Lista de Poemas
SOU PEDRA… ROCHEDO!
Cortaram-me as asas,
Deixei de voar,
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015
ALENTEJO A CANTAR
Enquanto as mãos labutam, a sua mente
Entranha os momentos reveladores
Que descrevem 'estórias' de muita gente
Ensinamentos procurados por doutores
Quando o dia amanhece no Alentejo
Tantas agruras se passaram pelo campo
Homens, mulheres corajosos, nesse festejo
Relatam o sentir, a compasso, todo o encanto
Quando a tarde surge em dia quente
O corpo enfadado cai sonolento
Mas quando à noite se reúnem alegremente
Entoam cantigas naturais do pensamento
Quando no inverno o frio aperta e dói
A azáfama fricciona o corpo gelado
O calor transpira os poros… a vida mói
Mas o dia se agiganta num tom bem afinado
No silêncio apaziguador são trovadores
Semeando palavras de amor
Da terra são cientistas sonhadores
Do tempo têm olhar descobridor
05-02-2015 Maria Antonieta Matos
ALENTEJO
Alentejo da minh’ alma
Muito se fala de ti
Depreciando a calma
Como uma erva ruim
Penso que é a inveja
Que muito, os faz falar
Não conhecem tua grandeza
No pensamento a trovar
Se te vissem com os meus olhos
Ficavam tão deslumbrados
Que eternamente seriam
Do sossego apaixonados
Bem no meio da natureza
De olhos fechados a ouvir
Entranha paz e a leveza
No coração o sentir
Alentejo… luz, perfume,melodia…
Desabrochar da sua gente
Trovas que embalam o dia
Ao ritmo de vozes diferentes
Alentejo veste-se de olhares
Já não passa despercebido
Vai pelo mundo a cantar
Alentejo desmedido
A terra domina o sonho
Transpira o povo d’ emoção
Flui a mente e o ar risonho
Bate mais o coração
06-02-2015 Maria Antonieta Matos
MAUS TRATOS
Véu tombando p'la face, na penumbra,
A beleza confunde a silenciosa solidão,
O desprezo consentido, não vislumbra,
O prazer do amor, a cadeado, sem coração.
Trancados no conceito de felicidade
No esfriamento intocável do seu par
Vivem em túmulos, a sonhar, sem liberdade
Na mais estranha forma de gostar
Afugenta-se o desejo, p'lo ciúme
Cai a máscara na cegueira fulminante
Solta-se o ódio desvairado e o azedume.
E na perplexidade inconstante
No meio de estouros e queixumes
Caminha repousante o "inocente".
17-02-2015 Maria Antonieta Matos
POR UM DIA...
Do meu amor sinto saudade,
Quando se ausenta por um dia,
Tenho o coração p'la metade,
Sou como um anjo que o guia.
O pensamento a caminhar,
Imaginando os seus passos,
Vamos os dois a levitar,
Aos beijinhos e aos abraços.
Fala mais alto o silêncio,
Incendiando o gelo inseguro,
Libertando o amor puro!
E assim num só raciocínio,
Na ausência e no destino,
Namorar sentir divino!
09-11-2014 Maria Antonieta Matos
CEIFEIRA DO ALENTEJO
Oh! Évora do Alentejo!
Sigo-te de longe a pensar,
E neste anseio de desejo,
Não resisto sem te sonhar.
Rodopia o lápis na tela,
Criando tudo o que vejo,
Escrevo-te a pintar a mais bela,
Ceifeira do Alentejo.
Imagino cada encanto,
Vou pincelando a sorrir,
Na sonoridade me espanto,
Sentindo a obra a surgir.
Desenhando a sua Praça,
Sala que abraça a cidade
Sento a ceifeira com graça
No auge da hospitalidade
Maria Antonieta Matos/04-11-2014
FELICIDADE...?
