Lista de Poemas
Por detrás dos olhos
Por detrás dos olhos
Há memórias de outras galáxias e universos
Para onde viajo ao anoitecer,
De pirâmides esculpidas em mãos e pés acorrentados,
Um vento que não para de correr.
Há vidas e sonhos
Como os peixes do mar, dispersos,
Por acontecer.
Por detrás dos olhos
A vida acontece, inexoravelmente,
Como abismos precipitados no tempo,
Sonho que se perde de um passado que segue em frente,
Caminha pela luz ténue do pirilampo,
Passageira de monstros velozes e medonhos.
Há estórias que perderam a semente,
Infértil o campo.
Por detrás dos olhos
Há cidades que matam os desejos
Árvores de metal a torturar a luz do dia,
Meias cópulas ausentes de beijos
E padres a mendigar corpos pela sacristia.
Há mães que nunca tiveram filhos
Tantas paixões esquecidas por detrás dos espelhos
Com a mão fria.
01/07/2019
C. A. Afonso
Há memórias de outras galáxias e universos
Para onde viajo ao anoitecer,
De pirâmides esculpidas em mãos e pés acorrentados,
Um vento que não para de correr.
Há vidas e sonhos
Como os peixes do mar, dispersos,
Por acontecer.
Por detrás dos olhos
A vida acontece, inexoravelmente,
Como abismos precipitados no tempo,
Sonho que se perde de um passado que segue em frente,
Caminha pela luz ténue do pirilampo,
Passageira de monstros velozes e medonhos.
Há estórias que perderam a semente,
Infértil o campo.
Por detrás dos olhos
Há cidades que matam os desejos
Árvores de metal a torturar a luz do dia,
Meias cópulas ausentes de beijos
E padres a mendigar corpos pela sacristia.
Há mães que nunca tiveram filhos
Tantas paixões esquecidas por detrás dos espelhos
Com a mão fria.
01/07/2019
C. A. Afonso
👁️ 110
Confissão
Aqui autor me confesso
Que pequei muitas vezes
Por palavras e silêncios,
Porque os meus gestos
Não revelaram as emoções
Que os pensamentos tiveram,
E trouxe dias negros em mim
E manhãs que anoiteceram.
Pequei pelo que disse
E pelo que omiti,
Deliberadamente pequei
Por não ter escrito o amor
E, talvez, nunca o dizer,
Deixar morrer essa flor
Sem nunca lhe dar de beber.
Por isso à memória,
Que não me seja cruel,
Me deixe escrever a estória
Em palavras de papel.
Palavras ditas pequenas
Entre os lábios e o ouvido,
Essa emoção que teima
Dar à vida outro sentido.
01.06.2020
C. A. Afonso
Que pequei muitas vezes
Por palavras e silêncios,
Porque os meus gestos
Não revelaram as emoções
Que os pensamentos tiveram,
E trouxe dias negros em mim
E manhãs que anoiteceram.
Pequei pelo que disse
E pelo que omiti,
Deliberadamente pequei
Por não ter escrito o amor
E, talvez, nunca o dizer,
Deixar morrer essa flor
Sem nunca lhe dar de beber.
Por isso à memória,
Que não me seja cruel,
Me deixe escrever a estória
Em palavras de papel.
Palavras ditas pequenas
Entre os lábios e o ouvido,
Essa emoção que teima
Dar à vida outro sentido.
01.06.2020
C. A. Afonso
👁️ 70
Despedida inocente
Morreu um pássaro às nove em ponto
Quem lhe chorou a morte
Ou implorou a vida?
Ninguém!...
Morreu um pássaro às nove em ponto
Quem lhe socorreu a carne
Ou proclamou o espírito?
Ninguém!...
Morreu um pássaro às nove em ponto
Mas nenhum advogado lhe defendeu os olhos
Da prisão perpétua,
Nenhum!...
1980, Lisboa
C. A. Afonso
Quem lhe chorou a morte
Ou implorou a vida?
Ninguém!...
Morreu um pássaro às nove em ponto
Quem lhe socorreu a carne
Ou proclamou o espírito?
Ninguém!...
Morreu um pássaro às nove em ponto
Mas nenhum advogado lhe defendeu os olhos
Da prisão perpétua,
Nenhum!...
1980, Lisboa
C. A. Afonso
👁️ 15
A ordem das coisas
Mãos que surgiram da obscuridade de um
Tempo nunca semeado, a minha
Raiz do poente por sobre a espuma dos olhos...
Solidão que se apaga à beira do corpo
Inacessíveis crepúsculos de uma tarde que nunca se derrama.
E é o musgo dos dedos a tactear as margens do silêncio
Que reage ao unânime dos momentos.
Revolta que se extingue em mim sem rasgar o véu de
De todas as histórias que me inventam
Terra sem domínio onde os gritos não têm eco nas luzes
Onde todas as cinzas esventram o Sol,
Incolores as janelas árduas perscrutando os silêncios,
Abat-jours tecendo de lágrimas os eucaliptos na
Dinâmica dos pássaros à-beira-do-sono... gritos.
