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RITA FLOR
É ! ...
jomadosado
101 Profissões de Jomad
Que vos conto mais um bocado
Da historia de Jomad’o sado
Feliz poeta mas, triste desempregado
Podia ter sido um doutor
Mas do sangue tinha pavor
E tremia-lhe demais a mão
Era do álcool pois então
Pensou depois em ser engenheiro
Dizia que se ganhava muito dinheiro
E ele até tinha algum talento verdadeiro
Pois projetou e criou até um belo fogareiro
Mas quem queria um engenheiro
Que só sabia técnicas de fogareiro
Que passava o dia a cantarolar
Há espera da hora do Jantar
Ser politico também foi sua ambição
Pois tinha a manha e a voz de papão
Tentou na praça um dia discursar
Foi logo preso por andar a vadiar
E os anos passaram sempre devagar
Sem o seu potencial no fundo explorar
Mas marcado no seu rosto e pleno no olhar
Ficaram as mágoas de nunca se encontrar
A primeira parte da história já a contei
E sobre ela nada mais agora direi
Apenas um pouco do véu levantarei
Ao dizer que em breve um livro publicarei
Mas para não perder o fio da meada
Que a história não estava terminada
Saibam também que fui motorista
Num belo táxi cor de alpista
Tudo corria bem até que um dia
Fiquei com a caixa do dinheiro vazia
E por pouco a vida não a perdia
Lutando com um malandro que não fugia
Também fui consultor de telecomunicações
Nome pomposo dado por aldrabões
Pois andar de porta em porta a enganar
Quem apenas quer descansado jantar…
estão a ver de quem estou a falar?
Finalmente uma ultima tentativa
E talvez de todas a mais agressiva
Em que mais tempo tive voz ativa
Fui empresário, coisa que todos cativa
Mas empresário que nasce pobre
Infelizmente logo depois bem descobre
Que embora tenha quem por tudo lhe cobre
Para ajudar ninguém, nenhum que no fim sobre
E como a informática corria-me nas veias
Em vez de sangue tinha bytes e lógicas cadeias
Tive mais uma disparatada de minhas ideias
Fui consultor bancário, programador e tudo a meias
Mas quem o curso tirado não o têm
Não é com bons olhos que os colegas o vêm
Fiquei de novo sem um vintém
E acabei no desemprego e aqui me têm
Valeu a vivência, a grande experiência
Valeu agora ter-vos como audiência
Contando pedaços de minha vivência
Apertando as pernas com alguma urgência
Pois por falar de tanta porcaria passada
Fique com uma opressão e a barriga inchada
E é melhor não fazer demorar mais a coitada
Aquela que na casinha dará uma bela cag…
Eunice Pimentel
Amor em forma de razão
A urgência do amor isola
a imagem à qual o pensamento sorri.
A imagem ideal que esta mola,
este coração emoldura na imaginação.
A urgência do corpo
da boca.
A urgências das palavras
[sei que me entendes...
sei que me ouves...]
A urgência.
Esta urgência é fatal.
Ésta urgência não é cedência,
é inteligência.
Pensamento.
Coração.
Amor em forma de razão.
Eunice Pimentel
O mundo inverte-se
O mundo inverte-se
RITA FLOR
GLÓRIA E GRAÇA DA VERDADEIRA PERGUNTA!...
RITA FLOR
DOS CORAÇÕES ...___FUMAÇA !...
Carla Pais
O som desse adeus
A tua boca ainda ressoa no eco do quarto (são
palavras que ficaram bordadas na pele, perdidas
na bainha dos lençóis que as noites brancas
enxovalharam) como restos de um beijo que perduram nos retratos.
Ficou o teu perfume quando abro o livro de poemas que
deixaste por ler, o mesmo que largaste ao lado do candeeiro
que de tão cansado já não vive. Não há luz que resista ao
desencanto de uma cama, ao suor lavado e à voz morta de um
corpo que emerge do vazio e se ilustra no frio das cinzas.
Não fechaste a porta antes de sair e por momentos achei
que as palavras largadas ao acaso regressariam contigo.
Mas não, escusaste-me ao som desse adeus.
