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Emílio

Emílio

De mim





Tive uma avó como toda a gente,

uma bisavó como ninguém

tinha saias até ao chão,

cheirava rapé,

nasceu no século desanove

e não tinha vintém.

Ensinou-me a acreditar

que deus não existe,

os santos também não,

que o diabo atenta,

e que fátima só

acredita o cristão.

Pediu-me pra
não roubar,

pra não matar,

pra não maldizer,

e nunca humanos, animais e plantas

desconsiderar.

Abriu-me portas de catedrais

palácios de conviver,

deu-me asas de longo alcance,

visão de pássaros urbanos,

iluminou-me os vales do saber,

contando-me histórias

de quem não sabia ler.

Amou-me como minha mãe,

despediu-se como se voltasse,

encontro-a vezes e vezes

nas retas da decisão,

Maria foi seu nome,

vai e vem nas vagas do tempo

nas curvas do coração.

Emílio Casanova, in "ninguém compra".
475
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

QUERIA AMOR

Queria poder costurar o amor
No peito de quem nós mais amamos
Costurar o perdão na alma
(...) O amor no coração.

 

790
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Tarde é e ser também

Pra’quê o tempo,
Pra’quê a urgência,
E a viagem que o vento
Tem de fazer,
E a que o tempo,
Tem feito, solto

Se o que tarda,
É um comboio,
De carga,
Não se atrasasse,
Não teria fingido,
Viajar, o vento…

Não se lembrasse,
Não teria contado um conto,
O certo, era nem ter
Visto o tempo sonhar,
Um comboio,
De brincar…

E pra quê o tempo,
Se nem tempo tem o vento,
De vir ter comigo, pra dançar…
Todo o resto,
Me segue,
Sem sentimento,

E o sentimento,
Sem sentido,
Vou seguindo,
Sem sentir
Que sou fingido…
Eu também…

Vai fugindo,
O chão que piso,
A luz que não tenho,
Pra quê o tempo,
Pra quê…
Se tarde é… e ser também.

Jorge Santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
2 926
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Paulo Jorge LG

Paulo Jorge LG

Falsa Epifania





Falsa ilusão em que mergulhei,
Terei eu a humildade dos mestres,
Para reequacionar o sentido da vida,
Há tão pouco tempo julgado desvendado,
E novamente e sempre posto em causa,
Na sua essência tangente mais viral.

Falsa modéstia que me encheu a alma,
Orgulhosamente só julguei perscrutar,
O silêncio da transumância cósmica,
Que me sufocou de presunção alienada,
Não me serviu de nada a luz epifania,
Que um dia julguei ter em mim incidido.

Falsa ausência de arrogância que esconjuro,
A maldição da indiferença absorta que instaurei,
A noção do ridículo que me absorve de comoção,
As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam,
As noites mágicas transcendentes que idealizei,
Para morrerem na infinidade das probabilidades.


Lisboa, 27-8-2013

774
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Larissa Rocha

Larissa Rocha

Morrer

Tenho no corpo jovem

a beleza que Afrodite me deu

mas pra quê servem encantos

se minha alma já morreu?



juventude, força, vitalidade...

para mim de nada valerão!

já que neste peito necrosado

há muito não bate um coração.



deixarei a dor da existência

suavemente...num só suspiro

pois sem ti a vida é um vazio

e eu não vivo, só respiro.



oh! e minha pobre mãe!

por me ver padecer tão nova

que desgosto ela teria, tão cedo,

em mandar cavar minha cova!
1 558
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lcarlos coelho

lcarlos coelho

Passos perdidos

que busca intermitende
as vezes fugas, noutras doloridas
em momento de paz o sorriso
com alternancia de lagrimas
que louca busca
com caminho espinhoso
para ser e estar e caminhar.
1 135
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Daqui até ao fim é um pulo

D'aqui até ao fim do mundo é um pulo...
Se eu disser que, na vida nada fiz, minto
Trago sempre comigo uma peça de pano
Que desdobro neste plano deserto

Quando paro, sendo raro é apenas para virar
De novo o caminho direito, (por vezes chato)
E acrescentar nele outro e outro ressalto
Pra quando salto, não vá este s'rasgar,

Porque d'aqui, até ao fundo é um mero salto,
Prefiro não pensar nisso, tampouco
Num vaso que nem parece caco, nem muito gasto.
Talvez sejam pensamentos de louco,

Mas a vida nunca me soube tanto a infinito
E seria melhor sentida, se não descresse do que sei,
E descrevesse umas linhas rectas nas curvas do meu desalento,
Com a serenidade que o meu espírito acresce,

Sobre a clareza, se acesa nem sei,
Nem esta m'engrandece...

