Lista de Poemas
ESTROBOSCÓPIA
Mostra-se quadro a quadro ou fotograma,
Como que congelando o movimento.
Somente a iluminar cada momento
No instante que o lampejo se derrama.
Sequência de instantâneos cujo drama
Põe entre claro e escuro um andamento.
Onde o corpo à luz do pensamento
Diverso espaço-tempo a si proclama.
Em longa exposição se lhe captura
A trajetória toda n'um só plano,
Fazendo o passo a passo da figura.
E se, por cinemático esse engano,
Revelar-se inusual nomenclatura,
Far-se-á tão-só de luzes outro humano.
Betim - 21 11 2018
Como que congelando o movimento.
Somente a iluminar cada momento
No instante que o lampejo se derrama.
Sequência de instantâneos cujo drama
Põe entre claro e escuro um andamento.
Onde o corpo à luz do pensamento
Diverso espaço-tempo a si proclama.
Em longa exposição se lhe captura
A trajetória toda n'um só plano,
Fazendo o passo a passo da figura.
E se, por cinemático esse engano,
Revelar-se inusual nomenclatura,
Far-se-á tão-só de luzes outro humano.
Betim - 21 11 2018
👁️ 563
CANTIGA
Eu amar-te, amiga, me tem sido
D'uma alegria pura e insuspeitada.
Guarda-tu para mim a asa quebrada,
Visto eu arcanjo em sombras decaído…
Se canto co'o alaúde enternecido
Cantiga que deixei inacabada,
É antes porque a lua serenada
Me faz velar-te o sono combalido.
Dorme, meu bem-querer, em dó menor.
Não cuides já se a noite se estender
N'essa pequena morte que é o amor.
Permite qu'eu me achegue a te fazer
Doce acalanto ao sonho em meu ardor
E ao fim, junto de ti, adormecer.
Betim - 12 02 1996
D'uma alegria pura e insuspeitada.
Guarda-tu para mim a asa quebrada,
Visto eu arcanjo em sombras decaído…
Se canto co'o alaúde enternecido
Cantiga que deixei inacabada,
É antes porque a lua serenada
Me faz velar-te o sono combalido.
Dorme, meu bem-querer, em dó menor.
Não cuides já se a noite se estender
N'essa pequena morte que é o amor.
Permite qu'eu me achegue a te fazer
Doce acalanto ao sonho em meu ardor
E ao fim, junto de ti, adormecer.
Betim - 12 02 1996
👁️ 123
MALDITOS!
Quem são estes cuja luz fora apagada
E, insones, têm nas noites seu refúgio,
Atravessando em vão a madrugada?
Só querem ao poetar vago transfúgio
Da vida d’esperanças comezinhas,
Bem como contra o tédio subterfúgio?
Estes -- que vêm deixar nas entrelinhas
Toda sorte de angústias autorais --
O que buscam por horas tão sozinhas?
Por que se fazem poetas? Por que mais
Buscam tirar das letras o sublime,
Senão por se sentirem sós demais?
Que furtaram aos deuses? Qual o crime
Cometido na aurora dos milênios,
Cuja pena a escrever nunca os redime?
Sem diferir se néscios ou se gênios,
D’onde foi que obtiveram tal saber
Que os obriga a versar entre proscênios?
Como estes que escrevem ousam ler
Nas linhas d’horizonte um sol errático
Por entre arranha-céus a amanhecer?
Como alguém -- entre excêntrico e lunático --
Gastando a vida inteira com escritos
Despidos de qualquer sentido prático?
Malditos! Sete mil vezes malditos!
Estes que têm os versos por oráculo
Havendo além dos céus mais infinitos...
Malditos os que têm pelo vernáculo
Um carinho de artista incompreendido,
Que se imola no altar do tabernáculo!...
Dom às avessas!... Bênção ao inavido!...
À margem das promessas e das glórias,
Poetar é desdenhar o conhecido...
É saber inventadas as memórias
Ou, de belas mentiras, a verdade
Pretendida em suas vãs histórias.
Desastrólogos do alto! Sede, poetas,
Malditos pelos séculos dos séculos,
No augúrio de catástrofes completas!...
Vinde e vede: Reviram-vos d’espéculos
As vossas cavidades buscando alma,
Tal como fazem monges ‘inda séculos.
Terminais por viver tão-só o trauma
Com que fordes há muito amaldiçoados
Com nenhuma paciência e pouca calma.
Facto: Malditos porque mal falados.
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos, os finados.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- “Antiquados!! Herméticos!! Absurdos!!!”
Ou sem nem ler (assim assim): -- “Bonitos...”
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar um paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D’esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solitude,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a finitude:
Por fim, indiferentes se são lidos,
Já nada nem ninguém ora os ilude.
E ainda que por todos combatidos
Gargalham das desgraças do passado
Enquanto as do presente nos ouvidos.
Mas por fim se revoltam contra o Fado,
Quando entregues à própria escuridão
Caminham co'a miséria lado a lado.
