Escritas

Lista de Poemas

SOU PEDRA… ROCHEDO!

Cortaram-me as asas,
Deixei de voar,
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015

👁️ 385

ALENTEJO A CANTAR

Enquanto as mãos labutam, a sua mente

Entranha os momentos reveladores

Que descrevem 'estórias' de muita gente

Ensinamentos procurados por doutores


Quando o dia amanhece no Alentejo

Tantas agruras se passaram pelo campo

Homens, mulheres corajosos, nesse festejo

Relatam o sentir, a compasso, todo o encanto


Quando a tarde surge em dia quente

O corpo enfadado cai sonolento

Mas quando à noite se reúnem alegremente

Entoam cantigas naturais do pensamento


Quando no inverno o frio aperta e dói

A azáfama fricciona o corpo gelado

O calor transpira os poros… a vida mói

Mas o dia se agiganta num tom bem afinado


No silêncio apaziguador são trovadores

Semeando palavras de amor

Da terra são cientistas sonhadores

Do tempo têm olhar descobridor


05-02-2015 Maria Antonieta Matos

👁️ 380

ALENTEJO

Alentejo da minh’ alma

Muito se fala de ti

Depreciando a calma

Como uma erva ruim


Penso que é a inveja

Que muito, os faz falar

Não conhecem tua grandeza

No pensamento a trovar


Se te vissem com os meus olhos

Ficavam tão deslumbrados

Que eternamente seriam

Do sossego apaixonados


Bem no meio da natureza

De olhos fechados a ouvir

Entranha paz e a leveza

No coração o sentir


Alentejo… luz, perfume,melodia…

Desabrochar da sua gente

Trovas que embalam o dia

Ao ritmo de vozes diferentes


Alentejo veste-se de olhares

Já não passa despercebido

Vai pelo mundo a cantar

Alentejo desmedido


A terra domina o sonho

Transpira o povo d’ emoção

Flui a mente e o ar risonho

Bate mais o coração


06-02-2015 Maria Antonieta Matos

👁️ 399

MAUS TRATOS

Véu tombando p'la face, na penumbra,

A beleza confunde a silenciosa solidão,

O desprezo consentido, não vislumbra,

O prazer do amor, a cadeado, sem coração.

Trancados no conceito de felicidade

No esfriamento intocável do seu par

Vivem em túmulos, a sonhar, sem liberdade

Na mais estranha forma de gostar

Afugenta-se o desejo, p'lo ciúme

Cai a máscara na cegueira fulminante

Solta-se o ódio desvairado e o azedume.

E na perplexidade inconstante

No meio de estouros e queixumes

Caminha repousante o "inocente".

17-02-2015 Maria Antonieta Matos

👁️ 413

POR UM DIA...

Do meu amor sinto saudade,

Quando se ausenta por um dia,

Tenho o coração p'la metade,

Sou como um anjo que o guia.


O pensamento a caminhar,

Imaginando os seus passos,

Vamos os dois a levitar,

Aos beijinhos e aos abraços.


Fala mais alto o silêncio,

Incendiando o gelo inseguro,

Libertando o amor puro!


E assim num só raciocínio,

Na ausência e no destino,

Namorar sentir divino!


09-11-2014 Maria Antonieta Matos

👁️ 407

CEIFEIRA DO ALENTEJO

Oh! Évora do Alentejo!

Sigo-te de longe a pensar,

E neste anseio de desejo,

Não resisto sem te sonhar.


Rodopia o lápis na tela,

Criando tudo o que vejo,

Escrevo-te a pintar a mais bela,

Ceifeira do Alentejo.


Imagino cada encanto,

Vou pincelando a sorrir,

Na sonoridade me espanto,

Sentindo a obra a surgir.


Desenhando a sua Praça,

Sala que abraça a cidade

Sento a ceifeira com graça

No auge da hospitalidade


Maria Antonieta Matos/04-11-2014

👁️ 395

FELICIDADE...?