Luis Rodrigues
Os beijos que me deste
Quero morrer desses beijos
joao euzebio
DESPEDAÇADO
MINHA ALMA
DESCOLOU DA TUA
SEGUIU NUA
FEITO FOLHAS AO VENTO
FEITO PENSAMENTO
EM MEIO A SAUDADE
NA VERDADE
DESPEDAÇOU
MEUS OLHOS
FUGIRAM DOS TEUS
SE PERDEU
EM MEIO AO SEU BRILHO
SEGUIU ESTE TRILHO
POR ONDE O TREM PASSOU
APENAS
SE DESPEDAÇOU
MEUS BRAÇOS
NÃO ENCONTRARAM
OS TEUS
SE PERDEU
NO VAZIO
FEITO CHUVAS EM MEIO
AO FRIO
DESTE ANOITECER
QUE NESTE INSTANTE CHEGOU
APENAS
SE DESPEDAÇOU
MEU CORAÇÃO
NÃO BATEU
APENAS TREMEU
DENTRO DO PEITO
FEZ DELE O SEU LEITO
E ADORMECEU
E ALI SONHOU
APENAS... SE DESPEDAÇOU.
Eunice Pimentel
Reencontro
Fernando Oliveira Granja
Há... O ladrar dos Cães?!
Há... O ladrar dos Cães?!
Pela manha, o cão nosso vizinho, ladrou.
Ladrou... Au.. Auau. Au. Auauau. Au. Auau. Au. Auauauau. Au. Au. Aauau
Surgiu, o ladrar de outro cão.
AUUUUUUUUOOO.
No meio do resmungo
O cão nosso vizinho, silênciaaauuuuuuo!
F. Granja
RITA FLOR
SUTIL ( A busca das transcendentes palavras de um ESSENTE JÁ ___aqui...) ...
Eunice Pimentel
O amor é experiência metafísica
O
amor é experiência metafísica.
Fascínio.
Meia,
total loucura.
Crença,
descrença, ilusão.
Beijo.
O
amor é sorriso, gargalhada.
Dançar,
cantar alto.
Rir.
O
amor é silêncio.
O amor é lágrimas no silêncio de um
abraço.
Capacidade extraordinária.
De aniquilar
pessoas,
transformar o mundo inteiro num só lugar
desabitado,
deserto.
O amor são dois, apenas dois.
Conjunto de dois.
O
amor sou eu mais tu.
mariaterra
Onde a palavra?...
José João Murtinheira Branco
SONHOS DE POETA - II
Poema de sofrimento, um grito alado
de dor
que ecoa no vazio, entre as margens
do lamento.
Na conjuração das asas, para transpor
abismos,
segura nas garras o símbolo do
sentimento.
Fragrância latente no estigma da alma em
flor,
verbo devoluto
que se desfolha nos eufemismos
dos pensamentos trajado no negro da
desilusão.
Sem alento, as visões mastigadas, jazem
caídas,
varridas, para esse abismo profundo de
solidão.
Epifania, doce
ilusão que baila na mente amargurada
num querer que
força o desejo, a esperança ardente.
Mas a sorte, profana, esvai-se aos poucos,
dilacerada
no vórtice dos
silêncios que ressoa pela madrugada,
aos olhos dos gentios, é mortalha lírica á
minha frente.
Poeta da poesia maldita deste e do
outro mundo
de palavras desertas, perdidas na
metáfora do verso.
Dia a dia, hora a hora, na dor que me
corrói me afundo,
No casulo do amor pungente, no desejo diferente de ser
Interrogo-me se não serei um ente do outro mundo,
que no sonho ignoto, se esvai em lágrimas a correr.
João Murty
Eunice Pimentel
Homens de Corda
Esperam-nos.
Enquanto isso, nem coração, nem mente.
Tudo pára.
Aguardam num sossego que nos desassossega o silêncio,
a calma...
Aguardam que sejam vistos.
Aguardam que sejam tocados,
não na pele no coração.
Aguardam.
[A arte de aguardar é uma capacidade que fascina
mas eu, eu prefiro a impaciência.]
Aguardam.
Dá-se corda e eles vivem.
uma espécie de sub vida
uma espécie de sombra da nossa vida
Vivem-nos ao segundo
porque são de corda
e sabem que a corda gira no segundo
da vida que passa.