E, d’entre eles, eu: Com talento ou não,
Arrasto estes meus versos qual grilhões,
Sabendo-os meu tesouro e maldição.
Peno eu -- mais três ou quatro gerações --
Amaldiçoando todos no pecado
Que nos predestinou junto aos vilões!
Deveras, parvo e obscuro antepassado,
Pus minha iniquidade sobre os meus,
Uma vez para sempre amaldiçoado...
Antes já natimorto entre os plebeus
Que agora constranger-nos desde o gen
Viver em guerra infinda contra Deus!
Como ignorasse d’onde a bênção vem,
Sem temer me cobrir de pestilências...
Maldito, escolho o mal e evito o bem.
Ao desdenhar de Deus suas violências
Sobre mim e meus tristes descendentes
É que busquei nos vícios experiências.
Uma vez condenado, ranjo os dentes
Urrando contra as hostes celestiais
E a multidão submissa de seus crentes.
Sim, vêm me perseguir feito animais:
Tendo a marca de Caim -- homem de cor --
Com os filhos de Cam eu ergui baais!
Excluído do povo do Senhor,
Sigo a errar d’outro lado do Jordão
Como a face d’opróbrio e do terror:
Quem de longe me vê na imensidão
M’escojura qual visse o deus Moloque
Com chifres a queimar na escuridão!
E vem me apedrejar sem que o provoque
Para que assim me afaste mais ainda,
Pintando-me um demônio sem retoque.
Certo que minha culpa jamais finda,
Aos olhos d’estes homens bons e justos
Convém lhes evitar a terra linda.
Vagando nos desertos entre arbustos
A medo de topar quem quer que seja
E alerta de perigos e outros sustos...
Resta rogar a Deus, por onde esteja,
Que me mate antes qu’eu, de todo aflito,
Devolva ao mundo o mal que me deseja!
Só sei não ver justiça no infinito
Expurgo de más culpas cuja pena
Me faz eternamente ser maldito.
Turvando a vista pela tarde amena,
Como encontrasse Deus um peito ateu
Em ascensão por sobre a luz terrena.
Foi então, do profundo abismo, qu’eu
Tive a visão do fim de tudo e todos
Pós-que o sol trás-às-nuvens s’escondeu.
A noite fez-se eterna nos engodos
D’um extremista, homem de bem ou ambos
Para vencer por todos meios e modos:
Os narcotraficantes com escambos
Mais os supremacistas pelas armas
Contra negros, asiáticos ou jambos...
Seguem todos às voltas com seus carmas,
Fomentando desastres para, enfim,
Ouvir sete trombetas soando alarmas.
Fazem o escatológico festim:
Em celebrações de ódio genocida,
Urgem d’Humanidade o triste fim.
Rudes, vêm vomitar sobre a avenida
Toda espécie d’estúpida revolta
Tendo absoluto horror da própria vida.
Como fossem corcéis à rédea solta!...
Como em carga de audaz cavalaria!...
Vão levando violência à sua volta.
Irmanados na ardente primazia,
Impõem enfim seus males a oprimidos
Embora revestidos de ousadia.
Longe, escuta-se o pranto dos vencidos,
Bem como outros tantos uivos e ais
Já n’um clamor uníssono vertidos:
Partem agora para nunca mais
As utopias d’uma terra justa
Onde, sem males, todos são iguais.
Curvam-se a uma ilusão que nos assusta
Pelo que nos pretende distinguir
Por entre bons e maus à face augusta.
Senhores do presente e do porvir,
Os bárbaros já uivam sob a lua
E clamam por façanhas de se ouvir...
Jactam-se sobre gente seminua
Que vaga pelas sombras da cidade...
E acabara morando em plena rua.
Ameaçam, com toda a propriedade,
Àqueles que muito pouco têm...
Certos de que já donos da verdade!
Pois bodes expiatórios lhes convêm
E as cabeças jogadas contra o asfalto
Mal sobre seus pescoços se sustêm...
Avançam sobre o douto e sobre o incauto
Céleres em calar todas as vozes,
Nos mantendo em constante sobressalto.
Vão vindo como as hordas mais ferozes
Sempre com mais exércitos por trás,
Fazendo correr sangue feito algozes.
Com guerra, vêm impor-nos sua paz
E após jogar na vala mais comum,
Onde pouco importa quem lá jaz.
Milhões vociferando como se um
Os mesmíssimos ódios e violências;
Indo apressados p’ra lugar nenhum.
Esvaziaram as suas consciências
Berram d'olhos vidrados para além,
Indiferentes já às consequências.
Culpa de todo mundo e de ninguém,
Co'as mãos sujas de sangue dizem ser
Maldade contra os maus acto de bem...
Vêm em nome de Deus estremecer
-- Frase após frase infeliz --
Amizades a ponto de as perder.
Clamam todos por Deus n'esse país!
Como o Senhor amasse uns e outros não.
Sem embargo, Ele nada faz ou diz...
Sim, Deus se cala face à escuridão
Que s'estende por sobre a Terra inteira,
E os homens abandona à danação.
