Escritas

TODOS OS DIAS TE REGO

Francisco José Rito
Guardei o teu rosto
na gaveta do peito
retrato imaculado, jovial
sem marcas de vida
ou de penas.

Guardei o teu cheiro
na pele dos sentidos
fecho os olhos e
cheiras-me a arroz doce
com limão e canela.

Guardei o teu nome
à porta do tempo, onde
os anos não principiam
nem acabam
apenas nos demoram.

Guardei-te onde se guardam
os incensos e outras prendas
todos os dias te rego
com gotas de alvorada
esperando que amanheças a sorrir.