Lista de Poemas
Das intimações da alegria e seus mandamentos
fica decidido:
nada do que é humano
é menor que um sorriso.
antes é tanto
em tamanho e gesta
como cachoeira itinerante
dos rios a que se empresta.
fica decidido:
nada do que é tanto
é maior que cada ofício
é que lhe tange
na urdidura do jeito
um construir-se do homem
na condição de sujeito
fica decidido:
tudo que é do homem
vale menos
que seu riso
é que lhe sobra a razão
de ser assim coletivo
como se fora de todos
a construção do sorriso
fica decidido:
tudo que é o outro
é a condição do meu ofício.
nada do que é humano
é menor que um sorriso.
antes é tanto
em tamanho e gesta
como cachoeira itinerante
dos rios a que se empresta.
fica decidido:
nada do que é tanto
é maior que cada ofício
é que lhe tange
na urdidura do jeito
um construir-se do homem
na condição de sujeito
fica decidido:
tudo que é do homem
vale menos
que seu riso
é que lhe sobra a razão
de ser assim coletivo
como se fora de todos
a construção do sorriso
fica decidido:
tudo que é o outro
é a condição do meu ofício.
👁️ 98
Da urbana sina
A cidade
regurgita
tudo que lhe tange
é à vista
a cidade
explicita
uma ordem morta
que desordena
sua lógica
tudo que é de todos
não importa
a cidade mesmo viva
morre seu futuro
em cada porta.
regurgita
tudo que lhe tange
é à vista
a cidade
explicita
uma ordem morta
que desordena
sua lógica
tudo que é de todos
não importa
a cidade mesmo viva
morre seu futuro
em cada porta.
👁️ 71
das intermitências do tempo
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos juntos
o infinito
e nem o passado
é tão conciso
há um futuro dele
impreterivelmente desmedido
👁️ 97
Das contradições e dos manifestos
meu olho
gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só distância
de medir amplitudes
sempre nasço de mim
quando pude.
gruda no céu
com a mesma desenvoltura
com que, escafandro de mim,
revolvo minhas culpas
tudo é só distância
de medir amplitudes
sempre nasço de mim
quando pude.
👁️ 84
Das avenças e dos ritmos
o absoluto
não existe
tudo por que se luta
está em riste
é como se nada do que é tanto
permitisse a exata medida
de dizer-se menos
que os ritmos da vida
tudo que é perfeito
talvez consiga
escrever-se incompleto
nessa medida
e aventar-se humano
na completude do que diga
não existe
tudo por que se luta
está em riste
é como se nada do que é tanto
permitisse a exata medida
de dizer-se menos
que os ritmos da vida
tudo que é perfeito
talvez consiga
escrever-se incompleto
nessa medida
e aventar-se humano
na completude do que diga
👁️ 111
Das íntimas refregas
a vida
é um armistício
entre o que faço
e o que digo
o verbo e o braço
apenas consolidam
esta dimensão
dos meus indícios
a guerra é só um descompasso
do pulsar do meu ofício
é um armistício
entre o que faço
e o que digo
o verbo e o braço
apenas consolidam
esta dimensão
dos meus indícios
a guerra é só um descompasso
do pulsar do meu ofício
👁️ 134
Das larguras do sonho e seus detalhes
o sonho
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
é sempre coletivo
tudo que lhe tange
é infinito
e, mesmo particular,
dá-se ao desplante
de parecer viés
de todos horizontes
é que lhe sobra uma nesga
de matéria itinerante
que conjuga todos os passos
de quem esteja sonhante.
👁️ 85
das impossibilidades do tudo
eu só sou
se puder não sê-lo
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazê-lo
nada do que é absoluto
me permite vivê-lo
na relatividade intrinseca
dos meus medos.
se puder não sê-lo
é que só cabe em mim
a possibilidade de fazê-lo
nada do que é absoluto
me permite vivê-lo
na relatividade intrinseca
dos meus medos.
