Escritas

Lista de Poemas

Olhos nos olhos



Num acto final a vida regurgita um olhar

Extenso, malicioso e forasteiro
Cicatriza a expressão que ferida e matreira
Sensibiliza o empíreo silêncio ainda em cativeiro

Frederico de Castro
👁️ 143

Pelas artérias da noite



Languido como uma onda esperançosa evoco na
Madrugada, um incoercível silêncio que sangra
Rastejando pelo lajedo deste tempo tão passível

Num empíreo momento de solidão passou a morar na
Minha memória uma desconsolada e lauta escuridão deixando
Nas artérias da noite amarar um concupiscível breu em reclusão

Repousa nos braços da manhã revigorada e indiscernível
Flácidos beijos, condecorando a cidadela dos prazeres onde
Estanco com caricias esta ilusão inflamada e incorruptível

De perpetuidades e desejos ardentes revela-se este sonho
Drenado com memórias espontâneas, qual fadário momento
De solidões interligadas…inexoravelmente excomungadas

Frederico de Castro
👁️ 250

Laje do tempo



Sob a laje de tempo ergue-se uma hora

sustentando os pilares da fé, qual dinâmica das
forças e tensões suspensas no aço da
estabilidade tão quântica

Frederico d Castro
👁️ 233

Que pena...este silêncio



Desabito o tempo esvoaçando pra longe
Até que, sem pestanejar a ilusão elegante
Sacie este silêncio de cetim quase ludibriante

Empresto à carcaça das horas conciliadoras
O esqueleto da esperança onde se equilibram
Sonhos férteis e palavras mais apaziguadoras

Que pena…este silêncio tão caluniador
Fertilizado num quântico momento galanteador
Deixando a parasitar cada verso sempre escrutinador

Fica somente por envernizar esta noite assustadora
Onde os ais e lamentos se asfixiam conspiradores
Limando cada aresta a milhões de desejos regeneradores

Frederico de Castro
👁️ 145

Luminárias da noite



Decifro num gomo de luz uma insinuante palavra

Ondulando pelas luminescências do tempo divergente

Deixam uma nesga de solidão carente, pendurada nos

Candelabros de uma hora derradeira e tão reticente

 

Está assim encenada a noite deixando no camarim

Da vida um teatral silêncio quase promíscuo, roçagando

De mansinho por entre ablepsia  desta escuridão

Irreplicável e desarmada…em plena oclusão

Frederico de Castro
👁️ 222

Haja luz...



Acende-se o dia consolado por deflagrados
Gomos de luz felizes e saciados
Forjando nos filamentos do silêncio um
Desejo ternamente felino e enamorado

Haja uma bendita luz além da escuridão para que,
Na soleira da manhã se recolham pedacinhos de
Sol à mercê desta solidão inerte, muda, esvaziada
Amplificada por um abissal silêncio tão falsificado

Aos encontrões as palavras reverberam implodindo
Num verso astuto e desaforado, até reencontrem
Uma rima que rime desesperadamente chanfrada

Vem chegando de mansinho uma brisa defenestrada
Pela solidão, impávida e serenamente depurada
Ficando mais que erectas tantas, tantas caricias desvairadas

Frederico de Castro
👁️ 224

Dois pingos de silêncio...



Dois pingos de silêncio eclodem
Na noite rebelde e cativa
Ficam algemados numa tumultuária
Solidão blasfemando tão mercenária

Escolta a noite uma escuridão quase
Ordinária, desfragmentando aqui e além
Um breu fraudulento empoleirado num choro
Embargado…sem acalento, quase condecorado

Dois pingos de silêncio completamente
Virulentos infectam as memórias pestilentas
Encorpadas por tristezas extremamente corpulentas

Dormitam na madrugada um ciclo de solidões
Quase funestas, deixando explícitas o vestígio de
Tantas lágrimas tombando ininterruptas e lícitas

Frederico de Castro
👁️ 146

Grácil manhã



Terna e tão grácil desponta a manhã agitando os
Látegos ventos que açoitam aqueles entrelaçados afagos
Cingidos ao colo desta metamorfose que em nós eclode e em
Tantos, tantos carinhos num feliz sorriso gravitam e depois, implode

Terna e paciente a noite confunde-se entre os dedos
Da solidão que se esfrega no lajedo do tempo em reclusão
Petrificando a luz divagando intima pela corte dos desejos
Coligados na nossa repintada memória sempre em colisão

Espreguiça-se a solidão colorindo suas ternas fragrâncias
Dissimuladas num matinal momento de vida coagulada
Pincelando cada verso embebedado, delírando tão avassalado

Da nossa existência a saudade desenha um rascunho de sonhos
Temporários emprestando às carícias enfarpeladas o proficiente
Sonho matizado na universal grandeza da fé tão bem veiculada

Frederico de Castro
👁️ 202

Sob brisas sussurrantes



Na fronteira do silêncio esbarrou uma hora
Inconveniente, inoportuna e dependente
Ficou na antecâmara do degredo mais dissidente

Sob brisas sussurrantes a noite pulula numa escuridão
Decadente até ladear uma imensidão de lamentos indivisos
Acobardados nesta minha prece contrita e subserviente

Amortalhados e embebidos num gomo de silêncio
Fenecem dois segundos escrupulosamente
Asfixiados num eco ardendo, ardendo incandescente

Ao longe soam desgarradas canções roendo o
Caruncho das manhãs que chegam sempre iridiscentes
Deglutindo imarcescíveis palavras agora tão coincidentes

A madrugada decresce e apronta-se para o dia
Enrodilhado em obcecados gomos de ilusão surpreendente
Até povoar minha alma com pungentes gargalhadas tão candentes

Por isso faço da poesia minha voz ecoando livre, independente
E não há grilhões que prendam sequer uma destas palavras clarividentes,
Pois dentre os escombros da vida elas ainda e sempre soarão resistentes

Frederico de Castro
👁️ 228

À beira do mar...



Ondulam além solventes maresias
Encaracolam-se na areia sonoramente
Felizes deixando no tempo uma
Parestesia de emoções sensoriais e fugidias

À beira do mar rebola uma maré grata e esturdia
Fazendo um looping na solidão que barafusta
Encardida de silêncios e palavras acídias
Oh, mar que te recreias numa brisa eterna e vadia

À beira do mar rebentam emoções gigantes
Em grande picardia expondo nas margens do
Tempo uma hora bolinando rebelde e baldia

Sem pressas acosta ao cais das saudades uma
Memória afogada em sonhos dissidentes, bordejando
Oceânicas maresias apaixonadas e irreverentes

Frederico de Castro
👁️ 196

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!