Pois nega-se a negar a verdadeira
Razão por trás de tais atrocidades,
Queimando bons e maus pela fogueira.
Permite que a maldade nas cidades
S'eleve finalmente como regra
Acima de quaisquer necessidades.
Desunida, a Nação se desintegra
N'um fundamentalismo evangélico
Que ainda amaldiçoa a pele negra.
Dos generais, de novo o sonho bélico
D'entrar em território fronteiriço
Ou arrastá-lo n'um jogo maquiavélico.
Entrementes, o povo já submisso
Tolera que se mate e se torture,
Como fosse patriota tal serviço.
Mas homem com outro homem configure
Uma abominação contra a Natura,
Onde assassine ou exija que se cure!
E, evocando do Apóstolo a luz pura,
Com Doutrina cristã e militar
S'ensine nas escolas a Escritura.
Se mesmo contra Deus alguém ousar
Ainda escrever seus versos satânicos
Não deixe algum censor os apanhar.
Tempos mudam; as mentes, não... Tirânicos
Os modos de calar a quem escreve,
Enlouquecendo-o com cismas e pânicos.
No mais, nunca se julgue a pena leve
D'este que sempre às voltas com escritos
Tem p'ra si que longa a arte e a vida breve.
Poetas... Se no horizonte d'olhos fitos,
É sabermos ter logo de fugir
Ouvindo a multidão gritar: Malditos!
Betim - 06 11 2018
E, insones, têm nas noites seu refúgio,
Atravessando em vão a madrugada?
Só querem ao poetar vago transfúgio
Da vida d’esperanças comezinhas,
Bem como contra o tédio subterfúgio?
Estes -- que vêm deixar nas entrelinhas
Toda sorte de angústias autorais --
O que buscam por horas tão sozinhas?
Por que se fazem poetas? Por que mais
Buscam tirar das letras o sublime,
Senão por se sentirem sós demais?
Que furtaram aos deuses? Qual o crime
Cometido na aurora dos milênios,
Cuja pena a escrever nunca os redime?
Sem diferir se néscios ou se gênios,
D’onde foi que obtiveram tal saber
Que os obriga a versar entre proscênios?
Como estes que escrevem ousam ler
Nas linhas d’horizonte um sol errático
Por entre arranha-céus a amanhecer?
Como alguém -- entre excêntrico e lunático --
Gastando a vida inteira com escritos
Despidos de qualquer sentido prático?
Malditos! Sete mil vezes malditos!
Estes que têm os versos por oráculo
Havendo além dos céus mais infinitos...
Malditos os que têm pelo vernáculo
Um carinho de artista incompreendido,
Que se imola no altar do tabernáculo!...
Dom às avessas!... Bênção ao inavido!...
À margem das promessas e das glórias,
Poetar é desdenhar o conhecido...
É saber inventadas as memórias
Ou, de belas mentiras, a verdade
Pretendida em suas vãs histórias.
Desastrólogos do alto! Sede, poetas,
Malditos pelos séculos dos séculos,
No augúrio de catástrofes completas!...
Vinde e vede: Reviram-vos d’espéculos
As vossas cavidades buscando alma,
Tal como fazem monges ‘inda séculos.
Terminais por viver tão-só o trauma
Com que fordes há muito amaldiçoados
Com nenhuma paciência e pouca calma.
Facto: Malditos porque mal falados.
Porque muito mal lidos; mal descritos...
Os bons? Somente os mortos, os finados.
Tantos a maldizer-nos os escritos:
-- “Antiquados!! Herméticos!! Absurdos!!!”
Ou sem nem ler (assim assim): -- “Bonitos...”
Se declamamos, fingem estar surdos;
Se publicamos, fingem que são cegos;
Um povo sem país igual os curdos:
Poetas... Filhos de sós desassossegos
Sempre a vagar sem pátria e sem dinheiro,
Indo sobreviver de subempregos;
Ou distante vagando, aventureiro,
Que por entre as palavras em vão erra
Sem nunca encontrar um paradeiro.
Hoje, até Ahasverus possui terra!
No mesmo confim onde Israel governa
E o ismaelita de novo se desterra...
Não os malditos... D’esses é eterna
A caminhada errante vida afora
Atravessando as noites na taverna.
Ali, já sem saber se ri ou chora,
Senta-se e escreve em plena solitude,
Alheio mesmo da hora de ir embora.
Eis dos poetas a glória e a finitude:
Por fim, indiferentes se são lidos,
Já nada nem ninguém ora os ilude.
E ainda que por todos combatidos
Gargalham das desgraças do passado
Enquanto as do presente nos ouvidos.
Mas por fim se revoltam contra o Fado,
Quando entregues à própria escuridão
Caminham co'a miséria lado a lado.
E, d’entre eles, eu: Com talento ou não,
Arrasto estes meus versos qual grilhões,
Sabendo-os meu tesouro e maldição.
Peno eu -- mais três ou quatro gerações --
Amaldiçoando todos no pecado
Que nos predestinou junto aos vilões!
