Lista de Poemas
Das Perdas
De todas as perdas,
A mais áspera
É a do tempo.
— É dentro dela
Que estão
Todas as outras.
👁️ 121
O Lirismo do Perdido
Se lhe pudesse ter devorado,
No perdido instante,
O mais puro lirismo de teus
Olhos vertentes e amorosos,
Hoje meu coração
Não padeceria de fome...
👁️ 64
O Espelho
Meus dedos tamborilavam
Os alvos ombros dela,
Enquanto meus olhos fitavam
O doiro de sua cabeça.
E a limpidez daqueles cabelos,
Ora tocando meus dedos,
Era como um espelho
Para a minha cobardia.
A angústia, esta boa peralta,
Espetava-me o peito
E incentivava-me, boba,
A abraçar, só abraçar...
De repente, cessou-se a hora.
Os dedos saíram dos ombros...
Os olhos ficaram no espelho...
Abraço não houve.
...Mas trago nos braços
O tato desse abraço.
Os alvos ombros dela,
Enquanto meus olhos fitavam
O doiro de sua cabeça.
E a limpidez daqueles cabelos,
Ora tocando meus dedos,
Era como um espelho
Para a minha cobardia.
A angústia, esta boa peralta,
Espetava-me o peito
E incentivava-me, boba,
A abraçar, só abraçar...
De repente, cessou-se a hora.
Os dedos saíram dos ombros...
Os olhos ficaram no espelho...
Abraço não houve.
...Mas trago nos braços
O tato desse abraço.
👁️ 68
Hidra
A solidão é um bicho
De uma única cabeça
Que inventa outras seis
Para culpar.
De uma única cabeça
Que inventa outras seis
Para culpar.
👁️ 80
Coruja
De tanto olhar para trás,
Perdeu de vista o futuro
E só ganhou torcicolos.
Perdeu de vista o futuro
E só ganhou torcicolos.
👁️ 172
Despejo
Os versos que fiz dela ainda estão em mim,
E são muito belos para que não os despeje,
Ainda que, para tal, tenha de fazê-lo
A outros ouvidos que não os dela.
É algo como se pôr num jarro torpe
O bom vinho pertencido a uma
Garrafa nobre, porém,
Irrecuperavelmente
Estilhaçada.
E são muito belos para que não os despeje,
Ainda que, para tal, tenha de fazê-lo
A outros ouvidos que não os dela.
É algo como se pôr num jarro torpe
O bom vinho pertencido a uma
Garrafa nobre, porém,
Irrecuperavelmente
Estilhaçada.
👁️ 116
Retrospecto Porvir
Se ontem me vi na esquina,
Como criança jocosa que fui,
Hoje me vejo no ontem mais próximo
– Jovem a matar a juventude.
Assim há também de ser o amanhã,
Quando vier a me ver no banco de hoje:
Humano incerto a pintar páginas
De versos brancos e angustiados.
E o que então sentirei, por pensar,
De alívio ou de eventual saudade,
É uma verdade que não me compete
– Pertence tão somente ao futuro.
Serei, contudo, um sempre vital projeto
A atravessar poentes, matinas,
Calçadas, praças, e avenidas;
Caminhos distintos que convergem.
Como criança jocosa que fui,
Hoje me vejo no ontem mais próximo
– Jovem a matar a juventude.
Assim há também de ser o amanhã,
Quando vier a me ver no banco de hoje:
Humano incerto a pintar páginas
De versos brancos e angustiados.
E o que então sentirei, por pensar,
De alívio ou de eventual saudade,
É uma verdade que não me compete
– Pertence tão somente ao futuro.
Serei, contudo, um sempre vital projeto
A atravessar poentes, matinas,
Calçadas, praças, e avenidas;
Caminhos distintos que convergem.
👁️ 39
Retratos
Ver-se crescido é angustiar-se
Ao revisitar velhos retratos
E não mais reconhecer-se.
Ah! Saudosos tempos abstratos...
Criança efêmera a rir-se...
Ao revisitar velhos retratos
E não mais reconhecer-se.
Ah! Saudosos tempos abstratos...
Criança efêmera a rir-se...
👁️ 36
Manias Birutas
O amor é um rei louco
Que dita regras ao coração,
Desejando sempre de tudo um pouco,
Sem saber acatar um “não”;
Nessa loucura do tal amor,
É o coração quem sofre o estorvo...
Mal se cura da última dor,
E já é obrigado a amar de novo;
Amando assim, tão loucamente,
Fere-se na busca por candor...
Mas, afinal, quem é que entende
As manias birutas do amor?
Que dita regras ao coração,
Desejando sempre de tudo um pouco,
Sem saber acatar um “não”;
Nessa loucura do tal amor,
É o coração quem sofre o estorvo...
Mal se cura da última dor,
E já é obrigado a amar de novo;
Amando assim, tão loucamente,
Fere-se na busca por candor...
Mas, afinal, quem é que entende
As manias birutas do amor?
👁️ 74
Intermédio
Não vivo, nem morro.
Existo em intermédio
A vaguear no tédio
Sem saber pra onde corro.
O céu, o sonho...
Não me são tristes ou pesados.
São apenas dessaborados
Pelo ócio enfadonho.
Eu sigo.
Existo em intermédio
A vaguear no tédio
Sem saber pra onde corro.
O céu, o sonho...
Não me são tristes ou pesados.
São apenas dessaborados
Pelo ócio enfadonho.
Eu sigo.
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Comentários (4)
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sthefany
2020-05-22
seus poemas são muito bem escritos e belíssimos!
rosalinapoetisa
2020-04-28
Parabéns por tão bela escrita poética, tens muito talento com as palavras. Abraços
rosalinapoetisa
2020-04-28
Muito obrigada pela apreciação de meu poema, sinto-me honrada. Abraços.
biancardi
2020-03-20
Belos textos.
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