SONHOS DE POETA - II
Poema de sofrimento, um grito aladode dor
que ecoa no vazio, entre as margensdo lamento.
Na conjuração das asas, para transporabismos,
segura nas garras o símbolo dosentimento.
Fragrância latente no estigma da alma emflor,
verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro dadesilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazemcaídas,
varridas, para esse abismo profundo desolidão.
Epifania, doceilusão que baila na mente amargurada
num querer queforça o desejo, a esperança ardente.
Mas a sorte, profana, esvai-se aos poucos,dilacerada
no vórtice dossilêncios que ressoa pela madrugada,
aos olhos dos gentios, é mortalha lírica áminha frente.
Poeta da poesia maldita deste e dooutro mundo
de palavras desertas, perdidas nametáfora do verso.
Dia a dia, hora a hora, na dor que mecorrói me afundo,
No casulo do amor pungente, no desejo diferente de ser
Interrogo-me se não serei um ente do outro mundo,
que no sonho ignoto, se esvai em lágrimas a correr.
João Murty
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