
Lista de Poemas
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Emílio
De mim
Tive uma avó como toda a gente,
uma bisavó como ninguém
tinha saias até ao chão,
cheirava rapé,
nasceu no século desanove
e não tinha vintém.
Ensinou-me a acreditar
que deus não existe,
os santos também não,
que o diabo atenta,
e que fátima só
acredita o cristão.
Pediu-me pra
não roubar,
pra não matar,
pra não maldizer,
e nunca humanos, animais e plantas
desconsiderar.
Abriu-me portas de catedrais
palácios de conviver,
deu-me asas de longo alcance,
visão de pássaros urbanos,
iluminou-me os vales do saber,
contando-me histórias
de quem não sabia ler.
Amou-me como minha mãe,
despediu-se como se voltasse,
encontro-a vezes e vezes
nas retas da decisão,
Maria foi seu nome,
vai e vem nas vagas do tempo
nas curvas do coração.
Emílio Casanova, in "ninguém compra".
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
QUERIA AMOR
Queria poder costurar o amor
No peito de quem nós mais amamos
Costurar o perdão na alma
(...) O amor no coração.
Jorge Santos (namastibet)
Tarde é e ser também
Paulo Jorge LG
Falsa Epifania
Falsa ilusão em que mergulhei,
Terei eu a humildade dos mestres,
Para reequacionar o sentido da vida,
Há tão pouco tempo julgado desvendado,
E novamente e sempre posto em causa,
Na sua essência tangente mais viral.
Falsa modéstia que me encheu a alma,
Orgulhosamente só julguei perscrutar,
O silêncio da transumância cósmica,
Que me sufocou de presunção alienada,
Não me serviu de nada a luz epifania,
Que um dia julguei ter em mim incidido.
Falsa ausência de arrogância que esconjuro,
A maldição da indiferença absorta que instaurei,
A noção do ridículo que me absorve de comoção,
As inenarráveis teias dos pesadelos que me assaltam,
As noites mágicas transcendentes que idealizei,
Para morrerem na infinidade das probabilidades.
Lisboa, 27-8-2013
Larissa Rocha
Morrer
a beleza que Afrodite me deu
mas pra quê servem encantos
se minha alma já morreu?
juventude, força, vitalidade...
para mim de nada valerão!
já que neste peito necrosado
há muito não bate um coração.
deixarei a dor da existência
suavemente...num só suspiro
pois sem ti a vida é um vazio
e eu não vivo, só respiro.
oh! e minha pobre mãe!
por me ver padecer tão nova
que desgosto ela teria, tão cedo,
em mandar cavar minha cova!
lcarlos coelho
Passos perdidos
as vezes fugas, noutras doloridas
em momento de paz o sorriso
com alternancia de lagrimas
que louca busca
com caminho espinhoso
para ser e estar e caminhar.
Jorge Santos (namastibet)
Daqui até ao fim é um pulo
O POETA DE MEIA-TIGELA
JUIZO FINAL (II)
Ficar de saco cheio dessa raça
E decidir cortar a luz dos sóis
E descer pra repor ordem na casa.
As gentes ficarão em maus lençóis
Porque quando Ele chega, sempre arrasa.
Vai pegar cada qual pel' próprio cós
E botar sem dó chumbo e ferro em brasa.
Quem quiser chorar, chore desde já, Quem viver chorará
Já que é certo não dar tempo depois.
Se quer se arrepender esqueça, pois
de se salvar, nem Ló desta vez há.
De ninguém restará sequer a ideia,
Eu, tu, ele, nós, vós, eles: diarreia!
Jorge Santos (namastibet)
Tão ínfimo como beber
Tão íntimo como beber

Fernando Cartago
ETERNA LOUCURA
a vontade de acertar e aceitar
uma nova vida, deixar impuros
vícios que teimam permanecer até apertar
a alma de macho. Em seus martírios
de fugas eternas, numa loucura de atormentar
que adormece o lado fêmea nos delírios
de voltar o pensamento naquela pele e beijar
na boca. Loucura eterna onde consome meu ser
por deixar o animal morto e transformar me anjo
e voar bem perto dos teus seios e beber...
Esta eterna loucura de entrar em você e querer
uma vida insana para amar um só ser, desejo
mortal, eufórico, completamente mentecapto de viver.
(Fernando Cartago)
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
Deserto
Amor se eu fizer silêncio procura-me
(...) Nos desertos mais esquecidos.
Florentino Marabuto
Desilusão
Alguém disse que a tristeza
é uma doença que nos destrói
por dentro. Por esses olhos
passam folhas amarelas
e nuvens escuras com
vagos versos nas algibeiras
das pálpebras.
Esse rio que corre das tuas mãos
e desagua no meu peito
não é senão a sombra do tempo
em que os meus olhos
se prendiam
na sombra dos teus lábios.