É isto das luzes extintas rejuvenescendo a manhã acesa
Por detrás dos olhos
Realidade incrédula, a outra claridade de mim ardendo nas
Criptas da una memória...
Séculos de herança dentro e fora dos olhos
Esses monstros acesos por detrás da infância.
Contar pelos dedos os momentos em que se repetem no mesmo erro
Hirto, um sol incessante no arrefecer da tarde
O quarto que emoldura os dias.
Sonhos que guardo no arco da porta.
Regresso. Regresso e a manhã acende-se de novo
De novo o irrepetível gesto
Na exatidão dos segundos
Os cabelos viciados pelo som da escova
Música serpenteando desde os mamutes errantes
O eco da espada mordendo a carne por entre os carros e
os pássaros...
Inventaram-me este Deus de modelar o corpo
E cegar de gestos instintivos
A vida neste ápice de agoras.
Mais tarde... Mais tarde arderá o silêncio dos genes
Rarefeitos...
Um outro Deus acenderá células
À sombra de outro sol
Aos domingos não haverá descanso porque a verdade é
una
Amarga como o sonho que se esqueceu no espelho da
primeira memória
A verdade
Passageira errante entre cinco sentidos finitos
Que desde a infância inscreve de angústia os lábios e os
olhos
Seio que adia a solidão para o fim da manhã
Joelhos regressando ao quarto, procurando a mamã
A luz que se apaga
“Dorme meu menino é estrela de alva”...
Esta família vai tecer-te as grades da prisão lá dentro
De ti... E terás a ilusão de que és livre
Nesta liberdade que existe desde os mamutes...
Desde que os seus ossos aprisionaram os primeiros cabelos...
Que outra explicação existe para os salmões
Essa ânsia de regresso ao passado da vida
Barco ao mar, o Cabo Bojador – Gil Eanes
Gesto que tece de manhãs cada asa
Irrepetíveis os olhos no ocaso das dunas
Crepuscular o tecido que reveste o gesto
Que traça o caminho da interioridade
Espelho occipital inquebrável
Construtor de todos os segredos inimagináveis
Gatinhar no silêncio imperfeito
Do quarto à sala, à cozinha apetecível
Gavetas que ocultam invioláveis segredos
Aquele gesto da boca repetido fora da mamã... Puxando
pelos dedos.
Ninguém compreende o meu grito
Vou conquistar este espaço que é meu... Mas em silêncio
Há sons que matam o movimento
Velhos de anteriores Restelos
Não quero esse chapéu de realidade ancestral
Procuro a vida de olhos fechados... No tato
A ferida matinal, o meu retrato.
Puzzles que retalho aos pedaços
Só desfeitos têm significado (sem desenho-cortes)
Quero desenhá-los e pintá-los à minha medida, não
vêem?
Não, porque os vossos olhos foram tecidos de cidades
De exatidões de passos circunscritos na alma
De século a século há manhãs repetidas
Palavras de lâminas que esventram as feridas,
Cá fora procuro a ordem das coisas, o modelo,
Mas lá dentro morro
Nem eu compreendo esse grito-socorro.
Castelos... Pedra a pedra revolvo o muro
Cercando a casa
Há lagos, jardins e um barbecue
Amigos que a porta deixou entrar, não eu
Todos me afogam os olhos com memórias
De Deuses que estabeleceram a ordem das coisas.
Que dúvida abstrata me persegue de luz acesa
À que responde sem ter palavras precisas?
Falta-me alguma coisa que desabotoe a angústia
Mas sem a sublimar... Quero destruir, não criar!
Quebrá-la na própria carne da vida
No tecido, dormente entre os olhos e o corpo
O tato do silêncio.
Racionalidade adjacente aos olhos
Oníricos e intemporais desejos: Pearl Harbor a preto e
branco é mais real
Com sangue ao fundo...
Não tragas os venenosos, passa-lhes a unha
Esventrando a cor, riscas esverdeadas, sangrentas, COGUMELOS,
Cinza humilhando a voz. O tempo passou aqui velozmente,
Desmagnetizou a carne dos ossos. A fuligem
Do vento, cidade fantasma predestinada ao ocaso.
Nenhum gene prossegue
Chave extinta.
A memória ficou do lado de fora do muro
Aonde dói menos.
Tecer as letras reinventando o código dos sons
Lápis auricular proliferando no gesto
Repetido, em todas as manhãs inquietas
A dança de um Julho que tarda
Cíclico de um norte desejado em todas as fugas
Tudo é repetidamente ordenado
Oleiro ancestral do meu silêncio à-beira-do-quarto
A dor da partida e chegada à tarde.
Pente trincando os cabelos desde o mamute
Reduzindo o círculo dos olhos-óculos, olhar que não arde.
Punhal traiçoeiro da glória que devassa o corpo
Sangue imortal que implode,
Devir infante que guardado em ânforas de barro.
Deixem-nos sem norte
Deixem-nos à noite que explode, à lua de ser outro!
Onde há moinhos de vento cosmopolitas
Debruçando a angústia
Tecelões de miragens e loucuras anãs...
Deixem-nos palmilhá-la e beber de gatas o sabor das manhãs.
