Lista de Poemas
PONTA DA PIEDADE
Cansado
por remar tanto naquele dia
Morava
a quietude onde cheguei!
Só
o ronronar das ondas se ouvia
Esbatendo-se
nos rochedos que encontrei.
Nesse
lugar deslumbrante de íntima natureza
Me
enlevei... Libertei... Esmaeci... Sonhei….
Místico
e pragmático, flutuei no sonho. Que leveza!
Embriaguei-me
de belo... Embeveci …. Chorei!
Visão
deslumbrante, vesti-me de orgulho e em graça!
Entre
o inefável e o amor que me encheu o peito
Interstício
da infância, eco de um passado que deleito.
É
nesta paz que eu sei que Deus me protege e abraça!
Levita
meu espírito... Energiza... Aliviando o coração.
Silêncio
harmonioso...Se eterniza …. Doce sensação!
João Murty
AQUI ESTOU EU
A vida, me deu mundo e o trabalho
confiança
Estudei, tracei metas, respeitei,
porfiei
Versátil para aprender, ganhei
força e lutei
Naveguei nas estrelas, buscando o
que o sonho alcança!
Sou alma indomável! Que caminha na
evolução
Amo o mar... Os amigos….A música... A poesia!
Sou altivo! Ou humilde! Num mundo
de fantasia
Rio e ralho comigo! Introspetivo na
lição.
Não tenho medo de perder, nem
começar de novo
Busco a justiça e a lealdade
e nela enxergo a razão
Fujo da mentira dos políticos, dos falsos e da
opressão!
Não nasci Duque nem Conde, sou um simples
filho do Povo
Pai pintor, Mãe doméstica,
humildade por linhagem
Mas tenho sangue nobre, decantado na coragem!
João Murty
FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO I
-
Fragmentos - "Alquimia do Tempo" é um poema longo. Encontra-se fragmentado em 6 partes, por forma a que a leitura do poema, não se perca na sua extensão!
Corro em volta do pensamento,
porfiando um amor
que em mim se fechou.
E nele ecoam as vozes
que o tempo calou,
afogadas na mordaça
do pântano do lamento.
Por águas paradas,
turvas em cinzenta espuma,
um derradeiro olhar
por entre tumultos,
percorro o pântano sem te achar,
na espiral de vultos
que levitam na bruma.
Cerre os olhos pelo tempo fora,
sabendo que vou te encontrar,
aqui, ou ali em alguma hora,
hoje, amanhã em qualquer lugar.
João Murty
MENDIGO
Velho de olhar triste, pobre e vagabundo
Tens
por companheira a miséria dominante
Viajante
de alma e mendigo neste mundo
Que
em delírio beijas o pó, murmurante.
Onde
os dias e as noites passam sem ter pressa
Onde
nada é diferente e tudo te parece igual
Até
o dormir, no canto escuro de qualquer travessa
No
chão de pedra enganas o frio num leito de jornal.
Mora
próximo a demência, que cultiva esse fadário
Nessa
alma adormecida, em que a sorte é a morte
Que
num ato de amor, termina esse Calvário.
Poemas
escritos de luto, marcados por almas sem amor
Inspirados
na desgraça, foram buscar a poesia ao teu sangue
De
trajos negros te veneram, declamando um verso à tua dor
.
João Murty
CELA DO SILÊNCIO
Saudades
do amor, com beijos se cura,
sarando
a dor que aperta o coração.
Chega
a moite e com ela a lua se lança
nas
nuvens cinzentas, que vogam na altura,
bruxeleante,
nua, vai-se no Céu em exaltação.
Chega
o dia e com ele o Sol de esperança.
Entre
o branco marfim das minhas alvas cãs,
recordo
e prendo o teu sorriso á minha boca.
Sei
que persegui o sonho, amei e fui amado
fluindo
no anonimato, por entre máscaras vãs.
Em
mil flechas, me quebraram a vontade louca
num
tempo sem horas, corrosivo e desolado.
Apago
o sonho de liberdade, no despertar morno
da cruel realidade. Contestatário politico, preso isolado.
Moro com a saudade, com o silêncio e o mar em torno.
João
Murty
SONHOS DE POETA - I
Filho de um contentamento
descontente,
flutuo mo sonho de símbolos e lavras.
Onde enigmático se esconde esse
silêncio
de figuras que marcham, entrando nas
palavras
cínicas, déspotas, que subjugam
rudemente,
esmagando o verbo pelo prestígio da
morte.
Escorre-me letras dilaceradas pelas narinas e boca,
cuspo palavras no papel amarrotado.
Encarno o personagem da poesia
maldita,
só e penitente, arrasto-me até à hora
da morte.
Mastigarei visões, porfiando retalhos
de vida louca,
metade de mim é verso, num grito
esconjurado.
A outra metade é prosa corrida, mal
escrita
lida e relida na mente, no silêncio
amargurado.
Os poetas perseguem os sonhos e a
eternidade
a utopia da pedra filosofal, decantada na
alquimia
uma névoa luminosa dentro da nossa
obscuridade
o desejo de transcendência, o delírio
da verdade
que envolve a existência, embriaga e
nos vicia.
