Escritas

ASAS DE BORBOLETA

RicardoC
Quem me tocou roubou-me de mim mesma.
Co'as asas aleijadas, não me movo;
Pois sempre a reviver tudo de novo,
Triste e pálida feito uma avantesma...

Não regrido à lagarta, sim à lesma!
(Por mim, regressaria antes até do ovo...):
Tudo envelhece ainda muito novo;
De luto em flores roxas de quaresma.

Como pôde enodar-me por capricho?
Como?! Abandonar-me que nem lixo,
Quando pousada alvíssima entre os lírios?!...

Por cupidez estúpida e mal-sã,
Não fez mais que deixar sem amanhã,
Minh'alma obscurecida de delírios...

Belo Horizonte - 10 09 2018
289 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão ToPostComment