Lista de Poemas
QUE IMPORTA?
Que importa
que a alma jaza acre e escura
na lassidão da espera,
se com sonhar-te apenas
tudo se irradia
e por ser-te
tudo se transforma?
que a alma jaza acre e escura
na lassidão da espera,
se com sonhar-te apenas
tudo se irradia
e por ser-te
tudo se transforma?
👁️ 258
PROCURA
Repetimo-nos nos sonhos
à procura do quadro perfeito.
Buscamos a plenitude das coisas
e por vezes perdemo-nos
na incessante procura
de um azul qualquer.
à procura do quadro perfeito.
Buscamos a plenitude das coisas
e por vezes perdemo-nos
na incessante procura
de um azul qualquer.
👁️ 32
HÁ SEMPRE UM AZUL
Só ficou a saudade
naquela gare deserta de afetos.
Tu meteste na bagagem
as palavras que sobraram.
Eu ergui o olhar marejado
ao encontro da chuva que caía
nos ombros de um futuro incerto.
Atravessei a cidade.
As gaivotas regressaram ao rio.
A tarde esmaeceu.
Só o azul dos autocarros
pintava as ruas caladas,
as fachadas dos prédios,
as mesas das esplanadas.
Apesar de tudo
há sempre um azul
a pintar o rosto das memórias.
naquela gare deserta de afetos.
Tu meteste na bagagem
as palavras que sobraram.
Eu ergui o olhar marejado
ao encontro da chuva que caía
nos ombros de um futuro incerto.
Atravessei a cidade.
As gaivotas regressaram ao rio.
A tarde esmaeceu.
Só o azul dos autocarros
pintava as ruas caladas,
as fachadas dos prédios,
as mesas das esplanadas.
Apesar de tudo
há sempre um azul
a pintar o rosto das memórias.
👁️ 237
MERGULHO NO AZUL DAS COISAS
Mergulho no vento que amacia as pedras
à procura do enleio perdido nos primórdios.
Mergulho num rendilhado de horas mansas
feitas de palavras sem mácula e sem pressa.
Mergulho na porta aberta do poema
purgando-me dos anos e dos medos.
Mergulho num tempo novo e vasto
onde amar-te cheira a tudo o que quisermos.
Mergulho no azul das coisas
para ver florir a lua nos teus olhos.
à procura do enleio perdido nos primórdios.
Mergulho num rendilhado de horas mansas
feitas de palavras sem mácula e sem pressa.
Mergulho na porta aberta do poema
purgando-me dos anos e dos medos.
Mergulho num tempo novo e vasto
onde amar-te cheira a tudo o que quisermos.
Mergulho no azul das coisas
para ver florir a lua nos teus olhos.
👁️ 246
EMÍLIA
Quando o sorrir se impunha
sorrimos, tu e eu
como o raio de sol
que irrompe da negrura.
sorrimos, tu e eu
como o raio de sol
que irrompe da negrura.
👁️ 50
DAI-ME UMA PEDRA EM VEZ DE CORAÇÃO
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
O êxtase da paixão mas não o desencanto.
Deixai-me esculpir vida nas estátuas frias
desenhar paixões a esvoaçar nos varais
ou nos parapeitos das janelas
dos amantes encobertos.
Pintar a tristeza da cegonha
que não migra porque partiu uma asa
ou da mãe que seca o rosto do filho
com os dedos molhados pelo seu próprio pranto.
Dai-me uma pedra em vez de coração!
O coração é pássaro de asa partida
que não migra e anseia a nova primavera
que apenas lhe trará mais solidão.
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
mas não a sua sina.
O êxtase da paixão mas não o desencanto.
Deixai-me esculpir vida nas estátuas frias
desenhar paixões a esvoaçar nos varais
ou nos parapeitos das janelas
dos amantes encobertos.
Pintar a tristeza da cegonha
que não migra porque partiu uma asa
ou da mãe que seca o rosto do filho
com os dedos molhados pelo seu próprio pranto.
Dai-me uma pedra em vez de coração!