Deveras, parvo e obscuro antepassado,
Pus minha iniquidade sobre os meus,
Uma vez para sempre amaldiçoado...
Antes já natimorto entre os plebeus
Que agora constranger-nos desde o gen
Viver em guerra infinda contra Deus!
Como ignorasse d’onde a bênção vem,
Sem temer me cobrir de pestilências...
Maldito, escolho o mal e evito o bem.
Ao desdenhar de Deus suas violências
Sobre mim e meus tristes descendentes
É que busquei nos vícios experiências.
Uma vez condenado, ranjo os dentes
Urrando contra as hostes celestiais
E a multidão submissa de seus crentes.
Sim, vêm me perseguir feito animais:
Tendo a marca de Caim -- homem de cor --
Com os filhos de Cam eu ergui baais!
Excluído do povo do Senhor,
Sigo a errar d’outro lado do Jordão
Como a face d’opróbrio e do terror:
Quem de longe me vê na imensidão
M’escojura qual visse o deus Moloque
Com chifres a queimar na escuridão!
E vem me apedrejar sem que o provoque
Para que assim me afaste mais ainda,
Pintando-me um demônio sem retoque.
Certo que minha culpa jamais finda,
Aos olhos d’estes homens bons e justos
Convém lhes evitar a terra linda.
Vagando nos desertos entre arbustos
A medo de topar quem quer que seja
E alerta de perigos e outros sustos...
Resta rogar a Deus, por onde esteja,
Que me mate antes qu’eu, de todo aflito,
Devolva ao mundo o mal que me deseja!
Só sei não ver justiça no infinito
Expurgo de más culpas cuja pena
Me faz eternamente ser maldito.
Turvando a vista pela tarde amena,
Como encontrasse Deus um peito ateu
Em ascensão por sobre a luz terrena.
Foi então, do profundo abismo, qu’eu
Tive a visão do fim de tudo e todos
Pós-que o sol trás-às-nuvens s’escondeu.
A noite fez-se eterna nos engodos
D’um extremista, homem de bem ou ambos
Para vencer por todos meios e modos:
Os narcotraficantes com escambos
Mais os supremacistas pelas armas
Contra negros, asiáticos ou jambos...
Seguem todos às voltas com seus carmas,
Fomentando desastres para, enfim,
Ouvir sete trombetas soando alarmas.
Fazem o escatológico festim:
Em celebrações de ódio genocida,
Urgem d’Humanidade o triste fim.
Rudes, vêm vomitar sobre a avenida
Toda espécie d’estúpida revolta
Tendo absoluto horror da própria vida.
Como fossem corcéis à rédea solta!...
Como em carga de audaz cavalaria!...
Vão levando violência à sua volta.
Irmanados na ardente primazia,
Impõem enfim seus males a oprimidos
Embora revestidos de ousadia.
Longe, escuta-se o pranto dos vencidos,
Bem como outros tantos uivos e ais
Já n’um clamor uníssono vertidos:
Partem agora para nunca mais
As utopias d’uma terra justa
Onde, sem males, todos são iguais.
Curvam-se a uma ilusão que nos assusta
Pelo que nos pretende distinguir
Por entre bons e maus à face augusta.
Senhores do presente e do porvir,
Os bárbaros já uivam sob a lua
E clamam por façanhas de se ouvir...
Jactam-se sobre gente seminua
Que vaga pelas sombras da cidade...
E acabara morando em plena rua.
Ameaçam, com toda a propriedade,
Àqueles que muito pouco têm...
Certos de que já donos da verdade!
Pois bodes expiatórios lhes convêm
E as cabeças jogadas contra o asfalto
Mal sobre seus pescoços se sustêm...
Avançam sobre o douto e sobre o incauto
Céleres em calar todas as vozes,
Nos mantendo em constante sobressalto.
Vão vindo como as hordas mais ferozes
Sempre com mais exércitos por trás,
Fazendo correr sangue feito algozes.
Com guerra, vêm impor-nos sua paz
E após jogar na vala mais comum,
Onde pouco importa quem lá jaz.
Milhões vociferando como se um
Os mesmíssimos ódios e violências;
Indo apressados p’ra lugar nenhum.
Esvaziaram as suas consciências
Berram d'olhos vidrados para além,
Indiferentes já às consequências.
Culpa de todo mundo e de ninguém,
Co'as mãos sujas de sangue dizem ser
Maldade contra os maus acto de bem...
Vêm em nome de Deus estremecer
-- Frase após frase infeliz --
Amizades a ponto de as perder.
Clamam todos por Deus n'esse país!
Como o Senhor amasse uns e outros não.
Sem embargo, Ele nada faz ou diz...
Sim, Deus se cala face à escuridão
Que s'estende por sobre a Terra inteira,
E os homens abandona à danação.
Pois nega-se a negar a verdadeira
Razão por trás de tais atrocidades,
Queimando bons e maus pela fogueira.
Permite que a maldade nas cidades
S'eleve finalmente como regra
Acima de quaisquer necessidades.
Desunida, a Nação se desintegra
N'um fundamentalismo evangélico
Que ainda amaldiçoa a pele negra.