Regresso à orla do corpo onde construo o instante
A vírgula arrefece o crepúsculo das células
Fico aquém dos sentidos lá fora
Tudo o que procuro é irremediavelmente distante
cá dentro...
1997, Nuzedo de Cima
C. A. Afonso
Tempo nunca semeado, a minha
Raiz do poente por sobre a espuma dos olhos...
Solidão que se apaga à beira do corpo
Inacessíveis crepúsculos de uma tarde que nunca se derrama.
E é o musgo dos dedos a tactear as margens do silêncio
Que reage ao unânime dos momentos.
Revolta que se extingue em mim sem rasgar o véu de
De todas as histórias que me inventam
Terra sem domínio onde os gritos não têm eco nas luzes
Onde todas as cinzas esventram o Sol,
Incolores as janelas árduas perscrutando os silêncios,
Abat-jours tecendo de lágrimas os eucaliptos na
Dinâmica dos pássaros à-beira-do-sono... gritos.
É isto das luzes extintas rejuvenescendo a manhã acesa
Por detrás dos olhos
Realidade incrédula, a outra claridade de mim ardendo nas
Criptas da una memória...
Séculos de herança dentro e fora dos olhos
Esses monstros acesos por detrás da infância.
Contar pelos dedos os momentos em que se repetem no mesmo erro
Hirto, um sol incessante no arrefecer da tarde
O quarto que emoldura os dias.
Sonhos que guardo no arco da porta.
Regresso. Regresso e a manhã acende-se de novo
De novo o irrepetível gesto
Na exatidão dos segundos
Os cabelos viciados pelo som da escova
Música serpenteando desde os mamutes errantes
O eco da espada mordendo a carne por entre os carros e
os pássaros...
Inventaram-me este Deus de modelar o corpo
E cegar de gestos instintivos
A vida neste ápice de agoras.
Mais tarde... Mais tarde arderá o silêncio dos genes
Rarefeitos...
Um outro Deus acenderá células
À sombra de outro sol
Aos domingos não haverá descanso porque a verdade é
una
Amarga como o sonho que se esqueceu no espelho da
primeira memória
A verdade
Passageira errante entre cinco sentidos finitos
Que desde a infância inscreve de angústia os lábios e os
olhos
Seio que adia a solidão para o fim da manhã
Joelhos regressando ao quarto, procurando a mamã
A luz que se apaga
“Dorme meu menino é estrela de alva”...
Esta família vai tecer-te as grades da prisão lá dentro
De ti... E terás a ilusão de que és livre
Nesta liberdade que existe desde os mamutes...
Desde que os seus ossos aprisionaram os primeiros cabelos...
Que outra explicação existe para os salmões
Essa ânsia de regresso ao passado da vida
Barco ao mar, o Cabo Bojador – Gil Eanes
Gesto que tece de manhãs cada asa
Irrepetíveis os olhos no ocaso das dunas
Crepuscular o tecido que reveste o gesto
Que traça o caminho da interioridade
Espelho occipital inquebrável
Construtor de todos os segredos inimagináveis
Gatinhar no silêncio imperfeito
Do quarto à sala, à cozinha apetecível
Gavetas que ocultam invioláveis segredos
Aquele gesto da boca repetido fora da mamã... Puxando
pelos dedos.
Ninguém compreende o meu grito
Vou conquistar este espaço que é meu... Mas em silêncio
Há sons que matam o movimento
Velhos de anteriores Restelos
Não quero esse chapéu de realidade ancestral
Procuro a vida de olhos fechados... No tato
A ferida matinal, o meu retrato.
Puzzles que retalho aos pedaços
Só desfeitos têm significado (sem desenho-cortes)
Quero desenhá-los e pintá-los à minha medida, não
vêem?
Não, porque os vossos olhos foram tecidos de cidades
De exatidões de passos circunscritos na alma
De século a século há manhãs repetidas
Palavras de lâminas que esventram as feridas,
Cá fora procuro a ordem das coisas, o modelo,
Mas lá dentro morro
Nem eu compreendo esse grito-socorro.
Castelos... Pedra a pedra revolvo o muro
Cercando a casa
Há lagos, jardins e um barbecue
Amigos que a porta deixou entrar, não eu
Todos me afogam os olhos com memórias
De Deuses que estabeleceram a ordem das coisas.
Que dúvida abstrata me persegue de luz acesa
À que responde sem ter palavras precisas?
Falta-me alguma coisa que desabotoe a angústia
Mas sem a sublimar... Quero destruir, não criar!
Quebrá-la na própria carne da vida
No tecido, dormente entre os olhos e o corpo
O tato do silêncio.
Racionalidade adjacente aos olhos
Oníricos e intemporais desejos: Pearl Harbor a preto e
branco é mais real
Com sangue ao fundo...
Não tragas os venenosos, passa-lhes a unha
Esventrando a cor, riscas esverdeadas, sangrentas, COGUMELOS,
Cinza humilhando a voz. O tempo passou aqui velozmente,
Desmagnetizou a carne dos ossos. A fuligem
Do vento, cidade fantasma predestinada ao ocaso.
