Lista de Poemas
Olhos nos olhos

Num acto final a vida regurgita um olhar
Extenso, malicioso e forasteiro
Cicatriza a expressão que ferida e matreira
Sensibiliza o empíreo silêncio ainda em cativeiro
Frederico de Castro
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Pelas artérias da noite

Languido como uma onda esperançosa evoco na
Madrugada, um incoercível silêncio que sangra
Rastejando pelo lajedo deste tempo tão passível
Num empíreo momento de solidão passou a morar na
Minha memória uma desconsolada e lauta escuridão deixando
Nas artérias da noite amarar um concupiscível breu em reclusão
Repousa nos braços da manhã revigorada e indiscernível
Flácidos beijos, condecorando a cidadela dos prazeres onde
Estanco com caricias esta ilusão inflamada e incorruptível
De perpetuidades e desejos ardentes revela-se este sonho
Drenado com memórias espontâneas, qual fadário momento
De solidões interligadas…inexoravelmente excomungadas
Frederico de Castro
👁️ 250
Laje do tempo

Sob a laje de tempo ergue-se uma hora
sustentando os pilares da fé, qual dinâmica das
forças e tensões suspensas no aço da
estabilidade tão quântica
Frederico d Castro
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Que pena...este silêncio

Desabito o tempo esvoaçando pra longe
Até que, sem pestanejar a ilusão elegante
Sacie este silêncio de cetim quase ludibriante
Empresto à carcaça das horas conciliadoras
O esqueleto da esperança onde se equilibram
Sonhos férteis e palavras mais apaziguadoras
Que pena…este silêncio tão caluniador
Fertilizado num quântico momento galanteador
Deixando a parasitar cada verso sempre escrutinador
Fica somente por envernizar esta noite assustadora
Onde os ais e lamentos se asfixiam conspiradores
Limando cada aresta a milhões de desejos regeneradores
Frederico de Castro
👁️ 145
Luminárias da noite

Decifro num gomo de luz uma insinuante palavra
Ondulando pelas luminescências do tempo divergente
Deixam uma nesga de solidão carente, pendurada nos
Candelabros de uma hora derradeira e tão reticente
Está assim encenada a noite deixando no camarim
Da vida um teatral silêncio quase promíscuo, roçagando
De mansinho por entre ablepsia desta escuridão
Irreplicável e desarmada…em plena oclusão
Frederico de Castro
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Haja luz...

Acende-se o dia consolado por deflagrados
Gomos de luz felizes e saciados
Forjando nos filamentos do silêncio um
Desejo ternamente felino e enamorado
Haja uma bendita luz além da escuridão para que,
Na soleira da manhã se recolham pedacinhos de
Sol à mercê desta solidão inerte, muda, esvaziada
Amplificada por um abissal silêncio tão falsificado
Aos encontrões as palavras reverberam implodindo
Num verso astuto e desaforado, até reencontrem
Uma rima que rime desesperadamente chanfrada
Vem chegando de mansinho uma brisa defenestrada
Pela solidão, impávida e serenamente depurada
Ficando mais que erectas tantas, tantas caricias desvairadas
Frederico de Castro
👁️ 224
Dois pingos de silêncio...

Dois pingos de silêncio eclodem
Na noite rebelde e cativa
Ficam algemados numa tumultuária
Solidão blasfemando tão mercenária
Escolta a noite uma escuridão quase
Ordinária, desfragmentando aqui e além
Um breu fraudulento empoleirado num choro
Embargado…sem acalento, quase condecorado
Dois pingos de silêncio completamente
Virulentos infectam as memórias pestilentas
Encorpadas por tristezas extremamente corpulentas
Dormitam na madrugada um ciclo de solidões
Quase funestas, deixando explícitas o vestígio de
Tantas lágrimas tombando ininterruptas e lícitas
Frederico de Castro
👁️ 146
Grácil manhã

Terna e tão grácil desponta a manhã agitando os
Látegos ventos que açoitam aqueles entrelaçados afagos
Cingidos ao colo desta metamorfose que em nós eclode e em
Tantos, tantos carinhos num feliz sorriso gravitam e depois, implode
Terna e paciente a noite confunde-se entre os dedos
Da solidão que se esfrega no lajedo do tempo em reclusão
Petrificando a luz divagando intima pela corte dos desejos
Coligados na nossa repintada memória sempre em colisão
Espreguiça-se a solidão colorindo suas ternas fragrâncias
Dissimuladas num matinal momento de vida coagulada
Pincelando cada verso embebedado, delírando tão avassalado
Da nossa existência a saudade desenha um rascunho de sonhos
Temporários emprestando às carícias enfarpeladas o proficiente
Sonho matizado na universal grandeza da fé tão bem veiculada
Frederico de Castro
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Sob brisas sussurrantes

Na fronteira do silêncio esbarrou uma hora
Inconveniente, inoportuna e dependente
Ficou na antecâmara do degredo mais dissidente
Sob brisas sussurrantes a noite pulula numa escuridão
Decadente até ladear uma imensidão de lamentos indivisos
Acobardados nesta minha prece contrita e subserviente
Amortalhados e embebidos num gomo de silêncio
Fenecem dois segundos escrupulosamente
Asfixiados num eco ardendo, ardendo incandescente
Ao longe soam desgarradas canções roendo o
Caruncho das manhãs que chegam sempre iridiscentes
Deglutindo imarcescíveis palavras agora tão coincidentes
A madrugada decresce e apronta-se para o dia
Enrodilhado em obcecados gomos de ilusão surpreendente
Até povoar minha alma com pungentes gargalhadas tão candentes
Por isso faço da poesia minha voz ecoando livre, independente
E não há grilhões que prendam sequer uma destas palavras clarividentes,
Pois dentre os escombros da vida elas ainda e sempre soarão resistentes
Frederico de Castro
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À beira do mar...

Ondulam além solventes maresias
Encaracolam-se na areia sonoramente
Felizes deixando no tempo uma
Parestesia de emoções sensoriais e fugidias
À beira do mar rebola uma maré grata e esturdia
Fazendo um looping na solidão que barafusta
Encardida de silêncios e palavras acídias
Oh, mar que te recreias numa brisa eterna e vadia
À beira do mar rebentam emoções gigantes
Em grande picardia expondo nas margens do
Tempo uma hora bolinando rebelde e baldia
Sem pressas acosta ao cais das saudades uma
Memória afogada em sonhos dissidentes, bordejando
Oceânicas maresias apaixonadas e irreverentes
Frederico de Castro
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Comentários (3)
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asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
asdfgh
2018-05-07
BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.
ania_lepp
2017-11-04
Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!
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