Lista de Poemas
A PRIMEIRA VEZ
Troquei contigo
olhares de inquietação
e tu, brisa e seda
roçaste-me ao ouvido
murmúrios de certeza.
Fez-se calmaria
e tudo ao meu redor floriu.
olhares de inquietação
e tu, brisa e seda
roçaste-me ao ouvido
murmúrios de certeza.
Fez-se calmaria
e tudo ao meu redor floriu.
👁️ 40
ÉS A PRIMAVERA QUE PROCURO
Peguei na paleta e nos pincéis
para pintar a primavera no céu de dezembro.
Quis pintar o mar do meu país
mas os teus olhos tinham roubado o azul.
Quis pintar canteiros de rosas
mas os teus lábios tinham bebido o vermelho.
Quis pintar a magia do entardecer
mas o oiro do sol poente estava todo no teu rosto.
Percebi então que se trazes nos olhos o mar
nos lábios as rosas
e no rosto o entardecer
és a primavera que procuro
e nos teus braços nunca mais será inverno.
para pintar a primavera no céu de dezembro.
Quis pintar o mar do meu país
mas os teus olhos tinham roubado o azul.
Quis pintar canteiros de rosas
mas os teus lábios tinham bebido o vermelho.
Quis pintar a magia do entardecer
mas o oiro do sol poente estava todo no teu rosto.
Percebi então que se trazes nos olhos o mar
nos lábios as rosas
e no rosto o entardecer
és a primavera que procuro
e nos teus braços nunca mais será inverno.
👁️ 256
SE EU PUDESSE
Se eu mandasse
a arte de sonhar seria disciplina
obrigatória em todas as escolas da vida.
Se eu pudesse
embrulhava os sonhos num véu de escumilha
sussurrava-lhes ao ouvido um destinatário
e soltava-os, presos a um papagaio azul.
a arte de sonhar seria disciplina
obrigatória em todas as escolas da vida.
Se eu pudesse
embrulhava os sonhos num véu de escumilha
sussurrava-lhes ao ouvido um destinatário
e soltava-os, presos a um papagaio azul.
👁️ 224
INCOERÊNCIAS
Corremos na vida
como se a meta se fizesse
de palavras nunca antes ditas
ou de sonhos nunca sonhados
e no entanto o mundo compõe-se
de projetos inacabados.
como se a meta se fizesse
de palavras nunca antes ditas
ou de sonhos nunca sonhados
e no entanto o mundo compõe-se
de projetos inacabados.
👁️ 227
NO FUNDO EU SÓ QUERIA UM SORRISO
O vento apartou de mim
as folhas caídas e pude por fim ver
o rosto do meu corpo em êxtase.
Resignei-me ao destino
de colher no regaço estrelas luzentes
mas nunca soube de onde me vinha o privilégio.
Limitei-me a olhar-me de longe e a sorrir
como sorriam os cachopos na pradaria, a sorver
esguichos de leite quente do úbere das vacas.
Depois deitava-me e sonhava
penitenciando-me pela ousadia de sonhar.
Castigava-me com a ferocidade das nortadas
que chicoteiam os milheirais de agosto
como se o sonhar estivesse apenas destinado
aos que nasceram na outra margem.
No fundo eu só queria um sorriso
um par de olhos, uma boca, duas mãos
para comigo viverem e morrerem.
O que demais vedes veio por erro no destinatário.
as folhas caídas e pude por fim ver
o rosto do meu corpo em êxtase.
Resignei-me ao destino
de colher no regaço estrelas luzentes
mas nunca soube de onde me vinha o privilégio.
Limitei-me a olhar-me de longe e a sorrir
como sorriam os cachopos na pradaria, a sorver
esguichos de leite quente do úbere das vacas.
Depois deitava-me e sonhava
penitenciando-me pela ousadia de sonhar.
Castigava-me com a ferocidade das nortadas
que chicoteiam os milheirais de agosto
como se o sonhar estivesse apenas destinado
aos que nasceram na outra margem.
No fundo eu só queria um sorriso
um par de olhos, uma boca, duas mãos
para comigo viverem e morrerem.
O que demais vedes veio por erro no destinatário.
👁️ 233
O FOGO DA CARNE
Zarpemos na jangada azul
ao encontro da joia prometida
bebamos da taça exposta no altar do sangue
vertendo prata sobre os mais primários impulsos
morremos e entramos no céu dos amantes
quando mergulhamos no fogo da carne
e descobrimos os segredos que nos queimam
e com as nossas mãos construímos
a noite, a casa e a cama
onde nos rendemos à fúria do desejo.
ao encontro da joia prometida
bebamos da taça exposta no altar do sangue
vertendo prata sobre os mais primários impulsos
morremos e entramos no céu dos amantes
quando mergulhamos no fogo da carne
e descobrimos os segredos que nos queimam
e com as nossas mãos construímos
a noite, a casa e a cama
onde nos rendemos à fúria do desejo.
👁️ 40
OIÇO-TE
Oiço-te
voz de água fresca
que me escorre, fugaz
pelos socalcos da pele
sussurro de vento
a amaciar-me
a inquietação da carne
ternura, ensejo
de pássaro que alvora
ao adormecer da lua
oiço-te
bocejo sorrisos
e adormeço.
voz de água fresca
que me escorre, fugaz
pelos socalcos da pele
sussurro de vento
a amaciar-me
a inquietação da carne
ternura, ensejo
de pássaro que alvora
ao adormecer da lua
oiço-te
bocejo sorrisos
e adormeço.