Nenhum gene prossegue
Chave extinta.
A memória ficou do lado de fora do muro
Aonde dói menos.
Tecer as letras reinventando o código dos sons
Lápis auricular proliferando no gesto
Repetido, em todas as manhãs inquietas
A dança de um Julho que tarda
Cíclico de um norte desejado em todas as fugas
Tudo é repetidamente ordenado
Oleiro ancestral do meu silêncio à-beira-do-quarto
A dor da partida e chegada à tarde.
Pente trincando os cabelos desde o mamute
Reduzindo o círculo dos olhos-óculos, olhar que não arde.
Punhal traiçoeiro da glória que devassa o corpo
Sangue imortal que implode,
Devir infante que guardado em ânforas de barro.
Deixem-nos sem norte
Deixem-nos à noite que explode, à lua de ser outro!
Onde há moinhos de vento cosmopolitas
Debruçando a angústia
Tecelões de miragens e loucuras anãs...
Deixem-nos palmilhá-la e beber de gatas o sabor das manhãs.
Regresso à orla do corpo onde construo o instante
A vírgula arrefece o crepúsculo das células
Fico aquém dos sentidos lá fora
Tudo o que procuro é irremediavelmente distante
cá dentro...
1997, Nuzedo de Cima
C. A. Afonso
👁️ 28
A tua ilha na cidade
Deixa que eu te leve daqui
Por esse mar de ondas e de areia
Ao encontro de uma palmeira que seja única
Com água doce
E luz branca da noite
A testemunhar-nos a fuga.
Deixa essa ilha paraíso
Construir telhados e casas nos teus olhos
E construir ruas no teu corpo.
Depois, deita-te sobre a areia
E espera que as ondas de espuma te beijem os pés
Esquece tudo. Nesse instante encontras o que és.
1985, Lisboa
C. A. Afonso
Por esse mar de ondas e de areia
Ao encontro de uma palmeira que seja única
Com água doce
E luz branca da noite
A testemunhar-nos a fuga.
Deixa essa ilha paraíso
Construir telhados e casas nos teus olhos
E construir ruas no teu corpo.
Depois, deita-te sobre a areia
E espera que as ondas de espuma te beijem os pés
Esquece tudo. Nesse instante encontras o que és.
1985, Lisboa
C. A. Afonso
👁️ 10
Mãe
Onde estás mãe!
Não sabes que caí e magoei os joelhos?
Vê como estou cansado,
Quando corro com os amigos no colégio
São os teus olhos que trazem o sorriso ao meu rosto
E o sabor dos teus beijos que me curam das lágrimas que
verto, angústias da última queda nas brincadeiras do fim
da tarde.
Depois, apareces triste, de olhos murchos, como se eu
tivesse culpa por estares assim, como se tudo o que percorri
não tivesse sentido!
Não compreendes o brilho a cintilar nos meus olhos no
regresso a casa...
Nem as minhas birras por querer ficar mais tempo com
os amigos para te fazer ciúme e tu dizes que eu sou uma
criança teimosa.
Eu apenas quero disputar o teu tempo.
Impregnar a tua memória de mim.
E à noite!
Sabes que ainda tenho medo do escuro?
As cortinas, o luar incandescente redescobrindo monstros
dos contos de fadas, das televisões substitutas,
Dá-me a impressão de que há vazios que desconheço.
Fico inseguro, com medos abruptos na noite... Sento-me
na cama quando desperto aflito.
Tenho vontade de correr para junto de ti
Mas receio que não estejas à minha espera.
Tu dormes descansada e eu às vezes passeio pela casa
E entro no teu quarto e em silêncio
Afago-te o rosto
Deito um dos meus bonecos ao teu lado como se fosse eu,
Tu não percebes que era eu que desejava estar ali quando
acordas
E achas graça,
Eu finjo rir e percebo que não entendes nada do sonho
das crianças
Dos seus pesadelos e medos,
Dizes para que eu cresça depressa e faça tudo como se
fosse grande,
Mas eu tenho medo de ser grande!
Os grandes vivem tão sós,
Não percebem os desejos porque anseio
Nem as linguagens das coisas que fazem parte da vida.
Onde estás mãe?
Quando eu percebo que afinal também se morre
E não entendo a razão do mundo
Porque o meu amigo... Morreu!
Fico desesperado
E procuro-o em todos os caminhos que partilhámos
Sem perceber que ele partiu
Para a eternidade,
Dizes-me apenas que ele foi com os anjos bons
Mas que raio de bondade pode haver em alguém que
nos leva um amigo
Como posso entender que quem me rouba quem eu
amo é bom e gosta de mim?
Onde estás mãe
Nesta vida que percorro
Como se fosse uma tarde
E quando escurece
Não sei como quebrar este silêncio
Que há dentro de mim...
Sabes mãe,
Tenho aprendido que há coisas que nunca mais se
repetem!
Sinto que algo em mim se perde continuamente
Mas que tu não tens culpa,
É algo que vem de longe
Talvez já velho como o tempo
De uma mãe antiga que nunca encontrou o filho.
