Lista de Poemas
SAIDEIRA
Dia de feira, não de féria,
Amanhã, afinal, é quarta!
Tiro a barriga da miséria,
Se a terça, além de gorda, é farta.
É carnaval! Nem qu'eu infarta
Com tanta pinga pela artéria!
Amanhã, afinal, é quarta:
Dia de feira, não de féria...
É carnaval! Nem por pilhéria...
Vão dizer que morri por carta
Ou que peguei uma bactéria!
Amanhã, afinal, é quarta:
Dia de feira, não de féria...
Betim - 02 10 2018
Amanhã, afinal, é quarta!
Tiro a barriga da miséria,
Se a terça, além de gorda, é farta.
É carnaval! Nem qu'eu infarta
Com tanta pinga pela artéria!
Amanhã, afinal, é quarta:
Dia de feira, não de féria...
É carnaval! Nem por pilhéria...
Vão dizer que morri por carta
Ou que peguei uma bactéria!
Amanhã, afinal, é quarta:
Dia de feira, não de féria...
Betim - 02 10 2018
👁️ 124
ALFORRIA
Pois, se a liberdade é uma conquista,
De facto não se nasce livre, torna-se;
A face d'um sorriso aberto adorna-se
Com aquilo que os olhos têm em vista.
Ninguém nos dá ardor com que resista.
Ao que o espírito, aqui e ali, amorna-se.
Mas mesmo a escuridão d'estrelas orna-se
E as quedas não demovem o optimista.
Porque tal carta não me fora herdada,
Tampouco por senhores concedida,
Antes com sangue e lágrimas comprada.
E àqueles que hão-de vir, dou por sabida
N'uma alforria a ser reconquistada
Viver todos os dias d'essa vida.
Betim - 01 10 2018
De facto não se nasce livre, torna-se;
A face d'um sorriso aberto adorna-se
Com aquilo que os olhos têm em vista.
Ninguém nos dá ardor com que resista.
Ao que o espírito, aqui e ali, amorna-se.
Mas mesmo a escuridão d'estrelas orna-se
E as quedas não demovem o optimista.
Porque tal carta não me fora herdada,
Tampouco por senhores concedida,
Antes com sangue e lágrimas comprada.
E àqueles que hão-de vir, dou por sabida
N'uma alforria a ser reconquistada
Viver todos os dias d'essa vida.
Betim - 01 10 2018
👁️ 536
ATRÁS DAS GRADES
Por fim prendi o mundo atrás das grades
Enquanto m'embriagava em minha varanda:
Desde que contra tudo pus demanda,
Privo os outros de suas liberdades.
Ébrio, fico a observar duas cidades
A de quem é mandado e a de quem manda,
Onde cada um que pelas ruas anda
Prisioneiro é das próprias inverdades.
Verdadeira somente a dor que sinto
Por quem manda qual por quem é mandado,
Que os vejo andando em vão n’um labirinto.
E acabo na varanda embriagado,
A olhar na solidão do vinho tinto
Todo o mundo por mim aprisionado...
Belo Horizonte – 20 11 1991
Enquanto m'embriagava em minha varanda:
Desde que contra tudo pus demanda,
Privo os outros de suas liberdades.
Ébrio, fico a observar duas cidades
A de quem é mandado e a de quem manda,
Onde cada um que pelas ruas anda
Prisioneiro é das próprias inverdades.
Verdadeira somente a dor que sinto
Por quem manda qual por quem é mandado,
Que os vejo andando em vão n’um labirinto.
E acabo na varanda embriagado,
A olhar na solidão do vinho tinto
Todo o mundo por mim aprisionado...
Belo Horizonte – 20 11 1991
👁️ 96
VERSILIBRISMO
Que meus versos não sirvam a ninguém,
E que mais nunca os prendam a cadenas!
Sem carecer senhores nem mecenas,
Ou mesmo esperar d’outrem qualquer bem.
São lumes que não sabem a que vêm
Estes versos que escrevo a duras penas.
Se de mim para mim servem apenas,
Serão de quem quiser lê-los também.
Passado o cativeiro, porém, ando
Serras e terras vãs atravessando
Tão-só pela alegria de escrever.
Alheio aos privilégios dos perversos,
Estejam por direito estes meus versos
Livres para que todos possam ler.
Betim – 17 09 2007
E que mais nunca os prendam a cadenas!
Sem carecer senhores nem mecenas,
Ou mesmo esperar d’outrem qualquer bem.
São lumes que não sabem a que vêm
Estes versos que escrevo a duras penas.
Se de mim para mim servem apenas,
Serão de quem quiser lê-los também.
