Lista de Poemas
Jamais se muda o tempo

Acende-se a chama inesquecível da manhã
E a luz entusiasmada aperalta-se para receber
O dia absolutamente diluível, jactante e empolgado
Alheias, as horas fluem pelo vão do silêncio grado
Sepultam memórias que tateiam uma ilusão passageira
Decretando o armistício para esta tristeza tão rotineira
Jamais se muda o tempo porque cada ausência se torna
Quase sempre uma longa eternidade deixando sem vestígios,
O passado, o presente que ficam para a posteridade
No calendário das memórias demarcam-se impressões
Digitais gravadas numa saudade embusteira que depois se
Fecha nas trincheiras do tempo tridimensionalmente corriqueiro
Ridículas e hostis as palavras deambulam desatinadas
Escoltam o destino das mil solidões desconsoladas e só batem em
Retirada após deglutirem as sobras de uma hora morrendo revoltada
Frederico de Castro
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Cello

Entre o velcro do silêncio musica-se uma
Hora amordaçada, grudando todos os tendões desta
Ilusão musculadamente repetitiva mas bem afinada
Abdicando da escuridão o dia empoleira-se nesta
Nudez bem esboçada, debruando a luz repercutida
Num corpo excepcionalmente orquestrado
Frederico de Castro
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Staccato
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No solfejo da manhã deixo um bemol escalando
A pauta da minha solidão tão lesada até que, na
Harmonia das minhas memórias eu sinta a dissonância de
Cada tempo sustenido na clave dos sonhos compungidos
Na tablatura da noite soa um alaúde apaixonado
Masterizando todos os sons orquestrados entre os
Trastes desta solidão afinada e em reclusão
Qual uníssono lamento fremindo, fremindo de feição
Com seus ritmos improvisados batuca
A madrugada num timbre esbelto e irisado
Colapsando o silêncio ternamente ousado
De staccato em staccato a madrugada cantarola uma
Ilusão além musicada com esmero e paixão, deixando
Uma colcheia de silêncios a reverberar de emoção
Frederico de Castro
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Indulto para a solidão
Restam da escuridão sombras asfaltadas
Numa luminescente manhã desbravada
Insuflam aquela subtil neblina que sem custódia,
Amordaça minha solidão sempre catapultada
Crio versos e sílabas apaixonadas flutuando
Pelos batentes do tempo num vai vem indultado
Inspirando a força das palavras astutas, dotadas
Deixando o silêncio com ganas de gritar quase molestado
Perfumadas pelo olfacto do tempo excitam-se loucas horas
Tão atarantadas, gravitando sob um manto de espessas
Brumas escoltadas por pequenos gomos de ilusão arrebatada
Além, um bando de silêncios exultam bem ostentados
Desmembram emoções que só eu interpreto enquanto
Peneiro a saudade andarilha, latente…desconcertada
Frederico de Castro
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Entre as margens do tempo...

Entre as margens do tempo sossegam
Solidões desmobilizadas
Ondulam mansamente melancólicas
Confortavelmente hipnotizadas
Entre as margens do tempo pende um gomo
De luz sensibilizado, estendendo o tapete para
O silêncio que além se espraia feliz e amenizado
Entre as margens do tempo entranha-se uma
Maresia bem perfumada por aquela onda que impelida
Por uma brisa escandalizada, além se estatela
Furtiva e escandalosamente ruborizada
Entre as margens do tempo suam desejos indefesos
Deixando a sós a noite já horrorizada, desaguando
Entre duas almas afogadas em beijos e palavras apaixonadas
Frederico de Castro
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Indomável hora matreira