O coração é pássaro de asa partida
que não migra e anseia a nova primavera
que apenas lhe trará mais solidão.
Dai-me a alma dos poetas
mas não a sua sina.
👁️ 294
ÉDEN
Bato-te à porta
com a certeza de ter chegado a casa.
A tua silhueta balança
na nudez da parede branca.
Uma mão a amparar-te o rosto
a outra no cabelo
e nos olhos a vontade de naufragar
no mar de promessas sussurradas.
Somos Éden
jardim de flores e frutos proibidos.
Dos teus lábios escorre
o roxo das ameixas maduras
e dos dedos pétalas azuis
de uma flor que um dia idearei.
Foi noite nas nossas vidas
até me dares guarida.
Depois pintei um sol para te oferecer.
com a certeza de ter chegado a casa.
A tua silhueta balança
na nudez da parede branca.
Uma mão a amparar-te o rosto
a outra no cabelo
e nos olhos a vontade de naufragar
no mar de promessas sussurradas.
Somos Éden
jardim de flores e frutos proibidos.
Dos teus lábios escorre
o roxo das ameixas maduras
e dos dedos pétalas azuis
de uma flor que um dia idearei.
Foi noite nas nossas vidas
até me dares guarida.
Depois pintei um sol para te oferecer.
👁️ 292
CRESCEU-NOS A CAMA
Lentamente
descemos o rio
mudaram as luas
os azuis do céu
e os verdes das margens
até nós mudámos
sem darmos por isso
pouco a pouco
o espelho mostrava-nos
o que viria a seguir
o preço a pagar
pela nossa irreverência
eu deixei de correr
e tu seguiste-me os passos
até ao ponto de não podermos
mais fugir ao destino
o céu acinzentou
cresceu-nos a cama
e o teu sangue
deixou de saciar-me
diz-me, amor
perdemos a sede
ou secou-se a seiva
que nos corria efervescente
pelas crateras da pele em chama?
cresceu-nos a cama
ou mingaram-nos os braços?
descemos o rio
mudaram as luas
os azuis do céu
e os verdes das margens
até nós mudámos
sem darmos por isso
pouco a pouco
o espelho mostrava-nos
o que viria a seguir
o preço a pagar
pela nossa irreverência
eu deixei de correr
e tu seguiste-me os passos
até ao ponto de não podermos
mais fugir ao destino
o céu acinzentou
cresceu-nos a cama
e o teu sangue
deixou de saciar-me
diz-me, amor
perdemos a sede
ou secou-se a seiva
que nos corria efervescente
pelas crateras da pele em chama?
cresceu-nos a cama
ou mingaram-nos os braços?
👁️ 316
PRINCÍPIO
Entrar pela
manhã adentro
como a andorinha
que se replica
em lençóis de barro
como o amante
de um corpo inerte
que se consome a resgatá-lo
dos braços da incógnita
escondido na sombra
dos beirais de vidro
de um amor tisnado
e dúbio
tão inconstante
como o azul das mãos.
manhã adentro
como a andorinha
que se replica
em lençóis de barro
como o amante
de um corpo inerte
que se consome a resgatá-lo
dos braços da incógnita
escondido na sombra
dos beirais de vidro
de um amor tisnado
e dúbio
tão inconstante
como o azul das mãos.
👁️ 30
UM CARDO DISFARÇADO DE ALFAZEMA
Esta ânsia que sinto
é janela aberta
para um prado
sem cores e sem cheiros.
É uma miragem
um rosto
uma voz nos longes
um roce imaginado
um cardo disfarçado
de alfazema.
Esta ânsia que sinto
é um carreiro estreito
que acaba num muro
mais alto que o sol.
Nele me embrenhei
coração órfão
de gargalhadas roucas
e outros mimos.
Nele me perdi
ânsia de perseguir
sonhos proibidos
e outras sinas.
👁️ 18
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
NoComments
Francisco José Rito é o pseudónimo literário de Francisco José da Silva Vieira, nascido em Abril de 1969, na Murtosa.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
Português
English
Español