Dois pingos de silêncio...



Dois pingos de silêncio eclodem
Na noite rebelde e cativa
Ficam algemados numa tumultuária
Solidão blasfemando tão mercenária

Escolta a noite uma escuridão quase
Ordinária, desfragmentando aqui e além
Um breu fraudulento empoleirado num choro
Embargado…sem acalento, quase condecorado

Dois pingos de silêncio completamente
Virulentos infectam as memórias pestilentas
Encorpadas por tristezas extremamente corpulentas

Dormitam na madrugada um ciclo de solidões
Quase funestas, deixando explícitas o vestígio de
Tantas lágrimas tombando ininterruptas e lícitas

Frederico de Castro
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