cobres
Muitos estão aprisionados
Por malvados são maltratados,
Humilhados,
Não há paz, não há futuro
Gente triste, em apuros
Gente idosa
Mão carinhosa
Que divide o pouco que têm
Para nada faltar aos filhos
E aos seus netos também
Quando chegam dias festivos
Ah! Correm todos p’ra se mostrar
Aos beijinhos e aos sorrisos
Para a data assinalar
São os presentes de Natal
Num só dia, desigual
Maria Antonieta Matos 03-12-2013
O JOÃO
O João meio sonolento
Sai da cama a cambalear
Dormitando o pensamento
Leva o tempo a resmungar
Pensa que o dia é noite
E a noite que é dia
Anda com os sonos trocados
Pensa que o dia é noite
E a noite que é dia
Se lhe falo criticando
Num tom mais afunilado
Rabuja ainda sonhando
E temos o caldo entornado
Cai o Céu e a trindade
Ai jesus que digo eu
Mas acorda para realidade
Finalmente amoleceu
Maria Antonieta Matos 28-08-2013
A ABELHA E A FLOR
Ah! que bonita é flor
Ao seu perfume não resisto
Dou-lhe um beijo com amor
Aprecio o seu sabor
E no gostinho eu insisto
Levo daqui o seu néctar
Para o favo ir fazer
E deliciar o mundo, com o mel
A comer com prazer.
Maria Antonieta Matos 02-09-2010
RECOLHI-ME PARA PENSAR
Recolhi-me para pensar,
Já correu um certo tempo,
Não me voltas pensamento!
Sinto inquietude em meu estar,
Já lá vão dias que tento!
Maria Antonieta Matos 02-06-2014
Pintura de meu amigo Costa Araújo

Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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