Lista de Poemas
De terras de onde vier, quem virá?
das terras de onde não venho
nem o medo me acontece
pois tudo que me é outro
ainda assim me parece
como as luas que invento
e que se põem no meu tempo
das terras de onde não venho
melhor deixar-me alheio
que navegar nesse vau
de rios que me concedo
em que a correnteza nem teima
em lavar-me do meu medo
das terras de onde não venho
a poesia não medra
como o mel inconsumível
que brota de toda pedra
e que descompassa o coração
com a insistência da guerra
das terras de onde não venho
melhor fincar-se a bandeira
no espaço da consciência
em que drapeja a centelha
do tanto que seja o sonho
de tudo que não se queira
das terras de onde não venho
o outro me aconselha
a ver em tudo só terra
de uma mesma bandeira
que escorrega pela alma
e o coração incendeia
das terras de onde não venho
proceda meu coração
com a certeza do rumo
de um país temporão
que teima em ser usina
de fabricar solidão
das terras de onde não venho
tenha-se enfim a certeza
de que nem sempre me é estranho
o descaso da natureza
que meu peito teima em conceber
apesar de uma vã incerteza
II
outro
a terra
o bruto
grito e guerra
de tudo que não sou
e pedra
outro
eu incorre
e torna-se em mim
e morre
como se não estranhas fossem
a posse e a morte
outro
sou eu
e como eu divirjo
da consciência
que não outro
nem duvido
outro
sou eu
pelas calçadas
das ruas
em que me abraço
outro
sou eu
pelos destinos
em que nem caibo
outro
sou eu
pelo desuso
das almas
outro
sou eu
a tanto custo
pelo que sou eu
e luto.
III
das terras de onde venho
invento a compreensão
que outras terras dizem de todos
e tão assim servirão
que nas dobras do futuro
de uns e outros serão
as terras de onde venho
sempre em mim caberão
apesar de sobrarem fartas
na simples sem razão
de ser uma pátria só
quando todas já nem são
pois a pátria do homem
é sempre o coletivo
não a terra que lhe cabe
como espaço restrito
é antes a compreensão
de que as pátrias acabam
e só indicam a verdade
de que apenas habitam, no homem,
a carteira de identidade.
nem o medo me acontece
pois tudo que me é outro
ainda assim me parece
como as luas que invento
e que se põem no meu tempo
das terras de onde não venho
melhor deixar-me alheio
que navegar nesse vau
de rios que me concedo
em que a correnteza nem teima
em lavar-me do meu medo
das terras de onde não venho
a poesia não medra
como o mel inconsumível
que brota de toda pedra
e que descompassa o coração
com a insistência da guerra
das terras de onde não venho
melhor fincar-se a bandeira
no espaço da consciência
em que drapeja a centelha
do tanto que seja o sonho
de tudo que não se queira
das terras de onde não venho
o outro me aconselha
a ver em tudo só terra
de uma mesma bandeira
que escorrega pela alma
e o coração incendeia
das terras de onde não venho
proceda meu coração
com a certeza do rumo
de um país temporão
que teima em ser usina
de fabricar solidão
das terras de onde não venho
tenha-se enfim a certeza
de que nem sempre me é estranho
o descaso da natureza
que meu peito teima em conceber
apesar de uma vã incerteza
II
outro
a terra
o bruto
grito e guerra
de tudo que não sou
e pedra
outro
eu incorre
e torna-se em mim
e morre
como se não estranhas fossem
a posse e a morte
outro
sou eu
e como eu divirjo
da consciência
que não outro
nem duvido
outro
sou eu
pelas calçadas
das ruas
em que me abraço
outro
sou eu
pelos destinos
em que nem caibo
outro
sou eu
pelo desuso
das almas
outro
sou eu
a tanto custo
pelo que sou eu
e luto.
III
das terras de onde venho
invento a compreensão
que outras terras dizem de todos
e tão assim servirão
que nas dobras do futuro
de uns e outros serão
as terras de onde venho
sempre em mim caberão
apesar de sobrarem fartas
na simples sem razão
de ser uma pátria só
quando todas já nem são
pois a pátria do homem
é sempre o coletivo
não a terra que lhe cabe
como espaço restrito
é antes a compreensão
de que as pátrias acabam
e só indicam a verdade
de que apenas habitam, no homem,
a carteira de identidade.
👁️ 107
Das usanças do viver
quando o sol
embutido no mundo
desregrar sua luz
em cada ponto
e a mansidão dos homens
alardear a manhã
eu chamarei Sepé Tiaraju
para desbravar um tempo
em que estaremos juntos
na construção de todos.
