Lista de Poemas
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Pedro Rodrigues de Menezes
integral do kernel universal
o maior perigo no mundo
o maior perigo do mundo
é ter neurónios que falem
ter lábios que se calem
entre uma e outra coisa
a coisa é outra coisa
pura brilhante expoente
quadrado da raiz quadrada
f de xis elevado a potências
limite infinito bem definido
é tudo isto
ou nada disto
é exacerbação sebácea
é medicina tradicional
é o vento
é o livro esquecido
são os amigos
a ansiolítica vontade
somos tanto
somos tantos
e o que resta
é um resto
compósito
vestígio
breve
isto
um
1
_by_E_
A noite não está clara hoje...
Como veria o mundo,
se fosse tudo da mesma cor?
Como perceberia um cheiro,
se tudo exalasse o mesmo odor?
Como sentiria o clima,
se tudo emanasse o mesmo calor?
Como teria na boca o gosto,
se tudo tivesse o mesmo sabor?
Como me tocaria a música,
se o seu tom nunca mudou?
Como reconheceria a si,
Se ao outro nunca encontrou?
Se nada vejo além de mim,
então, sou tudo!
Se tudo tão pequeno sou,
então, meu tão pequeno tudo sou!
by E.
Pedro Rodrigues de Menezes
teorema geométrico da solidão
evadido como um iceberg
certeiro na sua longa deriva
voo a remos no deserto fértil
e sobre este coração pousarei
pulsantes teoremas gargantas
lúgubres espinhos sem rosas
porque é preciso ser preciso
capaz do brutal cálculo bruto
renascer precioso das pedras
porque é inevitável evitar
noites despertas de aurora
cegar a visão-cisão do astro
imaginar-me sem imaginação
o catártico fogo da memória
a bravura do mar feito terra
e mesmo que só caminhe só
saberei procurar com as mãos
extraordinários peixes alados
e mesmo que caminhe só
mesmo que só caminhe
não terei só chegado.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "teorema geométrico da solidão")
A poesia de JRUnder
Somos estranhos
Somos estranhos
Quando nos isolamos em nossos pensamentos
E nos calamos, nos ressentimos, deixando de expressar nossos sentimentos.
Somos estranhos
Quando deixamos que nossos olhares se percam
E permitimos que a inércia, ocupe o lugar de nossas reações.
Quando nossas mãos não se buscam
E não dividimos nosso frio e nosso calor.
Somos estranhos
Nas horas de sorrisos apagados, em dias sem histórias a contar,
Em noites insones e manhãs vazias.
Em tardes de céu cinzento, na solidão de um banco de jardim...
notthegirlw_
O Pintor
Pinceladas de desgosto, em cada canto sombrio.
Ele pinta com fervor, mas sem nenhum amor,
Para cada obra de arte, ele sente um ardor.
Cada tela é uma batalha, uma luta interna,
Entre o desejo de criar e a vontade eterna,
De rasgar cada pedaço, de destruir cada traço,
De suas artes, que ele vê como um fracasso.
Ele odeia suas cores, seus contornos, suas formas,
Vê defeitos e falhas, onde outros veem normas.
Ele busca a perfeição, em cada direção,
Mas tudo que encontra, é a sua própria rejeição.
Ele grita para o vazio, "Por que não posso amar,
As minhas próprias criações, que tento aprimorar?"
Mas o vazio responde, com um silêncio profundo,
E o pintor continua a pintar, perdido em seu mundo.
Ele odeia suas artes, mas não pode parar,
Pois pintar é seu fôlego, seu jeito de respirar.
E talvez um dia, ele possa ver,
A beleza em suas obras, que todos conseguem ver.
L.
izasmin
Às Escondidas | 10.02.24
Onde estou à beira do precipício, nenhumas sorte
Passamos 36hrs entre a passagem dos primeiros dias
E agora, nem sei se me ver é o verdadeiramente gostarias.
Escondi coisas, simples mas que dizem muito.
Sobre o que fui, o que sou e falhei por intuito.
Pela primeira vez te magoei, lembre que...
Uma vez também te perdoei.
Espero que reconsidere,
Pelas vezes que nosso amor esteve à prova,
Agora sinto na pele o peso das escolhas, pondere
Apenas com você minha energia e paixão se renova.
Tem doces situações que me deixam sensível
e ansiosa demais para compartilhar, nem sei expressar
o quanto poderíam te afetar, nunca quis decepcionar
nem pertubar o homem mais incrível.
Aqui, rendo meu último hino de guerra.
Ergo forças para dizer que não repetirei tal conduta,
ainda que lutando contra velhos hábitos para ser sua,
ainda nesta e em outras terras.
10.02.24 | poema autoral de iasmin s.