Mas tu mãe
Permanecerás nos traços dos meus pequenos gestos
Na oscilação suave e acrítica dos meus passos
Por detrás da memória de todos os meus afetos.
Estarás no mesmo jeito de eu estender os braços
Ao amor que um dia terei.
Mãe
Quando te encontrar afinal
Já te deixei...
(Àquele menino que estende os olhos e procura,
Procura uma explicação para os pássaros...aqueles que
respondem ao chamamento do inexplicável.)
1999, Cascais
C. A. Afonso
Não sabes que caí e magoei os joelhos?
Vê como estou cansado,
Quando corro com os amigos no colégio
São os teus olhos que trazem o sorriso ao meu rosto
E o sabor dos teus beijos que me curam das lágrimas que
verto, angústias da última queda nas brincadeiras do fim
da tarde.
Depois, apareces triste, de olhos murchos, como se eu
tivesse culpa por estares assim, como se tudo o que percorri
não tivesse sentido!
Não compreendes o brilho a cintilar nos meus olhos no
regresso a casa...
Nem as minhas birras por querer ficar mais tempo com
os amigos para te fazer ciúme e tu dizes que eu sou uma
criança teimosa.
Eu apenas quero disputar o teu tempo.
Impregnar a tua memória de mim.
E à noite!
Sabes que ainda tenho medo do escuro?
As cortinas, o luar incandescente redescobrindo monstros
dos contos de fadas, das televisões substitutas,
Dá-me a impressão de que há vazios que desconheço.
Fico inseguro, com medos abruptos na noite... Sento-me
na cama quando desperto aflito.
Tenho vontade de correr para junto de ti
Mas receio que não estejas à minha espera.
Tu dormes descansada e eu às vezes passeio pela casa
E entro no teu quarto e em silêncio
Afago-te o rosto
Deito um dos meus bonecos ao teu lado como se fosse eu,
Tu não percebes que era eu que desejava estar ali quando
acordas
E achas graça,
Eu finjo rir e percebo que não entendes nada do sonho
das crianças
Dos seus pesadelos e medos,
Dizes para que eu cresça depressa e faça tudo como se
fosse grande,
Mas eu tenho medo de ser grande!
Os grandes vivem tão sós,
Não percebem os desejos porque anseio
Nem as linguagens das coisas que fazem parte da vida.
Onde estás mãe?
Quando eu percebo que afinal também se morre
E não entendo a razão do mundo
Porque o meu amigo... Morreu!
Fico desesperado
E procuro-o em todos os caminhos que partilhámos
Sem perceber que ele partiu
Para a eternidade,
Dizes-me apenas que ele foi com os anjos bons
Mas que raio de bondade pode haver em alguém que
nos leva um amigo
Como posso entender que quem me rouba quem eu
amo é bom e gosta de mim?
Onde estás mãe
Nesta vida que percorro
Como se fosse uma tarde
E quando escurece
Não sei como quebrar este silêncio
Que há dentro de mim...
Sabes mãe,
Tenho aprendido que há coisas que nunca mais se
repetem!
Sinto que algo em mim se perde continuamente
Mas que tu não tens culpa,
É algo que vem de longe
Talvez já velho como o tempo
De uma mãe antiga que nunca encontrou o filho.
Mas tu mãe
Permanecerás nos traços dos meus pequenos gestos
Na oscilação suave e acrítica dos meus passos
Por detrás da memória de todos os meus afetos.
Estarás no mesmo jeito de eu estender os braços
Ao amor que um dia terei.
Mãe
Quando te encontrar afinal
Já te deixei...
(Àquele menino que estende os olhos e procura,
Procura uma explicação para os pássaros...aqueles que
respondem ao chamamento do inexplicável.)
1999, Cascais
C. A. Afonso
👁️ 21
Embriaguez
Não esperes que palavras indizíveis
Inventem sementes na minha boca
Quando o sono da aurora dos crepúsculos
Invada os teus olhos!
Vou!
Simplesmente,
Na mansidão das neblinas da manhã
Poisar a mão nos teus cabelos
E deslizar na embriaguez do teu corpo!
1991, Lisboa
C. A. Afonso
Inventem sementes na minha boca
Quando o sono da aurora dos crepúsculos
Invada os teus olhos!
Vou!
Simplesmente,
Na mansidão das neblinas da manhã
Poisar a mão nos teus cabelos
E deslizar na embriaguez do teu corpo!
1991, Lisboa
C. A. Afonso
👁️ 17
A tua ilha na praia
Deixa que os teus olhos
Se estendam livremente
De encontro ao mar
Abre os teus braços na areia escaldante.
Deixa as ondas de azul levar-te a mente
Para além das fronteiras
Do sonho da lua-cheia.
Depois regressa.
Regressa ao infinito espaço
Que rodeia o teu mundo
Traz o sonho nos braços
E não tenhas receio de acordar de repente
E encontrar na praia
Um mar de sargaços!
Se achares que é demais
Esse estar assim feliz
E em vez de sonho tu sintas que é um tormento!
Recorda-te que da vida tu és
Apenas aprendiz,
O que procuras é transformar em amor
O pensamento.
