Lista de Poemas
Gestos e efemérides
traio meu gesto
quando me permito
ser menor que meus sentidos
e sobro no tempo
em que não divirjo
das facilidades da rosa
das dificuldades do umbigo
traio a mim
quando não digo
a sem razão do meu corpo
em precipício
sobro da vida
impunemente
quando a manhã que me cabe
deixa de ser da gente
e quase me permito
nessa geografia inexata
dos pontos cardeais
de todas as minhas mágoas
quando me permito
ser menor que meus sentidos
e sobro no tempo
em que não divirjo
das facilidades da rosa
das dificuldades do umbigo
traio a mim
quando não digo
a sem razão do meu corpo
em precipício
sobro da vida
impunemente
quando a manhã que me cabe
deixa de ser da gente
e quase me permito
nessa geografia inexata
dos pontos cardeais
de todas as minhas mágoas
👁️ 81
indagação adverbial do mar
água em sono
quem te constrange
a não te dares por rio
mas um mangue?
rio em concordata
que compreensão terias
se te fizessem credor
de alguma alegria?
teu primado
em tudo rebenta
jeito de onda morena
que meu olhar
amanhecia
jogo de homem urgente
devedor da alegria
saldo de coisa que a gente
teima em dizer da valentia
teu primado
dá-me a compreender os olhos
como instrumento
de te fazer serventia
como flecha
que destrava o arco
nas manhãs sem garantia
teu primado
está presente
em cada onda
que cometes
num desfastio freqüente
o mar
nem bem parece
os rios que não se cruzam
das mágoas todas da gente
no teu cartório de águas
nem lavras a certidão
de que te compreendem vasto
apesar de tanto não
água que nem comentas
o que de sólido urdistes
quando em meu peito dissestes
o teu jeito de triste
quase de alguidar
quase de louça
que me truncasse a razão
no vão da boca
meu corpo
não intenta
engenho maior
que me contenha
morte que me seja tanta
nos bordados da consciência
quem te constrange
a não te dares por rio
mas um mangue?
rio em concordata
que compreensão terias
se te fizessem credor
de alguma alegria?
teu primado
em tudo rebenta
jeito de onda morena
que meu olhar
amanhecia
jogo de homem urgente
devedor da alegria
saldo de coisa que a gente
teima em dizer da valentia
teu primado
dá-me a compreender os olhos
como instrumento
de te fazer serventia
como flecha
que destrava o arco
nas manhãs sem garantia
teu primado
está presente
em cada onda
que cometes
num desfastio freqüente
o mar
nem bem parece
os rios que não se cruzam
das mágoas todas da gente
no teu cartório de águas
nem lavras a certidão
de que te compreendem vasto
apesar de tanto não
água que nem comentas
o que de sólido urdistes
quando em meu peito dissestes
o teu jeito de triste
quase de alguidar
quase de louça
que me truncasse a razão
no vão da boca
meu corpo
não intenta
engenho maior
que me contenha
morte que me seja tanta
nos bordados da consciência
👁️ 74
Interlóquio matinal
súbita
a manhã nem é tanta
que me cubra o peito
de esperança
súbita
a manhã nem é humana
que esconda o ranger de dentes
e a inconstância
sórdida
a manhã nem se levanta
no estandarte do peito
de quem desama
sólida
a manhã se inflama
se se constrói a razão
por que se ama
a manhã nem é tanta
que me cubra o peito
de esperança
súbita
a manhã nem é humana
que esconda o ranger de dentes
e a inconstância
sórdida
a manhã nem se levanta
no estandarte do peito
de quem desama
sólida
a manhã se inflama
se se constrói a razão
por que se ama
👁️ 103
madrugada a tempo solto
os galos
noticiam o dia
com a postura indefinida
de jornalistas da rotina
e construindo as horas
no fundo dessa América Latina
eu ouço o jornalismo inato
das aves de minha pátria.
noticiam o dia
com a postura indefinida
de jornalistas da rotina
e construindo as horas
no fundo dessa América Latina
eu ouço o jornalismo inato
das aves de minha pátria.