Joel Matos (01/2012)
http://namastibetpoems.blogspot.com
760
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O POETA DE MEIA-TIGELA

O POETA DE MEIA-TIGELA

JUIZO FINAL (II)

Quero saber, meu chapa, é quando o Boss
Ficar de saco cheio dessa raça
E decidir cortar a luz dos sóis
E descer pra repor ordem na casa.

As gentes ficarão em maus lençóis
Porque quando Ele chega, sempre arrasa.
Vai pegar cada qual pel' próprio cós
E botar sem dó chumbo e ferro em brasa.

Quem quiser chorar, chore desde já, Quem viver chorará
Já que é certo não dar tempo depois.
Se quer se arrepender esqueça, pois

de se salvar, nem Ló desta vez há.
De ninguém restará sequer a ideia,
Eu, tu, ele, nós, vós, eles: diarreia!
855
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Tão ínfimo como beber


Na véspera de não partir, nunca
Antes mesmo de ter pensado
No regresso, a incógnita
Do futuro sujeita-me a vontade,

D'abalar prá's grandes extensões,
Da alma e do entendimento,
Mas, o que sinto efectivamente,
Ou está na prisão, ou anda amonte,

Ou é uma máscara, ou um pedaço d'alguém
Mas, a ilusão que m'lembro,
Só provem dos sonhos, de que s'lembra,
A consciência das flores,

Tudo o resto são lastros,
E castros e humores
Dos atalhos de quem viaja, por terra meia
E falha no destino.

Sou uma multitude de trastes,
Sou uma sombra de outra realidade,
Uma panaceia
De sentidos inúteis

E, dado que, na véspera não parti,
Como falei
E, tendo lugar reservado
No desejo absurdo

De encarnar num outro,
Os sonhos e as insónias,
Não terão morte no meu futuro,
Caminharemos de mão dada

Nos jardins d'outubro
Tendo na consciência, um cego
E no olhar distante, um louco
Que viaja numa falua sem corpo,

Querendo fugir e deixar tudo
Como estava no dia da chegada,
Sem se fingir d'arrependido,
Na volta da estrada sem vinda.

Sou tão cheio de abismos
E mistérios que não sei qual escolher
Dos terraços
E se chove eclipso-me no vaso de flores,

Nas ruas digitais
De pedras, enterrado vivo,
E as flores por coroa.
O plano era ter da jornada

A esperança, dum todo,
Como quem bebe o entendimento
Liquido, lúcido e menino.
Na véspera de partir viajo p'lo meu ser

Tão íntimo como beber
O reflexo da lua, não o meu...

Joel Matos (02/2011)
http://namastibetpoems.blogspot.com
1 257
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Fernando Cartago

Fernando Cartago

ETERNA LOUCURA

Enxergar através dos olhos claros
a vontade de acertar e aceitar
uma nova vida, deixar impuros
vícios que teimam permanecer até apertar

a alma de macho. Em seus martírios
de fugas eternas, numa loucura de atormentar
que adormece o lado fêmea nos delírios
de voltar o pensamento naquela pele e beijar

na boca. Loucura eterna onde consome meu ser
por deixar o animal morto e transformar me anjo
e voar bem perto dos teus seios e beber...

Esta eterna loucura de entrar em você e querer
uma vida insana para amar um só ser, desejo
mortal, eufórico, completamente mentecapto de viver.

(Fernando Cartago)
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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Deserto

Amor se eu fizer silêncio procura-me
(...) Nos desertos mais esquecidos.


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Florentino Marabuto

Florentino Marabuto

Desilusão





Alguém disse que a tristeza



é uma doença que nos destrói



por dentro. Por esses olhos



passam folhas amarelas



e nuvens escuras com



vagos versos nas algibeiras



das pálpebras.