E na lentidão do derradeiro segundo que passou
fixam-nos de novo
mais uma vez
todas as vezes até a mais um fim
e o recomeço
a corda que gira de novo
o primeiro passo
novos segundos
de vida, sub vida
sombra de vida do segundo que passa.
RITA FLOR
EVOLUÇÃO ( A NOVA TEO-Amorologia ( um Paradoxo... ) Rita
Antonio Carlos Mongiardim Gomes Saraiva
ÁGUA
José João Murtinheira Branco
AMNÉSIA
Tu sabes e não falas, não dizes quem eu sou
Vagueio
como um cão que não tem dono
Percorro
o meu destino, sem saber para onde vou
Como
uma folha que erra, no vento do Outono.
Sou
um ente esquecido, uma amnésia da vida
Nesta
alma errante, para quem nada importa
Apenas
tenho silêncio, na memória esquecida
E a rua como morada. Uma parede nua, sem porta.
De
tempo em tempos, vejo uma imagem nublada
De
vertigens de beijos sôfregos, de quem foi amado
E
uns olhos iluminados, na palidez de uma cara extasiada.
Sou
mais um, a quem o assombro entrou na alma em pecado
Que
paga os amores mal-amados, querendo tudo sem dar nada
Castrando
na escuridão a chama desse desejo insaciado.
João Murty
Ricardo Cabús
Quase Só
Quase Só
(Estações Partidas)
Estou quase só
Quase, porque você não sai da minha mente
Só, porque estou sem você
Gi
O Anjo e a Estrela
Era uma vez uma Estrela,
Tímida e desconfiada,
Vivia sozinha em seu
cantinho,
E quase sempre calada.
Não dava papo para
ninguém,
Não era apegada em nada,
Tinha medo de gostar de
algo,
E terminar decepcionada.
Era tida pelas outras
estrelas
Como uma Estrela metida,
Por seu comportamento
fechado,
Não era muito querida.
Um dia, de repente,
Um Anjo se aproximou,
Queria ser seu amigo,
Mas a Estrela o ignorou.
Ele continuou insistindo,
E ela não agüentava mais,
Ficou brava e gritou:
Eu quero ficar em paz!
O Anjo não desistiu,
E todo dia ia vê-la,
Com o tempo ele percebeu,
Que já era amigo da Estrela!
E os dois se apaixonaram,
Viviam em lua-de-mel,
E ele fez a piada infame:
Querida, estou no céu!
Viviam juntos e felizes,
Em plena paz e harmonia,
Mas a natureza foi mais
forte,
E o pior aconteceria.
A Estrela estava perdendo
sua luz,
A morte estava para
chegar,
E os dois desesperados,
Não paravam de chorar.
O Anjo suplicou aos céus,
Pela vida de sua amada,
Viver sem ela seria impossível,
Sua existência seria um
nada!
Com a morte da Estrela,
O Anjo perdeu toda sua
vontade...
Dizia para todo o mundo,
Que perdera sua metade!
Sozinho e na sarjeta,
Uma luz o surpreendeu,
E com a voz delicada,
Uma Anjinha apareceu.
Era a sua amada Estrela,
Que havia evoluído,
Tornou-se também uma Anja,
E para sempre estão
unidos.
Essa história nos mostra,
Que o amor puro e real,
Consegue superar o fim,
E tornar-se imortal!
Gi Amor
Paulo Jorge LG
Desprotegido
Desprotegido vagueando no deserto sempre ausente,
Na penumbra duma noite fria de sentimentos vãos,
Sem assertividade no realçar do belo que mente,
Prescrito definhando num esgar desmaiado de aflição.
Desprotegido às tuas enrugadas mãos finadas,
Que me adornam a campa de flores saudosas,
Vens com as primeiras chuvas tão odoradas,
Que me lavam as feridas em chaga ociosas.
Desprotegido do amor inculto desagravado,
Incompreensível doce tentação insurrecta,
Que me abandonou ao meu triste chorado,
Alma aprisionada na aparência circunspecta.
Desprotegido para todo o sempre que me espera,
Armadilhado em promessas vãs recauchutadas,
Eu pernoitarei sob as achas da minha quimera,
Sem consolo algum nas derradeiras alvoradas.
Lisboa, 26-9-2013
lucena
Minhas crianças
RITA FLOR
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