👁️ 65
Memorando da consolação
eu boiei no teu corpo
como uma fragata constrangida
e habitei várias guerras
perdido no rumo com que lidas
eu me tangi na noite
com a descompostura dos prazeres
e nunca me tive como tanto
tiveste de mim nos teus haveres
e me amanheci noturno
sob as pálpebras do mundo
por tão apenas te sentir sem fim
e eu, concluso, tão sem prumo
eu mergulhei no dia
como um peixe descabido
naufragado impunemente
nas desfaçatez dos teus sentidos
e me rememorei em ti
em cada franja das calçadas
e tão sem peito, o coração em punho
discursando o verbo em toneladas
e rascunhei poemas
em cada ruga da estrada
perdidas as rebeliões
no leito avulso das palavras
e quase sem fôlego
tropecei nos advérbios
que teimas em derramar assim
na esteira cadente do meu cérebro
como uma fragata constrangida
e habitei várias guerras
perdido no rumo com que lidas
eu me tangi na noite
com a descompostura dos prazeres
e nunca me tive como tanto
tiveste de mim nos teus haveres
e me amanheci noturno
sob as pálpebras do mundo
por tão apenas te sentir sem fim
e eu, concluso, tão sem prumo
eu mergulhei no dia
como um peixe descabido
naufragado impunemente
nas desfaçatez dos teus sentidos
e me rememorei em ti
em cada franja das calçadas
e tão sem peito, o coração em punho
discursando o verbo em toneladas
e rascunhei poemas
em cada ruga da estrada
perdidas as rebeliões
no leito avulso das palavras
e quase sem fôlego
tropecei nos advérbios
que teimas em derramar assim
na esteira cadente do meu cérebro
👁️ 121
Insinuações impatrióticas e alguns senões
frequentemente
desalinhavo o destino nas manhãs
e destravo a vida tão impunemente
que o futuro é como se fora um edredon
por onde cabem todos os viventes.
e nesses alinhavos
desvencilho- me da nação em desalinho
o universo sempre é a pátria
de todos os meus caminhos.
desalinhavo o destino nas manhãs
e destravo a vida tão impunemente
que o futuro é como se fora um edredon
por onde cabem todos os viventes.
e nesses alinhavos
desvencilho- me da nação em desalinho
o universo sempre é a pátria
de todos os meus caminhos.
👁️ 106
Da duvidosa certeza da verdade
miro a certeza
meu fuzil de dúvidas
é só a desculpa
para mantê-la íntegra na luta
miro a certeza
como andaime
que construo nos passos
em que caibo
miro a distância
e faço-me estrada
de transitar certezas
pelas madrugadas.
meu fuzil de dúvidas
é só a desculpa
para mantê-la íntegra na luta
miro a certeza
como andaime
que construo nos passos
em que caibo
miro a distância
e faço-me estrada
de transitar certezas
pelas madrugadas.
👁️ 104
Inversão
inverto.
sou aquilo
que nem me conheço.
invento.
sou o contrário
do meu medo.
intento.
ouso amar-me
como invento.
sou aquilo
que nem me conheço.
invento.
sou o contrário
do meu medo.
intento.
ouso amar-me
como invento.
👁️ 48
herança
perdura em mim
o gesto mais frugal
a lógica intrinseca
do ancestral
e quando cometo a vida
em desalinho
permito uma razão
que sempre insiste
em desfazer-se da lógica
de tais lides
inventando a razão
do que é triste.
o gesto mais frugal
a lógica intrinseca
do ancestral
e quando cometo a vida
em desalinho
permito uma razão
que sempre insiste
em desfazer-se da lógica
de tais lides
inventando a razão
do que é triste.
👁️ 85
na minha morte
na minha morte
estarei presente
mesmo que não a tenha
compreendido
habitarei o fogo
em carne e ossos
e desabitarei a vida
o melhor que possa.
minha morte
não existe
os homens é que teimam
em dize-la triste
na minha morte
a vida estará presente.
a minha e toda outra
que leve de mim
a compreensão do tarde
e a não compreensão do que se sente.
na minha morte
desarquiteto o limite
deixo de ser só homem
adredemente restrito
e caibo na rebelião
de todos os meus sentidos
aqueles que trouxe à mão
e todos os outros que nem tive
na minha morte me definitivo
passo a ser um ego coletivo.
estarei presente
mesmo que não a tenha
compreendido
habitarei o fogo
em carne e ossos
e desabitarei a vida
o melhor que possa.
minha morte
não existe
os homens é que teimam
em dize-la triste
na minha morte
a vida estará presente.
a minha e toda outra
que leve de mim
a compreensão do tarde
e a não compreensão do que se sente.
na minha morte
desarquiteto o limite
deixo de ser só homem
adredemente restrito
e caibo na rebelião
de todos os meus sentidos
aqueles que trouxe à mão
e todos os outros que nem tive
na minha morte me definitivo
passo a ser um ego coletivo.
👁️ 131
Comentários (10)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
Português
English
Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.