Nas hortas do tempo planto mil horas matreiras
Pintalgo a dimensão do silêncio deixando uma sequela
De felicidade a bordejar além sorrateira até que, no regaço
Da vida patinem felizes aqueles sonhos sempre em festejos
Roem-se as horas velando cada segundo sem fim
E por fim o silêncio em fuga suspira ameno alimentando
Este tempo, desequilibrado, desidratado…ah, tão indomado
Enquanto a noite se remenda num gomo de luz envergonhado
A solidão castra cada sombra vagando neste breu vergado e
Embutido na anátema de silabas e palavras que esquadrinho empolgado
Na ventania que sopra pela madrugada desfilam sussurrantes
Lamentos renegados, encobrindo as encostas das minhas
Ilusões mais sofisticadas, deixando o anti corpo dos desejos a navegar
Em nós, tão insano…quase embriagado…Deus meu tão profano
Frederico de Castro
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Entre duas lágrimas

Sobe pela haste do silêncio uma hora
Delirante quase fantasmagórica onde
Suprema a solidão repousa metafórica
Então categórica a memória enferma
Extingue-se nas miríades de pensamentos
Acampados ao redor da saudade tão estaferma
A noite ruindo numa hecatombe de ilusões
Tamanhas, fermenta e nutre aquelas libações
Onde se celebra a vida trajada de mil emoções
Sem repúdios póstumos um lamento dilacerado
Vagueia no palíndromo silêncio estupendo, deixando
Um másculo desejo ali a amadurecer tão tremendo
Pendem nos olhos do tempo duas lágrimas consecutivas
Minuendo subtractivo e gradual neste cântico tão crente,
Gemendo em todas as minhas murmurativas palavras furtivas
Sobram dos risos, tantas angustias qual improviso para
Estes versos introspectivos sedando a leda manhã
Que além renasce cingida de luz sublimada e paliativa
Frederico de Castro
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Amor absolutista

No descampado na noite floresce um
Breu nefasto tão pessimista, lesando uma
Caricia que ficou senil e quase autista
No vão do tempo perdura uma hora grávida
Tão espiritualista demarcando as fronteiras
Onde o amor absolutista assim acontece
Partículas de emoções quânticas pululam entre
Ilusões hipotéticas e fantásticas, palpitando além
No panteão das palavras caoticamente mais simpáticas
No langor da madruga germina um verso lírico
Serpenteia na fecundidade deste desejo em cativeiro
Até que adormeça enroscado num subtil afago derradeiro
Frederico de Castro
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Abismo dos silêncios

Dos penhascos da solidão saltou para o
O abismo dos silêncios esterilizados um eco
Penalizado, além onde arde o tempo sincronizado
Mergulhou bem fundo pintalgando aqui e além uma
Onda que ficou à deriva tão bem navegada até inundar
A noite tecida em macias maresias quase embriagadas
Imóvel perante a escuridão sonegada, engalfinham-se
Em nós duas caricias empolgadas, alimentando
Somente uma golfada de luz sumptuosa e bem aconchegada
Absurdamente escancarada desponta a manhã, invadindo
Displicente este silêncio tão hostilmente planejado
Adubando todo o desejo que trepa em nós assim acossado
Fere-me duramente esta solidão quase esclerosada
Conectando sentimentos e ilusões secretamente plasmadas
Ao processar cada palavra gemendo absolutamente apaixonada
FC
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Encosta-te aqui...

Encosta-te aqui…
E olha além a madruga fluindo pedrada
Regando a escuridão branda e rogada
Bordando subtis palavras sem
Custódia e ternamente empolgadas
Encosta-te aqui…
E revê a vida plantar um jardim de
Emoções silvestres, despindo sem pudores
A manhã que chega suspirando escancarada
Até se afogar de mansinho numa oração abnegada
Encosta-te aqui
E sonha comigo um sonho sepultado na memória
Mais grada, bailando pelas sensuais lembranças
Impulsionadas neste silêncio, ausente, fremindo repicado
Encosta-te aqui…
E busca-me, tateia-me, encontra-me…acha-me alfabetizado
Nos beijos tão bem afagados nestes versos velados
Numa caricia poética desmaiando prenhe, feliz e mitigada
Encosta-te aqui…
Ó solidão embriagada, acessível e predadora, deixando
Fugir à socapa um gomo de luz imaculado, luzindo dentro
Da alma passarinhando entre baforadas de desejos tão arrojados
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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