Nenhuma pedra então
tomará seu curso
e a vida carregará a vida
apenas como uso.
embutido no mundo
desregrar sua luz
em cada ponto
e a mansidão dos homens
alardear a manhã
eu chamarei Sepé Tiaraju
para desbravar um tempo
em que estaremos juntos
na construção de todos.
Nenhuma pedra então
tomará seu curso
e a vida carregará a vida
apenas como uso.
👁️ 120
De outros dizeres da vida
nem sempre
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos juntos
o infinito
e nem o passado
é definido
há um futuro dele
impreterivelmente
desmedido.
estou comigo
a largura da vida
é um grande indício
de que navegamos juntos
o infinito
e nem o passado
é definido
há um futuro dele
impreterivelmente
desmedido.
👁️ 89
Descaminho
a ponte estava lá
entre mim e a verdade
quanto menos pudesse
mas havia a possibilidade
não que a houvesse definitiva
como um estatuto
que contivesse a saída
mas um tênue indício
de que a vida pode, às vezes,
ser vivida ex oficio
a ponte estava lá
dentro de mim
inconstruída
como se fosse um caminho
de inventar a vida
a ponte estava lá
e, no entanto, distraída
permanecia assim
como uma lembrança esquecida.
entre mim e a verdade
quanto menos pudesse
mas havia a possibilidade
não que a houvesse definitiva
como um estatuto
que contivesse a saída
mas um tênue indício
de que a vida pode, às vezes,
ser vivida ex oficio
a ponte estava lá
dentro de mim
inconstruída
como se fosse um caminho
de inventar a vida
a ponte estava lá
e, no entanto, distraída
permanecia assim
como uma lembrança esquecida.
👁️ 104
Das medições do caminhar
Desfaço as regras:
todo caminho
cabe nas pernas
o tamanho do passo
inventa o destino
do que traço
a vida é só estrada
de tudo que abraço.
todo caminho
cabe nas pernas
o tamanho do passo
inventa o destino
do que traço
a vida é só estrada
de tudo que abraço.
👁️ 64
Das razões da caminhada
que aquilo que alinhavo pela vida
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha meu discurso
pois por te- la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
na extensão inteira do seu curso
possa dizer exatamente tanto
quanto de verbo tenha meu discurso
pois por te- la assim sob medida
em todos os seus vãos desenfreada
admita a hipótese de morrê-la
com a certeza de todas as estradas
é que o vão de te-la assim disposta
é um terçar de armas diuturno
em que o braço quase sempre tenta
atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente
nos contornos mais simples da vontade
é quase um exercício dos abraços
nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhem verbo e vida
pelas estradas grávidas do povo
construindo o futuro que vigia
a plenitude de tudo que é novo.
👁️ 77
De ações e direções
Empírico,
nada é tão lúdico
que me faça viver
a qualquer custo
é que viver
mais que um discurso
é a travessia de um tempo
a longo curso
é construção
de uma praça coletiva
guardada a proporção
dos singulares que se viva
empírico,
nada é tão lógico
que me faça viver
fora dos ossos
viver é apenas a função
dos verbos que eu possa.
nada é tão lúdico
que me faça viver
a qualquer custo
é que viver
mais que um discurso
é a travessia de um tempo
a longo curso
é construção
de uma praça coletiva
guardada a proporção
dos singulares que se viva
empírico,
nada é tão lógico
que me faça viver
fora dos ossos
viver é apenas a função
dos verbos que eu possa.
👁️ 117
de verbos e informes
A informação
se ajusta
aos moldes de quem a usa
forja na mente
uma desculpa
de quem navega
todas as notícias
de uma culpa
e se desconforma
adredemente
o conteúdo
de quem se procura.
A informação
abusa
de vínculos
tudo que lhe diz respeito
é como estrada competente
que tanto mais se caminha tanto
menos passos consente
a informação
é noturna em suas fontes
a claridade ofusca os verbos
de quem pune
e não se trai enorme
como quem se retrai
em tudo que não pode
a informação
é transversa
o sentido que indica
tergiversa e pondera
como as coisas que os homens
amiúde lhe oneram
a informação
é transeunte
nenhum caminho lhe estanca
ou resume
a expansão é sempre a norma
do que lhe assume
a informação
mais que sinapse
é contradita
dos pensamentos
que se tem em vista
pois escorrega do cérebro
aos borbotões
como se fora notícia
e rebelião
que os verbos arrumam
em todos os seus vãos
a informação
rasga a realidade
em contrafação
e o que é dito se escreve
com tintas desconexas
criando o teatro enorme
de uma vida paralela
mas no fundo
a informação carrega
tudo que ao homem
assim onera
uma certeza de gestar o mundo
por cima de qualquer pedra.
se ajusta
aos moldes de quem a usa
forja na mente
uma desculpa
de quem navega
todas as notícias
de uma culpa
e se desconforma
adredemente
o conteúdo
de quem se procura.