Passado o cativeiro, porém, ando
Serras e terras vãs atravessando
Tão-só pela alegria de escrever.
Alheio aos privilégios dos perversos,
Estejam por direito estes meus versos
Livres para que todos possam ler.
Betim – 17 09 2007
👁️ 621
O APÓSTATA
Quanto às religiões, não lhe interessa
Trocar velhos grilhões por outros novos.
O divino ainda é imposto aos povos
Ora por ordem; ora por promessa.
À fé que inopinado se confessa
Deixou aos extremistas cristãos-novos
Ao assistir das Igrejas os renovos,
N'uma verborragia ouvida à pressa.
Vira-se desgarrado do rebanho,
Que seguira em verdade desde antanho
Após sozinho ouvir a própria voz.
E decidiu fazer-se diferente
Como gentio em meio àquela gente,
Por certeza do certo, tão feroz...
Betim - 28 09 2018
Trocar velhos grilhões por outros novos.
O divino ainda é imposto aos povos
Ora por ordem; ora por promessa.
À fé que inopinado se confessa
Deixou aos extremistas cristãos-novos
Ao assistir das Igrejas os renovos,
N'uma verborragia ouvida à pressa.
Vira-se desgarrado do rebanho,
Que seguira em verdade desde antanho
Após sozinho ouvir a própria voz.
E decidiu fazer-se diferente
Como gentio em meio àquela gente,
Por certeza do certo, tão feroz...
Betim - 28 09 2018
👁️ 547
CODICILO
Pelo presente escrito a próprio punho
E com pleno poder das faculdades,
Expresso as minhas últimas vontades
Em dar, perto da morte, testemunho.
Deste modo: "Nos idos já de junho,
Vendo me sem porvires nem verdades,
Disponho do que é meu com liberdades
E dou fé às más firmas que cunho:"
"Minha mobília e roupas podem doar,
Mas meu dinheiro o enterro há-de pagar,
Tão pouco me servira quando vivo…"
"Meus versos deixo a quem os souber ler
Mais os livros escritos sem saber
Ao fim para viver qualquer motivo."
Contagem - 03 06 2004
E com pleno poder das faculdades,
Expresso as minhas últimas vontades
Em dar, perto da morte, testemunho.
Deste modo: "Nos idos já de junho,
Vendo me sem porvires nem verdades,
Disponho do que é meu com liberdades
E dou fé às más firmas que cunho:"
"Minha mobília e roupas podem doar,
Mas meu dinheiro o enterro há-de pagar,
Tão pouco me servira quando vivo…"
"Meus versos deixo a quem os souber ler
Mais os livros escritos sem saber
Ao fim para viver qualquer motivo."
Contagem - 03 06 2004
👁️ 595
BARCAROLA
Menina morena,
De não e de sim.
Pela lua plena,
Que queres de mim?
Menina morena,
Tu cheiras tão bem!
És toda açucena
E rosas também!
Menina morena,
que tens de melhor?
Tua fala amena
E dois seios em flor.
Menina morena,
De sim e de não...
És a flor que acena
Ao meu coração!
Peruíbe - 12 07 2018
De não e de sim.
Pela lua plena,
Que queres de mim?
Menina morena,
Tu cheiras tão bem!
És toda açucena
E rosas também!
Menina morena,
que tens de melhor?
Tua fala amena
E dois seios em flor.
Menina morena,
De sim e de não...
És a flor que acena
Ao meu coração!
Peruíbe - 12 07 2018
👁️ 106
TRÍBADES
(sextina: belas, nuas, seios, dedos, lábios, sexos)
Quando em Lesbos se tocam duas belas,
A luz s'espalha sobre as costas nuas
Até lhes surpreender os alvos seios.
Sentindo o percorrer de suaves dedos,
Elas se amam entretidas com os lábios
A explorar a humidade de seus sexos.
Abandonam a atroz guerra dos sexos
E quanto lhes impõem por serem belas
Os homens que perfídias têm nos lábios:
No afã de lhes cobrir as faces nuas
Co'os véus dos himeneus por sujos dedos,
Proíbem-lhes o gozo dos seus seios!…
Mas não! Têm-se uma n'outra as mãos nos seios
E ardem entumescidas por seus sexos,
Onde se lhes percorrem mútuos dedos.
Ao trocar entre si palavras belas
Elas, enternecidas, se olham nuas
Enquanto os ais de Vênus têm nos lábios.
Descendo por seus púbis ambos lábios,
Gozam-se, ora co'as mãos fortes os seios;
Ora co'as bocas pelas costas nuas…
Avidamente vêm juntar-se os sexos.
