Lista de Poemas
DESAVERGONHADOS
Se entre quatro paredes, nós dois nus
Surpreendermos insones a manhã...
Eu te olho espreguiçando no divã
Reclinada de costas contra a luz.
Tanto teu peito arfante me seduz
Que nem cuido se já perco a hora vã
Em admirar-te a pele mais louçã
Onde os seios a meus beijos fazem jus.
Quando pleno teu corpo se oferece,
Logo a Beleza em ti se reconhece
Como se Vênus vendo-se no espelho.
Tu me encaras, por fim, em desafio.
E eu me entrego a adorar-te horas a fio,
Pois diante d'uma deusa me ajoelho.
Betim - 16 10 2018
Surpreendermos insones a manhã...
Eu te olho espreguiçando no divã
Reclinada de costas contra a luz.
Tanto teu peito arfante me seduz
Que nem cuido se já perco a hora vã
Em admirar-te a pele mais louçã
Onde os seios a meus beijos fazem jus.
Quando pleno teu corpo se oferece,
Logo a Beleza em ti se reconhece
Como se Vênus vendo-se no espelho.
Tu me encaras, por fim, em desafio.
E eu me entrego a adorar-te horas a fio,
Pois diante d'uma deusa me ajoelho.
Betim - 16 10 2018
👁️ 88
MALDITOS! N°2
Facto: Malditos porque mal falados.
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos! No passado.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- "Antiquados! Herméticos!! Absurdos!!!"
Ou sem nem ler (assim assim): -- "Bonitos..."
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar-se paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D'esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solidão,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a maldição:
Por fim, indiferentes se são lidos,
S'entregarem à própria escuridão.
Pará de Minas - 14 10 2018
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos! No passado.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- "Antiquados! Herméticos!! Absurdos!!!"
Ou sem nem ler (assim assim): -- "Bonitos..."
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar-se paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D'esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solidão,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a maldição:
Por fim, indiferentes se são lidos,
S'entregarem à própria escuridão.
Pará de Minas - 14 10 2018
👁️ 86
CÓLICAS
No hotel d'uma cidade bem distante
Eu tento parir pedras e opiniões...
Em vão rolo de dor sobre os colchões,
Enquanto a noite cai extenuante.
Eu saio pelas ruas claudicante,
Buscando analgesias pr'os culhões!
Ainda que tomado de tensões
Nas rugas que carrego no semblante:
A cada rosto estranho que me estranha
Percebo minha angústia ser tamanha,
Que sequer dignidade tenho mais.
Na farmácia, opioides pela veia
Me dobram com seu canto de sereia
Certo de que a paz vem tarde demais.
Ibiá - 12 10 2018
Eu tento parir pedras e opiniões...
Em vão rolo de dor sobre os colchões,
Enquanto a noite cai extenuante.
Eu saio pelas ruas claudicante,
Buscando analgesias pr'os culhões!
Ainda que tomado de tensões
Nas rugas que carrego no semblante:
A cada rosto estranho que me estranha
Percebo minha angústia ser tamanha,
Que sequer dignidade tenho mais.
Na farmácia, opioides pela veia
Me dobram com seu canto de sereia
Certo de que a paz vem tarde demais.
Ibiá - 12 10 2018
👁️ 564
MALDITOS!
Quem são estes cuja luz fora apagada
E, insones, têm nas noites seu refúgio,
Atravessando em vão a madrugada?
Só querem ao poetar vago transfúgio
Da vida d'esperanças comezinhas,
Bem como contra o tédio subterfúgio?
Estes -- que vêm deixar nas entrelinhas
Toda sorte de angústias autorais --
O que buscam por horas tão sozinhas?
Por que se fazem poetas? Por que mais
Buscam tirar das letras o sublime,
Senão por se sentirem sós demais?
Que furtaram aos deuses? Qual o crime
Cometido na aurora dos milênios,
Cuja pena a escrever nunca os redime?
Sem diferir se néscios ou se gênios,
D'onde foi que obtiveram tal saber
Que os obriga a versar entre proscênios?
Como estes que escrevem ousam ler
Nas linhas d'horizonte um sol errático
Por entre arranha-céus ao amanhecer?
Como alguém -- entre excêntrico e lunático --
Gastando a vida inteira com escritos
Despidos de qualquer sentido prático?
Malditos! Sete mil vezes malditos!
Estes que têm os versos por oráculo
Havendo além dos céus mais infinitos...
Malditos os que têm pelo vernáculo
Um carinho de artista incompreendido
Que se imola no altar do tabernáculo!...
Dom às avessas!... Bênção ao inavido!...
À margem das promessas e das glórias,
Poetar é desdenhar o conhecido...
É saber inventadas as memórias
E de belas mentiras a verdade
Pretendida em suas vãs histórias.
Desastrólogos do alto, sejam poetas
Malditos pelos séculos dos séculos,
No augúrio de catástrofes completas!...