Dos generais, de novo o sonho bélico
D'entrar em território fronteiriço
Ou arrastá-lo n'um jogo maquiavélico.
Entrementes, o povo já submisso
Tolera que se mate e se torture,
Como fosse patriota tal serviço.
Mas homem com outro homem configure
Uma abominação contra a Natura,
Onde assassine ou exija que se cure!
E, evocando do Apóstolo a luz pura,
Com Doutrina cristã e militar
S'ensine nas escolas a Escritura.
Se mesmo contra Deus alguém ousar
Ainda escrever seus versos satânicos
Não deixe algum censor os apanhar.
Tempos mudam; as mentes, não... Tirânicos
Os modos de calar a quem escreve,
Enlouquecendo-o com cismas e pânicos.
No mais, nunca se julgue a pena leve
D'este que sempre às voltas com escritos
Tem p'ra si que longa a arte e a vida breve.
Poetas... Se no horizonte d'olhos fitos,
É sabermos ter logo de fugir
Ouvindo a multidão gritar: Malditos!
Betim - 06 11 2018
👁️ 590
DE PÉS JUNTOS
Ele jurou. Não apenas pelos céus
Ou nem "por esta luz que me alumia!"...
E jurou "de pés juntos" -- qual dizia
Minha finada avó por sob os véus.
Como o acusado n'um banco de réus
Ou como o cristão-novo junto à pia.
Verdade verdadeira, pois -- dir-se-ia --
A de doutor dar fé; tirar chapéus...
E, embora fosse laico o juramento,
Evocava o Senhor todo momento,
Por lhe fazer o Altíssimo fiador.
Ao final, convencendo tudo e todos,
Traiu, mentiu e baniu de muitos modos,
Distorcendo a verdade ao seu sabor!
Betim - 04 11 2018
Ou nem "por esta luz que me alumia!"...
E jurou "de pés juntos" -- qual dizia
Minha finada avó por sob os véus.
Como o acusado n'um banco de réus
Ou como o cristão-novo junto à pia.
Verdade verdadeira, pois -- dir-se-ia --
A de doutor dar fé; tirar chapéus...
E, embora fosse laico o juramento,
Evocava o Senhor todo momento,
Por lhe fazer o Altíssimo fiador.
Ao final, convencendo tudo e todos,
Traiu, mentiu e baniu de muitos modos,
Distorcendo a verdade ao seu sabor!
Betim - 04 11 2018
👁️ 584
O SUBVERSIVO
Apenas escrevia ele seus versos
E se dizia um livre pensador.
Talvez também sonhasse algo melhor
Em utopias d'outros Universos.
Poucos liam-lhe os poemas por dispersos
E menos d'ele ouviam o alto ardor.
Ainda assim passou por corruptor
De jovens por uns ditos controversos...
A Ordem clamada pela autoridade
Acusou do mais vil charlatanismo
Àquele que buscava só verdade.
Mas d'olhos expectantes face ao abismo
Prefere antes a morte à liberdade
Pelas mãos dos chacais do imbecilismo.
Betim - 28 10 2018
E se dizia um livre pensador.
Talvez também sonhasse algo melhor
Em utopias d'outros Universos.
Poucos liam-lhe os poemas por dispersos
E menos d'ele ouviam o alto ardor.
Ainda assim passou por corruptor
De jovens por uns ditos controversos...
A Ordem clamada pela autoridade
Acusou do mais vil charlatanismo
Àquele que buscava só verdade.
Mas d'olhos expectantes face ao abismo
Prefere antes a morte à liberdade
Pelas mãos dos chacais do imbecilismo.
Betim - 28 10 2018
👁️ 550
AMENIDADES
Sim, falemos do tempo, da cidade;
Evitemos falar de tudo o mais...
Passemos por dois superficiais
Incapazes de ver qualquer verdade.
Tratemo-nos com grande liberdade,
Fingindo-nos ao máximo normais.
E a sorrir -- nem de menos nem demais --
Como se verdadeira ora a amizade.
Sem passado, presente e nem futuro
Busquemos pelo assunto mais seguro
N'uma hora de forçada convivência.
E depois, no momento de ir embora
Ao nos acompanharmos para fora
Esqueçamos-nos já por conveniência.
Betim - 27 10 2018
Evitemos falar de tudo o mais...
Passemos por dois superficiais
Incapazes de ver qualquer verdade.
Tratemo-nos com grande liberdade,
Fingindo-nos ao máximo normais.
E a sorrir -- nem de menos nem demais --
Como se verdadeira ora a amizade.
Sem passado, presente e nem futuro
Busquemos pelo assunto mais seguro
N'uma hora de forçada convivência.
E depois, no momento de ir embora
Ao nos acompanharmos para fora
Esqueçamos-nos já por conveniência.
Betim - 27 10 2018
👁️ 497
POUCAS E BOAS #PoesiaSim
Se eu disser umas verdades
Talvez m'escutem ou não.
Quem pediu minha opinião?