Pela vida rude... deste mundo,
Que a todo o tempo te mata,
Sem sentir o amor profundo
Fomenta-se a triste calúnia,
Em detrimento da felicidade,
Glorificando mais a injúria,
Sem consciência da verdade!
Ah! Se o amor fosse mais justo?
Nunca haveria atropelos!
Nem o caminho era escuso!
Morra a intriga e a vingança!
E o infame pesadelo!
Nasça de novo a bonança!
23-11-2014 Maria Antonieta Matos
MÃOS SOLIDÁRIAS
Segredos têm na alma,
Escondidos num escuro, imenso,
A sua boca nada fala,
Sofrendo silêncio, intenso.
Solidão amarga, fome, dor, desprezo,
Um sem fim de almas penadas,
Têm a vida do avesso,
Vivem de portas fechadas.
Tudo dão sem nada em troca,
Do que têm ao seu alcance,
Sorriem para quem os provoca!
Outros, sem sangue nas veias,
Gritando os feitos bem alto,
Escondem em falsas entremeias,
Puros rasgos...do asfalto.
Fugindo à regra existem...!
Pessoas cheias de luz,
Desvendando cada segredo,
Aliviando a sua cruz.
Mãos solidárias, criativas,
despidas de preconceito,
vão à luta derretidas,
Pondo a alma sempre a jeito!
A DOR
Minha ânsia parte pr' além do meu pulsar,
Meu coração não cabe dentro do peito,
Os olhos são como punhos a chorar,
Dou voltas e mais voltas, na cama onde me deito!
A dor nasce espinhosa, atormentando,
O pensamento incendiado a fervilhar,
A cabeça mais complica todo este estado,
Que mais parece a morte a querer vingar!
Mas como sofre tanta gente na solidão,
Que nem um ai … entoa tanto vazio,
Nem uma alma caridosa lhe estende a mão!
Tanta dor que abarca o medo da insegurança,
Do condenado injustiçado p'lo carrasco frio,
Apavorando a mente até à morte, sem ter esperança!
18-11-2014 Maria Antonieta Matos
AVISTO... O MEU ALENTEJO!
Avisto a grandeza da planície
No meu Alentejo!
A simplicidade... que aos olhos encanta,
A serenidade da gente, a voz que se levanta,
A aspereza das mãos...
o silêncio que tudo movimenta!
Avisto os rios e os lagos,
Os olivais e sobreiros,
Os montes e tanto gado,
Pastando o dia inteiro.
Avisto e ouço o chilrear do passarinho,
A queda das águas descendo,
Vem o sonho devagarinho.
Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,
O dormitar...., o amar,
Traços no céu esvoaçando.
Avisto o solo alagado,
O fumegar do bafo,
O bafo do campo gelado,
a chuva a desabar tão forte,
o telintar... esse toque...,
O tição... a brasa quente,
O amornar que se sente!
Avisto o verão ardente... calado,
O sono tão incontrolado,
O solo dourado,queimado.
Avisto a cor da primavera,
O renascer da quimera,
A luz que brilha na terra.
Avisto o Outono tão belo,
Verde, laranja,amarelo,
espelhos de água a refletir,
pinturas … a emergir,
Avisto alabaças e acelgas,
Os poejos perfumados,
Óregãos e beldroegas,
Os espargos e saramagos.
Saindo na terra gretada,
Os cogumelos discretos,
Por caminhos rudes... dispersos.
Tantos cheios e sabores
povoando a extensa paisagem,
Nas iluminadas e lindas cores
Provocadoras de imagem.
Avisto o galo a cantar
Por cima do galinheiro,
A ovelha a berrar,
E o autoritário carneiro.
Avisto o restolhar dos seres,
pelo campo a rastejar,
Entre medos e prazeres,
Nas belas noites de luar
Avisto o nascer do sol,
Esse reluzir incandescente
Que replica a poente
E pasma o sentir, da gente
Alentejo com sotaque
Que despertas humoristas
Tanta gente a invejar-te
Pela calma que lhe suscitas
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra
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