Lista de Poemas
itinerário avante
ao riso
dê-se a fala
de quem habita inteiro
sua alma
ao povo
dê-se a palavra
de quem cogita
todas as praças
ao mundo
dê-se a vontade
de habitar impune
a liberdade
dê-se a fala
de quem habita inteiro
sua alma
ao povo
dê-se a palavra
de quem cogita
todas as praças
ao mundo
dê-se a vontade
de habitar impune
a liberdade
👁️ 138
memento
Nem mais uma excelência
entre no paraíso
sem antes que provar se tenha
que haja combatido
nem mais uma excelência
entre no paraíso
sem antes que provar se tenha
que exerça os sentidos
nem mais uma excelência
se preste ao exercício
de fabricar da pele alheia
as premissas do seu riso
e que assim seja
pela noite resumida
por todos os dias que o povo perca
do vão de suas vidas.
entre no paraíso
sem antes que provar se tenha
que haja combatido
nem mais uma excelência
entre no paraíso
sem antes que provar se tenha
que exerça os sentidos
nem mais uma excelência
se preste ao exercício
de fabricar da pele alheia
as premissas do seu riso
e que assim seja
pela noite resumida
por todos os dias que o povo perca
do vão de suas vidas.
👁️ 95
Menção a Frederika
assim como Frederika
cerzida ao coração holandes
Filipéia quase se estanca
com seu destino de rês
nem porque Frederika
se ousasse menos urbana
mas que se quisesse alegre
no exercício do drama
porque galões encestados
no seu ombro mais rural l
he ditassem um ritmo lento
qual vento em canavial
e Filipéia quer-se rápida
na sua viagem sagaz
que empreende como bolandeira
nos engenhos do nunca mais.
pois mesmo sendo cidades
em contrafortes definidos
Filipéia nunca é Frederika
apesar de todos os indícios
assim partida Filipéia
em Frederika amordaçada
nunca que uma palavra
pesasse mais que um fardo
já quase Filipéia
ainda tão Frederika
o tempo lhe dita ordens
como chefe de polícia
revolvida sua terra
por pés tão passageiros
onde os índios que amanhavam
seu jeito de verdadeira?
é que lhes sobram os suores
dos homens que lhes atiçam
construindo uma história
envoltos em seus ofícios
cerzida ao coração holandes
Filipéia quase se estanca
com seu destino de rês
nem porque Frederika
se ousasse menos urbana
mas que se quisesse alegre
no exercício do drama
porque galões encestados
no seu ombro mais rural l
he ditassem um ritmo lento
qual vento em canavial
e Filipéia quer-se rápida
na sua viagem sagaz
que empreende como bolandeira
nos engenhos do nunca mais.
pois mesmo sendo cidades
em contrafortes definidos
Filipéia nunca é Frederika
apesar de todos os indícios
assim partida Filipéia
em Frederika amordaçada
nunca que uma palavra
pesasse mais que um fardo
já quase Filipéia
ainda tão Frederika
o tempo lhe dita ordens
como chefe de polícia
revolvida sua terra
por pés tão passageiros
onde os índios que amanhavam
seu jeito de verdadeira?
é que lhes sobram os suores
dos homens que lhes atiçam
construindo uma história
envoltos em seus ofícios
👁️ 129
modernidade
como moderno
o aparelho móvel
é o tamanho exato
do homem e seu interno
o verbo que transmite
é claro e desconexo
nada do que ele é
está interno
antes se transmite
alheio a seu ego
nos programas em que a telefônica
lhe externa
avançado
o homem vira acessório
do nada
cada celular
é um trânsito infecundo
das palavras perdidas
pelo mundo
cai-lhe a vida
em programas
que tecem um sonho
e estabelecem o drama:
o homem é sempre menor
que aquele que o chama
a iniciativa da chamada
é o aval da dominância
apenso ao aparelho
o homem alinha
passos que nem são seus
pelos caminhos
falta-lhe pensar uma razão
por que caminha
guardada a desproporção
da inumana companhia
de resto
pela cidade
o homem acompanha a solidão
em direção a nada
o aparelho móvel
é o tamanho exato
do homem e seu interno
o verbo que transmite
é claro e desconexo
nada do que ele é
está interno
antes se transmite
alheio a seu ego
nos programas em que a telefônica
lhe externa
avançado
o homem vira acessório
do nada
cada celular
é um trânsito infecundo
das palavras perdidas
pelo mundo
cai-lhe a vida
em programas
que tecem um sonho
e estabelecem o drama:
o homem é sempre menor
que aquele que o chama
a iniciativa da chamada
é o aval da dominância
apenso ao aparelho
o homem alinha
passos que nem são seus
pelos caminhos
falta-lhe pensar uma razão
por que caminha
guardada a desproporção
da inumana companhia
de resto
pela cidade
o homem acompanha a solidão
em direção a nada
👁️ 122
Frevo II
assim no frevo desatado
das amarras todas da vida
quem poderá não descobrir
o rumo tanto da avenida
que se alarga pelo peito
como um imenso grito
que sonha todos os mares
e afoga todos os sentidos
é que ao frevo compete
um dançar tão renitente
que chega a molhar a liberdade
dos ossos todos da gente
como se fora rebelião
de tudo que se consente
não lhe cabe a desfaçatez
de parecer-se inanimado
pois antes fora um pendão
pela avenida desfraldado
juntando todo perdão
terçando todo pecado
assim se faça compostura
de quem lhe traz pelos pés
como uma escrita inventada
em que lhe caiba o viés
de parecer-se deflagrado