Ao que, n'um alongar de curvas belas,
Uma e outra se possuem com seus dedos
Molham em cada lábio os próprios dedos,
Tendo n'um beijo gozo pelos lábios.
Entregam-se ao prazer 'inda mais belas
E em cavalgada veem arfar os seios
Durante o friccionar mútuo dos sexos
Co'o néctar a escorrer nas coxas nuas…
Descansem suas belas formas nuas,
Enquanto pelos seios correm dedos
A ressentir nos lábios os seus sexos.
Nova Lima - 02 10 2018
Quando em Lesbos se tocam duas belas,
A luz s'espalha sobre as costas nuas
Até lhes surpreender os alvos seios.
Sentindo o percorrer de suaves dedos,
Elas se amam entretidas com os lábios
A explorar a humidade de seus sexos.
Abandonam a atroz guerra dos sexos
E quanto lhes impõem por serem belas
Os homens que perfídias têm nos lábios:
No afã de lhes cobrir as faces nuas
Co'os véus dos himeneus por sujos dedos,
Proíbem-lhes o gozo dos seus seios!…
Mas não! Têm-se uma n'outra as mãos nos seios
E ardem entumescidas por seus sexos,
Onde se lhes percorrem mútuos dedos.
Ao trocar entre si palavras belas
Elas, enternecidas, se olham nuas
Enquanto os ais de Vênus têm nos lábios.
Descendo por seus púbis ambos lábios,
Gozam-se, ora co'as mãos fortes os seios;
Ora co'as bocas pelas costas nuas…
Avidamente vêm juntar-se os sexos.
Ao que, n'um alongar de curvas belas,
Uma e outra se possuem com seus dedos
Molham em cada lábio os próprios dedos,
Tendo n'um beijo gozo pelos lábios.
Entregam-se ao prazer 'inda mais belas
E em cavalgada veem arfar os seios
Durante o friccionar mútuo dos sexos
Co'o néctar a escorrer nas coxas nuas…
Descansem suas belas formas nuas,
Enquanto pelos seios correm dedos
A ressentir nos lábios os seus sexos.
Nova Lima - 02 10 2018
👁️ 108
QUER SIM QUER NÃO
Tudo depende então do que se quer:
Eu olho nos teus olhos e sorrio.
Tu me sorris de volta em desafio,
Ambígua como sabe uma mulher.
Talvez tu não me olhasses a valer
Ou me sorrisses bem ao teu feitio...
A qu'eu, embora tímido e arredio,
Passe a falar-te quando bem quiser.
Porque querer tem d'essas liberdades
Que às vezes nos carregam pela mão
E põe em turbilhão nossas vontades.
Mas mais busco as razões do coração,
E, entre imaginações e realidades,
O querer a querer -- quer sim quer não!
Betim - 26 09 2018
Eu olho nos teus olhos e sorrio.
Tu me sorris de volta em desafio,
Ambígua como sabe uma mulher.
Talvez tu não me olhasses a valer
Ou me sorrisses bem ao teu feitio...
A qu'eu, embora tímido e arredio,
Passe a falar-te quando bem quiser.
Porque querer tem d'essas liberdades
Que às vezes nos carregam pela mão
E põe em turbilhão nossas vontades.
Mas mais busco as razões do coração,
E, entre imaginações e realidades,
O querer a querer -- quer sim quer não!
Betim - 26 09 2018
👁️ 531
LUAR DAS VALQUÍRIAS
LUAR DAS VALQUÍRIAS
I
O que se diz das nornas cavalgantes
A serviço dos deuses e dos homens
É que escolhem guerreiros para a morte
Ao se lhes surpreender com beijos gélidos.
Montam os corcéis brancos das neblinas
Que descem sobre os campos de batalha.
Enquanto isso, enluarada, a noite cai
Àqueles que s'entregam para a guerra
No espetáculo sangrento dos infantes.
Atravessam planícies que, nevadas,
Tingem-se aqui e ali de sangue nobre.
Gemidos, baforadas de vapor,
Partiam dos caídos destripados
Que, exangues, contemplavam as estrelas
À espera do Valhala e suas glórias.
II
Elas são as mulheres escudeiras
Que cumprem os desígnios do Destino
Elevando os espíritos dos bravos.
Alvíssimas, têm elas olhos grises
Frios como os glaciares das montanhas.
Passando por portais de gelo e fogo,
Vêm à mansão dos mortos escolhidos
A reforçar as hostes do alto Odin
Em sua guerra contra os mundos últimos
Que antecede a Nova Era d'Universo.