Tiram-nos o sonho, a tristeza impera
e não resistimos,
tiram-nos os versos o ar acaba e não
respiramos,
tiram-nos o amor o coração para e não
existimos.
Não seria possível sonhar se os
poetas não nascessem
e as lágrimas morressem.
João Murty
FRAGMENTOS - ALQUIMIA DO TEMPO VI
Num gesto de tédio, em doce amargura,
solto o pensamento sem espaços.
Bebo o cálice da alquimia fluindo a mistura
mato a fome e a sede no infinito.
Tenho o teu corpo nos meus braços,
a visão esbatesse nas luzes ceifadas,
na tela da lembrança, projeta-se num grito.
Selo a memória, perante as imagens amadas,
num mundo parado, nossos corpos alados,
ganham garras e forma de condor.
Rodopiam, suspensos
em lampejos
de penumbra
num volteio ligado no sentimento,
entrelaçados pela harmonia do tempo,
luzindo raios
num bailado de amor.
Mordo as palavras que não saem da garganta,
escoam pelo tempo vazio do amor que se perdeu.
Num grito ao sentimento, a minha boca canta,
coração vadio, o meu, será sempre teu.
João Murty
SONHOS DE POETA - II
Poema de sofrimento, um grito alado
de dor
que ecoa no vazio, entre as margens
do lamento.
Na conjuração das asas, para transpor
abismos,
segura nas garras o símbolo do
sentimento.
Fragrância latente no estigma da alma em
flor,
verbo devoluto
que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro da
desilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazem
caídas,
varridas, para esse abismo profundo de
solidão.
Epifania, doce
ilusão que baila na mente amargurada
num querer que
força o desejo, a esperança ardente.
Mas a sorte, profana, esvai-se aos poucos,
dilacerada
no vórtice dos
silêncios que ressoa pela madrugada,
aos olhos dos gentios, é mortalha lírica á
minha frente.
Poeta da poesia maldita deste e do
outro mundo
de palavras desertas, perdidas na
metáfora do verso.
Dia a dia, hora a hora, na dor que me
corrói me afundo,
No casulo do amor pungente, no desejo diferente de ser
Interrogo-me se não serei um ente do outro mundo,
que no sonho ignoto, se esvai em lágrimas a correr.
João Murty
AMNÉSIA
Tu sabes e não falas, não dizes quem eu sou
Vagueio
como um cão que não tem dono
Percorro
o meu destino, sem saber para onde vou
Como
uma folha que erra, no vento do Outono.
Sou
um ente esquecido, uma amnésia da vida
Nesta
alma errante, para quem nada importa
Apenas
tenho silêncio, na memória esquecida
E a rua como morada. Uma parede nua, sem porta.
De
tempo em tempos, vejo uma imagem nublada
De
vertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado
E
uns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.
Sou
mais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado
Que
paga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada
Castrando
na escuridão a chama desse desejo insaciado.
João Murty
FRAGMENTOS III
Escorre-me tinta das narinas e na boca,
cavalguei na ironia, explodi na certeza,
mastiguei fragmentos de poesia louca,
persegui os sonhos, reacendendo a chama,
fui uma árvore, com frutos de tristeza,
com folhas murchadas de chorar o que ama.
Retalhos da vida, a minha alma é água fria,
que vai correndo saída no leito da desilusão,
dorida, cai gota-a-gota por tristes fins de dia.
Rasgo o tempo, decanto fragmento a fragmento
a sombra que arrasta uma auréola apagada,
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento.
.João Murty
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No período de 1993 a 1998, na qualidade de Diretor Geral de Operações, teve intervenção relevante no processo de recuperação e viabilidade do Grupo Torralta – CIF, que veio a ser adquirido pelo Grupo SONAE.
Ao longo da sua atividade profissional integrou o concelho fiscal de várias empresas e exerceu cargos de direção e administração em hotéis e grupos turísticos-hoteleiros. Cumulativamente esteve ligado á área do ensino e formação tendo lecionado no CFA – Pontinha, a disciplina de Planeamento e Controlo. Na área da consultadoria desenvolveu vários trabalhos no âmbito de Estudos, Projetos e Diagnósticos de Investimento e conjuntamente com o prof. Dr. João Carvalho das Neves (prof. Catedrático do ISEG) e com o prof. Dr. Charles Blair (prof. Catedrático da U. Manchester), participou no “Estudo de Desenvolvimento Integrado de Turismo - Ilha Porto Santo.
Em 1997, numa singela manifestação de agradecimento foi agraciado pela Casa do Pessoal do Hospital de Vila Franca de Xira. E, em Março de 2010 foi homenageado pela ADHP (Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal), com o PLACA CARREIRA distinguindo o profissionalismo colocado ao serviço da Indústria Turístico - Hoteleira.
A leitura esteve sempre presente na sua vida Tem como autores de referência Pessoa, Bocage, Florbela, Poe, Quintana, Drummond, Aleixo, Mário de Sá Carneiro.
Gosta de futebol, golfe, mar, e do seu próprio espaço para escrever.
Em relação à vida, entende que é uma caminhada num processo cíclico de evolução. E que tudo é efémero, nada mais prevalece para além da aprendizagem dessa caminhada.
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