1985, Lisboa
C. A. Afonso
Se estendam livremente
De encontro ao mar
Abre os teus braços na areia escaldante.
Deixa as ondas de azul levar-te a mente
Para além das fronteiras
Do sonho da lua-cheia.
Depois regressa.
Regressa ao infinito espaço
Que rodeia o teu mundo
Traz o sonho nos braços
E não tenhas receio de acordar de repente
E encontrar na praia
Um mar de sargaços!
Se achares que é demais
Esse estar assim feliz
E em vez de sonho tu sintas que é um tormento!
Recorda-te que da vida tu és
Apenas aprendiz,
O que procuras é transformar em amor
O pensamento.
1985, Lisboa
C. A. Afonso
👁️ 17
Lembrança breve
Caminhei com os teus pés, criança,
Saltei e brinquei aqui e além, no fim do mundo,
Voei por entre nuvens de esperança
Sonhei milhares de vidas esquecidas num segundo.
Caminhei com os teus pés criança
Caminhei cem tristezas, cem preocupações
A noite mais longa não era para mim tardança
Caía-me no peito, desfeita em mil corações.
Caminhei com os teus pés criança
Andei pelos caminhos que a vida me deu
Vida de tanto movimento e no fundo tão mansa
Vida que nos meus olhos, em ti não morreu….
(Á criança que um dia me acompanhou numa rua de Lisboa; não soube o seu nome nem a sua idade, soube apenas que andava na 4ª Classe.)
Junho de 1979, Lisboa
C. A. Afonso
Saltei e brinquei aqui e além, no fim do mundo,
Voei por entre nuvens de esperança
Sonhei milhares de vidas esquecidas num segundo.
Caminhei com os teus pés criança
Caminhei cem tristezas, cem preocupações
A noite mais longa não era para mim tardança
Caía-me no peito, desfeita em mil corações.
Caminhei com os teus pés criança
Andei pelos caminhos que a vida me deu
Vida de tanto movimento e no fundo tão mansa
Vida que nos meus olhos, em ti não morreu….
(Á criança que um dia me acompanhou numa rua de Lisboa; não soube o seu nome nem a sua idade, soube apenas que andava na 4ª Classe.)
Junho de 1979, Lisboa
C. A. Afonso
👁️ 10
Ode à poesia
Sentado por sobre a areia
Fresca e suave
Recordo o velho tempo
Em que falámos
Do futuro,
Tempo com mãos de asas de ave
De nome liberdade.
Será que o acordámos?
Talvez (que) sim.
A ave pousou suavemente
Nos ombros do meu sonho
Agreste e indomável
E vi-me,
Vi-nos misturados na vida com a gente
Que não tem sonhos e arrasta os nossos.
É provável,
Que um dia a maré encha
E inunde a areia
Onde tu estás tranquila,
A pensar o passado,
E esse sonho se reveja (perdido)
Na maré cheia
Desfeito sobre as águas
Como um barco (naufragado)...
E que tu fiques
Inundada de dúvida e espanto
Sobre as razões
Do teu alheamento ao sonho:
O que contemplas tranquila
E ausente a um canto
Com tâmaras nos bolsos,
Num deserto infindável e medonho
Tu,
Recanto perdido dos Poetas que enlouquecem
Nesse local onde o sonho é vivo,
E que não existe
Para mais ninguém
Só eles acreditam e adoecem
E morrem para o mundo,
É a sorte de quem persiste
Em cumprir essa ideia
Amarelecida ao vento
Já com séculos de vida,
E mata noite e dia.
Essa ideia
Que a poucos leva ao firmamento
Mas que vale a pena vivê-la na terra:
Poesia...
Tu és
Aquela enxerga de palha onde eu
Repouso e sonho
Esse sonho terno e suave,
Que me descobre
Em cada palavra e desceu
Até mim
E transbordou-me e já não cabe
No que eu sou
E estendo-o nestas palavras rasgadas
Ao vento,
Ligadas à memória como a terra
À sepultura
Brisas de séculos cansadas
A adormecer os olhos
De quem as lê e erra.
Tu és essa dor humana
Que vela o meu sono
A que desperta o espanto
Da realidade exterior
Dor que esventra
E depois deixa ao abandono
Dos algozes vorazes,
De outras formas de dor;
És tudo o que consome a vida
Sem explicação,
Sentido dos passos,
Sem sentido e sem cessar,
A voz trémula ao espelho,
Os dedos no coração
Os olhos no infinito,
Acabados de fechar.
1995, Sintra
C. A. Afonso
Fresca e suave
Recordo o velho tempo
Em que falámos
Do futuro,
Tempo com mãos de asas de ave
De nome liberdade.
Será que o acordámos?
Talvez (que) sim.
A ave pousou suavemente
Nos ombros do meu sonho
Agreste e indomável
E vi-me,
Vi-nos misturados na vida com a gente
Que não tem sonhos e arrasta os nossos.
É provável,
Que um dia a maré encha
E inunde a areia
Onde tu estás tranquila,
A pensar o passado,
E esse sonho se reveja (perdido)
Na maré cheia
Desfeito sobre as águas
Como um barco (naufragado)...
