Escritas

Lista de Poemas

CONFIO

Somos assim tão semelhantes
Tão puro teu modo de agir
Teus gestos mansos, transparentes
Límpida se torna minha alma em ti

Vagando em vão pelo deserto
Perdido em meio à multidão
Te sinto em mim, de mim tão perto
Me encontrarás na imensidão

Se o fracasso me abater
Sobre meu ombro vir morar
Eu tenho fé no teu perdão
Não vacilarei jamais!
Resgata-me em tuas mãos
Descansarei porque confio
Eu tenho fé no teu perdão
Não vacilarei jamais!

Terei a fé dos pescadores
Que destemidos buscam os mares
Enfrentam ondas, tempestades
E tornam seus barcos ao cais

Jamais fugirei dos desafios
Vivenciarei teus dons eternos
És o caminho, és a verdade
Tua palavra é meu farol
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TORPOR

Faz frio lá fora.
Agora aqui dentro queima
Uma dor que desatina
O juízo de quem teima
Acreditar que o torpor
Seja só uma rotina.
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IMPESSOAIS

Pendurados nas paredes
Olhos espiam onipresentes
Vigiam até mesmo pensamentos
Gravam nossos modos constantes
Transformam em presente passos
De minutos atrás
Ainda que se conteste
E prove a que se preste e pretende
Sem que se perceba ou incomode

Disfarçados detectam movimentos
Frívolos sem preocuparem-se
Com nossa obsessão e desejos
Registram arrepios, olhares, risos
Argumentos impessoais, tiques
Nuances nos ângulos indiscretos
De quem passa, fica, sai
E até o que mesmo nem chega ou vem

Revejo o emaranhado dos teus cabelos
Tua resoluta vontade de chorar
A intenção em contornar o objeto
Os lampejos e brilhos dos gestos
Pelo tempo que quiser do agora
E ainda se não mais puder te encontrar
Fico com as imagens sem endereço
Desafiando apegadas meu olhar
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ÚMIDA

Ela não sabe
Se sai com guarda-chuva
Sob o sol
Se usa o guarda-sol
Sob a chuva
Se guarda tudo
E toma chuva
Ou sol
Ou sol
E chuva

Se espera à sombra
A chuva passar
Pelo sol
O sol
Desmanchar a nuvem
Que sobre ela
Faz chover

Então aguarda úmida
O tempo se resolver
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POEMAR

Recrutarei outros conceitos para novos poemas.
A ideia usual até permaneceria comum e corriqueira
Afinal não se pode modificar tanto quanto se queira
Apenas com palavras, sejam novas ou as mesmas.
Poderei até vestir minha máscara com nariz vermelho
Pronto a continuar mentindo poesia por onde passar.
Há quem ache meu poema não ser verdadeiro.
Creio chamam arte a esse sacrossanto exercício de poemar
Nesta cotidiana reflexão diante deste velho espelho.
Não, não importa em qual dia da semana ou do mês;
Continuarei viajante estradeiro, peregrino, caminheiro
Mas deixarei de ser estrangeiro – é isto o que a poesia faz –
Portador das laboriosas e estupendas capsulas de paz.
Se quiser vir comigo, traz tua virtuosa memória
Somaremos nossas rimas, rimaremos o desaparecimento
De todas as mazelas existentes no pensamento.
É, não há melhor remédio que remedeie as intrigas
Senão a velha verve e a rima de um bom cancioneiro.
Cruzaremos o mundo versejando sobre alegorias
Compondo estrofes para singelas cantigas
Depois descansaremos entre os hemisférios
E dormiremos livres nas páginas de algum livro
Sob os olhos entre as mãos de algum menino.
👁️ 146