Carla Pedro
39º
A temperatura a galgar o corpo
como um beijo em estado de sítio
a queimar, a queimar, a queimar
todos os poros e toda a saliva
desta febre
desta febre que explode todas as noites
a ranger como um passado de luz acesa.
Carol Ortiz
DESESPERO
Sou um pedaço devorado
Peça perdida, quase extinta
Sou um abismo no agora
Minha alma e minhas feridas
Meu corpo mutila, minhas frases terminam
Minhas fases destroem o meu corpo de menina
Me jogo no fogo e sinto o desespero
Me sinto num deserto da existência em ruínas
Medo de te ver
Medo de te querer
Medo de saber
Que sou humana com você
Medo de você
Medo de mim
Medo de saber
Que toda história tem um fim
Desespero
Meu labirinto ecoa toda essa estranha confusão
Estou perdida
Uma criança maltratada,
Reescrita para uma história editada
É ir dormir pra esquecer
E acordar bem antes de envelhecer
Pânico
Medo de te ver
E de te querer
Medo de você
Medo de mim
Medo em saber
Que essa história não terá fim
Carol Ortiz
Sou
Sou!
Enquanto a noite não dorme, o papel devora minhas angústias...
Gosto de mergulhar
Profundamente
nas pessoas
Sou intensa
Sou febril
Sou leal
Sou o que sou
Não gosto de jogos
Não faço rodeios
Não sigo regras
Não minto
Não tenho amarras
O tédio
o mesmo
o raso
o fraco
não cabem na minha vida
Sou um pouquinho de doçura
Mas não sou pra qualquer um
Minhas asas já quebraram
E, meu amor,
Você tem minha marca
Cravada na alma
Minha intensidade feminina
Transbordou em você
Não adianta correr
Existo na sua essência
2024
José António de Carvalho
NA PROCURA DO POEMA
(Coletânea "LIVRO ABERTO" - 2024)
NA PROCURA DO POEMA
Talvez não sejas música,
talvez não sejas água;
talvez… nem sejas alimento.
Ou talvez sejas a luz
a acordar o esquecimento.
Talvez sejas mais que ilusão
de um cálice de paixão.
Mas és sístole do coração
a levar alimento onde
o poema se esconde
numa de pétala de flor,
a florescer no esplendor
do mais singelo no amor.
José António de Carvalho, 27-setembro-2023
Pedro Rodrigues de Menezes
coração-cisão
entre espaços
entre passos
silêncios e
compêndios
são inúmeras
e infinitas
as distâncias
que nos unem.
(Pedro Rodrigues de Menezes, coração-cisão)
Carla Pedro
Gostava
o que me acontece
quando fecho os olhos
e te imagino.
Sei que há becos de poesia,
palavras de papel cartonado
e fusos horários roxos
de tanto susterem a respiração.
Sei que há uma circunferência
na tua língua boreal
e um diálogo rasgado no frio
empedrado, contido, artesanal.
- e era bom que as madrugadas
encontrassem o caminho da saliva
dentro das cidades em defesa.
A poesia de JRUnder
Candelabro
Que se tenha por utopia estar amando
Enquanto os braços do sofá limitam os corpos.
Dá-se ao salão o direito ao espanto
Da escuridão mórbida à frágil luz do encanto.
Espreguiça-se no chão o vil tapete,
No silêncio onde crepitam carvões
E imitam o que arde dentro ao peito,
Na loucura onde crepitam corações.
Tinge a lua de luar toda a varanda,
Baila a cortina enquanto canta a brisa
E apaga a luz do candelabro.
Na penumbra se esbarram sussurros,
De um grito ao gentil murmúrio,
Qual prisioneiros em um porão macabro.
sebastiao_xirimbimbi
Coroas Tortas
África,
minha mãe cansada de coroas tortas,
de reis que não sabem partir,
de tronos que criam raízes no chão do medo.
O poder virou espelho;
quem se olha nele esquece o povo,
apaixona-se pela própria sombra,
e chama isso de liderança.
Eles não largam o trono
porque o trono é o último abrigo,
onde a culpa dorme,
onde o ouro canta,
onde o medo veste terno e gravata.
Dizem:
“Sem mim o país cai.”
Mas o país já caiu;
caiu na escola sem livros,
na criança sem pão,
no jovem sem teto e sem chão,
no velho sem voz,
na rua que chama pelo nome da justiça
e ninguém responde.
Nossas constituições são elásticas;
esticam-se ao tamanho da ambição
dos que juram servir,
mas só servem-se a si mesmos.
E nós?
Ficamos aplaudindo as promessas,
como se aplauso fosse voto,
como se paciência fosse paz.
Mas o vento está a mudar.
Há tambores novos a bater no peito da juventude,
há vozes que recusam o silêncio,
há mentes que já não se ajoelham.
O futuro não cabe num palácio.
