Escritas

Lista de Poemas

CRÔNICAS ABERTAS

Nossos caminhos são crônicas abertas
Em formato de prosa e poemas
Narrativas lúdicas dos momentos diários
Entre o ir e vir e as esperas
Um jogo de abraços e dilemas
Leque de encantos e encontros
Folhas de jornais de ontem nem lidas
Textos que reescrevemos com o advir das horas
Verdades retiradas dos parágrafos
Que ainda esperam notícias
Mas que declinamos decoradas
Sem necessidade de pautas

E todos os espaços entre as palavras
E todas as pausas entre as linhas
E todos os pontos concatenando ideias
E as virgulas que dobramos seguidas
Locupletam-se na formosura das pautas
Redigidas por tuas mãos e as minhas
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VIAJAMOS

Na rua tão estreita
Só uma câmera espreita
E registra o que acontece:
Rastros quase apagados
De alguém ter ali passado
De ninguem estar ali presente.

Talvez qualquer hora volte
Ou possivelmente nem venha.
Se voltar captará a imagem
Se não vir ficará intacta
A cena da rua deserta
De um filme sem interesse.

São assim as emoções
As saudades e os pensamentos
Que gravamos na memória
Do tempo que não retoma.
Viajamos sempre indo embora
No vai e vem dos momentos.
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ESSÊNCIA

Existe dentro da gente
Um canto que às vezes entoa
E em outras emudece

Quando entoa encanta
Mas quando cala, fenece

Se regozija comemora
Senão, aquieta num canto
Mas nunca vai se embora

- Ei, silencia!
Talvez você consiga
Ouvir sua essência
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ENVEREDO

Hoje trabalho
Assim dissolvo meus dilemas

Descanso
Então refaço os desvarios

Provoco
Descubro soluções

Desafio
Encontro mais alternativas
Para garantir iniciativas novas

Amanhã enveredo

Complemento toda a espera
Substituo resolvidas provas
Certamente por mais problemas
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ALENTO

Ronda a morte qualquer corpo
Precisa ela que alguem morra
Que algo termine ou se acabe
Sem importar-se em ser feia ou bela
A face daquilo ou de quem morre

Tentamos mensurar o tempo
Impetuosamente medir a idade
Prorrogar o prazo, a validade
Da frágil matéria que utilizamos
Disfarçando as marcas da realidade

Entretanto ainda que insistamos
Conservar intacta esta plataforma
Enfrentamos pasmos desafiando a hora
Que chega o fim e leva embora
Tudo e o todo de toda forma

O que alenta é que há sementes
Mudas, semens, ovulos, polens
Maneiras que refazem da dura sina
A vida brotar intensa e nos lembrar
Que a morte mata, não extermina
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OS MEUS POEMAS

Os meus poemas saltam a página do word
E vagam pelas redes buscando olhos sorrateiros
Que os levem para algum íntimo displicente
Esquecido aberto como vidro de janela
Por onde possam adentrar singelos
Tomando de assalto sensíveis almas
Que concentram o discurso e admiram a arte
Da chuva e sol, pingos e bolhas
Habitantes virtuais de qualquer frase dita
Debaixo das surdas linhas de uma tela
Numa plataforma qualquer azul ou amarela

Tenho mais do que preciso para compor:
O pão de cada dia sobre a mesa me é farto
A água que me lava os pés, escalda as dores
Traz o conforto da prudente sorte
A sabedoria que no momento alenta
Enche a pia e a cama de alegres cores
Na simetria que propicia a solidão do afeto
E os meus rascunhos desenhados entre estrofes
Saltitantes pelos dedos e o teclado
Encenam um idealizado e indefinido palco
Os capítulos que me acentuam a mente

E inconsequente quando não escrevo
Torno-me amorfo, indeterminado e quieto
Pois não tenho outro vício senão este
De desprender meus versos como se despega um filho
Se entrega um brinde, faz-se um sorteio.
Empreendo justa a ilógica tese de fazer poesia
Pelo único presunçoso propósito:
Reverenciar a palavra ideal e o meio
De fazer-me util entre o linho e a linha
Que separa a realidade e a utopia
Que fermenta o vinho e enobrece a vinha
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ERMITÃO

É tua esta lua que mandei fazer
Por tese redonda e nas demais fases
E o que fazes para ve-la te-la merece-la

Tua esta plácida relva
Esta viçosa selva todas as colinas e jardins
E por onde andam os teus olhos que não sabes distingui-las

Incendiei os astros acendi as estrelas
Abaixo e acima das nuvens densas e raras
E como consegues ignora-las nem percebe-las

Aprendeste a fazer tuas casas
Criaste asas abriste trilhas e estradas cercastes os quintais
E até hoje não aprendestes ir

Pintei esta magnifica tela
Com cores sabores cheiros e encantos de terra
E lidas com ódio e provocas guerra por ela

Este solo e a carreira que te elabora
Não condizem com o império que te fiz
Escondeste esta certeza toda unicamente por prazer

- Eremita por que então te isolas?
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OPORTUNIDADES

Sempre haverá um dia recomeçado
Alguma notícia mais recente
Um caminho próprio novo
Conecções seguidamente amáveis
Uma idéia que reluz e inova
Desmesurados saberes que ensinam
Alentos que revelam e renovam
Amizades e amores reanimados
Expectativas seguras, estáveis
Sentimentos profundos, sinceros
Fatos que perpetuarão irretocáveis
Momentos que partilham e acrescentam
Passeios por recantos inesquecíveis
Sonhos e devaneios paralelos
Recortes e retalhos apropriados
Ventos que retomam as rotinas
Viagens por atalhos improváveis

A todo tempo inauguramos oportunidades
Ou desistimos feito chafarizes desligados
Eixos sem hélices, movimentos sem espaço

Sabe, viver é uma farsa em duas vértices
Ou vai-se à frente ou perde-se o passo
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OPERÁRIOS

Encontre as tuas próprias águas
Aquelas que sejam dignas de formar teu rio.
Valorize tuas nascentes
Os olhos que vertem as cristalinas gotas
Para no percurso formarem cachoeiras
Vertedouros, bacias e surpreendentes baías
Entre os maciços e morros e no entorno
Saborosas beiradas de areia.
Aprende acolher em teu peito
Os aventureiros e frágeis riachos
Que despretensiosos salpicam das veredas
Para dentro de teu leito aninhar e dormir
Como se houvessem encontrado os próprios mares.
Tenha calma nas curvas com a correnteza
Bate firme nas pedras sem machucar o encantamento
Sem denegrir suas belezas ou represar os sentimentos.
Embarque teu veleiro
Singra enquanto há calmaria e vento ameno
Respeitando as dores das matas ciliares
Entendendo os inaudíveis sons das certezas
Ciente de que a vida é a viagem
Que fazemos refazendo como simples
Operários da divina natureza.
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FIRME E SEGURO

Não deixarei de viver
Simplesmente porque a morte
Insiste em roubar-me os anos
Diminuir meus dias
Reverter meus planos

Por ela beberei sem remorsos
Saltarei minhas lágrimas
Jantarei regularmente
E vou dormir sereno
Sem pressa e mágoas

Ainda que a mente esclerose
E os movimentos sejam parcos
Não desejo apoitar meu barco
Em porto firme e seguro
Longe do turbilhão das águas

Pois não é assim que aprendi
Senão o destemor e a persistência
Daquilo que sou por merecer
Adaptando-me à aventura
Desta breve existência

O único cuidado que tomo
É adiantar as escritas
Dos versos iludidos com as penas
Da vida que me é furtada
Mas não dos meus poemas
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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!