Lista de Poemas
Das frações de todos
o tempo
como um laço
amarra a vida
no espaço
nas horas de tanto
nos poucos que traça
a cada um
como todos
cabe um só
como tantos
deflagrar-se multidão
ensimesmado
é tratar-se uno
no povo que desate
Da vida usinada
legítima
grasse a vida
humana usina
saga coletiva
sanha da matéria
sonho e sina
viga de tanto
nos sentidos
dá-se o homem
ao infinito
cada manhã
lúdico invólucro
embrulha o tempo
em seu propósito
a vida é uma intenção
da matéria em ócio
Reminiscência CII
nas devassas da alma
o menino sabia
que o sonho bem sonhado
podia ser a vida
arruma-lá no peito
como consigna
e de tê-la tanta
na curva dos olhos
deu-se a abraça-la
no meio das ruas
quando sentiu seu povo
nos passos da luta
Reminiscência CIII
o muro
tinha a feição
de caderno público
da rebelião
cada frase
acendia a madrugada
contando ao tempo
cada camarada
a vontade
pulsando a rua
tangia a vida
em suas curvas
a história escrevia insone
os contos da luta
Sambado rito
quando no compasso
o samba delatou-se
nos pandeiros da alma
a vida deu-se à pose
de dançar os bemóis
que o infinito lhe trouxe
os passos enchem a rua
na cadência da alegria
como um rito deflagrado
nas entranhas da avenida
o samba inventa seu curso
com o povo nos ombros da vida
Dos partos do tempo
a ordem
ensimesmada
tenta conter a pulso
a madrugada
a vida
amarrotada
veste os homens
como farda
o futuro
inseminado
enche seu ventre
ainda grávido
o tempo apenas assume
o destino do parto
Do amor em traços
ao amor
de-se a compleição
de conter-se infinito
mesmo não
do amor
tenha-se consumido
exercício da vida
em todos os sentidos
o amor
quando nascido
vigie a condição humana
de tê-lo construído
e seja sempre abraçado
mesmo quando tanto
dentro da saudade
Concurso humano
havia no homem
o que aviava de si
senda das vias
havidas enfim
concurso material
dos cursos de si
havia no homem
o que lavrava
os rios do mundo
o chão das palavras
e uma imensa contradição
na dialética madrugada
tudo que lhe tangia
pulsava verbo em sua fala
Do vão da luta
a reta final
é sempre curva
regra do mundo
debrum da luta
as vias postas
humana resenha
jogam dúvidas
nas raias que venham
transita-las coletivas
natas da consciência
constrói os pilares
que o futuro tenha
o tempo organiza a luta
como uma paz paciente
Poses do tempo
o sol ainda encabulado
estende manso o dia
lençol exato do tempo
nas costas da vida
a tarde afoita
ainda amanhecida
brinca de trazer a noite
nas luzes que consiga
a noite preguiçosa
dorme o vão do tempo
nos humanos sonhos
em que se inventa
Comentários (10)
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
abraço
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
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Honrado<br />
Obrigado<br />
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.<br />
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.