Lista de Poemas
Das usanças do viver
quando o sol
embutido no mundo
desregrar sua luz
em cada ponto
e a mansidão dos homens
alardear a manhã
eu chamarei Sepé Tiaraju
para desbravar um tempo
em que estaremos juntos
na construção de todos.
Nenhuma pedra então
tomará seu curso
e a vida carregará a vida
apenas como uso.
embutido no mundo
desregrar sua luz
em cada ponto
e a mansidão dos homens
alardear a manhã
eu chamarei Sepé Tiaraju
para desbravar um tempo
em que estaremos juntos
na construção de todos.
Nenhuma pedra então
tomará seu curso
e a vida carregará a vida
apenas como uso.
👁️ 119
De olhos e tempos em trânsito
olhar o tempo
sempre tange
tudo que é de nós
e que está longe
é que cabe ao homem
olhar com olhos de hoje
o que fora ontem
e descontruir os futuros
de tudo que lhe constrange
sempre tange
tudo que é de nós
e que está longe
é que cabe ao homem
olhar com olhos de hoje
o que fora ontem
e descontruir os futuros
de tudo que lhe constrange
👁️ 129
De lutas e dizeres
estava dito:
tudo que palavra
me exercita
deixa um gosto de luta
pela vida
estava dito:
tudo que luta
me instiga
a deixar o coração
pela avenida.
é que ao homem
sempre se dá
a possibilidade da vida.
tudo que palavra
me exercita
deixa um gosto de luta
pela vida
estava dito:
tudo que luta
me instiga
a deixar o coração
pela avenida.
é que ao homem
sempre se dá
a possibilidade da vida.
👁️ 54
de verbos e informes
A informação
se ajusta
aos moldes de quem a usa
forja na mente
uma desculpa
de quem navega
todas as notícias
de uma culpa
e se desconforma
adredemente
o conteúdo
de quem se procura.
A informação
abusa
de vínculos
tudo que lhe diz respeito
é como estrada competente
que tanto mais se caminha tanto
menos passos consente
a informação
é noturna em suas fontes
a claridade ofusca os verbos
de quem pune
e não se trai enorme
como quem se retrai
em tudo que não pode
a informação
é transversa
o sentido que indica
tergiversa e pondera
como as coisas que os homens
amiúde lhe oneram
a informação
é transeunte
nenhum caminho lhe estanca
ou resume
a expansão é sempre a norma
do que lhe assume
a informação
mais que sinapse
é contradita
dos pensamentos
que se tem em vista
pois escorrega do cérebro
aos borbotões
como se fora notícia
e rebelião
que os verbos arrumam
em todos os seus vãos
a informação
rasga a realidade
em contrafação
e o que é dito se escreve
com tintas desconexas
criando o teatro enorme
de uma vida paralela
mas no fundo
a informação carrega
tudo que ao homem
assim onera
uma certeza de gestar o mundo
por cima de qualquer pedra.
se ajusta
aos moldes de quem a usa
forja na mente
uma desculpa
de quem navega
todas as notícias
de uma culpa
e se desconforma
adredemente
o conteúdo
de quem se procura.
A informação
abusa
de vínculos
tudo que lhe diz respeito
é como estrada competente
que tanto mais se caminha tanto
menos passos consente
a informação
é noturna em suas fontes
a claridade ofusca os verbos
de quem pune
e não se trai enorme
como quem se retrai
em tudo que não pode
a informação
é transversa
o sentido que indica
tergiversa e pondera
como as coisas que os homens
amiúde lhe oneram
a informação
é transeunte
nenhum caminho lhe estanca
ou resume
a expansão é sempre a norma
do que lhe assume
a informação
mais que sinapse
é contradita
dos pensamentos
que se tem em vista
pois escorrega do cérebro
aos borbotões
como se fora notícia
e rebelião
que os verbos arrumam
em todos os seus vãos
a informação
rasga a realidade
em contrafação
e o que é dito se escreve
com tintas desconexas
criando o teatro enorme
de uma vida paralela
mas no fundo
a informação carrega
tudo que ao homem
assim onera
uma certeza de gestar o mundo
por cima de qualquer pedra.
👁️ 80
Das virtudes teologais em avessa lógica
nunca creio.
o fato é invólucro
de relativos efeitos
o que era hoje
pode ser um ontem desfeito
sempre creio.
o fato é notícia
de tempos incautos
que permitem o povo
nos seus saltos.