A informação
abusa
de vínculos
tudo que lhe diz respeito
é como estrada competente
que tanto mais se caminha tanto
menos passos consente
a informação
é noturna em suas fontes
a claridade ofusca os verbos
de quem pune
e não se trai enorme
como quem se retrai
em tudo que não pode
a informação
é transversa
o sentido que indica
tergiversa e pondera
como as coisas que os homens
amiúde lhe oneram
a informação
é transeunte
nenhum caminho lhe estanca
ou resume
a expansão é sempre a norma
do que lhe assume
a informação
mais que sinapse
é contradita
dos pensamentos
que se tem em vista
pois escorrega do cérebro
aos borbotões
como se fora notícia
e rebelião
que os verbos arrumam
em todos os seus vãos
a informação
rasga a realidade
em contrafação
e o que é dito se escreve
com tintas desconexas
criando o teatro enorme
de uma vida paralela
mas no fundo
a informação carrega
tudo que ao homem
assim onera
uma certeza de gestar o mundo
por cima de qualquer pedra.
👁️ 80
das temporalidades e outros raciocínios
nunca
é um tempo escasso
tudo que lhe mede
é o desabraço
a vida nunca é nunca
apesar de tudo que me faça
sempre
é um tempo restrito
tudo que lhe mede
é a certeza dos instintos
a vida sempre é larga
nas palavras do que eu sinta.
é um tempo escasso
tudo que lhe mede
é o desabraço
a vida nunca é nunca
apesar de tudo que me faça
sempre
é um tempo restrito
tudo que lhe mede
é a certeza dos instintos
a vida sempre é larga
nas palavras do que eu sinta.
👁️ 138
De viver
a vida
em vão
é intifada do coração
e é difícil sê-la
assim à pulso
e dar-se jeito melhor
de mantê-la em uso
a vida
é rio de nado duvidoso
nas braçadas gerais
desse meu povo
e é tardio vê-la
não obstante
o que desregra o modo
de sê-la avante
a vida é piracema
de exercício adrede
e que não cabe numa lógica
onde não seja breve
e é não se ter tempo
de consumi-la vasta
guardada a desproporção
porquanto tê-la baste
a vida
é reticência
da grave compleição
da paciência
e é difícil tê-la
individida
e levá-la plena
nos bolsos da camisa
melhor é tê-la no peito
quase completa
numa certidão exarada
em muitos et ceteras
a vida
é navio e gaivota
nas âncoras gerais
em que aporta
e é constante vê-la
em voo conjugado
com os sonhos que se traz
em grandes cachos
a vida
é absurda
onde não exercê-la
em desculpas
e é trânsito
de rara urdidura
nas esquinas que o peito
em vão atura
a vida
é genérica
mesmo que seja única
sua matéria
e é de dar-se ao homem
na proporção exata
de toda sua fome.
em vão
é intifada do coração
e é difícil sê-la
assim à pulso
e dar-se jeito melhor
de mantê-la em uso
a vida
é rio de nado duvidoso
nas braçadas gerais
desse meu povo
e é tardio vê-la
não obstante
o que desregra o modo
de sê-la avante
a vida é piracema
de exercício adrede
e que não cabe numa lógica
onde não seja breve
e é não se ter tempo
de consumi-la vasta
guardada a desproporção
porquanto tê-la baste
a vida
é reticência
da grave compleição
da paciência
e é difícil tê-la
individida
e levá-la plena
nos bolsos da camisa
melhor é tê-la no peito
quase completa
numa certidão exarada
em muitos et ceteras
a vida
é navio e gaivota
nas âncoras gerais
em que aporta
e é constante vê-la
em voo conjugado
com os sonhos que se traz
em grandes cachos
a vida
é absurda
onde não exercê-la
em desculpas
e é trânsito
de rara urdidura
nas esquinas que o peito
em vão atura
a vida
é genérica
mesmo que seja única
sua matéria
e é de dar-se ao homem
na proporção exata
de toda sua fome.
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Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.