Lista de Poemas
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natalia nuno
sonho...dá-me o que tens
era a tua mão que me agarrava
e me prendia
era o sonho que me atraía
era a escuridão do caminho
o pesadelo
era o eco que ouvia
da saudade
no meu coração rasgado
clamando por claridade,
por amor, por afecto
eram as primaveras esperando
era o silêncio dos corpos
o suicídio dos sonhos
era o pensamento circunspecto
meus olhos segredos são
de quem é este amor
que neles corre?
ai a saudade...
que vem em direcção a mim,
vagueio sozinha no tempo
neste tempo sem fim
embalo-me na ilusão
deste amor que ainda queima
e é jugo de sedução...
natalia nuno
rosafogo
Enide Santos
Porque a morte é igual para todos?
Me dei conta agora de que quase todos os dias, tenho uma pergunta nova para Deus.
Mas
é como se eu perguntasse para mim mesma então eu mesma me dou à resposta...
Vai
viver e deixe de tanto querer saber!
Algumas
vezes somos como crianças, a perguntar porque o céu é azul?
A
morte é só uma horinha que acontece na vida da gente.
Os
bons e os maus não se dão conta de o serem e quando o são, quase sempre estão
equivocados.
Assim
para mim é a morte.
Cega,
muda e surda.
Apenas direta!
Enide Santos 13/05/14
José João Murtinheira Branco
SONHOS DE POETA - I
Filho de um contentamento
descontente,
flutuo mo sonho de símbolos e lavras.
Onde enigmático se esconde esse
silêncio
de figuras que marcham, entrando nas
palavras
cínicas, déspotas, que subjugam
rudemente,
esmagando o verbo pelo prestígio da
morte.
Escorre-me letras dilaceradas pelas narinas e boca,
cuspo palavras no papel amarrotado.
Encarno o personagem da poesia
maldita,
só e penitente, arrasto-me até à hora
da morte.
Mastigarei visões, porfiando retalhos
de vida louca,
metade de mim é verso, num grito
esconjurado.
A outra metade é prosa corrida, mal
escrita
lida e relida na mente, no silêncio
amargurado.
Os poetas perseguem os sonhos e a
eternidade
a utopia da pedra filosofal, decantada na
alquimia
uma névoa luminosa dentro da nossa
obscuridade
o desejo de transcendência, o delírio
da verdade
que envolve a existência, embriaga e
nos vicia.
Tiram-nos o sonho, a tristeza impera
e não resistimos,
tiram-nos os versos o ar acaba e não
respiramos,
tiram-nos o amor o coração para e não
existimos.
Não seria possível sonhar se os
poetas não nascessem
e as lágrimas morressem.
João Murty
natalia nuno
este nosso amor...
Dá-me o que tens
recupera o fôlego
eu sou o rosto da fogueira
o vento do desejo
e às vezes da saudade
cansa-te no meu corpo
que o tempo dos sonhos acabou
não esperes milagre
nem tão pouco eternidade
tudo acaba, já tanto se calou
dá-me o toque dos teus dedos
ouve os meus gemidos
labirintos de segredos
espevita o carvão,
ateia a chama
e eu serei o fogo
que não se vê mas sente,
a areia ardente escaldante
deste nosso amor.
natalia nuno
rosafogo
Carla Furtado Ribeiro
ATRAVESSO O TEMPO COMO RIOS
José João Murtinheira Branco
CELA DO SILÊNCIO
Saudades
do amor, com beijos se cura,
sarando
a dor que aperta o coração.
Chega
a moite e com ela a lua se lança
nas
nuvens cinzentas, que vogam na altura,
bruxeleante,
nua, vai-se no Céu em exaltação.
Chega
o dia e com ele o Sol de esperança.
Entre
o branco marfim das minhas alvas cãs,
recordo
e prendo o teu sorriso á minha boca.
Sei
que persegui o sonho, amei e fui amado
fluindo
no anonimato, por entre máscaras vãs.
Em
mil flechas, me quebraram a vontade louca
num
tempo sem horas, corrosivo e desolado.
Apago
o sonho de liberdade, no despertar morno
da cruel realidade. Contestatário politico, preso isolado.
Moro com a saudade, com o silêncio e o mar em torno.