Como ter tais liberdades
Em tempos de incompreensão?
Posso estar errado em tudo,
Mesmo assim ouso falar
A quem não quer escutar.
Mais errado é ficar mudo
Ou fingindo concordar:
-- "Distinguir entre nós e eles
Prejulgando bons ou maus
-- Ou pior -- pondo em degraus:
P'ra lobos por sob as peles
Justiçar-nos com calhaus!"
"Qual o lado dos sem lado?
Dos que, como eu, não s'entendem
Juízes do que não compreendem?
Enquanto, sem certo ou errado,
Muitos aos grandes se vendem..."
"Qual a razão do Irrazoável
Que desconhece o respeito?
Que bate no próprio peito
E jacta-se respeitável,
Mas dispara preconceito!..."
"Qual o sentido d'esse ódio
Contra quem lhe é diferente?
Não parece um presidente...
Parece querer o pódio
De opressor de sua gente:"
"Começa, a sua limpeza,
Em matar "uns trinta mil"...
Assim, obtuso e febril,
Pondo as cartas sobre a mesa,
Se assenhora do Brasil!
"Sim, por Ordem e Progresso,
Declarar já terroristas
Militantes e activistas...
Por fim, fechar o Congresso
E torturar esquerdistas."
"Vistas grossas aos perigos
De se opor grei contra grei...
Eis na República um rei:
Se tudo para os amigos,
Aos inimigos, a lei!"
"Assim descamba a violência
Nos quatro cantos do país.
Os pobres, feitos servis,
Dobrados sem resistência
Pela estultícia dos vis."
"Os artistas, perseguidos;
Os intelectuais, vigiados;
Os jornais, intimidados;
Todos já embrutecidos,
Divididos em dois lados..."
"D'um lado os homens de bem,
D'outro, os outros (nós?) do mal...
Desde quando ser normal
Ter medo -- e raiva também! --
D'um governo federal?..."
Eu -- que em lados jamais creio --
Dou a estes versos um fim
Que falem melhor de mim...
Escolho o lado do meio:
Ele não... Poesia sim!
Betim - 26 10 2018
Talvez m'escutem ou não.
Quem pediu minha opinião?
Como ter tais liberdades
Em tempos de incompreensão?
Posso estar errado em tudo,
Mesmo assim ouso falar
A quem não quer escutar.
Mais errado é ficar mudo
Ou fingindo concordar:
-- "Distinguir entre nós e eles
Prejulgando bons ou maus
-- Ou pior -- pondo em degraus:
P'ra lobos por sob as peles
Justiçar-nos com calhaus!"
"Qual o lado dos sem lado?
Dos que, como eu, não s'entendem
Juízes do que não compreendem?
Enquanto, sem certo ou errado,
Muitos aos grandes se vendem..."
"Qual a razão do Irrazoável
Que desconhece o respeito?
Que bate no próprio peito
E jacta-se respeitável,
Mas dispara preconceito!..."
"Qual o sentido d'esse ódio
Contra quem lhe é diferente?
Não parece um presidente...
Parece querer o pódio
De opressor de sua gente:"
"Começa, a sua limpeza,
Em matar "uns trinta mil"...
Assim, obtuso e febril,
Pondo as cartas sobre a mesa,
Se assenhora do Brasil!
"Sim, por Ordem e Progresso,
Declarar já terroristas
Militantes e activistas...
Por fim, fechar o Congresso
E torturar esquerdistas."
"Vistas grossas aos perigos
De se opor grei contra grei...
Eis na República um rei:
Se tudo para os amigos,
Aos inimigos, a lei!"
"Assim descamba a violência
Nos quatro cantos do país.
Os pobres, feitos servis,
Dobrados sem resistência
Pela estultícia dos vis."
"Os artistas, perseguidos;
Os intelectuais, vigiados;
Os jornais, intimidados;
Todos já embrutecidos,
Divididos em dois lados..."
"D'um lado os homens de bem,
D'outro, os outros (nós?) do mal...
Desde quando ser normal
Ter medo -- e raiva também! --
D'um governo federal?..."
Eu -- que em lados jamais creio --
Dou a estes versos um fim
Que falem melhor de mim...
Escolho o lado do meio:
Ele não... Poesia sim!
Betim - 26 10 2018
👁️ 104
DILACERADO
Hoje, o meu coração está ferido
Como se cortes fundos pelos pulsos
Perdessem-me os sentidos já convulsos
Face à completa falta de sentido.
Torturadores, ou algo parecido,
Declaram, desde já, presos ou expulsos
Oponentes, descrentes e uns avulsos
Que marginalizados tenham sido:
-- "Não lutem mais por terra e moradia,
Tampouco liberdade d'expressão,
Visto que terrorismos hoje em dia!"...
A ordem é o progresso da ilusão
Que busca corromper a fantasia
De Justiça Social e Comunhão.
Betim - 22 10 2018
Como se cortes fundos pelos pulsos
Perdessem-me os sentidos já convulsos
Face à completa falta de sentido.