Esse rio que corre das tuas mãos



e desagua no meu peito



não é senão a sombra do tempo



em que os meus olhos



se prendiam



na sombra dos teus lábios.



A tristeza



é um lugar desconhecido.



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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

MORAS EM MIM

Tu que moras no meu seio
Na carne rasgada do meu corpo
Feitiço do meus lábios à procura da tua boca
Mel que deixas na minha pele, de incontrolável sabor
Da tua sensualidade dos meus sentidos
Mar de ondas invisíveis do nosso próprio silêncio
Onde acaricias a nudez da longa madrugada
Com a cumplicidade tão nossa, meu amor
Os olhos aquecem, semeiam os nossos beijos
Tu teces a minha pele, que rasteja no teu calor perfumado
Da tua alma, da tua carne quente, do teu coração
Semeias as palavras em cada respiração pela boca do desejo
Tira o fôlego com o toque das tuas mãos da carne trémula
Devorando a fome da nossa pura nudez, com o suor em chamas.

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Regina Maria de Souza Moraes

Regina Maria de Souza Moraes

Desejo

Hoje eu quero o amor
e todas suas consequências.
923
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Danilo  de Jesus

Danilo de Jesus

Segunda pessoa do singular

Fizeste de ti o contrario de tudo que sempre imaginavas, e quando sonhavas não era sonho o que sonhavas; era pó.
Fizeste da realidade um sonho incapaz de acontecer, e choras com um sorriso de orelha a orelha;
Fizeste das sensações e pensamentos um mundo tão palpável como a pena que agora escreves;
Fizeste das oportunidades coisas tão inoportunas e tão sem nexo que traçava com elas, sempre, a latitude e a longitude de suas ações, mas não procuravas no mapa da atitude um ponto correspondente. E isso te doía ma alma, sim! Então, pulavas da geografia da vida para calculardes no português se realmente teve sem oportunidades ou cem 'inoportunidades', mas não sabias se expressar direito;
Fizeste o maior dos arranha céus com os pés no chão, mas como não sabias nada de geografia, matemática e nem português e bem provável que a frese acima esteja ao contrario:
Saístes para lutar e esquecestes as tuas melhores armas, porque realmente não saístes para lutar - é a batalha era dura!
Fingistes tudo, até mesmo amar; só não conseguiu a fingir a dor que sentias.
Serias capaz de preencher até mesmo o vácuo do universo, mas vale tão fundo que tu és agora, tu não és capaz disso;
Pensas no que queres, não mais com o pensamento e nem com o coração todo esperançoso de conquistar, mas com um suspiro de dó e ódio por não ser capaz de conquistar o que queria.
És só tu o lixo que sabes e acha que é e ainda tudo aquilo que não sabes o que é e nem nunca serás.
E tu choras, tu morres enquanto vivis e tu quereis e tu precisas e tu sentes falta e tu já perdeste tudo isso.

Lembra-te aquele sonho, que agora tão realizado estas...; lembraste? Pois é! Esqueças. Só engulas a seco essas lágrimas de veneno porque são as lágrimas que tu não choraste e mates mais um sonho teu; e logo o que estava quase, quase, quase realizado, mas mates porque algo saiu errado porque todos os teus sonhos têm que existirem já ex-existindo.
Ao invés de praticar atitudes que mudes a vida, aprendas manias bobas que mude a tua feição; aproveites e aprendas uma que te deixe com a cara de bobo e lerdo e boca aberta que realmente és e ponto final.

O que mais deixaras que passasse por ti e fiquem apenas dolorosas marcas e muitas saudades?