nas costas de quem lhe usa
como uma bomba-relógio
dos tempos que se procura
urdido em todos os cantos
cantado em todos os ócios
caiba-lhe a contrafação
a tudo que seja o ódio
por lhe restar a candura
das humanas composturas
como se fora bandeira
de tremular em quem lhe cuida
o som seja o indício
de que a vida vaga e prossegue
rompendo todas as cercas
cercando todos os medos
construindo um quê de sonho
no meio dos seus segredos
o frevo assim desatado
é uma forma indefinida
na rua tanta do nada
de construir todas as vidas
como se o passo fosse razão
pra derramar-se tão frequente
como um caminho aberto
no peito todo da gente
das amarras todas da vida
quem poderá não descobrir
o rumo tanto da avenida
que se alarga pelo peito
como um imenso grito
que sonha todos os mares
e afoga todos os sentidos
é que ao frevo compete
um dançar tão renitente
que chega a molhar a liberdade
dos ossos todos da gente
como se fora rebelião
de tudo que se consente
não lhe cabe a desfaçatez
de parecer-se inanimado
pois antes fora um pendão
pela avenida desfraldado
juntando todo perdão
terçando todo pecado
assim se faça compostura
de quem lhe traz pelos pés
como uma escrita inventada
em que lhe caiba o viés
de parecer-se deflagrado
nas costas de quem lhe usa
como uma bomba-relógio
dos tempos que se procura
urdido em todos os cantos
cantado em todos os ócios
caiba-lhe a contrafação
a tudo que seja o ódio
por lhe restar a candura
das humanas composturas
como se fora bandeira
de tremular em quem lhe cuida
o som seja o indício
de que a vida vaga e prossegue
rompendo todas as cercas
cercando todos os medos
construindo um quê de sonho
no meio dos seus segredos
o frevo assim desatado
é uma forma indefinida
na rua tanta do nada
de construir todas as vidas
como se o passo fosse razão
pra derramar-se tão frequente
como um caminho aberto
no peito todo da gente
👁️ 99
dos tempos e das vidas com parcimônia e gestos
o relógio de pulso
marca, descompassado
as diferenças do peito
as distâncias que não trago
em seu mister itinerante
de fundamentar o passado
nem lhe sobra um futuro
no meio dos meus passos
é que lhe move um tempo
em que não estou enquadrado
porque nas horas a que me apresto
nem sempre me desabraço
é que o futuro nada mais é
que um passado invertido
e que não cabe em qualquer ponteiro
dos minutos de cada vida
marca, descompassado
as diferenças do peito
as distâncias que não trago
em seu mister itinerante
de fundamentar o passado
nem lhe sobra um futuro
no meio dos meus passos
é que lhe move um tempo
em que não estou enquadrado
porque nas horas a que me apresto
nem sempre me desabraço
é que o futuro nada mais é
que um passado invertido
e que não cabe em qualquer ponteiro
dos minutos de cada vida
👁️ 109
Dos sonhos rápida instância
dá-se a ilusão
tão facilmente:
sonhos são tentáculos
tão a destempo
que escavam o futuro
de repente
nunca lhes cabe
ordenar o presente
há um passado sonhado
impreteritamente
dá-se a ilusão
tão de repente:
o sonho que montamos
nos cavalga impunemente.
tão facilmente:
sonhos são tentáculos
tão a destempo
que escavam o futuro
de repente
nunca lhes cabe
ordenar o presente
há um passado sonhado
impreteritamente
dá-se a ilusão
tão de repente:
o sonho que montamos
nos cavalga impunemente.
👁️ 91
Excertos da trajetória
os olhos
laçam a manhã
e pela pátria
resta no cérebro
a sensação exata
de que é pouco
o que lhe falta
os olhos
laçam a manhã
e pela lógica
há ainda um tempo do povo
navegando a história
os olhos
laçam a manhã
e pelo futuro
caminha o passado
desobrigado dos muros
laçam a manhã
e pela pátria
resta no cérebro
a sensação exata
de que é pouco
o que lhe falta
os olhos
laçam a manhã
e pela lógica
há ainda um tempo do povo
navegando a história
os olhos
laçam a manhã
e pelo futuro
caminha o passado
desobrigado dos muros
👁️ 49
dos usos da verdade e seus modos
a verdade
nunca trai o gesto
de absolutizar a vida
em seu interno
a verdade
é tática
sempre lhe cabe um futuro
por inexata
a verdade, amiúde,
tem estratégias
é que lhe parece jovem
ser velha.
nunca trai o gesto
de absolutizar a vida
em seu interno
a verdade
é tática
sempre lhe cabe um futuro
por inexata
a verdade, amiúde,
tem estratégias
é que lhe parece jovem
ser velha.
👁️ 105
dos viveres das gentes
quando se vive
humanamente
a vida sempre inventa
de inventar a gente
é que lhe invade um jeito
de ser completamente.
humanamente
a vida sempre inventa
de inventar a gente
é que lhe invade um jeito
de ser completamente.
👁️ 39
Comentários (10)
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Ademir D.Zanotelli *Poeta*
2026-01-31
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
AurelioAquino
2026-01-17
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Carlos Marques
2025-12-04
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Pinto
2025-02-27
Abração !
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.
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Español
Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.