POEMAR

Recrutarei outros conceitos para novos poemas.
A ideia usual até permaneceria comum e corriqueira
Afinal não se pode modificar tanto quanto se queira
Apenas com palavras, sejam novas ou as mesmas.
Poderei até vestir minha máscara com nariz vermelho
Pronto a continuar mentindo poesia por onde passar.
Acho chamam arte a esse sacrossanto exercício de poemar
Nesta cotidiana reflexão diante deste velho espelho.
Não, não importa em qual dia da semana ou do mês;
Continuarei viajante estradeiro, peregrino, caminheiro
Mas deixarei de ser estrangeiro – é isto o que a poesia faz –
Portador das laboriosas e estupendas capsulas de paz.
Se quiser vir comigo, traz tua virtuosa memória
Somaremos nossas rimas, rimaremos o desaparecimento
De todas as mazelas existentes no pensamento.
É, não há melhor remédio que remedeie as intrigas
Senão a velha verve e a rima de um bom cancioneiro.
Cruzaremos o mundo versejando sobre alegorias
Compondo estrofes para singelas cantigas
Depois descansaremos entre os hemisférios
E dormiremos livres nas páginas de algum livro
Sob os olhos entre as mãos de algum menino.
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POEMA DO OLHAR PERDIDO

Às vezes meus olhos teimosos
Tentam encontrar algum olhar perdido.
Quando dou por mim estão distantes
Fitando as janelas dos trens
Divisando na multidão que vai e vem
Algum olhar indiscreto, inconstante.
Na mesa de qualquer restaurante
Dentro dos taxis cruzando a cidade
Na fila de espera do consultório
Em frente à televisão
Nas fotos das revistas que mostram o nada
Nos cães estirados nas varandas
Nas janelas abertas para a brisa da tarde
Na face de um outdoor na estrada
Nas igrejas e na chama da vela que arde
Entre os pares que se amam e enxergam.

Olhar tantos olhos é o que mais vejo
Indiferentes não me contentam.
Tu nem imaginas o quanto os invejo
Porque perdidos estão os meus
Que nunca te encontram.
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IGREJA

Sei que me carregas pela mão
E que me transformas pela fé
Que me aceitas sempre como eu sou
E que me amparas porque quer
Sei sou o menor dos filhos Teus
Mas Tua bondade me engrandece
Sobre Tua mão me apoiarei
Pois Tua verdade me enaltece

Nasça sempre em mim a piedade
Ao compartilhar a Tua luz
Semeando a paz pela seara
Levarei Tua palavra
Por onde o amor conduz

Não me bastaria a Tua benção
Se não abençoasses meu irmão
Por isso quero ser Teu instrumento
De misericórdia e união
Isto é ser Igreja num só templo
Fortificados na fraternidade
Então bem unidos viveremos
Repartindo o pão da caridade
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FORA DE MIM

Minha vontade gostaria de morar
Na rua dos insensatos
Naquela vila tranquila
Que nem é cidade nem mato
Onde crianças brincam soltas
Correndo entre cães e gatos
E toda a gente desperta
Com a sinfonia dos galos
Cheiro de café com bolo
Pão quente, manteiga e broa
Onde se canta e se ri à toa
De tanto que tudo é farto
Vizinhas trocam sal e açúcar
Cebola, óleo emprestado
Tramam final de semana
Compartilham remédio e receitas
Num mundo imaginado

Num início e fim de curva de estrada
Descomparando o sol
Totalmente habitado
Dentro das minhas leis
Mas fora de mim irreconhecível
Vive um desertor deserdado
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O VENTO TE ALISA

             Paulo Sérgio Rosseto

Quem traz mais ilusão ao teu cotidiano
A noite ou o dia ambos repletos de magia;
Quando o sol acende o meridiano
Ou sempre que no ocaso descansa?

Quando afirma indaga ou das paixões duvida
Põe teus sonhos na precisão da balança
Vê se cabem naquilo que atende
E se adaptam à tua fantasia de vida

Lastime somente se perder o compasso
De resto é sorte que se rende ao acaso
E ininterrupta luta por harmonia

Deixa entender de onde vem tua brisa
O ar com quem divides o que respira
Os dias virão enquanto o vento te alisa

@psrosseto
@taperapua_editora

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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!