👁️ 21
SUBLIME FEITIÇO
O teu abraço
é rio em maré cheia
a correr-me pelas veias.
Inunda-me a frescura
dos teus olhos d´água.
Então (sublime feitiço)
tudo em meu corpo
é musgo e bruma
e o nosso amor
trevo em terra fértil.
é rio em maré cheia
a correr-me pelas veias.
Inunda-me a frescura
dos teus olhos d´água.
Então (sublime feitiço)
tudo em meu corpo
é musgo e bruma
e o nosso amor
trevo em terra fértil.
👁️ 248
DESEJANDO SER-TE O PROMETIDO
O deleite ardente que procuro
traz-me sempre ao teu regaço
qual pássaro imolado a renascer
qual fogo adormecido mas atento
desejando ser-te o prometido.
E eu assim te quero, aurora minha
assim, como a bruma envolve os lírios
como o azul da lua envolve o mar Egeu
assim eu te envolvo e te venero
desejando ser-te o prometido.
traz-me sempre ao teu regaço
qual pássaro imolado a renascer
qual fogo adormecido mas atento
desejando ser-te o prometido.
E eu assim te quero, aurora minha
assim, como a bruma envolve os lírios
como o azul da lua envolve o mar Egeu
assim eu te envolvo e te venero
desejando ser-te o prometido.
👁️ 57
NO OLHAR TRAGO-TE A LUA
Trago-te um regaço de limões
maduros e perfumados.
No olhar trago-te a lua
bordada nas memórias da minha meninice.
E na hora de adormecermos os segredos
essa ditosa hora em que os sonhos flutuam
entre a terra e o céu, entre o corpo e a alma
dar-te-ei o melhor de mim:
esta graça de te sorrir, rendido
ao sublime império da paixão que me habita.
maduros e perfumados.
No olhar trago-te a lua
bordada nas memórias da minha meninice.
E na hora de adormecermos os segredos
essa ditosa hora em que os sonhos flutuam
entre a terra e o céu, entre o corpo e a alma
dar-te-ei o melhor de mim:
esta graça de te sorrir, rendido
ao sublime império da paixão que me habita.
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Francisco José Rito é o pseudónimo literário de Francisco José da Silva Vieira, nascido em Abril de 1969, na Murtosa.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
Com dezanove anos faz a mala e faz-se à vida, numa epopeia que haveria de arrastar-se por mais de duas décadas. Alma dividida entre o sonho e a saudade, escreve e guarda desabafos e promessas que só à sebenta confessa.
Na diáspora faz de tudo um pouco, chegando a assinar crónicas em alguns jornais e revistas das comunidades portuguesas dos Estados Unidos e Canadá.
Em 2010 regressa à terra que o viu nascer e esconde a mala, prometendo-se não mais partir.
Em 2012 publica “Um Mar de Sentidos”, um livro de poesia e prosa poética, fruto dos desabafos por anos guardados na sebenta. É o seu primeiro livro. Um filho que idealiza único, mas que afinal será o motor de arranque para mais treze títulos já publicados.
Autodidata, escreve em prosa e em verso, com inserções pelos mais variados géneros literários, da poesia ao conto, passando pela literatura infantil, textos para teatro e romance.
Está publicado em dezenas de antologias e recebeu três prémios de poesia (um da Editora Pastelaria Studios – Lisboa, 2016 e dois da Câmara Municipal da Murtosa – 2020 e 2021).
Da sua já extensa obra destaca cinco títulos:
Em 2014 publica "Entre o Olhar e a Alma", com textos seus e fotografias a preto e branco de Carlos Figueiredo.
Em 2016 publica "Soneca - o Furão Brincalhão", uma fábula infantojuvenil, alvo de três edições diferentes, uma delas ilustrada pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa e patrocinada pelo Município da Murtosa e duas edições de autor – em português e em inglês – ilustradas pelo Dinis Sousa Rodrigues, um pequeno (grande) artista, à data com apenas 11 anos de idade.
Em 2018 publica "Os Meninos da Lagoa", um Conto de Natal marinhão, título que dará o nome a um grupo de teatro amador criado por si. Consequentemente, encenam dois textos de sua autoria (“Os Meninos da Lagoa” e “Arraial – o fado de cada um”) e iniciam um terceiro (Lá Vai a Rosa), projeto interrompido pela pandemia.
Em 2021 escreve – em parceria com dois amigos – “Diabruras, Momices e outras Trapalhices” um livro de poesia e prosa poética para miúdos e graúdos, novamente ilustrado pelos meninos e meninas da CAA – Valência de Autismo do Agrupamento de Escolas da Murtosa.
Em Abril de 2022 publica “Poderia ter sido assim”, vencedor do prémio Melhor Romance, atribuído pela editora Cordel D´Prata.
Para Dezembro de 2022 está agendada a publicação da sua primeira antologia. Chama-se “De degrau em degrau” e reúne poemas escolhidos da obra publicada entre 2012 e 2022.
Tem poemas musicados e cantados por vários interpretes.
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