Escritas

Lista de Poemas

RENÚNCIA

                  Paulo Sérgio Rosseto

Falo de ti poesia
A quem possa escutar minha fala
Das mil maneiras que tenho para que consigam me ouvir
Sem precisar que entendam minha língua
Ou necessite explicar simplesmente
O uso de palavras que tomo por minhas
Para descrever-te

Além do mais escrevo para que o tempo registre
E me tenha por adepto da cotidiana escrita ser parte
Estendida dos sinais que te revelam avassaladora
E denunciam a expertise de tua significância

Ser ou não feliz não é mais escolha
Apenas resultado de absoluta renúncia
Pela arte

@psrosseto

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ENCONTRO

Equivocou-se
Quem rabiscou a folha
Escondeu o livro
Rasgou a revista
Em que fora escrita
A rota o mapa o registro
Onde tua alma habita

Rastreei o destino
A sorte o acaso
Achei a pista
Encontrei a luz que irradia de ti

Descobri o perfume do teu veludo
A beleza azul que te esconde
Na maciez do teu vestido

Você é minha sina
E magnifica esta aqui
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DESCALÇOS

A gente prepara o futuro mas ele chega e nos apanha descalços
Como relâmpagos atrás do escuro diferençando seus finitos
Percalços que atravancam sanar as nossas possibilidades
E logo após seus trovões arrebentam ateus tímpanos
Destapados interpostos a brutamontes ventanias

Ventos de magras palavras e grossos calibres
Diminuindo-nos ao ultrapassado instinto
Sobrevida além desse tempo ausente
Carcomendo lerdo e mansamente
Suas instadas beiradas da vida

Sempre se esvai apagando
Pelo pavio e pela cera
Na chama da vela
A diminuta luz
Queima-se

Nela
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PASSAGEM

Quem passa
Segue um caminho
Veio por ele e por ele
Seguindo vai
Ou por ele veio e agora
Vai por outro
Depende da escolha
Da sorte da sina
Consegue seguir ou decide
Voltar

Quem volta não peca
Somente refaz
Se ganha ou se perde

Quem segue não sabe
Se chega ou se volta
Adquire ou desfaz

Se ultrapassa da ponte
Além da fronteira
Pela cega porteira da emoção
Depois ou aquém dos limites
Infindos limites
Somados à ocasião

Após a viagem
Sobram sempre certos
Restos da passagem
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INSEGURANÇA

Não temo que pule meu muro
Nem desmantele os segredos que guardo
Tenho medo é da insana loucura
Que irrompe do nada
E te faz desumana.
Tenho medo do teu preconceito
Ojeriza que te desatrela
Faca cega que corta o vazio
Tenho medo do teu poderio
Que te faz insensata.
Amedronta-me essa covardia
Desmedida e desconexa
Paradoxal e até paralela
Que esfacela conceitos
E te põe tão perversa.
Inseguras são tuas respostas
Sem noção são as tuas perguntas
Deus me livre das tuas maldades
E por total caridade
Ignore que existo.
E se não puder sanar tuas dúvidas
E se minha presença inquieta
Reze o terço e toda ladainha
Abra o leque se abane sozinha
Depois vê se me esquece.
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MELANCOLIA

Eu não ousaria mexer na solidão
Quando esta só significaria
Esconder o próprio coração
Dos existentes amores
E daqueles que porventura virão

Perceber se é possível fugir
Para algum horizonte sem luz
Onde o olhar não possa alcançar
Onde o amor resista adentrar
Faz sofrer ver o mundo ruir

Enquanto espero sozinho
Passar esse atroz turbilhão  
Vão-se meus dias e as noturnas canções
Sem qualquer razão de alegria
Que me tornam assim tão tristonho
 
Eu não saberia compor outra melodia
Enquanto meu peito padece

A máxima incerteza que aflita
Depura a melancolia
De pura melancolia
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ELEGANTE

Se triste é ver um semblante chato
É terno acolher um semblante triste
Pois a tristeza é diferente do sorriso falso
Este sim existe escancarando a face

A tristeza normalmente usa disfarce
Esconde-se atrás de qualquer rosto nulo
Que por vezes nem parece estar cansado
Com o sofrimento que em si abate

Aprende-se com as quedas a enxergar
Verdades e superar dificuldades
Rotineiras que a vida em reservas impõe

Sábio é quem se interpõe ao cotidiano
Enfrenta obstáculos e serena ciente
De que mesmo a tristeza o põe elegante
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DANCEMOS

Dancemos enquanto ainda é possível a mente
Mexer essa esquelética caixa de sangue e ossos
Em que as dobras já nem quase estão mais juntas
E as gastas juntas nervosamente mal respondem
Às ordens tardas do pensamento

Dancemos como dança a chama no seio da acesa brasa
Aparentemente adormecida no interior do carvão precoce;
Basta que uma molécula de oxigênio a desperte
Que ela nos pede a sábia paciência em aguardar flanando
O calor que emana do fogo ao dourar a carne

Dancemos pela espontânea precisão dos passos
Que bailam de braços dados com os ritmos
Cadenciados da batuta nas mãos hábeis do maestro
Ainda que seja um só o instrumento que toque
Ou a plêiade de sons que emanam da orquestra

Dancemos por onde houver música alegria e vontade
Ou ainda no recolhido silêncio do templo de cada um
Porque dançar aclara os amores enleva o espírito e a alma;
Dancemos enfim largados ou de rosto colado à poesia
Pelos bailes da vida nos requintados salões da saudade
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O ASSANHO DO VENTO

Quando faço tinir a corda do violão
O som acorda e acordes ressoam
Em diferentes tons de uma musica boa
Que brota do estojo que mora
No bojo do coração

Esse mesmo ar assopra a flauta, faz melodia
Repica nas mãos o bumbo e o carron
Zune no centro da minha voz
Chega aos céus como louvor
Constrói a paz que se precisa
Fortalece minha alma em festa

Enquanto o pulso compassa
E o corpo resoluto respira
Todo meu ser baila suave
No espaço junto às notas que flutuam
E fazem meu peito sereno arfar

Mas há um momento
Em que a orquestra para
Encerra e termina a cantoria
Então a noite silencia
Para que eu possa ouvir lá fora
O assanho do vento assoviando
Ninar meu sono com sua canção
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PELA VIDA

Lá pelas tantas da vida
Quando se arruma um amor
O amor desarruma tudo
E desestabiliza a logica
Que se derrama de paixão incontida

Lá pelas tantas o amor
Desestabiliza a logica
Desarruma o todo
De quem arruma paixão
A certa altura da vida

Mas que seria da vida
Se não fosse a logica do amor
Em qualquer estagio de paixão
Ainda que desestabilize
Incontido o que se derramou?
 
Que importa derramado
Desestabilizado e ilógico
Se a paixão refaz e renova
E o amor renasce e revive
Em qualquer fase da vida?

A resposta quem dá é a coragem
De amar e apaixonar-se incondicional
Sem importar-se se revive ou renova
Desarruma ou desestabiliza
Quem encontra paixão e amor pela vida
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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!