E que tu fiques
Inundada de dúvida e espanto
Sobre as razões
Do teu alheamento ao sonho:
O que contemplas tranquila
E ausente a um canto
Com tâmaras nos bolsos,
Num deserto infindável e medonho
Tu,
Recanto perdido dos Poetas que enlouquecem
Nesse local onde o sonho é vivo,
E que não existe
Para mais ninguém
Só eles acreditam e adoecem
E morrem para o mundo,
É a sorte de quem persiste
Em cumprir essa ideia
Amarelecida ao vento
Já com séculos de vida,
E mata noite e dia.
Essa ideia
Que a poucos leva ao firmamento
Mas que vale a pena vivê-la na terra:
Poesia...
Tu és
Aquela enxerga de palha onde eu
Repouso e sonho
Esse sonho terno e suave,
Que me descobre
Em cada palavra e desceu
Até mim
E transbordou-me e já não cabe
No que eu sou
E estendo-o nestas palavras rasgadas
Ao vento,
Ligadas à memória como a terra
À sepultura
Brisas de séculos cansadas
A adormecer os olhos
De quem as lê e erra.
Tu és essa dor humana
Que vela o meu sono
A que desperta o espanto
Da realidade exterior
Dor que esventra
E depois deixa ao abandono
Dos algozes vorazes,
De outras formas de dor;
És tudo o que consome a vida
Sem explicação,
Sentido dos passos,
Sem sentido e sem cessar,
A voz trémula ao espelho,
Os dedos no coração
Os olhos no infinito,
Acabados de fechar.
1995, Sintra
C. A. Afonso
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C. A. Afonso
Nascido em 1962 em Nuzedo de Cima-Vinhais, Licenciado em Psicologia Clínica e representado pela Ordem dos Psicólogos, Mestrado em Comportamento Desviante e a desenvolver Doutoramento em Ciências Forenses.
Foi Oficial Miliciano no Centro de Instrução em Operações Especiais-RANGERS em Lamego de 1983-1985.
Encontra-se desde outubro de 2022 na disponibilidade depois de 37 anos consecutivos ao serviço da Polícia Judiciária, onde foi coordenador de investigação criminal na Secção de Informação da Unidade de Cibercrime.
É formador certificado pelo IEFP e pelo Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
É Diretor de Psicodrama , Sócio Titular da Sociedade Portuguesa de Psicodrama tendo realizado a supervisão clínica com o Professor José Luís Pio de Abreu de Coimbra e Professor Roma Torres do Porto.
Professor Convidado pelo ISCSP desde 2012 na Pós-Graduação de Antropologia Biológica e Forense onde fundou o Tema de PROFILLING CRIMINAL.
Foi dirigente da ASFICPJ, fundador do Gabinete de Psicologia e Aconselhamento deste sindicato, Gabinete que dirigiu de 2005 a 2022.
Diretor da Revista de Investigação Criminal e Ciências Forenses pertencente a este sindicato da Polícia Judiciária de 2019 a 2022.
Fundador do Observatório da Investigação Criminal e Ciências Forenses e da Associação Portuguesa de Psicologia Judiciária e Ciências Forenses.
Fundador da Academia de Letras de Trás-os-Montes da qual é o Sócio nº 3.
Associado da Academia de Letras e Artes de Portugal.
Participou em diversos programas televisivos sobre criminalidade, nomeadamente nos Casos O Estripador de Lisboa para TVI e ANÓNIMOS na RTP1 e comentou muitos outros casos mediáticos nacionais e estrangeiros.
Representado pela Sociedade Portuguesa de Autores e é autor de diversos Livros nas modalidades de Poesia, Romance e Conto, tendo iniciado a sua atividade literária nos Jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Poetas e Trovadores.
Três dos seus livros fazem parte do plano nacional de leitura em escolas nacionais como o caso do romance A ESPADA DE SANTA MARIA, em Portimão e Aveiro, ANTOLOGIA BREVE em Portimão e A HORA DO LOBO em Caldas da Rainha.
Tem efetuado diversas intervenções em escolas um pouco por todo o país nomeadamente em Lisboa, Leiria, Aveiro, Portimão, Guimarães, Angra do Heroísmo, Ferreira do Alentejo, Caldas da Rainha entre outros.
A sua poesia e contos foram ainda trabalhados como tema anual em escolas noutros países de língua portuguesa como foi em São Paulo - Brasil onde participou em debates com alunos e professores através de ligações online.
Em termos bibliográficos tem uma obra dispersa no tempo que se iniciou em 1982 e prossegue até aos dias de hoje conforme seguidamente descrita:
BIBLIOGRAFIA:
Edições individuais:
1982 - A Sombra da Minha, Poesia.
1995 – Paisagem da Lua-verde, Poesia
1996 – Circulo Ardente, Poesia,
2014 - A Espada de Santa Maria, Romance.
2018 – A Hora do Lobo, Contos de Montesinho
2018 – Antologia Breve, Poesia, Antologia Poética.
2020 – A Forma das Horas, Poesia, Antologia Poética.
Coletivos:
1986- III Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, Poesia. Lisboa.