Possam com o seu sangue sobre a neve
Já como heróis marcharem destemidos!
Após terem n'olhar a vida e a morte,
Nunca estaquem em face de ninguém
Tampouco deixem sonhos por sonhar.
Assim seja, nos céus como na Terra.
III
Têm como prêmio após tantas jornadas
Os cuidados e os carinhos das donzelas
Que, pensando as feridas com unguentos
E servindo canecas de hidromel,
Curam um após outro dos desastres
Ao lhes fortalecer o amplo espírito
Como homens superiores qu'eles eram
Testados e medidos pela guerra.
As Valquírias, senhoras de dois mundos,
Vêm conduzir os grandes à grandeza.
Amantes da beleza e da coragem,
Acompanham a estrada do guerreiro
Enquanto avança sobre os inimigos,
Deixando-se mostrar ao destemido
Como se antevisão da boa morte.
IV
No olhar d'essa mulher iluminada
Que lhe vem ter no meio d'um entrevero,
Reconhece o chamado do mais Alto
E s'entrega ao beijo frio da morte.
Oh bem-aventurado o que recebe
A morte como amante e rega a terra
Co'o sangue de incontáveis inimigos!
Sacerdote, ele eleva-se oferenda
No altar feito na terra sob os céus
N'uma carnificina sanguinária.
Sim, por seu braço a morte sega os campos
A entulhar seus celeiros de cadáveres!
E as Valquírias com seus corvos retintos
Vêm se refestelar sob a alva lua.
Belo Horizonte - 25 09 2018
I
O que se diz das nornas cavalgantes
A serviço dos deuses e dos homens
É que escolhem guerreiros para a morte
Ao se lhes surpreender com beijos gélidos.
Montam os corcéis brancos das neblinas
Que descem sobre os campos de batalha.
Enquanto isso, enluarada, a noite cai
Àqueles que s'entregam para a guerra
No espetáculo sangrento dos infantes.
Atravessam planícies que, nevadas,
Tingem-se aqui e ali de sangue nobre.
Gemidos, baforadas de vapor,
Partiam dos caídos destripados
Que, exangues, contemplavam as estrelas
À espera do Valhala e suas glórias.
II
Elas são as mulheres escudeiras
Que cumprem os desígnios do Destino
Elevando os espíritos dos bravos.
Alvíssimas, têm elas olhos grises
Frios como os glaciares das montanhas.
Passando por portais de gelo e fogo,
Vêm à mansão dos mortos escolhidos
A reforçar as hostes do alto Odin
Em sua guerra contra os mundos últimos
Que antecede a Nova Era d'Universo.
Possam com o seu sangue sobre a neve
Já como heróis marcharem destemidos!
Após terem n'olhar a vida e a morte,
Nunca estaquem em face de ninguém
Tampouco deixem sonhos por sonhar.
Assim seja, nos céus como na Terra.
III
Têm como prêmio após tantas jornadas
Os cuidados e os carinhos das donzelas
Que, pensando as feridas com unguentos
E servindo canecas de hidromel,
Curam um após outro dos desastres
Ao lhes fortalecer o amplo espírito
Como homens superiores qu'eles eram
Testados e medidos pela guerra.
As Valquírias, senhoras de dois mundos,
Vêm conduzir os grandes à grandeza.
Amantes da beleza e da coragem,
Acompanham a estrada do guerreiro
Enquanto avança sobre os inimigos,
Deixando-se mostrar ao destemido
Como se antevisão da boa morte.
IV
No olhar d'essa mulher iluminada
Que lhe vem ter no meio d'um entrevero,
Reconhece o chamado do mais Alto
E s'entrega ao beijo frio da morte.
Oh bem-aventurado o que recebe
A morte como amante e rega a terra
Co'o sangue de incontáveis inimigos!
Sacerdote, ele eleva-se oferenda
No altar feito na terra sob os céus
N'uma carnificina sanguinária.
Sim, por seu braço a morte sega os campos
A entulhar seus celeiros de cadáveres!
E as Valquírias com seus corvos retintos
Vêm se refestelar sob a alva lua.
Belo Horizonte - 25 09 2018
👁️ 109
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❈ 𝐿𝓊𝒸𝒾𝒶𝓃𝒶 𝒜. 𝒮𝒸𝒽𝓁𝑒𝒾 ❈
2024-11-27
Lindos poemas ,meu caro!
Maria Antonieta Matos
2022-03-11
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
edu2018
2018-06-11
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
namastibet
2018-04-21
bom vê-lo por aqui
rosafogo
2017-12-27
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
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