Fizeste um enorme buraco em teu coração, feriste com navalha e cicuta os confins de sua alma
Aprendestes a fazer movimentos que não acontecem nunca, e choravas por isso no escuro, mas sempre com sorriso alegre.
Fizeste de tua vida um colorido de uma só cor, e agora todo esse trabalho resultou em vão
Fugiste tanto de tantas saídas e fechastes tantas e tantas portas, que agora, com as chaves em mão, queres abrir aquelas portas, mas já não sabes escolher mais isso.
Tu não dizes, mas tens pena de si mesmo. Da para ouvir isso em teu silencio.
Que fazes em quanto sonhas; será que morres?! Porque tantos sonhos teus nem saem do mundo dos sonhos e já vão direito para o mundo dos mortos; e ainda assim realizaram-se! Ah, Não; não sabes?! Pois se realizaram sim, Porque os teus sonhos existem e ex-existem tudo ao mesmo tempo.
Fingir sempre foi a tua melhor farsa, houve até um tempo em que não sabias mais se fingias de verás ou se fingia que fingias. Por isso Tu és o grande ator e autor e escritor e apresentar e telespectador da tragédia de si mesmo.

Tu és muito e muito pior que a dor, porque a dor dói por vicio da rotina, e tu... Tu machucas-te por vicio da escolha.
Que Fizestes de ti, inútil "pensador"; que esperas da vida?
Que pensas que pensam de ti; que és esperado? Pobre de tu. Tu és o desesperado! Tu és aquele que, por um raro acaso foi esperado, ficou sempre em segundo lugar. E ate mesmo as regras do português contrastaram contra tu: TU segunda pessoa do singular.
.
Tem agora o que te faltava antes, tu tens consciência até da morte - mas o que te faltou antes?
Que pensas agora; agora que... Agora que a frustração e sua pátria? - tens dó de ti?
Pobre, pobre, pobre e pobre e pobre de tu? E agora? Sabes que são tantas e tantas e tantas perguntas que e inútil citar qualquer que seja.

Não adiante agora tentar enganar a si próprio, não! É puro engano! "aceitas a frio o que tu és". A tua melhor fresa já escreveste na vida: aquele que, por um raro acaso foi esperado, ficou sempre em segundo lugar. E ate mesmo as regras do português contrastaram contra tu: TU segunda pessoa do singular!
2 786
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tais rocha silva

tais rocha silva

A NOSSA NOITE!

QUANTA ALEGRIA INGENUA
NAQUELA NOITE SERENA
EU PUDE ENCONTRAR..
TEU ABRAÇO TEREI GUARDADO
COMO UM SONHO JAMAIS SONHADO
E A DOÇURA DO TEU OLHAR.
NÃO SEI EXPLICAR O QUE SENTI
NEM OS SÁBIOS,TALVEZ NEM A POESIA
POSSAM DESCREVER
AINDA SONHO MESMO ACORDADA
ANSIOSA ESPERO A CADA MADRUGADA
NOVAMENTE ENCONTRAR VOCÊ!
793
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Francisco Quintas

Francisco Quintas

TRÊS DE JULHO

Kafka faria hoje anos...

Já não faz. Descansa

Em paz. Jaz...

Como eu

Atrás do mundo europeu

Do qual fugiu

Em que se escondeu

Quando estes dias fizer eu anos também

Vou convidar alguém... como ele

Sem carne, sem pele

Nem sangue

Nem pátria

Ou deus.

Jantaremos os ossos, as escamas

Os espinhos desta cruz

Emborcaremos os dois

Malgas de pus

Nas masmorras de um castelo chamado Modernidade.

Ignaros do crime e do processo,

Expiando uma pena

- mais dolorosa só por isso -

Gravada na carne invisível da alma,

Celebraremos o desaparecimento

Do homem e da certeza

Com opíparas doses de dejectos,

Metamorfoses, insectos por sobremesa...

No final o champanhe da eterna insónia

Far-nos-á arrotar "Para o ano há mais, Franz".

Após o qual entraremos em transe

Até que a madrugada quadriculada da cela

Nos anuncie o sisífico castigo judeu

Que assomará ao postigo

Desdentado

Pútrido, eterno, ateu

E nos rosne baixinho:

O Eu morreu!

3/7/2006






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1
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

FLORES FELIZES

Sejamos felizes sem mentira
Sem desafeto, sem ilusão, sem amor
Afinal amamos todas aquelas flores
Aquelas que nascem entre rochedos
Flores que não hesitam em desafiar
A secura das folhas na brutalidade das pedras
Sejamos livres de todas as palavras que nos ferem
- Da angústia que chega sem aviso
E da maldade que nos assombra todos os dias.
835
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Luis Rodrigues

Luis Rodrigues

Há dias eternos

Há dias eternos.