Belo Horizonte - 11 10 2018
E, insones, têm nas noites seu refúgio,
Atravessando em vão a madrugada?
Só querem ao poetar vago transfúgio
Da vida d'esperanças comezinhas,
Bem como contra o tédio subterfúgio?
Estes -- que vêm deixar nas entrelinhas
Toda sorte de angústias autorais --
O que buscam por horas tão sozinhas?
Por que se fazem poetas? Por que mais
Buscam tirar das letras o sublime,
Senão por se sentirem sós demais?
Que furtaram aos deuses? Qual o crime
Cometido na aurora dos milênios,
Cuja pena a escrever nunca os redime?
Sem diferir se néscios ou se gênios,
D'onde foi que obtiveram tal saber
Que os obriga a versar entre proscênios?
Como estes que escrevem ousam ler
Nas linhas d'horizonte um sol errático
Por entre arranha-céus ao amanhecer?
Como alguém -- entre excêntrico e lunático --
Gastando a vida inteira com escritos
Despidos de qualquer sentido prático?
Malditos! Sete mil vezes malditos!
Estes que têm os versos por oráculo
Havendo além dos céus mais infinitos...
Malditos os que têm pelo vernáculo
Um carinho de artista incompreendido
Que se imola no altar do tabernáculo!...
Dom às avessas!... Bênção ao inavido!...
À margem das promessas e das glórias,
Poetar é desdenhar o conhecido...
É saber inventadas as memórias
E de belas mentiras a verdade
Pretendida em suas vãs histórias.
Desastrólogos do alto, sejam poetas
Malditos pelos séculos dos séculos,
No augúrio de catástrofes completas!...
Belo Horizonte - 11 10 2018
👁️ 86
HOMENS DE COR
Preto, branco, amarelo, pardo, mel...
Diversos mas iguais por sob a pele.
Inteira a humanidade se revele
No seu existir entre a terra e o céu!
A História há-de correr com seu tropel,
Arrastando as paixões aonde impele.
O indivíduo, contudo, se rebele
Em face dos tiranos quando réu.
Os homens são os mesmos, lá e aqui.
Sua grandeza está no que constroem,
E não nas amarguras que os corroem.
Libertos da opressão, mais lhes sorri
A verdade através dos tempos idos
Que a glória relativa dos temidos.
Betim - 10 10 2018
Diversos mas iguais por sob a pele.
Inteira a humanidade se revele
No seu existir entre a terra e o céu!
A História há-de correr com seu tropel,
Arrastando as paixões aonde impele.
O indivíduo, contudo, se rebele
Em face dos tiranos quando réu.
Os homens são os mesmos, lá e aqui.
Sua grandeza está no que constroem,
E não nas amarguras que os corroem.
Libertos da opressão, mais lhes sorri
A verdade através dos tempos idos
Que a glória relativa dos temidos.
Betim - 10 10 2018
👁️ 563
AMAR
Não te amo por me amares ou quereres,
Mas sim porque te amando me conheço.
Amar foi me saber desde o começo
Aprendiz nos mistérios dos prazeres...
Desde então, entre todas as mulheres,
Eu quis o teu olhar a qualquer preço,
Mas tive muito mais do que mereço
Após me submeter aos teus poderes:
Amar? Não, eu não te amo. Eu te idolatro!
Deusa em meu templo; diva do meu teatro,
Deste-me a conhecer teu esplendor.
Não sei se aqui é inferno ou paraíso,
Apenas sei, divina, é qu'eu preciso
D'aquela em cujos olhos vi amor.
Belo Horizonte - 06 10 2018
Mas sim porque te amando me conheço.
Amar foi me saber desde o começo
Aprendiz nos mistérios dos prazeres...
Desde então, entre todas as mulheres,
Eu quis o teu olhar a qualquer preço,
Mas tive muito mais do que mereço
Após me submeter aos teus poderes:
Amar? Não, eu não te amo. Eu te idolatro!
Deusa em meu templo; diva do meu teatro,
Deste-me a conhecer teu esplendor.
Não sei se aqui é inferno ou paraíso,
Apenas sei, divina, é qu'eu preciso
D'aquela em cujos olhos vi amor.
Belo Horizonte - 06 10 2018
👁️ 562
N'UMA NOITE D'ESSAS
Entre doses de vodca e solidão,
O poeta olha a puta o provocando
Até se perguntar, de quando em quando,
Se estava lá por tédio ou por tesão.
A puta está ali por profissão
E lhe vem, rebolativa, ao seu comando.
Sorri e bebe o qu'ele está tomando
Sabendo causar tórrida impressão.
Ela derrete o gelo nos seus lábios
E com voz maliciosa ela lhe diz,
Fazer o poeta um pouco mais feliz.
Mas ele, mesmo d'olhos menos sábios,
Declina de usufruir d'essa beleza,
Temendo ter a dar tão-só tristeza...