João
Murty
Samuel da Mata
O ÚLTIMO TANGO
O Sol tingiu de ouro as águas, como por encanto
Na partida de minha alma pra não mais voltar
Não que fosse eu melhor do que outros tantos
Mas fui, por certo, teu bem maior, particular
Só quando a noite desce é que se entende o dia
É quando as trevas e solidão dão asas à dor
Quando os amigos calam e a madrugada esfria
Em ouro se pesa a valia de um grande amor
Dourar-se-á também teus olhos em fartas lágrimas
Quando noutra tarde o meu barco já não vires mais
Dar-se-ia dos teus tesouros, até última drácma
Para que a sua última insensatez voltasse atrás
Balança a nau em triste valsa de despedida
O mar soluça e chora a dor que certo inda virá
Quantas paixões já viu perderem rumos na vida
E em turvas águas de estultice irem afogar
Larissa Rocha
Tua voz
Tua voz envolve meu corpo com um abraço
E quase posso sentir tua respiração quente
Falando ao meu ouvido, tua boca bem rente,
É impossível sair deste laço…
Tua voz pronuncia o nome meu
Saboreando cada sílaba… bem devagar
É como se ela estivesse a proclamar
Algo que sempre foi teu…
Tua voz rompe o silêncio da minha mente
E logo me vejo enlouquecida,
Por tua voz confortada e aquecida,
Fernando Oliveira Granja
A quimica
Cléia Mutti Fialho
GOZE PARA MIM AMOR (erótico)
Carla Pais
No íntimo de nada
nem caminhos que lhe reparem nas solas usadas
que os pés devoraram – são as ruelas acabadas
pelo silêncio dos gestos que lhe dançam nos olhos
a cada anoitecer, são os vultos adormecidos à soleira
das portas vazias que carrega nas palavras que desconhece
tal como as estrelas mortas na escuridão escusam o céu.
Assim é ela – presa naufragada no íntimo do nada. Que seja!
Carla Furtado Ribeiro
TERRA DA ALEGRIA
-
Vê que singeleza há na aurora
Ricardo Cabús
Beijos Comprimidos
Beijos Comprimidos
(Cacos Inconexos)
No
vagar da tarde
sonho
com
teus beijos compressores
No
vagar da tarde
pede-me
ficante
faz-me
pecante
traça-me
picante
E
deixa o Sol rastrear nosso odor
e
deixa a dor rastejar solo ardente
e
rilha, rilha, rilha
cada
dente siso
cada
cadeira básica
cada
porta tesa
E
eu te aguardo
para
beijos comprimidos
beijos
compressores
no
vagar da tarde
natalia nuno
tantas marés...
a vida tem tantas marés
sinto-lhe o pulsar
minhas palavras sulcam terra e mar
audaciosas, sem temor,
vêm ao ouvido sussurrar
como é bom viver com amor
palavras que são orvalho da minha alma
são a chama que me aquece,
e «nunca se esquece que a vida palpita»
d'amor e saudade,
faço delas minha prece, enquanto
meu coração de exaltação grita.
lembranças duma data já sumida
vozes de vida perdida, olhares que deixaram de existir
desmaiados traços de rostos,
tudo desarvorado na memória a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos,
lembranças numa infinidade de molduras
que o tempo não apagou,
ternuras e sonhos que o tempo calou.
há momentos sem idade, e
«nunca se esquece que a vida palpita»
só quem viveu, sabe, que a saudade
é luz que na aurora, alumia o caminho afora
é sentimento que no coração não cabe.
ah! esta dor de lembrar que me consome
sem nome, nem idade,
comparável ao desamor, que assim,
habitará para sempre em mim
envelhecida na saudade.
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 29/02/2014
Larissa Rocha
Quando eu te vejo
Quando eu te vejo, reparo logo em teus olhos…
Olhar escuro sensual, profundo como tua alma.
Em seguida, teus dentes perfeitos num lindo sorriso,
O som do teu riso me envolve e me acalma.
Quanto eu te vejo, passo bem perto de ti…
O suficiente para sentir teu cheiro, e inspiro
O frescor do teu perfume inebriante,
Poderia ter esse perfume todo o ar que respiro…
E o jeito que tu caminhas triunfante
Revela teu porte de semideus,
Reparo em teu jeito de andar elegante.