Há mulheres raras.

Há dias raros ao lado de uma mulher eterna
4 136
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Erva maldita

Minh’alma é estranha tanto e a vontade mar d’engano,
De verdade, nem sei mesmo quem n’alma tenho, 
Que faz meu, um sentir estranho e tê-la eu, pequeno…
Quem dera não ter alma no lado onde o pensar tenho
Nem a infinita variedade de memórias da hidra, ao menos.

Sinto que há em mim, alguém além de mim e maior que eu,
Tenho diferentes sonhos segundo os meses, minutos e anos,
Todos de uma perene doçura, misturados com um sonho meu,
Terreno. Possível é passarmos oceanos sem terras vermos,
Mas quando sentimos é como se crescêssemos uma etapa nova,

Acrescentando esse dia a um mês e a um ano sem longe nem longe
O que interessa saber se o Sol faz o pino durante o Equinócio
Ou Imaginar de pau as andas de um espírito fantástico que foge 
Se vendo bem só venho de meus astrais mapas lembrar o ofício
De um sonhar d’alma não meu mas d’outros eus, (maldita erva)

Minh’alma é estranha tanto e a vontade erva do engano
De ser eu ou ter meu um outro qualquer antigo dom, sobejo. 
Não esta fria paisagem d’alma, (cão vesgo de um velho dono)
Prefiro não me achar, que não gostar do espelho que vejo.
(Maldita erva, maldita erva, maldita vontade serva)

Jorge Santos (03/2014)
http://joel-matos.blogspot.com


1 630
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Luna Blanca

Luna Blanca

Volúpia

Rasga a minha pele,
Leva-me ao delírio,
Mergulha no abismo com estocadas fortes,
Passeia no meu corpo todo este desejo,
Morrer e renascer apenas com um beijo.

Mil noites e mil dias ouço os teus gemidos,
Lágrimas e risos a sugar teu sangue,
Te envolvo em mil laços,
Te prendo em minha rede,
Só o teu suor sacia a minha sede.

490
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Jorge Santos (namastibet)

Jorge Santos (namastibet)

Jardim de Inverno

Nesse impossível jardim,  
Sujeito á plácida meditação
E ao querubim do suicídio,
A vista, sem demorar nos frutos,

Perde-se da noção de pressa,
E a sensação de me perder de mim próprio…
Cabra-cega da tristeza,
Vibração do meu peito herbário…

Que se passa em mim,
Que continuo ansioso por atenção,
Nesse impossível jardim,
De Platão nesse mesmo chão, de Adão…

Que se passa em mim,
Arredo entre o medo e o termo
Guardado do princípio ao fim,
Pl’o destino, que me concebeu tão ermo,

Tão delido na rua, sinónimo
Do medo que me adula,
Caminho no parque até ao cimo,
Depois atiro-me a voar qual rola,

Rente…rente ao chão.
Feliz jardim em clausura
Era, gasto verão,
Ou invernia em haste pura.

Nesse impossível jardim de inverno,
Perdi mais de uma vez a razão…

Jorge Santos (01/2013)
http://joel-matos.blogspot.com
2 425
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Emílio

Emílio

Poesia II



Janela entreaberta no instante ,

flash do momento ,

rompe de improviso

flui absorvente

ocupa o pensamento.

Perene e viva

joga na essência das palavras

poder das emoções,

dos sentimentos dos ódios

das mágoas,

dos amores das desilusões.

Atravessa tempos

continentes gerações

num mundo sem servidões

sem tropas armas canhões.

Constrói uma teia,

avessa a multidões

abraça o sonho a magia

a imaginação e toca-nos docemente

na vida de cada dia.

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
564
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Emílio

Emílio

Rosto

Gosto do teu gosto,
das palavras desafiadoras
do rosto do teu rosto,
espelho do teu eu,
das emoções duradouras,
vizinhas completas
das viagens de pombas
guerreiras, na caminhada
para o teu céu...longe de
assédios irracionais,
frutos instintos
de históricos ancestrais,
de espinhos que a beleza traz.

Emílio Casanova, in "ninguém compra".
584
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