Escritas

SONHOS DE POETA - II

José João Murtinheira Branco

Poema de sofrimento, um grito aladode dor

que ecoa no vazio, entre as margensdo lamento.

Na conjuração das asas, para transporabismos,

segura nas garras o símbolo dosentimento.

Fragrância latente no estigma da alma emflor,

verbo devoluto que se desfolha nos eufemismos

dos pensamentos trajado no negro dadesilusão.

Sem alento, as visões mastigadas, jazemcaídas,

 varridas, para esse abismo profundo desolidão.


Epifania, doceilusão que baila na mente amargurada

num querer queforça o desejo, a esperança ardente.

Mas a sorte, profana, esvai-se aos poucos,dilacerada

no vórtice dossilêncios que ressoa pela madrugada,

 aos olhos dos gentios, é mortalha lírica áminha frente.

 

Poeta da poesia maldita deste e dooutro mundo

de palavras desertas, perdidas nametáfora do verso.

Dia a dia, hora a hora, na dor que mecorrói me afundo,

No casulo do amor pungente, no desejo diferente de ser

Interrogo-me se não serei um ente do outro mundo,

que no sonho ignoto, se esvai em lágrimas a correr.

  João Murty