A tristeza
é um lugar desconhecido.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
MORAS EM MIM
Tu que moras no meu seio
Na carne rasgada do meu corpo
Feitiço do meus lábios à procura da tua boca
Mel que deixas na minha pele, de incontrolável sabor
Da tua sensualidade dos meus sentidos
Mar de ondas invisíveis do nosso próprio silêncio
Onde acaricias a nudez da longa madrugada
Com a cumplicidade tão nossa, meu amor
Os olhos aquecem, semeiam os nossos beijos
Tu teces a minha pele, que rasteja no teu calor perfumado
Da tua alma, da tua carne quente, do teu coração
Semeias as palavras em cada respiração pela boca do desejo
Tira o fôlego com o toque das tuas mãos da carne trémula
Devorando a fome da nossa pura nudez, com o suor em chamas.
Regina Maria de Souza Moraes
Desejo
e todas suas consequências.
Danilo de Jesus
Segunda pessoa do singular
Fizeste da realidade um sonho incapaz de acontecer, e choras com um sorriso de orelha a orelha;
Fizeste das sensações e pensamentos um mundo tão palpável como a pena que agora escreves;
Fizeste das oportunidades coisas tão inoportunas e tão sem nexo que traçava com elas, sempre, a latitude e a longitude de suas ações, mas não procuravas no mapa da atitude um ponto correspondente. E isso te doía ma alma, sim! Então, pulavas da geografia da vida para calculardes no português se realmente teve sem oportunidades ou cem 'inoportunidades', mas não sabias se expressar direito;
Fizeste o maior dos arranha céus com os pés no chão, mas como não sabias nada de geografia, matemática e nem português e bem provável que a frese acima esteja ao contrario:
Saístes para lutar e esquecestes as tuas melhores armas, porque realmente não saístes para lutar - é a batalha era dura!
Fingistes tudo, até mesmo amar; só não conseguiu a fingir a dor que sentias.
Serias capaz de preencher até mesmo o vácuo do universo, mas vale tão fundo que tu és agora, tu não és capaz disso;
Pensas no que queres, não mais com o pensamento e nem com o coração todo esperançoso de conquistar, mas com um suspiro de dó e ódio por não ser capaz de conquistar o que queria.
És só tu o lixo que sabes e acha que é e ainda tudo aquilo que não sabes o que é e nem nunca serás.
E tu choras, tu morres enquanto vivis e tu quereis e tu precisas e tu sentes falta e tu já perdeste tudo isso.
Lembra-te aquele sonho, que agora tão realizado estas...; lembraste? Pois é! Esqueças. Só engulas a seco essas lágrimas de veneno porque são as lágrimas que tu não choraste e mates mais um sonho teu; e logo o que estava quase, quase, quase realizado, mas mates porque algo saiu errado porque todos os teus sonhos têm que existirem já ex-existindo.
Ao invés de praticar atitudes que mudes a vida, aprendas manias bobas que mude a tua feição; aproveites e aprendas uma que te deixe com a cara de bobo e lerdo e boca aberta que realmente és e ponto final.
O que mais deixaras que passasse por ti e fiquem apenas dolorosas marcas e muitas saudades?
Fizeste um enorme buraco em teu coração, feriste com navalha e cicuta os confins de sua alma
Aprendestes a fazer movimentos que não acontecem nunca, e choravas por isso no escuro, mas sempre com sorriso alegre.
Fizeste de tua vida um colorido de uma só cor, e agora todo esse trabalho resultou em vão
Fugiste tanto de tantas saídas e fechastes tantas e tantas portas, que agora, com as chaves em mão, queres abrir aquelas portas, mas já não sabes escolher mais isso.
Tu não dizes, mas tens pena de si mesmo. Da para ouvir isso em teu silencio.
Que fazes em quanto sonhas; será que morres?! Porque tantos sonhos teus nem saem do mundo dos sonhos e já vão direito para o mundo dos mortos; e ainda assim realizaram-se! Ah, Não; não sabes?! Pois se realizaram sim, Porque os teus sonhos existem e ex-existem tudo ao mesmo tempo.
Fingir sempre foi a tua melhor farsa, houve até um tempo em que não sabias mais se fingias de verás ou se fingia que fingias. Por isso Tu és o grande ator e autor e escritor e apresentar e telespectador da tragédia de si mesmo.
Tu és muito e muito pior que a dor, porque a dor dói por vicio da rotina, e tu... Tu machucas-te por vicio da escolha.
Que Fizestes de ti, inútil "pensador"; que esperas da vida?
Que pensas que pensam de ti; que és esperado? Pobre de tu. Tu és o desesperado! Tu és aquele que, por um raro acaso foi esperado, ficou sempre em segundo lugar. E ate mesmo as regras do português contrastaram contra tu: TU segunda pessoa do singular.
.
Tem agora o que te faltava antes, tu tens consciência até da morte - mas o que te faltou antes?
Que pensas agora; agora que... Agora que a frustração e sua pátria? - tens dó de ti?
Pobre, pobre, pobre e pobre e pobre de tu? E agora? Sabes que são tantas e tantas e tantas perguntas que e inútil citar qualquer que seja.
Não adiante agora tentar enganar a si próprio, não! É puro engano! "aceitas a frio o que tu és". A tua melhor fresa já escreveste na vida: aquele que, por um raro acaso foi esperado, ficou sempre em segundo lugar. E ate mesmo as regras do português contrastaram contra tu: TU segunda pessoa do singular!
tais rocha silva
A NOSSA NOITE!
