Escritas

AMNÉSIA

José João Murtinheira Branco

Tusabes e não falas, não dizes quem eu sou

Vagueiocomo um cão que não tem dono

Percorroo meu destino, sem saber para onde vou

Comouma folha que erra, no vento do Outono.

 

Souum ente esquecido, uma amnésia da vida

Nestaalma errante, para quem nada importa

Apenastenho silêncio, na memória esquecida

Ea rua como morada. Uma parede nua, sem porta.

 

Detempo em tempos, vejo uma imagem nublada

Devertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado

Euns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.

 

Soumais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado

Quepaga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada

Castrandona escuridão a chama desse desejo insaciado.


João Murty