Ah! Felicidade que te afastas,
Pela vida rude... deste mundo,
Que a todo o tempo te mata,
Sem sentir o amor profundo

Fomenta-se a triste calúnia,
Em detrimento da felicidade,
Glorificando mais a injúria,
Sem consciência da verdade!

Ah! Se o amor fosse mais justo?
Nunca haveria atropelos!
Nem o caminho era escuso!

Morra a intriga e a vingança!
E o infame pesadelo!
Nasça de novo a bonança!

23-11-2014 Maria Antonieta Matos
👁️ 392

MÃOS SOLIDÁRIAS

Segredos têm na alma,

Escondidos num escuro, imenso,

A sua boca nada fala,

Sofrendo silêncio, intenso.


Solidão amarga, fome, dor, desprezo,

Um sem fim de almas penadas,

Têm a vida do avesso,

Vivem de portas fechadas.


Tudo dão sem nada em troca,

Do que têm ao seu alcance,

Sorriem para quem os provoca!


Outros, sem sangue nas veias,

Gritando os feitos bem alto,

Escondem em falsas entremeias,

Puros rasgos...do asfalto.


Fugindo à regra existem...!

Pessoas cheias de luz,

Desvendando cada segredo,

Aliviando a sua cruz.


Mãos solidárias, criativas,

despidas de preconceito,

vão à luta derretidas,

Pondo a alma sempre a jeito!

👁️ 437

A DOR

Minha ânsia parte pr' além do meu pulsar,

Meu coração não cabe dentro do peito,

Os olhos são como punhos a chorar,

Dou voltas e mais voltas, na cama onde me deito!


A dor nasce espinhosa, atormentando,

O pensamento incendiado a fervilhar,

A cabeça mais complica todo este estado,

Que mais parece a morte a querer vingar!


Mas como sofre tanta gente na solidão,

Que nem um ai … entoa tanto vazio,

Nem uma alma caridosa lhe estende a mão!


Tanta dor que abarca o medo da insegurança,

Do condenado injustiçado p'lo carrasco frio,

Apavorando a mente até à morte, sem ter esperança!


18-11-2014 Maria Antonieta Matos

👁️ 513

AVISTO... O MEU ALENTEJO!

Avisto a grandeza da planície

No meu Alentejo!

A simplicidade... que aos olhos encanta,

A serenidade da gente, a voz que se levanta,

A aspereza das mãos...

o silêncio que tudo movimenta!


Avisto os rios e os lagos,

Os olivais e sobreiros,

Os montes e tanto gado,

Pastando o dia inteiro.


Avisto e ouço o chilrear do passarinho,

A queda das águas descendo,

Vem o sonho devagarinho.


Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,

O dormitar...., o amar,

Traços no céu esvoaçando.


Avisto o solo alagado,

O fumegar do bafo,

O bafo do campo gelado,

a chuva a desabar tão forte,

o telintar... esse toque...,

O tição... a brasa quente,

O amornar que se sente!


Avisto o verão ardente... calado,

O sono tão incontrolado,

O solo dourado,queimado.


Avisto a cor da primavera,

O renascer da quimera,

A luz que brilha na terra.


Avisto o Outono tão belo,

Verde, laranja,amarelo,

espelhos de água a refletir,

pinturas … a emergir,


Avisto alabaças e acelgas,

Os poejos perfumados,

Óregãos e beldroegas,

Os espargos e saramagos.


Saindo na terra gretada,

Os cogumelos discretos,

Por caminhos rudes... dispersos.


Tantos cheios e sabores

povoando a extensa paisagem,

Nas iluminadas e lindas cores

Provocadoras de imagem.


Avisto o galo a cantar

Por cima do galinheiro,

A ovelha a berrar,

E o autoritário carneiro.


Avisto o restolhar dos seres,

pelo campo a rastejar,

Entre medos e prazeres,

Nas belas noites de luar


Avisto o nascer do sol,

Esse reluzir incandescente

Que replica a poente

E pasma o sentir, da gente


Alentejo com sotaque

Que despertas humoristas

Tanta gente a invejar-te

Pela calma que lhe suscitas

👁️ 384

Comentários (2)

Iniciar sessão ToPostComment
namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)