Torturadores, ou algo parecido,
Declaram, desde já, presos ou expulsos
Oponentes, descrentes e uns avulsos
Que marginalizados tenham sido:
-- "Não lutem mais por terra e moradia,
Tampouco liberdade d'expressão,
Visto que terrorismos hoje em dia!"...
A ordem é o progresso da ilusão
Que busca corromper a fantasia
De Justiça Social e Comunhão.
Betim - 22 10 2018
👁️ 567
MAGNO - A história de Alexandre
MAGNO - A história de Alexandre
CANTO PRIMEIRO
I
Canto, ó musa, dos grandes o maior!
Aquele cujos feitos nunca mais
Haverão pelos tempos de igualar.
Canto o senhor dos helenos e dos persas,
E explorador das Arábias e das Índias!
D'entre todos os homens em seu Fado,
Eu canto quem de Vênus tão dilecto
Quanto de Marte mais favorecido,
Como se não de reis, mas sim de deuses
O houvessem concebido para a glória!
II
Mas não, musa, não cabe ao menor poeta
Cantar, por fim, dos grandes a grandeza...
Tampouco lhe compete se arvorar
Um cronista de cortes tão distantes
No espaço e tempo às suas tortas letras!
Oh sim, como ousa o obscuro lançar luzes
Sobre este cujo nome imenso brilha?
Como, musa, algum poeta 'inda pretenda
D'outro século os transes da Fortuna
Que marcaram os dias de Alexandre?
III
Ou mesmo, como da Hélade traduzir
N'um tardio e vulgar falar latino
Que por terras austrais americanas
Calhou de florescer exuberante?
E como -- para além das conjecturas --
Ter versos onde o velho se renove
A iluminar as mentes d'este tempo
Que pouco ou nada escutam d'outras eras?
Mas haverá ainda d'entre nós
Quem aprecie d'épicos o engenho?
IV
Deveras... Não sabendo responder
Tu silencias, musa, qual dissesses
Dever também o poeta se calar...
Afinal, que aproveita o homem em ter
Vencido todo o mundo se se perde?
Que poderá o poeta contra o Fado
Enquanto o próprio herói, em sua história,
Sem conhecer derrota é esquecido?
Talvez não reste um canto a se cantar
Tampouco história alguma a ser contada...
V
Se canto, ó musa, é antes teimosia
Que talento ou verdade iluminados.
Eu canto porque os homens e mulheres
Coetâneos de Alexandre n'ele vivem!
Eu canto porque os deuses o escolheram
Para levar o saber do Estagirita
Às três partes do mundo conhecido:
Por África, Ásia e Europa, desde Pela,
Avançou até ser tido por Magno
Mesmo onde seu domínio não chegou.
VI
Mas canto, sobretudo, porque falham
Todos os que o tentaram superar...
Mesmo quem o epiteto após houvera:
Pompeu, Gregório, Leão, Carlos, Alberto...
Antes foram desejos d'outras glórias
Do que lumes capazes de ofuscá-lo!
À semelhança de astros que pelo Orbe,
Transitando em concerto gravemente,
Luzem sem contrastar co'a luz mais alta
Vista no céu nocturno entre as estrelas.
VII
Alexandre, após guerras e poderes,
A sua história aos códices da História
Tivera assim, por mérito, elevada.
Deve o poeta, contudo, não o douto
Cantar o homem a além de suas obras.
Certo de que, ao exaltar sua existência,
Celebre antes vivências que conquistas
E entenda, humanamente, o que é ter
Grandeza quando o mundo mais parece
Carecer simplesmente de limites.
Betim - 18 10 2018
CANTO PRIMEIRO
I
Canto, ó musa, dos grandes o maior!
Aquele cujos feitos nunca mais
Haverão pelos tempos de igualar.
Canto o senhor dos helenos e dos persas,
E explorador das Arábias e das Índias!
D'entre todos os homens em seu Fado,
Eu canto quem de Vênus tão dilecto
Quanto de Marte mais favorecido,
Como se não de reis, mas sim de deuses
O houvessem concebido para a glória!
II
Mas não, musa, não cabe ao menor poeta
Cantar, por fim, dos grandes a grandeza...
Tampouco lhe compete se arvorar
Um cronista de cortes tão distantes
No espaço e tempo às suas tortas letras!
Oh sim, como ousa o obscuro lançar luzes
Sobre este cujo nome imenso brilha?
Como, musa, algum poeta 'inda pretenda
D'outro século os transes da Fortuna
Que marcaram os dias de Alexandre?
III
Ou mesmo, como da Hélade traduzir
N'um tardio e vulgar falar latino
Que por terras austrais americanas
Calhou de florescer exuberante?
E como -- para além das conjecturas --
Ter versos onde o velho se renove
A iluminar as mentes d'este tempo
Que pouco ou nada escutam d'outras eras?
Mas haverá ainda d'entre nós
Quem aprecie d'épicos o engenho?
IV
Deveras... Não sabendo responder
Tu silencias, musa, qual dissesses
Dever também o poeta se calar...