O futuro mora na rua,
no grito que sobe das mãos vazias,
no olhar que já não teme o rei.
Um dia,
os tronos hão de cair;
não com armas,
mas com consciência.
E então,
o poder deixará de ser coroa,
para voltar a ser serviço.
Por: Sebastião Xirimbimbi
MariaManuelaFerreira
Enches o peito de vento
Enches o peito de vento
e a boca, da cidade.
Andas sem rosa dos ventos,
tão cheia de majestade!
E vais tão vazia de gente
no teu palácio fluído,
que as portas só são detalhe
de arquiteto distraído.
A poesia de JRUnder
Exílio da alma
Um deserto sem areias, mar sem ondas, céu sem nuvens.
É assim a solidão.
Uma impressão do nada a nos circundar, nenhuma brisa a tocar.
Nada a ouvir, falar ou ver. Nada que possa interessar.
O universo do corpo, o limite das mãos, o vagar dos pensamentos.
Estes viajam por sonhos distantes, procurando vestígios das escritas perdidas no passado,
Em uma história que termina em páginas vazias de um livro singular abandonado sobre a mesa.
A vida se torna inobjetiva. Os minutos iguais se transformam em dias sem luz e noites sem luar.
A solidão é um espaço vazio, onde agonizam as almas...
Francisco Leobino Assunção da Silva
Poema: Uma Jornada de Amor
Nas entrelinhas das brincadeiras e brigas,
Sob a vastidão da distância que nos separa,
Descobri um amor que transcende o tempo.
Entre risos e lágrimas, entre idas e vindas,
Cresceu silencioso, como um broto no deserto,
Um sentimento tão puro, tão profundo,
Que me consome e me enlaça em teu mundo.
Foi depois das noites insones e dos dias vazios,
Depois de perder-me em labirintos de saudade,
Que entendi o quanto és essencial em minha vida,
E como tua presença preenche cada parte de mim.
Assim, nesta jornada de descobertas e redenção,
Amar-te tornou-se minha mais doce obsessão,
E a cada instante, a cada batida do coração,
Sinto-me mais próximo de ti, em completa comunhão.
Que sejamos então dois viajantes do destino,
Caminhando juntos nesta estrada de amor sem fim,
Onde cada curva, cada desafio, nos fortalece,
E onde o nosso amor, eterno, jamais perece.
Carol Ortiz
Melodia para dores de amor
Eu amei sozinha
Não me arrependo, não
Amar é vida
não rasa
E meu amor é raro,
Libertário,
intenso, poderoso,
curador, único
Mas não suficiente
Nem mesmo eficiente
Pra salvar a nossa história
...
Eu amei sozinha
Agora é tempo de seguir,
nada para, nada espera
As mãos do tempo me abraçam
e apressam
"faça sua hora
não há onde voltar"
...
Não quero estar no palco,
protagonizar angústia e dor,
essa história não é mais minha,
me despeço dessa agonia,
sou atriz canastrona
atuando nas defensivas da vida
Com um nó na garganta
faço as malas
recolho meu amor,
pequeno pra você, eu sei,
mas do tamanho do meu ser
...
Vou viver
...
Eu amei sozinha
(Tola que sou!
Deixo as lembranças
no rastro da minha existência
e nas linhas deste poema)
Alicia Salvaterra
Joãozinho
Joãozinho
Tadinho,
Tão anão,
E já se meteu em confusão.
Joãozinho não sabia falar, nem dançar,
Só sabia chorar,
E a mãe, pobrezinha,
Só ouvia, sem saber o que fazer.
Joãozinho não sabia ler, nem escrever,
Mas, sem perceber,
Não pôde nem aprender.
Joãozinho nem sabia o que era “poder”,
Mas não teve tempo de aprender,
Pois os homens armados,
Vestiram os seus fardados,
E não quiseram deixar-lhe conhecer.
Joãozinho nem sabia o que era um canhão,
nem quem tinha razão,
Mas sem querer,
morreu sem saber.
Eduardo Sampaio
Cala-te
Poderia fazer uma grande declaração de amor
Ou escrever o mais lindo soneto
Talvez arrancar suspiros com uma canção
Ou recitar os meus melhores versos
Mas poderei estar falando do que não sinto
Ou imaginando em você algo que sinto por outra
Posso simplesmente chorar na sua frente
E dizer que as lágrimas são homenagem
Por você ser a única
Quando na verdade são remorsos.
Posso muito bem fazer algo para provar algo
Te prometer a estrela mais distante
E te entregar no outro dia
Jurar a flor mais bela e cheirosa
E roubar na próxima esquina
Só para tentar te provar
O que talvez eu nem sinta.
Ou nunca senti.
