Escritas

Lista de Poemas

Comme ils disent



- para Aznavour

Lágrimas caiem tristes pálidas e tímidas
Num adeus intenso e lancinante
Vinculando ao silêncio essa voz
Mágica e deslumbrante

Serpenteiam na noite líricas palavras
Que repousam na voz esbelta e sonante
Fluindo em gargalhadas elegantes
Comme Ils Disent…brillant et intense…

Amanhã ao rasgar do dia vai bruxulear
Pela solidão La boéme , For me formidable
Pois nas memórias decerto...oh la boheme 
Je n'ai pas vu le temps passer…

Hoje despeço-me de ti, Aznavour
As horas passaram pelo tempo, mas o tempo
Imortaliza no calendário da vida o charme revigorante
Dessa voz que além sussurra mais depurante

Frederico de Castro
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Covil das memórias



Envelhecem as sombras da madrugada
Desfrutada na óptica do utilizador, enquanto
Além se espreguiça a solidão recauchutada

Descontroladamente esperneiam as horas
Quase electrocutadas deixando em cacos
O silêncio e as palavras mais matutadas

Ao longe ouço o ensaio musical decantado
Numa brisa feliz e arrebatada qual comício
Da vida purgando minha poesia assim excitada

Nos covis da memória talho uma altiva saudade
Escalo qualquer ilusão pendurada nas estalactites
Do tempo insipido, ausente, brutalmente acossado

Em queda livre a noite seduz-se no néctar das
Luminescências apaixonadas até se perder na
Fecunda solidão, imperiosamente confeccionada

Frederico de Castro
👁️ 191

Véu da noite



Perpetuada a noite vagueia agora
Pelos trilhos deste silêncio dissimulado
Entre os véus sedosos da noite que
Amarinha pelos céus invictos e emancipados

Em queda livre a madrugada irrompe renegada
Apoquentando os pequenos burburinhos que
Fluem na escuridão absurdamente tarada

Deixo meu destino remoto nas mãos da solidão
Que tão deprimida acotovela a memória angustiada
Onde mitigo um gomo de esperança ainda que extraviada

Dentro do tempo resguardo estéreis silêncios que
Planam num isométrico momento de ilusão obcecada
Até que, translucidas as sombras reclusas despoletem
Para a vida indubitavelmente apaixonada e profusa

Frederico de Castro
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(À)cerca da solidão...



Uma hora solitária atropela o tempo
Que morre lentamente no patíbulo dos
Dias gradualmente mais penosos

Além, em segundos e tão debilitada
A esperança esperneia no estertor
Do tempo madrugando qual desertor

Nos ciclos da memória alimento só a
Saudade passageira, costurada em cambraias
Finas enegrecidas pela solidão premeditada

Desbotado o silêncio sangra pelas agruras
Da noite chegando decapitada onde se evapora
No vazio das palavras esta estrofe triste e rejeitada

Na cerca da solidão mais diligente outorgo uma
Caricia quase astuta, promiscua, tão gratuita
Deixada além na trincheira das paixões mais altruístas

Frederico de Castro
👁️ 184

O que arde...queima



Num ritual ardente e mágico queimam-se dois
Corpos apaixonados tão arrochados
Deixam salientes uma chama única…complacente

O que arde, queima, flameja numa tocha radioactiva
Tão proeminente, ignificando duas almas para
Sempre apaixonadas e colidentes

O que arde, queima, inflama-se iminente
Reage qual comburente dos desejos mais inconscientes
Flamejando, flamejando até ruirem tão fogosamente

O que arde, queima…em câmara lenta neste
Fogo fátuo faiscando de prazer mais demente
Archote que arde na noite apaixonada…quase insolente

Frederico de Castro
👁️ 152

Plumas semânticas



Caiem entristecidas pela tarde duas
Lágrimas guarnecendo a saudade
Que ficou sem palavras, enaltecendo
Esta solidão, tão pluvial…quase versátil

Prestes a morrer ao longe o dia esconde-se
Num fantástico e sussurrante poente volátil
Além onde deliram as arquitecturas de muitas
Tantas caricias que se desnudam assim vibráteis

Adormecidas no palacete do tempo sossegam
Temperadas memórias seduzidas pela hospitalidade
Daqueles teus beijos infligidos com tamanha agilidade

No baldio dos sonhos ainda jaz a esperança dez mil
Vezes apregoada, subscrevendo nas palavras semânticas
Todo meu romantismo mais autentico…tão quântico

Frederico de Castro
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Destino...ou desatino