Afinal, que aproveita o homem em ter
Vencido todo o mundo se se perde?
Que poderá o poeta contra o Fado
Enquanto o próprio herói, em sua história,
Sem conhecer derrota é esquecido?
Talvez não reste um canto a se cantar
Tampouco história alguma a ser contada...
V
Se canto, ó musa, é antes teimosia
Que talento ou verdade iluminados.
Eu canto porque os homens e mulheres
Coetâneos de Alexandre n'ele vivem!
Eu canto porque os deuses o escolheram
Para levar o saber do Estagirita
Às três partes do mundo conhecido:
Por África, Ásia e Europa, desde Pela,
Avançou até ser tido por Magno
Mesmo onde seu domínio não chegou.
VI
Mas canto, sobretudo, porque falham
Todos os que o tentaram superar...
Mesmo quem o epiteto após houvera:
Pompeu, Gregório, Leão, Carlos, Alberto...
Antes foram desejos d'outras glórias
Do que lumes capazes de ofuscá-lo!
À semelhança de astros que pelo Orbe,
Transitando em concerto gravemente,
Luzem sem contrastar co'a luz mais alta
Vista no céu nocturno entre as estrelas.
VII
Alexandre, após guerras e poderes,
A sua história aos códices da História
Tivera assim, por mérito, elevada.
Deve o poeta, contudo, não o douto
Cantar o homem a além de suas obras.
Certo de que, ao exaltar sua existência,
Celebre antes vivências que conquistas
E entenda, humanamente, o que é ter
Grandeza quando o mundo mais parece
Carecer simplesmente de limites.
Betim - 18 10 2018
👁️ 91
À MANEIRA POÉTICA
À MANEIRA POÉTICA
Não. Nada nunca é errado em poesia…
Rimar ou não não garante o poético, ou melhor,
nada garante.
Quando o poeta rima
é porque exige dos sons das palavras a magia.
Quando ritma, é que ordena
as tônicas segundo a respiração.
Quando metrifica apenas
põe limite à frase para que não seja
nem curta nem longa demais.
Quando não rima, ritma e metrifica,
ele deixa as frases buscarem sua própria música.
D'um modo ou de outro,
corre o risco de não fazer mais
que preencher folhas em branco…
O poeta não escreve como escrevem;
não fala como falam, nem poderia!
Se o que ele busca é o extraordinário,
exigindo das palavras mais que comunicação.
Se isso o faz maldito, que seja:
Sim, mil vezes maldito por exigir a leitura atenta!
Dez mil vezes por não facilitar a compreensão.
Maldito! Maldito seja!
Por colocar-se como resistência teimosa: Alguém que não vai silenciar enquanto não for silenciado.
Por escrever sem patrão o que lhe vem à cabeça
ou que lhe angustia o peito…
(Jamais concordarei serem necessários genocídios para vivermos em paz).
Por que exigir do poeta, portanto,
a bênção luminosa da superfície
se ele desce às profundezas de si mesmo?
Betim - 15 10 2018
Não. Nada nunca é errado em poesia…
Rimar ou não não garante o poético, ou melhor,
nada garante.
Quando o poeta rima
é porque exige dos sons das palavras a magia.
Quando ritma, é que ordena
as tônicas segundo a respiração.
Quando metrifica apenas
põe limite à frase para que não seja
nem curta nem longa demais.
Quando não rima, ritma e metrifica,
ele deixa as frases buscarem sua própria música.
D'um modo ou de outro,
corre o risco de não fazer mais
que preencher folhas em branco…
O poeta não escreve como escrevem;
não fala como falam, nem poderia!
Se o que ele busca é o extraordinário,
exigindo das palavras mais que comunicação.
Se isso o faz maldito, que seja:
Sim, mil vezes maldito por exigir a leitura atenta!
Dez mil vezes por não facilitar a compreensão.
Maldito! Maldito seja!
Por colocar-se como resistência teimosa: Alguém que não vai silenciar enquanto não for silenciado.
Por escrever sem patrão o que lhe vem à cabeça
ou que lhe angustia o peito…
(Jamais concordarei serem necessários genocídios para vivermos em paz).
Por que exigir do poeta, portanto,
a bênção luminosa da superfície
se ele desce às profundezas de si mesmo?
Betim - 15 10 2018
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Comentários (5)
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❈ 𝐿𝓊𝒸𝒾𝒶𝓃𝒶 𝒜. 𝒮𝒸𝒽𝓁𝑒𝒾 ❈
2024-11-27
Lindos poemas ,meu caro!
Maria Antonieta Matos
2022-03-11
Poeta gosto do que escreve! A sua poesia toca, sente, provoca, mostra... Parabéns<br />
edu2018
2018-06-11
POEMAS INTELIGENTES,RICARDOC PARABÊNS. Abraços EDUARDO POETA!
namastibet
2018-04-21
bom vê-lo por aqui
rosafogo
2017-12-27
Gosto da sua poesia...parabéns, bom ano!
Escrevo. Gosto de escrever. Se sou escritor ou poeta, eu deixo para o leitor ponderar.
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