Te ver é como ter uma visão do paraíso
És o mais belo dos sonhos meus,
E quando eu te vejo, perco o que me resta de juízo.
Fernando Oliveira Granja
A Gaiola dos Sons
Do meu quarto, tenho por diante de meus olhos cerrados, abandonados,
Imagens, dos sons da via publica:
O Kru, Kru das Pombas...
O ladrar dos Caes...
Motorizados deslocando-se em todas as Direçoes...
O apitar do carro em cada Cruzamento...
O som de abrir e fechar de Portas...
O som dos Passos...
O correr da Agua...
O som do aviao, deslizando, deslocando o AR...
O som do meu Respirar...
Tudo isto, faz lembrar-me o lado de Fora...A Gaiola dos Sons!
Gostei!
Até ouvir o meu pesado respirar Barulhento.
Abri os Olhos...
F. Granja
Rodrigo_A_Cardoso
Anjo ao céu
A passagem dói para os que ficam
As lembranças só nos contam o bem
Saudade não é um fardo para se carregar
Aos braços de seus iguais buscamos nos segurar
E não existem rios que caiam que faça amenizar
Tentando compartilhar sentimentos buscando empatia
Sentindo junto quem sabe fará tudo acalmar
De mãos dadas seguimos
Tentando achar um norte quando nada parece no lugar
Quando apenas tentamos ficar em pé
Ir ao chão não seria a sós
Nada mais será como foi
Quando se vai
Anjo ao céu
Rodrigo_A_Cardoso
Camila
Brilha iluminando o caminho dos que preferem você
Terminando seu deslizar escondendo-se de onde ela vem
Descanse sobre a luz do sol linda lua
Mostrando o caminho a tomar onde ela encontrarei
O dia nasce e no horizonte olho pra onde sei que a encontrarei
Depois de a lua entregar o nascer do sol
Vem a alegria de estar com ela
Alegria que não tenho com mais ninguém
A vontade é se jogar ao vazio sem uma mão para segurar
Buscando um modo de não caminhar
Só para percorrer rápido a distancia a te encontrar
É assim que vivo e se vive o amor
Ninguém vive só e sem ele
Não lembro como eram os dias sem te encontrar
Sem seguir o caminho que a lua deixou
Para bom dia amor te dar
Toques sinceros em seu rosto para seus olhos os meus encontrar
Esperando satisfação em seu olhar
Em volta o seu perfume a me cercar
O tempo escorrendo para longe te levar
Trazendo de volta a lua e me tirando você
Levando tudo junto quando se vai
Que me perdoe a lua
Mas é sem ela que não sei mais ser alguém
A lua a me trazer e me tirar
A alma mais linda que entre seus ciclos irá respirar
Cléia Mutti Fialho
DO APERITIVO À SOBREMESA (erótico)
Filipe Marinheiro
sem título 7
Jorge Santos (namastibet)
Poeta acerca...
Poeta acerca...
Jorge Santos (namastibet)
Curtos dedos
Amarro-me eu, pl's beiços
E a mim mesmo, plas cordas que teço,
Não faz mal que sejam pequenas ou finas,
Assim tenho os mesmos lugares
No mundo onde me perder
E o fôlego todo,
Pra tecer coisas mais duráveis,
Qu'estes curtos dedos.
Sei que preciso de Primaveras em meu colar,
E do calor do Verão pra derreter o gelo,
No olhar e no beiços aramados,
Que resistem e me prendem a estas paredes
De cal e gesso, brancas como neve de gelo,
Duras do arame em estuque...
Jorge Santos (01/2014)
antaco
retrato
Impaciente estou pra ver teu rosto
Sem moldura de foto comprimida
E nua, à minha frente, estou disposto
Fazer de ti mulher da minha vida
Pergunto-me se és tu mais do que um papel
Num álbum gasto, de cor amarela
Ou és só devaneio do pincel
Que te pinta cromática e te revela
Quero ver-te segura e ao natural
A moer nos meus olhos uma aurora
E contemplar teu rosto quando cora
Quero ver-te segura e normal
Quero escutar de viva voz teu canto
E beber tuas lágrimas sem pranto
Cléia Mutti Fialho
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