Sem segredos a madrugada dilui-se num vulto
De luz sombrio quase decapitado até demolir de vez,
Este silêncio despojado entrópico…tão premeditado

Lá longe no anonimato dos céus longínquos esculpo
Este verso rodeado de palavras rejeitadas, enfeitadas
Pelo léxico das memórias nefastas, hoje ressuscitadas

Suspensas na saudade mais açoitada vacila uma hora
Sistematicamente enjeitada por um míssil de solidões
Explodindo no porão das minhas memórias quase decapitadas

Entretenho-me a descortinar com quantos tédios enfrentarei
Esta imensidão de lamentos barricados no pântano do tempo que
Sem destino fenece e desatinado me agride à traulitada

Extingue-se na noite um milimétrico segundo tão amofinado
Esgueira-se pela cripta do silêncio mais profuso deixando
Que uma hora se extinga de vez, assim ardentemente obstinada

O adeus está mesmo ali entreabrindo aquela implacável
Saudade prostrada no patíbulo do tempo irreplicável, vitimando
Apenas a memória irrecuperável, absolutamente implacável

Frederico de Castro
👁️ 190

Desejos pirómanos



Gotas de luz incandescentes resvalam pelos céus 
Espessos e tão obscurecidos como lágrimas que se
Esfrangalham além erráticas, quase convulsas

De tristeza sei que chora a noite relapsa, tão
Magoada, tão persuadida solidificando este breve
Crepúsculo que jaz além fronteiras bem expandido

A luz adoeceu e recostou-se na marquesa do
Tempo que regredindo abala desiludido, algemando pra
Sempre uma hora desnorteada, tumultuada…tão ofendida

Languida e esperançosa sangra a sombria manhã
Deixando imensas cicatrizes evocadas no mausoléu do
Tempo hausto, flébil, às vezes profano, outras febril e tirano

Absorvo deste silêncio um eco castrado, quase desumano
Cerco a ebúrnea e fina ilusão num cântico infinito e melómano
Onde tombam os lamentos latejando sempre tiranos…quase pirómanos

Frederico de Castro
👁️ 172

Ébria escuridão


A luz premonitória e ébria desmonta a escuridão
Que fenece ante o dia chegando sem sarcasmos
Deixa no templo da alma o emplastro da solidão
Sepultada na esperança agora mais que espevitada

Ali antevi toda a saudade guarnecida por ilusões
Tão incitadas, vestido a fresca memória onde decorara
Meus sonhos ponderados, convertidos àquela emoção
Cavalgando assim insinuante, intrometida, muito intimidada

Dissimuladas no tédio do silêncio esquivam-se as horas
Trotando quase aniquiladas desenhando nas avenidas do
Luar uma tímida brisa que se enforca à solidão tão protelada

Pelas penumbras do tempo esvai-se este Setembro
Fugidio deixando no presidio da vida, mui gráceis e esguias
Lembranças rodopiando pela mente fértil e tão volátil

Frederico de Castro
👁️ 267

Pelos olhos teus...



Pelos olhos teus...
Sinto a madrugada fluir ávida quase violenta
Aduzida por uma magnânima hora tão quizilenta
Triunfalmente erguida depois de uma oração sedenta

Pelos olhos teus...
Degluto a manhã impávida e serena, erguida
Pelas luminescências de uma caricia feliz
Parida e manipulada lá no porão do
Tempo e das palavras bem alfabetizadas

Pelos olhos teus...
Beberico cada breu mais apocalíptico até que,
A solidão reescreva o bendito afago feito matriz
De tantas gargalhadas felizes, aglutinadoras, quase brejeiras

Pelos olhos teus...
Educo cada verso sempre lírico e apaixonado
Recrio a intersecção das emoções legitimas, codificadas
Até devastar cada aresta deste silêncio debutante e conspirador

Pelos olhos teus...
Apaziguo até as monções orientais blasfemando num
Aguaceiro auspicioso soprando qual doce brisa choraminguenta
Oh, pranto que tanto pranteias nesta hora felina e suculenta

Pelos olhos teus...
Incuto na saudade aquela memória aguerrida e opulenta
Que me alenta e embebeda das mesmíssimas maresias
Navegando num sedento momento de inspiração quase virulenta

Pelos olhos teus...
Pousa de mansinho a luz da esperança assim sonolenta
Requebra meus ais e lamentos num monólogo de paixões
Envoltas na razão da minha fé, sempre, mas sempre mais corpulenta

Frederico de Castro
👁️ 222

Comentários (3)

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asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh
asdfgh
2018-05-07

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp
ania_lepp
2017-11-04

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!