Lista de Poemas
FLUTUA NO OURO DOS DIAS E SORRI
Viaja até onde te leve a imensidão do olhar
e não pernoites aonde não sonhares.
Planta a semente no húmus da alma
e espera que os sentidos floresçam
embalados pelos aromas da tarde.
Flutua no ouro dos dias e sorri
enquanto o mar tece as ondas
que faltam para naufragares.
Corre tudo o que puderes
pinta-te de todas as cores
mas depois sossega, respira e ama
pois é ao fim do caminho
que os afetos se agigantam.
e não pernoites aonde não sonhares.
Planta a semente no húmus da alma
e espera que os sentidos floresçam
embalados pelos aromas da tarde.
Flutua no ouro dos dias e sorri
enquanto o mar tece as ondas
que faltam para naufragares.
Corre tudo o que puderes
pinta-te de todas as cores
mas depois sossega, respira e ama
pois é ao fim do caminho
que os afetos se agigantam.
👁️ 44
CONTIGO
Contigo
o fogo na carne
o êxtase, o delírio.
O mel nos lábios
e na ponta dos dedos.
Contigo
o fulgor da água que corre
mordendo os seixos com beijos fugazes.
O sol no rosto corado
e na alma lavada.
o fogo na carne
o êxtase, o delírio.
O mel nos lábios
e na ponta dos dedos.
Contigo
o fulgor da água que corre
mordendo os seixos com beijos fugazes.
O sol no rosto corado
e na alma lavada.
👁️ 112
FOSSES TU SERRA
Fosses tu serra
e eu subiria ao cume mais alto
para espreitar o infinito nos teus olhos
ou catar estrelas nas tuas faces ruivas
bradaria aos céus os versos que me inspiras
pássaros nadando no veludo dos teus lábios
peixes voando nas tuas mãos abertas
crianças brincando no azul dos teus sonhos
fosses tu serra
e eu seria primavera. E em ti pintaria
páginas de vida, antes que o inverno
caiasse o oiro dos teus cabelos.
e eu subiria ao cume mais alto
para espreitar o infinito nos teus olhos
ou catar estrelas nas tuas faces ruivas
bradaria aos céus os versos que me inspiras
pássaros nadando no veludo dos teus lábios
peixes voando nas tuas mãos abertas
crianças brincando no azul dos teus sonhos
fosses tu serra
e eu seria primavera. E em ti pintaria
páginas de vida, antes que o inverno
caiasse o oiro dos teus cabelos.
👁️ 35
TODOS OS DIAS TE REGO
Guardei o teu rosto
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.
Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.
Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.
Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.
Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.
Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.
Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.
👁️ 50
BOA NOITE AMOR
O azul atordoante da tarde
invade as horas que me faltam
para enlouquecer.
Em breve serei sacrificado
no altar-mor da purificação.
Treze virgens arrastar-me-ão
por becos de luxuria
nu como o milhafre
que sobrevoa a praia
no latejar do crepúsculo,
disfarçado na transparência do mar.
Depois a lua galopará
pelo meu corpo
o vento soprará tresloucado
nas veias sofrerei tempestades
tsunamis e naufrágios
e no ventre mil punhaladas
de todos os amantes que traí.
E assim, em carne viva
despojado de todos os pudores
deixarei que me possuam
que me esquartejem e me suguem
as últimas gotas de sangue e de sémen
antes que a maré me arraste e me devolva
ao conforto dos teus braços.
Boa noite amor!
invade as horas que me faltam
para enlouquecer.
Em breve serei sacrificado
no altar-mor da purificação.
Treze virgens arrastar-me-ão
por becos de luxuria
nu como o milhafre
que sobrevoa a praia
no latejar do crepúsculo,
disfarçado na transparência do mar.
Depois a lua galopará
pelo meu corpo
o vento soprará tresloucado
nas veias sofrerei tempestades
tsunamis e naufrágios
e no ventre mil punhaladas
de todos os amantes que traí.
E assim, em carne viva
despojado de todos os pudores
deixarei que me possuam
que me esquartejem e me suguem
as últimas gotas de sangue e de sémen
antes que a maré me arraste e me devolva
ao conforto dos teus braços.
Boa noite amor!
👁️ 57
PARA MIM É PRIMAVERA
Espraio-me em ti
como o sol na seara
lábios presos
nas rugas do teu ventre
o vento sopra
o céu escurece
o inverno ameaça
mas para mim é primavera.
como o sol na seara
lábios presos
nas rugas do teu ventre
o vento sopra
o céu escurece
o inverno ameaça
mas para mim é primavera.
👁️ 236
COMO ME AMARIAS?
