AMNÉSIA
Tusabes e não falas, não dizes quem eu sou
Vagueiocomo um cão que não tem dono
Percorroo meu destino, sem saber para onde vou
Comouma folha que erra, no vento do Outono.
Souum ente esquecido, uma amnésia da vida
Nestaalma errante, para quem nada importa
Apenastenho silêncio, na memória esquecida
Ea rua como morada. Uma parede nua, sem porta.
Detempo em tempos, vejo uma imagem nublada
Devertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado
Euns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.
Soumais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado
Quepaga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada
Castrandona escuridão a chama desse desejo insaciado.
João Murty
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