NAQUELA NOITE SERENA
EU PUDE ENCONTRAR..
TEU ABRAÇO TEREI GUARDADO
COMO UM SONHO JAMAIS SONHADO
E A DOÇURA DO TEU OLHAR.
NÃO SEI EXPLICAR O QUE SENTI
NEM OS SÁBIOS,TALVEZ NEM A POESIA
POSSAM DESCREVER
AINDA SONHO MESMO ACORDADA
ANSIOSA ESPERO A CADA MADRUGADA
NOVAMENTE ENCONTRAR VOCÊ!
Francisco Quintas
TRÊS DE JULHO
Kafka faria hoje anos...
Já não faz. Descansa
Em paz. Jaz...
Como eu
Atrás do mundo europeu
Do qual fugiu
Em que se escondeu
Quando estes dias fizer eu anos também
Vou convidar alguém... como ele
Sem carne, sem pele
Nem sangue
Nem pátria
Ou deus.
Jantaremos os ossos, as escamas
Os espinhos desta cruz
Emborcaremos os dois
Malgas de pus
Nas masmorras de um castelo chamado Modernidade.
Ignaros do crime e do processo,
Expiando uma pena
- mais dolorosa só por isso -
Gravada na carne invisível da alma,
Celebraremos o desaparecimento
Do homem e da certeza
Com opíparas doses de dejectos,
Metamorfoses, insectos por sobremesa...
No final o champanhe da eterna insónia
Far-nos-á arrotar "Para o ano há mais, Franz".
Após o qual entraremos em transe
Até que a madrugada quadriculada da cela
Nos anuncie o sisífico castigo judeu
Que assomará ao postigo
Desdentado
Pútrido, eterno, ateu
E nos rosne baixinho:
O Eu morreu!
3/7/2006
Isabel Morais Ribeiro Fonseca
FLORES FELIZES
Sem desafeto, sem ilusão, sem amor
Afinal amamos todas aquelas flores
Aquelas que nascem entre rochedos
Flores que não hesitam em desafiar
A secura das folhas na brutalidade das pedras
Sejamos livres de todas as palavras que nos ferem
- Da angústia que chega sem aviso
E da maldade que nos assombra todos os dias.
Luis Rodrigues
Há dias eternos
Há mulheres raras.
Há dias raros ao lado de uma mulher eterna
Jorge Santos (namastibet)
Erva maldita
De verdade, nem sei mesmo quem n’alma tenho,
Que faz meu, um sentir estranho e tê-la eu, pequeno…
Quem dera não ter alma no lado onde o pensar tenho
Nem a infinita variedade de memórias da hidra, ao menos.
Sinto que há em mim, alguém além de mim e maior que eu,
Tenho diferentes sonhos segundo os meses, minutos e anos,
Todos de uma perene doçura, misturados com um sonho meu,
Terreno. Possível é passarmos oceanos sem terras vermos,
Mas quando sentimos é como se crescêssemos uma etapa nova,
Acrescentando esse dia a um mês e a um ano sem longe nem longe
O que interessa saber se o Sol faz o pino durante o Equinócio
Ou Imaginar de pau as andas de um espírito fantástico que foge
Se vendo bem só venho de meus astrais mapas lembrar o ofício
De um sonhar d’alma não meu mas d’outros eus, (maldita erva)
Minh’alma é estranha tanto e a vontade erva do engano
De ser eu ou ter meu um outro qualquer antigo dom, sobejo.
Não esta fria paisagem d’alma, (cão vesgo de um velho dono)
Prefiro não me achar, que não gostar do espelho que vejo.
(Maldita erva, maldita erva, maldita vontade serva)
Jorge Santos (03/2014)
Luna Blanca
Volúpia
Rasga a minha pele,
Leva-me ao delírio,
Mergulha no abismo com estocadas fortes,
Passeia no meu corpo todo este desejo,
Morrer e renascer apenas com um beijo.
Mil noites e mil dias ouço os teus gemidos,
Lágrimas e risos a sugar teu sangue,
Te envolvo em mil laços,
Te prendo em minha rede,
Só o teu suor sacia a minha sede.
Jorge Santos (namastibet)
Jardim de Inverno
Emílio
Poesia II
Janela entreaberta no instante ,
flash do momento ,
rompe de improviso
flui absorvente
ocupa o pensamento.
Perene e viva
joga na essência das palavras
poder das emoções,
dos sentimentos dos ódios
das mágoas,
dos amores das desilusões.
Atravessa tempos
continentes gerações
num mundo sem servidões
sem tropas armas canhões.
Constrói uma teia,
avessa a multidões
abraça o sonho a magia
a imaginação e toca-nos docemente
na vida de cada dia.
Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
Emílio
Rosto
das palavras desafiadoras
do rosto do teu rosto,
espelho do teu eu,
das emoções duradouras,
vizinhas completas
das viagens de pombas
guerreiras, na caminhada
para o teu céu...longe de
assédios irracionais,
frutos instintos
de históricos ancestrais,
de espinhos que a beleza traz.
Emílio Casanova, in "ninguém compra".
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