Escritas

Melodia para dores de amor

Carol Ortiz


Eu amei sozinha
Não me arrependo, não
Amar é vida
não rasa
E meu amor é raro,
Libertário, 
intenso, poderoso,
curador, único 
Mas não suficiente 
Nem mesmo eficiente 
Pra salvar a nossa história 
...
Eu amei sozinha
Agora é tempo de seguir,
nada para, nada espera
As mãos do tempo me abraçam 
e apressam
"faça sua hora
não há onde voltar"
...
Não quero estar no palco,
protagonizar angústia e dor, 
essa história não é mais minha,
me despeço dessa agonia,
sou atriz canastrona 
atuando nas defensivas da vida 
Com um nó na garganta 
faço as malas
recolho meu amor,
pequeno pra você, eu sei,
mas do tamanho do meu ser
...
Vou viver
...
Eu amei sozinha
(Tola que sou!
Deixo as lembranças 
no rastro da minha existência 
e nas linhas deste poema)