O desejo
é só uma dança
que o futuro diz
da esperança
é que trazê-la avulsa
pelas praças
é o sentido da luta
em que nos lançam
o amor
sempre é um comício
nada do que lhe tange
é indício
sua razão é peregrina
de fatos e notícias
como uma estrada estendida
da largura exata da vida.
o fato é invólucro
de relativos efeitos
o que era hoje
pode ser um ontem desfeito
sempre creio.
o fato é notícia
de tempos incautos
que permitem o povo
nos seus saltos.
O desejo
é só uma dança
que o futuro diz
da esperança
é que trazê-la avulsa
pelas praças
é o sentido da luta
em que nos lançam
o amor
sempre é um comício
nada do que lhe tange
é indício
sua razão é peregrina
de fatos e notícias
como uma estrada estendida
da largura exata da vida.
👁️ 78
De sonhos como sentido
futuros
,
engavetados na memória,
sonhos dizem apenas
o óbvio: sonhos
são apenas os tempos
do que eu posso.
engavetados na memória,
sonhos dizem apenas
o óbvio: sonhos
são apenas os tempos
do que eu posso.
👁️ 62
das temporalidades e outros raciocínios
nunca
é um tempo escasso
tudo que lhe mede
é o desabraço
a vida nunca é nunca
apesar de tudo que me faça
sempre
é um tempo restrito
tudo que lhe mede
é a certeza dos instintos
a vida sempre é larga
nas palavras do que eu sinta.
é um tempo escasso
tudo que lhe mede
é o desabraço
a vida nunca é nunca
apesar de tudo que me faça
sempre
é um tempo restrito
tudo que lhe mede
é a certeza dos instintos
a vida sempre é larga
nas palavras do que eu sinta.
👁️ 137
De gentes e carimbos
o funcionário
lança o despacho
como quem subscreve
um desabraço
nada do que é vida
lhe constata
apenas uma grave inapetência
e algum cansaço
o funcionário
nas entrelinhas
desmede a vida e a desídia
como se o carimbo fosse o leito
de todas as notícias
e urge em trânsito
pelos meandros do papel
e nos verbos de um chefe
de militares decibéis
o funcionário
assina sua sentença
nada do que é a vida
lhe convém
o funcionário
ao indicar-se tácito
alinha os carimbos de sua vida
em todos os seus atos
como se pudesse inventar
o trânsito de todos os seus passos
é que nada lhe sobra como viés
do que não fosse inexato:
palavras não serão verdadeiras
quando impressas em sobressalto
o funcionário lida com o papel
com a mesma solicitude
com que desmancha os borrões
de suas atitudes
o leito da sua lida
é de tamanha completude
que chega a parecer uma saída
das portas todas em que urge
o funcionário
tem da ordem a compreensão
de que o mundo se ordena
em todos os nãos
nada do que seja seu sim
pode lhe estar à mão
o funcionário
tem da lei
a exata compostura
de um verbo que não transita
no meio de suas ruas
é que lhe falta a textura
das grandes avenidas
com que os chefes alinham
o fulgor de suas vidas
II
o carimbo leva o funcionário
com os freios todos da vida
como se verbos fossem cadeias
que apreendessem adjetivos
que indicassem o rumo das gentes
ou que desfizessem os indícios
de que a liberdade é o destino
de todos os exercícios
o carimbo trunca o funcionário
na sua veia mais latente
que lhe joga contra a sentença
de tudo que não se consente
como se a vontade do homem
fosse matéria incoerente
é que lhe ordena a ordem
assim estabelecida
que um carimbo vale mais
que qualquer de suas vitimas
pois subentende a partição
das coisas todas da vida
o carimbo assim aposto
é um latifúndio resumido
dos verbos todos que o chefe
traz como subentendidos
e que lhe cobram os dirigentes
em todos os seus sentidos
III
o ente público
não tem veias
o sangue que lhe promove
é a certeza
de que os lucros serão privados
em sua toda inteireza
o ente público
por dentro da lei
é dito como se fora
a social sensatez
que vige em cada humano
na sua feição mais lúdica
com ares de particular
na sua razão mais pública
o ente público
é tão desnaturado
que um carimbo, às vezes,
lhe trai a incerteza
de que nunca foi coletivo
apesar da natureza
IV
a assinatura
posta no carimbo
comprova a razão
de todos os destinos
nada do que seja verbo
é tão cristalino
e mesmo quando não aposto
em sua forma mais crua
o carimbo informatizado
tem a mesma compostura
pois quando se assina a razão
se assassina a textura
de um carimbo tão avançado
apesar da escravatura
cada verbo do carimbo
é a contradição
de quem inverte a vida
com a mesma satisfação
com que se contém a ordem
nas vias todas do não
V
e assim o funcionário
nessa lida incoerente
destrava cada carimbo
e se trava em cada ente
em mostrar que toda ordem
