Lista de Poemas
Pseudo soneto II
assim que posto viajante
dê-se à vida como estrada
veículo de si como tanto
viga coletiva da humana saga
assim que posto transeunte
cumpra a razão de cada abraço
os que tenha de si como urgente
os que de todos tenha como laço
rume os dias em que anoiteça
com a intimidade da natureza
armado de si assim no tempo
e vigore nas manhãs como tarefa
espalhando os passos pela terra
nos ombros largos de seus ventos
Madrugando
o canto do pássaro
entoa a manhã
derramando a vida
nas brechas da memória
nos ombros dos sentidos
o tempo
em sua estadia
arruma os homens
no vão do dia
desejos despertos
afloram a saudade
abraçam-se humanos
e vivem a madrugada
Do vagar humano
há que abolir
a grave mania
de burlar o tempo
de fingir a vida
adiar as réguas
de andar o mundo
tramitar-se presente
sem futuro
ao invés
como compasso
dê-se à vida o palco
de todos os teatros
sítio de tanto
da construção do novo
os das coxias de si
os da platéia de todos
Avios humanos
aviar no tempo
os sentidos
dar-se régua
aos infinitos
medir-se em tanto
seus indícios
os dados por todos
os mais íntimos
aviar no espaço
a vontade explícita
criar da liberdade
o jeito da vida
Pseudo soneto III
boiando as asas no vento
trêmula bandeira passarinha
o beija-flor transita lento
a vida posta em sua trilha
da condição de astronauta
na contingência da terra
o beija-flor dá-se arma
nas pazes que encerra
o homem mirando o fato
pássaro de si em desacato
tenta inventar seu tempo
na altura inata e sentida
como viajante voo da vida
nas curvas formais do pensamento
Das réguas próprias
o infinito
quanto medida
rasga a matéria
como dízima
o poeta
régua incauta
dá-lo como pouco
na palavra
o poeta
como régua
fantasia metros
como léguas
na palavra
o infinito é só ilação
das vias da alma
Pseudo soneto
que o verbo se tenha como tanto
mesmo desajeitado na estrofe
e possa deixar-se como verso
na instância formal de sua pose
não tenha afã de ser postura
ou vaidade posta na palavra
antes consiga ser, como verbo,
a simplicidade fática da alma
e flua no poeta mansamente
urgência de si quando comente
os verbos da vida declarados
transite o mundo pelo tempo
cumprindo o vão do pensamento
que o homem traz em cada abraço
Cópia onírica
fac-símile da vida
o sonho gravita
tempos da vontade
desejos consentidos
borda a consciência
tecendo suas tintas
inventando uma razão
que lhe consinta
fac-símile da vida
o sonho diz-se arma
construções da razão
posta nos braços
as que tenham a si
as que sejam de todos
Pseudo soneto I
quando o tempo fosse tanto
engravidasse cada espaço
as ações fossem do homem
as razões de seus abraços
pudesse a vida desdizer-se
de cada sofrimento como base
e inventasse a alegria em tese
como origem de seus disfarces
do homem contivesse a trama
esculpida no vão de sua alma
lapso infinito de seu drama
gasto inconsumível da vida
do mundo construindo a paz
nos degraus de cada investida
Dos átomos errantes
minúscula
nas vias do tudo
a matéria como terra
imiscui-se mundo
tê-la origem
vínculo do universo
tem-se apenas sotaque
ardil humano da matéria
o universo gritando
brinca consigo
espalhando-se urgente
como infinito
a matéria inventa tudo
como átomo grandiloquente
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.