O que te ofereço não são palavras
Ou uma figura bonita em um cartão
Nem uma atitude separada do todo
Nem uma loucura da imaginação
Te ofereço muito mais que o meu corpo
Te dou minha alma e o meu coração
Pois de tudo talvez você duvide
Até da mais louca paixão
Mas nada poderá ir contra
Ou dizer que é mentira
Pois o que deixo é a vida
Toda ela em suas mãos
E é com esta que provo
Que com o tempo (Talvez um longo tempo)
Que sou mais que poesia e canção
Verá que tudo o que falo e escrevo
Vem de dentro do meu coração.
A poesia de JRUnder
Inexplicável
E mergulhei no inexplicável abismo,
Paralisado, sem interagir...
Aos vultos que voam, inexpressíveis,
Em um quase ocultar, ou não existir.
Olhar distante, horizonte dos tempos,
Onde os desejos se mesclam aos sonhos.
Quando o querer resguardar-se dos medos,
Tal a um sorriso, em um rosto tristonho.
Palavras vazias, não formam sentidos
Como um céu que não mostra sua cor.
Assim são os ventos que sopram moinhos,
E movem as asas de um beija-flor.
Lembranças latentes em tempos perdidos,
Aromas de flores, seguros na mão...
Prever o futuro em meio ao escuro
Da vida, da noite, do amor, da ilusão...
GIRLEIDE TORRES LEMOS
Cuidado com o ideal romantizado do chegar lá: reflexões da menina do sítio
Tenho muita gratidão por todas as minhas conquistas e realizações, até parece que cheguei lá... Mas será que eu quero esse lá? É meio que parece um ideal de realidade. Falando desse ideal me parece que não consideramos as diferentes contradições que envolvem a conquista do chegar lá. E fica cada vez mais difícil sustentar que o LÁ não é de todo uma maravilha, que lá existem várias contradições e imposições que sufocam. E desse sufocamento chamo a atenção para as inúmeras versões que projetamos na vida, do meu lugar de fala destaco as versões do: eu mulher negra, mãe, companheira e professora universitária... Enfim tantas versões... Chega até respirei fundo.
Eu falei de imposições que sufocam, então, o verbo sufocar seguindo seu significado enquanto verbo intransitivo é: respirar com extrema dificuldade. E é isso que sinto quando me vejo projetando minhas versões e observando os movimentos que elas fazem cotidianamente. Versões essas que se implicam e se impõe uma em detrimento da outra. Nesses movimentos muitas vezes vem a sensação de sufocamento, respirando com extrema dificuldade, sobrevivendo. E é nessa condição de dificuldade que trago os perigos do ideal romantizado do chegar lá.
Perigos, sim. Porque quando a gente coloca a lente do chegar lá, assim entendendo ser essa ideia de realidade ideal, ignoramos o enquadramento que nos submetemos. Visto que muitas vezes aceitamos discursos opressores tais como o discurso sexista. Quantas vezes já ouvi as pessoas me falarem: "Há você está sofrendo porque quis tudo ao mesmo tempo, como pode querer ser mãe e fazer um doutorado ao mesmo tempo? Vixe como essa fala doeu e mesmo depois de tantos anos continua doendo. Dá até ânsia de vômito. E um aperto no peito. Então essa é só uma das inúmeras imposições que somos submetidas no enquadramento do chegar lá. Poderia trazer muitas outras falas que ouvi e acredito que você que está lendo esse texto também teria e tem relatos de já ter sido vítima do discurso sexista. O fato é que se faz necessário refletirmos sobre o que é chegar lá? Precisamos parar de nos enquadrar em certos ideais de realidade que só servem para manter uma lógica opressora de convivência... Nossa, chega suspirei de alívio falando disso.
Por agora, trouxe algumas reflexões e fica aqui meu convite para refletirmos sobre o chegar lá.
A poesia de JRUnder
Sombras
A noite silente e fria,
debruçava seu manto de sutil tristeza...
Nuvens no céu bordavam a nostalgia
do pálido momento, em tons de rara beleza.
Apenas vultos nas ruas se moviam,
em contraste com a quase inerte natureza
dos arbustos, que nas calçadas sombrias
bailavam aos ventos, em parcas correntezas.
Lua de prata, luzes que criam,
sombras sem almas, vidas ilusórias.
E cada uma escreve nas folhas
do livro do tempo, as linhas da história.
A poesia de JRUnder
Pasión
Deixe o luar rolar em seu rosto
Para morrer no rubro de seus lábios...
E que as vozes aos poucos se calem,
Para que a paz seja seu manto e seu abrigo.
Deixe que seu olhar se perca no infinito,
E saberei que este infinito é apenas seu
E assim, jamais me atreverei tocá-lo.
Deixe-me saber em que mares navegam seus pensamentos,
Nesta noite em que o tempo lhe subordina momentos,
Para que a magia do seu fulgor, apenas adormeça...
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