Escritas

Jamais se muda o tempo

Frederico de Castro


Acende-se a chama inesquecível da manhã
E a luz entusiasmada aperalta-se para receber
O dia absolutamente diluível, jactante e empolgado

Alheias, as horas fluem pelo vão do silêncio grado
Sepultam memórias que tateiam uma ilusão passageira
Decretando o armistício para esta tristeza tão rotineira

Jamais se muda o tempo porque cada ausência se torna
Quase sempre uma longa eternidade deixando sem vestígios,
O passado, o presente que ficam para a posteridade

No calendário das memórias demarcam-se impressões
Digitais gravadas numa saudade embusteira que depois se
Fecha nas trincheiras do tempo tridimensionalmente corriqueiro

Ridículas e hostis as palavras deambulam desatinadas
Escoltam o destino das mil solidões desconsoladas e só batem em
Retirada após deglutirem as sobras de uma hora morrendo revoltada

Frederico de Castro
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