Todos os dias tento
agarrar a luz que se deita no mar
e todos os dias o sol me demonstra
que o seu esplendor é terra de ninguém.
Imaginemos que a lua se portava de igual modo,
como entraria o luar dos meus olhos pela tua janela?
Como acordarias ao toque dos meus dedos?
Como me amarias?
Sim, como me amarias?!
agarrar a luz que se deita no mar
e todos os dias o sol me demonstra
que o seu esplendor é terra de ninguém.
Imaginemos que a lua se portava de igual modo,
como entraria o luar dos meus olhos pela tua janela?
Como acordarias ao toque dos meus dedos?
Como me amarias?
Sim, como me amarias?!
👁️ 218
VENS?
Quando te achares só
e de mim sentires saudades
lembra-te das mil vezes
que desejámos morrer de beijos
por considerarmos ser essa
a melhor forma de morrer.
Depois olha à tua volta
e aprecia os azuis que te circundam.
Verás que um é o céu
onde te escrevo os meus recados.
Outro é o rio que nos separa.
Outro é a minha mão que te acena.
Outro são os beijos que te sopro.
Dirás tu
que as mãos não são azuis.
Que os beijos não são azuis!
Meu bem, se é chegada a hora de morrer
que importa a cor da mão que nos leve
ou dos beijos que nos matem?
Vens?
e de mim sentires saudades
lembra-te das mil vezes
que desejámos morrer de beijos
por considerarmos ser essa
a melhor forma de morrer.
Depois olha à tua volta
e aprecia os azuis que te circundam.
Verás que um é o céu
onde te escrevo os meus recados.
Outro é o rio que nos separa.
Outro é a minha mão que te acena.
Outro são os beijos que te sopro.
Dirás tu
que as mãos não são azuis.
Que os beijos não são azuis!
Meu bem, se é chegada a hora de morrer
que importa a cor da mão que nos leve
ou dos beijos que nos matem?
Vens?
👁️ 95
ABRAÇO AS PALAVRAS QUE DEIXASTE
(a Eugénio de Andrade, no dia do seu centenário)
Os teus versos despertam-me a alma
entardecida. Doiram-me o olhar
como os malmequeres no chão de abril
fecho os olhos e distingo-os
no chilrar dos melros nos ciprestes
cantando ao mundo os teus amores
e outras dores
abraço as palavras que deixaste
guardadas nos ninhos de andorinha
à espera do beijo que faça a primavera
acontecer nas bocas que não beijaste.
Os teus versos despertam-me a alma
entardecida. Doiram-me o olhar
como os malmequeres no chão de abril
fecho os olhos e distingo-os
no chilrar dos melros nos ciprestes
cantando ao mundo os teus amores
e outras dores
abraço as palavras que deixaste
guardadas nos ninhos de andorinha
à espera do beijo que faça a primavera
acontecer nas bocas que não beijaste.
👁️ 52
ATÉ À PLENITUDE
Guardarei na memória
as faces morenas da tarde
com o tempo a abrir caminho
para o Éden prometido, mareando
um barco que ancorará à minha porta.
Os sinos tocam trindades
e ouvem-se sussurros e preces
como quem desfia contas de um rosário
(é a maciez dos lábios quentes
como os raios de sol de agosto
a engomar-nos o linho do desejo).
Nunca mais os sinos chorarão queixumes
sem que eu recorde o diluvio que te escorre da nuca
inundando-te os seios, o ventre e as coxas.
Nunca mais o vento soprará suão
sem que eu sinta o esvoaçar dos teus cabelos
a enxugarem-me o peito.
E agora que a lua te deu um nome de lagoa
nadarei na serenidade do teu azul
para lá de todos os feitiços,
até à plenitude.
as faces morenas da tarde
com o tempo a abrir caminho
para o Éden prometido, mareando
um barco que ancorará à minha porta.
Os sinos tocam trindades
e ouvem-se sussurros e preces
como quem desfia contas de um rosário
(é a maciez dos lábios quentes
como os raios de sol de agosto
a engomar-nos o linho do desejo).
Nunca mais os sinos chorarão queixumes
sem que eu recorde o diluvio que te escorre da nuca
inundando-te os seios, o ventre e as coxas.
Nunca mais o vento soprará suão
sem que eu sinta o esvoaçar dos teus cabelos
a enxugarem-me o peito.
E agora que a lua te deu um nome de lagoa
nadarei na serenidade do teu azul
para lá de todos os feitiços,
até à plenitude.
👁️ 50
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Francisco José Rito é o pseudónimo literário de Francisco José da Silva Vieira, nascido em Abril de 1969, na Murtosa.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
Português
English
Español