quando posta adredemente
desvincula a vida da vida
e rói o sonho da gente
lança o despacho
como quem subscreve
um desabraço
nada do que é vida
lhe constata
apenas uma grave inapetência
e algum cansaço
o funcionário
nas entrelinhas
desmede a vida e a desídia
como se o carimbo fosse o leito
de todas as notícias
e urge em trânsito
pelos meandros do papel
e nos verbos de um chefe
de militares decibéis
o funcionário
assina sua sentença
nada do que é a vida
lhe convém
o funcionário
ao indicar-se tácito
alinha os carimbos de sua vida
em todos os seus atos
como se pudesse inventar
o trânsito de todos os seus passos
é que nada lhe sobra como viés
do que não fosse inexato:
palavras não serão verdadeiras
quando impressas em sobressalto
o funcionário lida com o papel
com a mesma solicitude
com que desmancha os borrões
de suas atitudes
o leito da sua lida
é de tamanha completude
que chega a parecer uma saída
das portas todas em que urge
o funcionário
tem da ordem a compreensão
de que o mundo se ordena
em todos os nãos
nada do que seja seu sim
pode lhe estar à mão
o funcionário
tem da lei
a exata compostura
de um verbo que não transita
no meio de suas ruas
é que lhe falta a textura
das grandes avenidas
com que os chefes alinham
o fulgor de suas vidas
II
o carimbo leva o funcionário
com os freios todos da vida
como se verbos fossem cadeias
que apreendessem adjetivos
que indicassem o rumo das gentes
ou que desfizessem os indícios
de que a liberdade é o destino
de todos os exercícios
o carimbo trunca o funcionário
na sua veia mais latente
que lhe joga contra a sentença
de tudo que não se consente
como se a vontade do homem
fosse matéria incoerente
é que lhe ordena a ordem
assim estabelecida
que um carimbo vale mais
que qualquer de suas vitimas
pois subentende a partição
das coisas todas da vida
o carimbo assim aposto
é um latifúndio resumido
dos verbos todos que o chefe
traz como subentendidos
e que lhe cobram os dirigentes
em todos os seus sentidos
III
o ente público
não tem veias
o sangue que lhe promove
é a certeza
de que os lucros serão privados
em sua toda inteireza
o ente público
por dentro da lei
é dito como se fora
a social sensatez
que vige em cada humano
na sua feição mais lúdica
com ares de particular
na sua razão mais pública
o ente público
é tão desnaturado
que um carimbo, às vezes,
lhe trai a incerteza
de que nunca foi coletivo
apesar da natureza
IV
a assinatura
posta no carimbo
comprova a razão
de todos os destinos
nada do que seja verbo
é tão cristalino
e mesmo quando não aposto
em sua forma mais crua
o carimbo informatizado
tem a mesma compostura
pois quando se assina a razão
se assassina a textura
de um carimbo tão avançado
apesar da escravatura
cada verbo do carimbo
é a contradição
de quem inverte a vida
com a mesma satisfação
com que se contém a ordem
nas vias todas do não
V
e assim o funcionário
nessa lida incoerente
destrava cada carimbo
e se trava em cada ente
em mostrar que toda ordem
quando posta adredemente
desvincula a vida da vida
e rói o sonho da gente
👁️ 101
Desmedida II
não é de ser absoluta
a parte que se tenha infinita
antes é de tê-la provisória
coincidente ao modo de uma luta
travada sempre entre o um e o todo
e tudo que equilibra essa disputa
não é de ser também restrita
a parte que se tenha assim medida
antes é de tê-la infinita
avara, porque inconseqüente,
no rol de suas desmedidas.
a parte que se tenha infinita
antes é de tê-la provisória
coincidente ao modo de uma luta
travada sempre entre o um e o todo
e tudo que equilibra essa disputa
não é de ser também restrita
a parte que se tenha assim medida
antes é de tê-la infinita
avara, porque inconseqüente,
no rol de suas desmedidas.
👁️ 126
Das mesuras da vida em tamanhos
é que lhe falta o tamanho
de se dizer tão pouca
como se não lhe bastasse a razão
de se dizer avante
e contradissesse qualquer número
que lhe soubesse bastante
a vida, quase sempre,
é um contrato recorrente
nada que lhe constranja
entorna o tempo da gente
é que lhe sobra um certo quê
de parecer diferente.
de se dizer tão pouca
como se não lhe bastasse a razão
de se dizer avante
e contradissesse qualquer número
que lhe soubesse bastante
a vida, quase sempre,
é um contrato recorrente
nada que lhe constranja
entorna o tempo da gente
é que lhe sobra um certo quê
de parecer diferente.
👁️ 120
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.