Belo Horizonte - 08 10 2018
O poeta olha a puta o provocando
Até se perguntar, de quando em quando,
Se estava lá por tédio ou por tesão.
A puta está ali por profissão
E lhe vem, rebolativa, ao seu comando.
Sorri e bebe o qu'ele está tomando
Sabendo causar tórrida impressão.
Ela derrete o gelo nos seus lábios
E com voz maliciosa ela lhe diz,
Fazer o poeta um pouco mais feliz.
Mas ele, mesmo d'olhos menos sábios,
Declina de usufruir d'essa beleza,
Temendo ter a dar tão-só tristeza...
Belo Horizonte - 08 10 2018
👁️ 502
O LIVRO DE JÓ
Quando senti as dores dos meus rins,
Eu me lembrei de Jó e seus amigos.
Deveras, o que é o homem nos perigos
Em seu tergiversar por nãos e sins?
Os meios não justificam mais os fins,
Nem viver qual viviam os antigos...
E de reis, parecemos mais mendigos
Em sobressalto quando dos clarins:
Javé e Satanás fazem apostas,
Ao provar em desgraças e sem dó
O jugo que mantêm em nossas costas.
Ao fim, farto de dias como Jó,
Talvez ouça de Deus vagas respostas,
Sabendo eu já ser pó de volta ao pó.
Betim - 09 10 2018
Eu me lembrei de Jó e seus amigos.
Deveras, o que é o homem nos perigos
Em seu tergiversar por nãos e sins?
Os meios não justificam mais os fins,
Nem viver qual viviam os antigos...
E de reis, parecemos mais mendigos
Em sobressalto quando dos clarins:
Javé e Satanás fazem apostas,
Ao provar em desgraças e sem dó
O jugo que mantêm em nossas costas.
Ao fim, farto de dias como Jó,
Talvez ouça de Deus vagas respostas,
Sabendo eu já ser pó de volta ao pó.
Betim - 09 10 2018
👁️ 538
ÍNTIMO TARDIO
Tenho estado acordado à noite toda
N'outra vigília em meio aos pernilongos,
A contar em sinalefas os ditongos
E ainda dispor hiatos à áurea moda.
A despeito de quanto me incomoda
Na insônia me buscar dias mais longos,
Adivinho no escuro camundongos,
Que sobre o forro vão e vêm em roda...
No silêncio onde habita mil ruídos,
Recordo de meus versos esquecidos
Enquanto o vento me uiva um assobio.
E, entendendo que contam minha vida,
Eu atravesso a noite mal dormida
Na escuta atenta do íntimo tardio.
Betim - 08 10 2018
N'outra vigília em meio aos pernilongos,
A contar em sinalefas os ditongos
E ainda dispor hiatos à áurea moda.
A despeito de quanto me incomoda
Na insônia me buscar dias mais longos,
Adivinho no escuro camundongos,
Que sobre o forro vão e vêm em roda...
No silêncio onde habita mil ruídos,
Recordo de meus versos esquecidos
Enquanto o vento me uiva um assobio.
E, entendendo que contam minha vida,
Eu atravesso a noite mal dormida
Na escuta atenta do íntimo tardio.
Betim - 08 10 2018
👁️ 542
HOMENS DE BEM
Aqueles que se arvoram justiceiros
Pretendem ter as leis a seu favor.
Onde cada um juiz e executor,
Impondo veredictos a terceiros.
Têm-se em conta de grandes brasileiros,
Porém confundem ordem com vigor,
Quando em favelas tocam o terror
Como lá fossem todos desordeiros...
O autointitulado homem de bem,
No afã de justiçar co'as próprias mãos,
Atira sem saber ao certo em quem.
Até porque, se uns bons por entre os vãos
Forem vistos caídos lá também,
Vão contá-los ladrões, não cidadãos...
Betim - 05 10 2018
Pretendem ter as leis a seu favor.
Onde cada um juiz e executor,
Impondo veredictos a terceiros.
Têm-se em conta de grandes brasileiros,
Porém confundem ordem com vigor,
Quando em favelas tocam o terror
Como lá fossem todos desordeiros...
O autointitulado homem de bem,
No afã de justiçar co'as próprias mãos,
Atira sem saber ao certo em quem.
Até porque, se uns bons por entre os vãos
Forem vistos caídos lá também,
Vão contá-los ladrões, não cidadãos...
Betim - 05 10 2018
👁️ 553
Comentários (5)
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❈ 𝐿𝓊𝒸𝒾𝒶𝓃𝒶 𝒜. 𝒮𝒸𝒽𝓁𝑒𝒾 ❈
2024-11-27
Lindos poemas ,meu caro!
Maria Antonieta Matos
2022-03-11
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
edu2018
2018-06-11
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
namastibet
2018-04-21
bom vê-lo por aqui
rosafogo
2017-12-27
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
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