👁️ 89
Das andaduras e intimidades do tempo
caminho simplesmente
a vida é a estrada
tudo que lhe tange
é meu passo e minha fala
o outro é o caminho
que inventa meu andar
como se fora bússola
de todos os meus mares
minha direção é o tempo
nas horas dos meus passos
o futuro é apenas o invólucro
de todos os meus abraços
a vida é a estrada
tudo que lhe tange
é meu passo e minha fala
o outro é o caminho
que inventa meu andar
como se fora bússola
de todos os meus mares
minha direção é o tempo
nas horas dos meus passos
o futuro é apenas o invólucro
de todos os meus abraços
👁️ 100
Das infantes vidas em rumo aberto
a vida de Severino
tinha uns nós engraçados
quanto mais lhe apertava a angústia
mais lhe afrouxava a gravata
é certo que não tinha Londres
para remoer suas tristezas
ao som intransponível
e fluido das metrópoles
mas, no fundo de si,
guardava uma noite inteira
que bem poderia caber em Londres
com um quê de brasileira.
A alma que levava
presa no vão do cérebro
era dessas comuns
que pastam a Europa
e se empanturram da América.
Ah se lhe coubera
um futuro exato
dentro dos pés
no meio dos passos!
Mas o futuro
sorria complexo
travoso e irremediável
o gosto da liberdade.
Os cachos da mulher
que seu amor vestia
cheiravam a rosa
embrulhada nos abraços
corroendo o dia
mas o infinito
teimava em não lhe vir à mão
para que o despejasse
incólume e transparente
sobre seu corpo de flor
ou de mulher e gente.
Dos olhos de seus irmãos
como um concreto estranho
pendiam grossas lágrimas
que a custo desabavam
e se partiam amarelecidas
na espinha bruta das calçadas.
Tinha uns nós engraçados
a vida de Severino
quanto mais vivia o homem
queria ser menino
e empinar os sonhos
como uma pipa urgente
e não tão murchos
como os olhos do seu povo
queria coser os risos
numa imensa colcha
e deitá-la nas costas
da gente brasileira.
Queria ter um dia guardado
em cada bolso da camisa
pra jogá-los no meio das noites
que se teimam infinitas.
De cada nó
partia uma ponta do corpo
e eram nós desatáveis
apesar de muito esforço
tinha a largura tanta
do gosto da injustiça
costurado ao chão do mundo
como uma telúrica intriga.
tinha uns nós engraçados
quanto mais lhe apertava a angústia
mais lhe afrouxava a gravata
é certo que não tinha Londres
para remoer suas tristezas
ao som intransponível
e fluido das metrópoles
mas, no fundo de si,
guardava uma noite inteira
que bem poderia caber em Londres
com um quê de brasileira.
A alma que levava
presa no vão do cérebro
era dessas comuns
que pastam a Europa
e se empanturram da América.
Ah se lhe coubera
um futuro exato
dentro dos pés
no meio dos passos!
Mas o futuro
sorria complexo
travoso e irremediável
o gosto da liberdade.
Os cachos da mulher
que seu amor vestia
cheiravam a rosa
embrulhada nos abraços
corroendo o dia
mas o infinito
teimava em não lhe vir à mão
para que o despejasse
incólume e transparente
sobre seu corpo de flor
ou de mulher e gente.
Dos olhos de seus irmãos
como um concreto estranho
pendiam grossas lágrimas
que a custo desabavam
e se partiam amarelecidas
na espinha bruta das calçadas.
Tinha uns nós engraçados
a vida de Severino
quanto mais vivia o homem
queria ser menino
e empinar os sonhos
como uma pipa urgente
e não tão murchos
como os olhos do seu povo
queria coser os risos
numa imensa colcha
e deitá-la nas costas
da gente brasileira.
Queria ter um dia guardado
em cada bolso da camisa
pra jogá-los no meio das noites
que se teimam infinitas.
De cada nó
partia uma ponta do corpo
e eram nós desatáveis
apesar de muito esforço
tinha a largura tanta
do gosto da injustiça
costurado ao chão do mundo
como uma telúrica intriga.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.