1996 – Bosque Flutuante, Poesia, Antologia Poética contemporânea. Lisboa.
1998 – Um outro olhar, Poesia e Conto, Colectânea da Polícia Judiciária. Lisboa.
2016 – Love Box de Ricardo Passos, Textos de vários autores e ilustrações de Ricardo Passos. Lisboa.
2019 – Poetas D’hoje Cantam a Saudade, Colectânea do Grupo de Poesia Beira Ria – Aveiro.
2022 – Um diamante de histórias, Colectânea de contos da Polícia Judiciária. Lisboa.
Páginas facebook:
https://www.facebook.com/cesar.alexandre.77128/
https://www.facebook.com/cesar.afonso.10/
https://www.facebook.com/psicologiajudiciaria/
https://www.facebook.com/contosdemontesinho/
https://www.facebook.com/clubeleiturafernandopessoa/
https://www.facebook.com/cadernosibericos/
Nascido em 1962 em Nuzedo de Cima-Vinhais, Licenciado em Psicologia Clínica e representado pela Ordem dos Psicólogos, Mestrado em Comportamento Desviante e a desenvolver Doutoramento em Ciências Forenses.
Foi Oficial Miliciano no Centro de Instrução em Operações Especiais-RANGERS em Lamego de 1983-1985.
Encontra-se desde outubro de 2022 na disponibilidade depois de 37 anos consecutivos ao serviço da Polícia Judiciária, onde foi coordenador de investigação criminal na Secção de Informação da Unidade de Cibercrime.
É formador certificado pelo IEFP e pelo Instituto de Polícia Judiciária e Ciências Criminais.
É Diretor de Psicodrama , Sócio Titular da Sociedade Portuguesa de Psicodrama tendo realizado a supervisão clínica com o Professor José Luís Pio de Abreu de Coimbra e Professor Roma Torres do Porto.
Professor Convidado pelo ISCSP desde 2012 na Pós-Graduação de Antropologia Biológica e Forense onde fundou o Tema de PROFILLING CRIMINAL.
Foi dirigente da ASFICPJ, fundador do Gabinete de Psicologia e Aconselhamento deste sindicato, Gabinete que dirigiu de 2005 a 2022.
Diretor da Revista de Investigação Criminal e Ciências Forenses pertencente a este sindicato da Polícia Judiciária de 2019 a 2022.
Fundador do Observatório da Investigação Criminal e Ciências Forenses e da Associação Portuguesa de Psicologia Judiciária e Ciências Forenses.
Fundador da Academia de Letras de Trás-os-Montes da qual é o Sócio nº 3.
Associado da Academia de Letras e Artes de Portugal.
Participou em diversos programas televisivos sobre criminalidade, nomeadamente nos Casos O Estripador de Lisboa para TVI e ANÓNIMOS na RTP1 e comentou muitos outros casos mediáticos nacionais e estrangeiros.
Representado pela Sociedade Portuguesa de Autores e é autor de diversos Livros nas modalidades de Poesia, Romance e Conto, tendo iniciado a sua atividade literária nos Jornais Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Poetas e Trovadores.
Três dos seus livros fazem parte do plano nacional de leitura em escolas nacionais como o caso do romance A ESPADA DE SANTA MARIA, em Portimão e Aveiro, ANTOLOGIA BREVE em Portimão e A HORA DO LOBO em Caldas da Rainha.
Tem efetuado diversas intervenções em escolas um pouco por todo o país nomeadamente em Lisboa, Leiria, Aveiro, Portimão, Guimarães, Angra do Heroísmo, Ferreira do Alentejo, Caldas da Rainha entre outros.
A sua poesia e contos foram ainda trabalhados como tema anual em escolas noutros países de língua portuguesa como foi em São Paulo - Brasil onde participou em debates com alunos e professores através de ligações online.
Em termos bibliográficos tem uma obra dispersa no tempo que se iniciou em 1982 e prossegue até aos dias de hoje conforme seguidamente descrita:
BIBLIOGRAFIA:
Edições individuais:
1982 - A Sombra da Minha, Poesia.
1995 – Paisagem da Lua-verde, Poesia
1996 – Circulo Ardente, Poesia,
2014 - A Espada de Santa Maria, Romance.
2018 – A Hora do Lobo, Contos de Montesinho
2018 – Antologia Breve, Poesia, Antologia Poética.
2020 – A Forma das Horas, Poesia, Antologia Poética.
Coletivos:
1986- III Antologia de Poesia Portuguesa Contemporânea, Poesia. Lisboa.
1996 – Bosque Flutuante, Poesia, Antologia Poética contemporânea. Lisboa.
1998 – Um outro olhar, Poesia e Conto, Colectânea da Polícia Judiciária. Lisboa.
2016 – Love Box de Ricardo Passos, Textos de vários autores e ilustrações de Ricardo Passos. Lisboa.
2019 – Poetas D’hoje Cantam a Saudade, Colectânea do Grupo de Poesia Beira Ria – Aveiro.
2022 – Um diamante de histórias, Colectânea de contos da Polícia Judiciária. Lisboa.
Páginas facebook:
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