Entre as margens do tempo...
Frederico de Castro

Entre as margens do tempo sossegam
Solidões desmobilizadas
Ondulam mansamente melancólicas
Confortavelmente hipnotizadas
Entre as margens do tempo pende um gomo
De luz sensibilizado, estendendo o tapete para
O silêncio que além se espraia feliz e amenizado
Entre as margens do tempo entranha-se uma
Maresia bem perfumada por aquela onda que impelida
Por uma brisa escandalizada, além se estatela
Furtiva e escandalosamente ruborizada
Entre as margens do tempo suam desejos indefesos
Deixando a sós a noite já horrorizada, desaguando
Entre duas almas afogadas em beijos e palavras apaixonadas
Frederico de Castro
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